domingo, 28 de setembro de 2014

Ervas, memória e o sacana do alemão

Não consigo perceber porque é que numa conversa sobre comida, nunca me lembro do nome daquela daquela erva... espera... salsa, coentros, cebolinho, segurelha, cominhos, tomilho, alecrim, hortelã............... mangericão!!!
Porra, que tive de ir procurar à net! Juro que não percebo porque é que não consigo fixar o nome "manjericão" quando gosto tanto, uso e nem é uma palavra estranha. Estranho sou eu!!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Boxers, roupa de cama e tiques nervosos

A primeira vez que se veste uns boxers - não a primeira vez na vida, que essa sensação é de facto excelente... quanta liberdade, caramba! - eles ficam confortavelmente no lugar, mas depois de se caminhar um bocado, conduzir umas horas ou andar por casa a fazer alguma coisa, transpira-se. Se vamos ao wc, por exemplo e os voltamos a subir e a "encaixar" no sítio, já não é a mesma coisa!! Os minutos que se seguem são tenebrosos e de extrema e acutilante inquietação, puramente angustiante! Nada parece ficar no seu lugar, o tempo pára e o mundo deixa de fazer sentido, sendo que nos primeiros passos que se dá sente-se que temos um andar novo; depois estica-se uma perna, põe-se um braço no ar, abre-se a boca para o canto superior oposto ao da inquietação, coça-se atrás da orelha, "desentala-se" os boxers num ridículo e desenfreado "puxa daqui e puxa dali" como se de um lençol de cama de solteiro para cama de casal se tratasse... é um pesadelo ao vivo e a cores!! Mas de certa forma a coisa magicamente acaba por ir ao lugar e algumas horas depois já não nos lembramos, mas a verdade é que nunca fica como logo de manhã!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Bancos, lata e muito merdum

A publicidade do novo banco 'Novo Banco', passo a redundância e não é só aqui que parece um nome, vá lá... parvo, já anda a rodar na rádio. Entre outras coisas, algumas verdadeiras, outras nem tanto, dizem e passo a citar "com a experiência confirmada de mais de 6000 colaboradores". Ora toda a gente sabe ou se não sabem deviam saber, o monte de esterco, enganos e falcatruas em que este banco vai nascer e, ao que tudo indica, florescer... pelo menos até serem apanhados na curva outra vez. Entretanto o que mais me incomoda, além do óbvio, é a desfaçatez e a lata de usarem o argumento da "experiência confirmada" dos mais de 6000 colaboradores, sabendo-se que muitos deles vão deixar brevemente de "colaborar"... ts ts ts

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vida, humor e combustão espontânea

Sem dúvida que os indivíduos mais irrequietos, brilhantes e capazes de puxar pelo melhor nos outros, possuem mentes atormentadas. Têm personalidades desequilibradas e emocionalmente danificadas. Questionam-se a todo o momento, são extremamente exigentes consigo próprios e levantam constantemente a fasquia, aperfeiçoando-se sobretudo na sua forma de dar, potenciando em igual medida a sua capacidade de sentir e por vezes é demais, não aguentam tudo o que o mundo lhes oferece e o que o reconhecimento lhes traz, sendo invariavelmente o combustível que os faz andar mais e melhor e muitas vezes os incendeia por dentro! Dão muito, expõem-se mais, entregam-se demais e depois ficam vazios, consumidos pelo desequilíbrio que é viver cada segundo no fio da navalha, no momento, tanto dentro de si como à volta e no meio dos outros. É extenuante e nefasto, como se comprova: os melhores partem sempre mais cedo.

Robin Williams era um ser humano excepcional, cheio de defeitos e contradições mas amável, disponível e dono de uma sensibilidade, humor e inteligência fora do normal, uma pessoa única, que deixa marcas indeléveis e muito para se ver, ouvir e sentir bem para além do ainda assim pouco tempo que por aqui andou. Sofrendo ou não, teve uma vida cheia e deixa belíssimas recordações.
Atrevam-se a ver filmes dele como Dead Poets Society, Good Will Hunting, Fisher King e tantos outros, mas principalmente a fazer standup comedy (Weapons of Selfdestruction), onde ele estava completamente à vontade e era (muito mais) ele próprio.

