quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dia de Sº Valentim, Ferraris e diarreias

Mesmo porque eu quero, não vou tocar neste assunto chato que só serve de entretenga ao consumismo desenfreado!
Hoje, ao fazer compras num supermercado que se dissesse que era o Pingo Doce estaria a fazer publicidade desnecessária e com a qual não ganho nada a não ser mais um nanocentímetro de calo nas pontas dos dedos por teclar uma frase tão grande e essa sim perfeitamente desnecessária mas com ligeiro interesse do ponto de vista cómico, reparei numa publicidade da Activia onde se podia ler o seguinte: “Aceite o desafio Activia, regule o seu trânsito intestinal em 2 semanas e habilite-se a ganhar 100€”.
Ok, agora vamos colocar o Capacete da Verdade do Capitão Legendas (referência da sitcom Coupling) e traduzir o texto:
aceite = compre lá isto, vá! é que não podemos obrigar ninguém porque por enquanto ainda vai sendo ilegal fazê-lo
desafio = para colocarem as coisas nestes termos, e estranho a franqueza, é porque os iogurtes são mauzinhos
regule o seu trânsito intestinal = ok, eu nem quero pensar nos transeuntes que se passeiam pelos meus intestinos enquanto ingiro alguma coisa, se bem que depois de ter visto o Planet Terror do Rodriguez já pouca coisa me mete nojo
2 semanas = mesmo que não dê resultado, já está a dar lucro à Danone
habilite-se = sempre me parece melhor que com os tipos da Readers Digest (“você já poderá ter ganho”)
100€ = quem é que ganha estes prémios? com tanta coisa que oferecem por aí não seria de esperar que eu conhecesse pelo menos uma pessoa que tivesse ganho um elástico de cabelo da Ragazza, uma merda de um pareo da Máxima (que nem sei o que isso é nem quero saber), um faqueiro todo pipi da Caras, uma colecção de vídeos VHS do Poirot na TV Guia, um jogo de damas com as caras dos 4 violinos e outros heróis daquela época coladas nas peças, do Record ou da Bola, ou um daqueles 33 Mercedes do Jumbo?? Isto está tudo viciado, calha sempre aos primos e aos cunhados dos tipos que regulam esses concursos
Voltando à conversa séria (salvo seja) e ao texto corrido, que isto por tópicos quando é demais também enjoa (e por falar em enjoar) – sim, os parêntesis não enjoam! – parece-me estranho as pessoas que são entrevistadas nos reclames deles não dizerem que nos três primeiros dias em que beberam ou comeram o tal iogurte andavam de soltura – como dizem os velhos (e órinar também é giro e fica bem em qualquer parte de qualquer texto, por mais literário e sério que seja) – como se não houvesse amanhã. Epá, não dá jeito nenhum uma executiva – coloco a questão no feminino pela direcção mais que óbvia que dão a este tipo de publicidade, mas eu já experimentei os Actimel, que não sendo para regular o trânsito intestinal, também nos põem a cagar fininho nas primeiras doses – numa manhã em que vai fazer uma apresentação na empresa em que trabalha, ter de ir quatro vezes à casa de banho por entre os quinze slides que tinha pensado apresentar, ou o Goucha aceitar o desafio e dar cabo do directo porque passa mais tempo fora das câmaras do que no plateu e fica aquela loira estridente, que nada tem a ver com um Ferrari, a conduzir o programa e dar cabo do juízo às velhotas. Isto, que é bom e é verdade, ninguém tem coragem de dizer… pois tenho eu! Deviam dar Actimeis e Activias aos deputados da mui nobre Assembleia da República mas deixá-los só comer/beber dois dias de cada vez, intercalando com três dias de pacotinhos de Milo (ou Nesquick, pronto, senti saudades!). Assim andavam sempre e literalmente a cagar-se para a gente.

