Vi um vídeo no YouTube sobre a suposta morte da cultura das motas e de como nos anos '90 a idade média de quem tinha uma mota andava na casa dos 20 anos e hoje em dia andará na casa dos 50 anos. Que a minha geração - e as anteriores - procuravam fazer coisas divertidas na rua, enquanto que os miúdos de hoje ficam dentro de casa agarrados ao vício das redes sociais, consolas e outras coisas que vêm em ecrãs.
Tudo certo, concordo e assino por baixo, mas às tantas a youtuber referia que tinha deixado de ir a eventos de imprensa e apresentações de novos modelos porque sentia que o foco tinha mudado das motas em si e de as conduzir, para as specs, a análise dos números e as novidades face ao modelo anterior ou à concorrência e quando, finalmente, iam andar nas motas era muito mais para tirar as fotos e fazer os vídeos naqueles locais instagramáveis e não tanto pelo prazer de andar na mota e testá-la verdadeiramente.
Então ela enquadra o vídeo, feito na Islândia, um local incrível e mágico, mas inóspito e onde rara seria a pessoa que andaria por ali de mota naquelas condições, como fazendo parte do seu desejo de voltar às raízes e à primeira vontade de andar de mota, explorar e sentir a ligação com a paisagem.
Concordo com tudo o que mostrou no vídeo, mas não consegui evitar de comentar o vídeo com isto:
"A ideia de que, quando se conduz um automóvel se vê menos coisas do que quando se anda de mota depende muito da estrada, do contexto e do nosso estado de espírito nesse dia ou nesse momento. Adoro motas, muito pela sensação de liberdade que proporcionam, mas por vezes conecto-me mais com a paisagem e o contexto à minha volta e sinto-me mais à vontade a conduzir um carro do que a andar de mota, onde pode ser mais stressante tendo em conta tudo o que acontece à nossa volta... se a estrada for estreita e não der tempo de olhar para o lado ou se houver trânsito e até gente ao telemóvel enquanto conduz, se é um dia de semana e anda tudo com pressa para chegar ao destino e apostam nas ultrapassagens à papo-seco... enfim! Prefiro mota em certas estradas e com determinados estados de espírito e carro noutros. E também depende da mota... e do carro! A combinação perfeita dos dois seria, provavelmente, um descapotável... ou um roadster! :)"
Na linha deste pensamento e como já tenho partilhado com amigos que ficaram estranhamente espantados com as minhas mais recentes decisões neste departamento, fui muito positiva e agradavelmente surpreendido com a forma mais despreocupada e livre como posso andar na cidade numa scooter 125cc, relativamente a um carro e sobretudo a uma mota maior... e como posso chegar mais depressa e "sem espinhas" ao meu destino numa trotinete!
É que eu sempre vi as scooters como algo idiota, até ridículo, que jamais me daria prazer de conduzir... e, de facto, não dá! Mas, neste cenário, o prazer pode ser outro, como o de perder menos tempo no trânsito, chegar mais depressa ao destino, poder ir às compras e levar tudo o que preciso (exceção feita a garrafões de água, caixas de 25 minis ou pacotes familiares de papel higiénico), poder parar perto dos sítios onde quero ir e acima de tudo a facilidade de estacionamento, pois há sítios onde não deixaria uma mota maior, mas ninguém me chateia se deixar a scooter... e os consumos são brutais e a poupança é incrível!
E ainda há a trotinete, que uso nas ciclovias e passeios e nem tenho de me chatear com carros... nem motas! Levo menos coisas, é certo, mas levo-me a mim mais depressa e com ausência total de stress.
Haja dinheiro e espaço na garagem para ter um veículo para cada contexto e mood, que isso é que faz sentido!!
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