Não se perde só um grande actor e um marcante standup comedian, perde-se sobretudo um ser humano de enorme valia e valor.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Telemóveis espertos, normais e chatos

A pior coisa que aconteceu a quem tem telemóveis 'normais' foi terem aparecido os smartphones. Já não faço parte deste primeiro grupo, sou dos chatos que envia mensagens como se fosse 'chat' e mói os desgraçados que do outro lado passam o tempo todo a ouvir o telemóvel apitar a cada sms que recebem... no meu caso, a cada 'enter' que teclo!
De vez em quando lá oiço o sermão: "epá, que maluqueira de ésse-eme-ésses demoníacos quando falamos por mensagem! aquilo apita que nem doido a cada 3 segundos! tu orienta-te porque se me dá uma tataínha manhosa!"

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Andares, exercício e PDI

Começas a aperceber-te que estás a ficar velho quando depois de voltar a fazer exercício físico, passado algum tempo de marasmo, não é no dia a seguir que te custa, mas dois dias depois, em que parece que ganhaste um andar novo... literalmente a arrastares-te!! txiiiii

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Brasil, goleada e humor do demo

Há que ser positivo, neh galera!?
A melhor parte de uma desgraça, por mais vergonhosa que seja, é o investimento na recuperação psicológica e emocional através do sentido de humor e aposto que mais de metade do que tem aparecido na internet - algumas piadas e observações, verdadeiramente geniais!! - é feito por brasucas. Ah valentes!!

sábado, 5 de julho de 2014

Música, viagens no tempo e coirão de barbearia

Durante anos (ANOS!!) procurei por músicas a capella de um tipo muito específico de coro que havia nos EUA dos anos '30. Muito ao género dos trios femininos da década de '20 (Andrew Sisters) e dos quartetos femininos da década de '40 (The Chordettes), nos anos '30 havia os quartetos das barbearias.

As minhas referências eram de filmes e de um ou outro tema com arranjos vocais desse género.

Lembro-me dos 'Tet Vocal', que tinham muitos arranjos a roçar o género; os Queen ("Bohemian Rhapsody") e os Beach Boys ("Sufer Girl"); no segundo álbum d'Os Azeitonas aparece um tema muito interessante com vozes muito bem esgalhadas; o Sérgio Godinho ("A Deusa do Amor"), a KT Tunstall ("Stoppin' The Love") ou os Everclear ("So Much For The Afterglow"); o quarteto do advogado Ted da série Scrubs; noutro dia vi um episódio de 'How I Met Your Mother' em que dois Barneys e dois Teds cantavam a capella o tema "For The Longest Time" de Billy Joel e já aqui há tempos tinha visto um bocadinho do filme 'The Music Man' de 1962, onde aparecia precisamente o que tanto procurava e sempre sem sucesso...

Hoje, durante o ensaio da minha nova banda e a tentar explicar os arranjos vocais que fiz para um tema meu - "É Melhor Seres Tu" - lembrei-me de procurar por 'choir types' no Wikipedia e dei com o que queria: BARBERSHOP QUARTET!!!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Casa de banho, duche e apontamentos

Ontem estava na casa de banho do meu local de trabalho e tive uma ideia que me deixou entusiasmado! Como não tinha onde apontá-la, fiz por me tentar lembrar e decidi pensar nela ciclicamente para que não se escapasse da memória até chegar ao telemóvel ou a um papel e caneta... claro que me esqueci e passei o dia todo a tentar lembrar o que seria, sempre sem sucesso. Hoje, heis-me no referido local, de telemóvel na mão, a escrever este post depois de me ter lembrado da ideia de ontem. Assim que aqui entrei veio-me logo à cabeça!
Já não venho ao wc sem o telemóvel ou pelo menos uma caneta e um caderno de notas ou uma folha de rascunho que seja!!
Pena que não dê para levar nada disto para a banheira... quantas coisas me ocorrem enquanto tomo banho!! Letras, riffs e melodias, ideias para o blog, possíveis novas receitas... uma parafernália de coisas interessantes e que se perdem pelo ralo, enquanto escorre a água do duche.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Televisão, linguagem corporal e chicos-espertos

Noutro dia estava a ver uma notícia sobre o comandante da Protecção Civil acusado de desvio de verbas e a pensar... serei só eu a achar que se consegue tirar o azimute a estes chicos-espertos pela pinta, expressões faciais e linguagem corporal!?