Post Scriptum (com cuidadinho, porque hoje em dia é lixado ser-se confundido com um socialista, passam logo a olhar-nos de soslaio): aquela cena do Ferrari é percebida apenas por quem prefere Porsches ou Lamborghinis, pois costuma dizer-se que um Ferrari não é mais do que uma loira histérica numa festa cheia de desportistas adolescentes.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sandochas, mitetes e condução perigosa

Quando por vezes vamos a comer uma sandocha ou uma tosta mística enquanto conduzimos e abocanhamos um pedaço de pão, que não sendo grande de mais para caber na sua totalidade na nossa boca, é manifestamente grande demais para passar os lábios e podermos manobrá-lo apenas com os maxilares e língua. Nesse preciso instante não conseguimos tirar as mãos do voltante e manete das mudanças e ali ficamos durante uns segundos a fazer a figura mais rídicula que é possível fazer-se enquanto se conduz (ou não!). Além dos exagerados mitetes faciais e de toda uma linguagem corporal digna de uma aula de protecção pessoal vista à distância por uma janela, ainda são acrescidos uma série de grunhidos, apenas audíveis pelas viaturas que seguem exactamente ao nosso lado no trânsito. Nunca a frase "ter mais olhos que barriga" acentou tão bem em alguém!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Batata-(dá cá aquela)-palha e uma possível dor de barriga

Hoje, ao preparar um belo de um prato de Bacalhau à Braz, reparei que a data de validade patente no pacote de batata-palha que comprei no Lidl sabe-se lá quando, tinha escrito “consumir de preferência antes de 10-02-2007”... ok! Não dizia “obrigatoriamente” pois não? Era mesmo preferencialmente!? Então não há-de haver grande crise, pois eu preferi, com poucas hipóteses de escolha, lá está, ou comia ou deitava fora e uma vez que já tinha juntado os ovos, optar por comer. Soube-me a pato! Entretanto já se passaram umas horitas e mantenho-me estou de pé! Diria mesmo mais, “firme e hirto que nem uma barra de ferro”. Ainda estou para saber que raio de ciência é esta a que determina o prazo de validade para os alimentos, medicamentos e outros que tal. Como e em que é que se baseiam para definir isso? Seja como for, e aqui deixo uma dica para quem vive (e cozinha) sozinho, dá sempre jeito ter uma caneta de acetato à mão para escrever a data em que se abre uma lata, frasco ou pacote. Desta forma nunca deixo passar muito tempo e sei sempre desde quanto aquele frasco de pickles ou de maionese está no frigorífico e evito ter de fazer demasiadas contas de cabeça, que mais provável seria não me darem qualquer tipo de resposta concreta em tempo útil. Agora um suponha-mos – sempre quis dizer isto: se no frasco que eu abri hoje, aparece uma data de validade de “Jun/2008”, sei que não dura até lá no frigorífico. Essa data é para indicar o tempo que dura dentro do frasco antes deste ser encetado. Picuinhíce? Talvez não! Seja como for, tenho sempre um frasquinho de Eno na dispensa bem a jeito… só não sei quando foi que o abri! Ahhhhhhhhhh!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

I'm back!! (parte dois)

Heis-me de volta do reino da Dinamarca sem ter trocado meu reino por um cavalo nem tão pouco um cavalo por aquele ou outro reino qualquer. Também não conheci o Hamlet mas fartei-me de ver coisas interessantes, as quais vou escrever e sintetizar num breve texto que aparecerá aqui muito brevemente, passo a redundância...

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Filmaças de culto

Hoje deixo-vos uma listagem simpática de filmaças de culto, mesmo a propósito do fim de semana, uma vez que na televisão só dá merda e com este frio só apetece ficar em casa na borralheira.