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Dicas subversivas, carros e coletes

Se um dia forem apanhados a mudar um pneu ou coisa do género, sem o colete, digam que não têm colete no carro, mesmo que tenham! A coima por não ter o colete é 60€, já por ter e não o utilizar é o dobro (120€).

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Morte, amor e ironias da vida

A propósito da morte estúpida do irmão de um grande amigo - todas as mortes são estúpidas mas é pior quando parte alguém tão novo, cheio de vida e coisas boas para dar e ainda por cima por acidente...


Quando se ama a presença enche-nos e torna-nos leves e a ausência vaza-nos mas deixa-nos pesados... é um dos paradoxos e ironias estranhas da vida.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Vida, amor e viagem

A malta hoje em dia distrai-se facilmente com a 'festa' e a 'celebração' que vai dentro da carruagem. Ligam demasiado ao imediato, à ilusão da imagem e não vêem para além da maquiagem. Não conseguem apreciar a paisagem! Muitos até se deixam ficar, a curtir 'a cena', a viver o momento num vagão desacoplado e à deriva, que o comboio, esse, lá partiu e seguiu viagem.


"Solteiros 3.0: o amor deixou de ser para sempre?

O solteiro 3.0 muitas vezes nem se chegou a casar e aterra sem pára-quedas numa espécie de meia-idade prematura, cheio de energia e alegria, como se tivesse renascido da uma morte lenta

O mais provável é que nunca tenha sido para sempre. Não me refiro ao amor de pais aos filhos, esse doce sentimento familiar que raramente se corrói e subsiste a males e desgraças. Nem do amor ao próximo e aos animais. Falo do amor que nasce da paixão e fica quando ela não resiste. Estaremos perante um novo paradigma social, face à nova onda de relações assentes em contratos a termo?

Não me parece. A mudança a que estamos a assistir é condicionada e aparente. Condicionada, porque os nossos comportamentos só estão mais visíveis, mais transparentes e mais fáceis — socialmente esta mudança está a ser mais aceite. Aparente, pois há um século a esperança média de vida era de 50 anos e hoje ronda os 80. Vivemos mais! Portanto, muitos dos que achavam que amavam para sempre, simplesmente não viviam tempo suficiente para descobrirem que talvez não. O mesmo efeito acontece com a saúde: as doenças cardiovasculares só chegaram ao topo das causas de mortalidade porque as pessoas passaram a viver tempo suficiente para o provar, uma vez resolvido o problema das infecções.

Este é obviamente apenas um dos vértices da questão. Porque o argumento mais importante é que hoje as pessoas resistem menos a viverem num amor morto, numa relação que transforma o lar numa casa mortuária feliz, onde a câmara ardente se vive com a tranquilidade de quem se habituou à ideia que basta sobreviver. O tempo dessa condescendência já passou e, em parte, graças à tecnologia que vai denunciando as pequenas infidelidades e as grandes deslealdades. E uma vez descobertas, já ninguém aguenta. Até porque o solteiro 2.0 — o divorciado de há duas décadas — era um marginalizado social de que não há memória. O solteiro 3.0 muitas vezes nem se chegou a casar e aterra sem pára-quedas numa espécie de meia-idade prematura, cheio de energia e alegria, como se tivesse renascido da uma morte lenta. Mais do que tolerados, já são socialmente normais. Bem vistos, até, por terem tido a coragem de querer voltar a viver e a celebrar essa vontade em animados festins de grupo.

Essa celebração é saudável, porque é autêntica e genuína. Porque tudo o que faz querer viver mais e sorrir melhor vale a pena. Mas substituirá no longo prazo a necessidade de um amor que fique? Julgo que não.

Será o amor para sempre impossível? Não. Provavelmente só é muito difícil, como tudo o que vale a pena. Porque o mais fácil é apaixonar-nos. Complicado é manter-nos apaixonados, interessados. Não é obviamente em câmara ardente que se segura um amor para sempre, mas duvido que seja com renovação de roupagem que nos fazemos vestir de felicidade. Precisamos de saber dar aos outros como se fosse a nós mesmos e interessar-nos por quem amamos como se fosse conosco. Porque só assim nos mantemos interessantes, precisos, parceiros, nossos. Porque essa é a característica patente nas relações que duram: nas relações familiares, quase sempre imortais.

Embora fundamental, este altruísmo para com quem amamos não chega. Precisamos de saber renovar, de aprender e dar de novo, de começar tudo como se fosse hoje a última vez. Como se fosse a primeira vez, num rastilho com cheiro a pecado até o aroma ser doce outra vez. Porque um amor sem altos e baixos é como um deserto: adormecemos na monotonia de uma paisagem sem cor."

in P3, por Pedro Barbosa • 07/05/2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Vozes, nozes e a praça cheia


Extremamente orgulhoso da noite de ontem, dos meus companheiros de banda e demais artistas envolvidos num espectáculo todo feito com a prata da casa - artistas/agentes/associações culturais e empresa locais!
Pela minha parte, agradeço o carinho de muita gente próxima que se fez notar antes, durante e depois e o calor absolutamente fantástico de um praça cheia de gente interessada num espectáculo diferente e sempre connosco do princípio ao fim. Levarei esta noite sempre comigo!
Obrigado

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Abril, praça cheia e gente viva

Évora, Praça do Giraldo - comemoração dos 40 anos do 25 de Abril (foto por Telmo Rocha, 2014)

De um punhado de imagens que possam efectivamente representar o que é a liberdade de um povo, talvez esta seja das melhores.
Há opressão, há coacção, há direitos conquistados que se vão perdendo, há uma nova espécie de fascismo no ar - por vezes sente-se!, no trabalho, no desinteresse pela causa pública, na ganância e egoísmo galopantes, nas notícias, na programação televisiva, sub-repticiamente até na internet e nas redes sociais, mas ainda há liberdade - com consequências, mas sempre as houve - para ter opinião, para nos exprimirmos, para sair à rua e até para dizer basta ...seja lá quando isso for!
A verdadeira revolução não será televisionada, não fará as capas dos jornais, não será recompensada de outra forma que não a de vivermos livremente, dentro de nós e com os que nos rodeiam. Há que limpar a cabeça de toda a merda com nos enchem e bombardeiam diariamente, separar o acessório do fundamental e perceber o que é realmente importante... ser-se livre vem sempre com uma responsabilidade e necessária maturidade acrescidas. É urgente ser-se gente, crucial ser-se emocional e pertinente ser-se desobediente!

Viva a Liberdade!! 25 de Abril SEMPRE!!!

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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sitcoms, viagens no tempo e bocadinhos bem passados

At first I was sort of like Barney, hopping to be Marshall. Then I was somewhat Marshall for a little while... but than I went to be Barney some more. And all this time I never, ever... EVER... thought I was anything like Ted, oh, but I am!