Grindhouse (2007), Quentin Tarantino + Robert Rodriguez (Death Proof + Planet Terror)
Ocean's 13 (2007), Steven Soderbergh
Crank (2006), Mark Neveldine + Brian Taylor
300 (2006), Zack Snyder
V For Vendetta (2005), James McTeigue
Sin City (2005), Robert Rodriguez + Frank Miller + Quentin Tarantino
Star Wars: Episode III - Revenge Of The Sith (2005), George Lucas
Ocean's 12 (2004), Steven Soderbergh
The Village (2004), M. Night Shyamalan
Un Long Dimanche de Fiançailles (2004), Jean-Pierre Jeunet
Kill Bill: Vol.2 (2004), Quentin Tarantino
Kill Bill: Vol.1 (2003), Quentin Tarantino
The Italian Job (remake 2003), F. Gary Gray
X2 (2003), Bryan Singer
Star Wars: Episode II - Attack Of The Clones (2002), George Lucas
Vanilla Sky (2001), Cameron Crowe
Ocean's 11 (remake 2001), Steven Soderbergh
Le fabuleux Destin d'Amélie Poulain (2001), Jean-Pierre Jeunet
X-Men (2000), Bryan Singer
Snatch (2000), Guy Ritchie
The Sixth Sense (1999), M. Night Shyamalan
Stir Of Echoes (1999), David Koepp
Fight Club (1999), David Fincher
Star Wars: Episode I - The Phantom Menace (1999), George Lucas
Matrix (1999), Andy Wachowski + Larry Wachowski
Magnolia (1999), Paul Thomas Anderson
American Beauty (1999), Sam Mendes
Ronin (1998), John Frankenheimer
Dark City (1998), Alex Proyas
Gato Preto, Gato Branco (1998), Emir Kusturica
Lock, Stock And Two Smoking Barrels (1998), Guy Ritchie
The Big Lebowski (1998), Joel Coen
The Game (1997), David Fincher
Jackie Brown (1997), Quentin Tarantino
Boogie Nights (1997), Paul Thomas Anderson
Deconstructing Harry (1997), Woody Allen
Bound (1996), Andy Wachowski + Larry Wachowski
From Dusk Till Dawn (1996), Robert Rodriguez
Four Rooms (1995), Allison Anders + Alexandre Rockwell + Robert Rodriguez + Quentin Tarantino
The Usual Suspects (1995), Bryan Singer
Revolver (1995), Guy Ritchie
Desperado (1995), Robert Rodriguez
Se7en (1995), David Fincher
Dracula: Dead and Loving It (1995), Mel Brooks
Pulp Fiction (1994), Quentin Tarantino
Robin Hood: Men in Tights (1993), Mel Brooks
Reservoir Dogs (1992), Quentin Tarantino
Delicatessen (1991), Jean-Pierre Jeunet + Marc Caro
Spaceballs (1987), Mel Brooks
2010: The Year We Make Contact (1984), Peter Hyams
Monty Python's Meaning Of Life (1983), Terry Jones + Terry Gilliam
Star Wars: Episode VI - Return Of The Jedi (1983), George Lucas
History of the World: Part I (1981), Mel Brooks
Airplane (1980), Jim Abrahams + David Zucker
Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back (1980), George Lucas
The Shining (1980), Stanley Kubrick
Monty Python's Life Of Brian (1979), Terry Jones
Star Wars: Episode IV - A New Hope (1977), George Lucas
High Anxiety (1977), Mel Brooks
Monthy Python's Quest For The Holly Grail (1975), Terry Jones + Terry Gilliam
Blazing Saddles (1974), Mel Brooks
A Clockwork Orange (1971), Stanley Kubrick
2001: A Space Odyssey (1968), Stanley Kubrick
Bullitt (1968), Peter Yates

É óbvio que me esqueci de um porradão de filmes e também que estou a ser tendencioso, mas este blog é meu e opiniões, cada um tem a sua! Bom resto de fds...

Notas:
clicar nos títulos e nomes para mais info ( www.imdb.com )
lista de filmes de culto (http://www.filmsite.org/)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ponham mais carne ao lume, ó'faxavor!

Eu quero desde já afirmar aqui publicamente que não tenho qualquer tipo de atracção, fantasia ou fetish pela Ana Malhoa. A rapariga não é roliça, nem tesuda, jeitosa ou qualquer outra coisa boa que se possa dizer dela. É uma badocha manhosa toda tatuada, com piercings de mau gosto que não tem ponta por onde se lhe pegue. Não percebo a onda de entusiasmo que esta mulher gera no meio cibernético. Já foi minimamente interessante, é verdade! Era simpática, grandalhona e com um valente par de trancas, mas desde que largou o Buereré que tem vindo a descer por uma espiral negativa vertiginosa qualquer para a qual não encontro explicação possível neste universo de leis quânticas. Neste momento, e como se pode comprovar pelas imagens (link em baixo), a menina Malhoa deixou de roçar o reles e o ordinário (a música não é para aqui chamada) para envergar com todo o orgulho aquele ar de rameira que só pode ter sucesso na área da pornografia rasca para geeks pervertidos e desajeitados que nunca fizeram sexo em toda a sua vida e fantasiam com bonecas de desenhos animados japoneses a serem violadas por extra-terrestres com vários membros peludos, que deixam ranho pela casa toda. Por favor alguém que ponha juízo na cabeça destes tipos que ainda puxam pela imagem duma Ana Malhoa has been (Maxmen's, blogs, sites, etc.)… essa pessoa já não existe! Aquilo é um monte de silicone, carne, metal e tinta da china. Tal como a Amália antes, deixem a Ana Malhoa morrer em paz – mesmo que seja só quando chegar a velhinha – e até lá preferia não saber por onde anda nem o que faz. Vai de recto Ana Malhoa!! Tantas saudades que tenho da Pamela Anderson a aparecer em tudo quanto era motor de busca, site e popup. Ainda que assim pró plástica, era de muito mais bom gosto e atingindo apenas um 6 numa escala de 0 a 10, punha a Bomba Malhoa assim num sólido -17.


http://www.gatas-qb.net/ana-malhoa/ana-malhoa-2.html

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

conversa mole para boi dormir

Uma vendedora de uma editora está a tentar vender livros ao gerente de um banco, entre eles uma edição especial da bíblia. No meio da conversa informal surge esta pérola.
Garanto-vos que foi tal e qual assim:

- o sr. é católico?
- não, sou céptico.
- desculpe a minha ignorância, mas isso é alguma religião?

...eu responderia "tá desculpada!"

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Em casa a definhar...

Hoje encontro-me, pela primeira vez em anos, em casa a definhar e a morrer. Se é verdade que começamos a morrer a partir do minuto em que nascemos, então neste preciso momento estou literalmente a dar força a esse processo nefasto que nos encaminha para a negritude total e final. Ou então tou só verdadeiramente engripado... seja como for, entre uma e outra, venha o diabo e escolha! O que me parece interessante em relação a todos os momentos da vida, sem excepção, é que podemos sempre escolher a forma como os vivemos e experenciamos, certo? Significa isto que eu posso abraçar a doença e curtí-la até à exaustão, ou seja, até à recuperação do estado de saúde plena. Pode parecer estranho (dass! então não!?) mas gosto de tentar sentir-me confortável em qualquer pedacinho de tempo e espaço e a doença não é excepção a essa regra. Se estou doente, pois bem, que esteja e que viva também isso com intensidade e entrega. Ficar em casa não custa nada desde que consiga esquecer-me de que fica mais trabalho para fazer em menos tempo nos dias que sobram do mês. Se conseguir evitar este tipo de pensamentos, até pode ser assim para o razoável a roçar o bom. Passar o dia inteiro em casa a ler com os olhos ramelosos, ver filmes e séries com a visão ligeiramente desfocada, escrever no blog com os dedos meio a tirintar por causa dos arrepios de frio - e a porcaria do aquecedor até está no máximo - ou ter de ir ao wc vezes e vezes sem conta para dar azo às mais estranhas expelições de tudo quanto é excrecências, acompanhadas dos mais curiosos ruídos e grunhidos é uma festa! Tudo pode ser aproveitado e transformado em prazer, é uma questão de postura. Quando somos bebés, na fase oral e anal, tiramos prazer do processo de controlo das coisas mais estranhas que podem entrar e sair de tudo quanto é orifícios do nosso corpo, é verdade!, então é uma questão de trazermos de volta essa forma de estar na vida para a fase adulta. Tossir, pigarrear, espirrar, cuspir, regorgitar, vomitar, tudo coisas que podem saber bem e dar prazer... ou não! Talvez seja melhor ignorarem esta colecção de barbaridades. De momento encontro-me a delirar com febre e talvez não esteja em mim mesmo. Engraçado é este meu alter-ego também querer participar no blog. Tem bom gosto!

Só uma correção: com algum custo e proactividade da minha parte, posso dizer orgulhosamente que não vomito desde a passagem de ano de 1997 para 1998.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

conversa entre dois gestores

- e os ladrões?
- ...ladrões!?!?
- sim, para cima de 10 políticos. Mas acabou por não ser nada por causa do subsídio!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Brasiu!