E foi o fim de uma fantástica viagem no tempo, durante 208 episódios e 9 temporadas. Mais uma série estranhamente marcante que acabou e com um final à altura! Depois de Seinfeld, Scrubs, Dharma & Greg e Boston Legal, agora foi o fim de How I Met Your Mother. Fica um vazio estranho e a ideia de que já não se vai fazer outra assim, but what the hell, it's only a sitcom!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Mentiras, máscaras e palhaçadas

Quando me perguntam porque não gosto do Carnaval e do Halloween e porque não prego partidas no 1 de Abril, só tenho um comentário…

Numa altura em que vivemos demasiado tempo no mundo da ilusão e do artificial, em que investimos tanto na virtualidade das relações e valorizamos tanto o acessório em detrimento do fundamental, faço os possíveis por não me mascarar, mentir ou deixar de dizer o que penso e sinto. E se houvesse pelo menos um dia do ano em que não se mentisse, ninguém usasse máscaras e fossemos verdadeiramente genuínos uns com os outros? Isso é que era de valor!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Telemóveis, tarifários e avacalhanço

Andava eu a sondar tarifários de telemóvel, para ver se mudava e poupava uns contes, quando me apercebi que há um tarifário que se chama 'WTF'. 'Yorn' era mau, 'Phonix' era pior e 'What The Fuck' então!? Mau, mas mau!!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Passarada, ansiedade e a invernia que não acaba

Este Inverno já vai longo... chato e comprido! Anda tudo sedento de bom tempo, sol e ansioso por deixar para trás estes dias cinzentos e húmidos. Até a passarada anda doida! Hoje gastei um depósito de água do esguicho do pára-brisas a limpar as monumentais cagadelas com que uma série de pássaros presentearam o meu bólide esta manhã. E prefiro partir do princípio que era mais do que um pássaro, senão até custa imaginar o tamanho do bicho e da sua frustração. Venha o bom tempo, catano!!

segunda-feira, 24 de março de 2014

A vida, a ideia e a ilusão

Por mais que se lute contra, evite ou ignore, vivemos no tempo da ilusão, daquilo que parece que é mas não é bem ou não é de todo!

A comida não é o que aparece na publicidade, muitas vezes nem no label da embalagem; alguns dos maiores negócios fazem-se sob a capa de ser "amigo do ambiente"; as modelos e os modelos não são nada do que aparecem nas revistas com tanto photoshop que é aplicado; há os que não envelhecem à custa do botox, silicone, lipoaspirações e milhares de produtos anti-envelhecimento; já ninguém tem pelos... em lado nenhum!; as luzes dos stands iludem quando compramos carros e motas; os trailers de filmes enganam, exageram, contam pedaços importantes da história e estranhamente ficam disponíveis largos meses antes da produção estar concluída; os livros vendem histórias gastas e enaltecem-se plagiadores; a música já não é bem música e vende quem monta o melhor espectáculo, pouco importando se canta mal - há softwares que ajustam desafinações em tempo real num concerto, quanto mais em estúdio! - e sabe-se lá quem escreve as letras ou de que falam... pouco importa com o barulho das luzes; as notícias dos jornais, rádio e televisão vêm de quatro ou cinco fontes noticiosas, pertencentes a dois ou três grupos de empresas, que se organizam para só deixar sair o que dá jeito aos poderosos; a justiça tem um preço e é parcial para quem a compra; os políticos são quase todos boys ou velhos do restelo; os concursos de televisão já não são por equipas, são individuais e achincalha-se quem perde; as telenovelas abusam nas mensagens publicitárias e enchem-se de causas bacocas; as revistas só mostram o que as pessoas têm, raramente o que são; os casamentos são fachadas e os casais não se esforçam por comunicar e resolver problemas que muitas vezes são apenas grãos de areia numa engrenagem que podia ser bem oleada; não há tempo para as crianças, que passam o dia inteiro ocupadas com trabalhos e tarefas como se fossem adultos e as poucas brincadeiras que têm "trancam-nas" em casa ,normalmente à volta do computador, da consola ou do telemóvel/tablet; os flirts ganham contornos via sms, mais descarados e muitas vezes pouco respeitadores (cortejar é prática em extinção!); os relacionamentos multiplicam-se pelas redes sociais, mesmo quando nunca estivemos presencialmente com aqueles "amigos" e nessas redes sociais as pessoas revelam-se com disparates, de forma desadequada e muitas vezes exageradamente, como raras vezes o fariam numa mesa de café com 20 pessoas a ouvir, quanto mais as centenas atentas na internet...

Estranho mundo, este!