O que dizer do Brasil? Bem, de facto eu não conheci o Brasil, estive na Bahia, que é bem diferente. Aquela zona do país caracteriza-se pela harmonia perfeita entre povos: africanos, europeus e nativos. Não há brancos em lado nenhum, só os turistas (portugueses, espanhóis, italianos, americanos). Oitenta e tal porcento da população são pretos ou mulatos, os brancos não se notam porque estão torrados do sol. Aquela gente respira e transpira talento, na música, na dança, nas artes plásticas, em tudo e mais alguma coisa; no resto do Brasil costuma dizer-se que na Bahia tem muito talento… talento, tá lento… são os alentejanos lá do sítio! Não há stresses nem complicações. São calmos, pacíficos, profundamente ecológicos e preocupados com a Natureza, exageradamente religiosos e extremamente supersticiosos. Cumprem os rituais do Cristianismo (catolicismo e protestantismo) e do Candomblé no que a festas e feriados diz respeito. Costumam dizer que pelo sim, pelo não, mais vale rezar a todos! Festas é com eles, estão constantemente em festa. Dezembro, Janeiro e Fevereiro é tempo de Verão e Carnaval, uma só festa contínua e sem fim. No resto do ano é festa também, sempre. Eles lá vão arranjado desculpas e justificações para a boa disposição, que essa nunca falta. E tem de ser assim, porque a vida no Brasil é muito difícil! É uma dos países mais ricos do mundo em termos de recursos naturais e de facto há muita gente rica e podre de rica – vários prédios com cerca de vinte andares em que cada andar é um duplex com uma área brutal (talvez mais de 250m2) por volta dos 300.000 contos, com estacionamento para 3 carros por apartamento, marina privativa, varandas rotativas, muito ao jeito do Dubai, foi o que pensei na altura em que via e iam descrevendo, etc. – mas há muito mais gente pobre (pobreza extrema, se é que sabem o que isso é!) do que classes média, media-alta, alta, altíssima e extratosfericamente alta. Os combustíveis são praticamente do mesmo preço que em Portugal (são independentes na exploração de petróleo!), os restaurantes, cafés, bares, supermercados e shoppings têm preços tão ou mais altos quanto os nossos, e o nível de vida é, em média, igual ao nosso, mas o salário mínimo anda por volta dos 300R$ (+/- 150€). Só não percebi como seriam o preço das casas, apartamentos, carros e custos de água, gás e electricidade, mas fiquei espantado ao perceber que não há carros velhos e é raro ver-se um fusca a circular – a lei obriga a actualizar os carros velhos e torna-se incomportável, só os mais endinheirados têm carros antigos e clássicos e esses estão em garagens. A zona do Estado da Bahia, próxima do Equador que está, só tem duas estações: o Verão e a estação de trém. Está sempre calor e as temperaturas oscilam entre os 27ºC no Inverno e os 35ºC no Verão. Chove quase todos os dias mas eles não se preocupam em nadjica de nada – quem anda a pé ou de mota (só há motas de 50cm até 250cm), por exemplo – porque para eles não chove… rega! …e é uma chuva quente que não altera em nada a temperatura ambiente. As gotas são pouco espaçadas mas muito miudinhas, molha mesmo mas seca tudo num instante. A Baia de Todos os Santos é enorme e tem 55 ilhas, algumas delas do tamanho da cidade de Évora. A cidade de São Salvador da Bahia é linda e muito parecida com as nossas em Portugal (365 igrejas católicas na zona velha e zona histórica, uma para cada dia do ano, referem eles) em termos arquitectónicos e urbanísticos. Foi a primeira cidade e primeira capital do Brasil e tem Portugal presente em todos os recantos e pormenores (calçada à portuguesa, painéis de azulejos, etc.). A zona histórica, denominada de Pelourinho, ou Pelô, é composta por ruas de calçada antiga, casas todas recuperadas e de todas as cores, igrejas até mais não (carregadinhas de ouro que até faz impressão), barezinhos com esplanadas e muita música, música também na rua (Samba, Axé e alguma Bossa Nova), dança, baianas e mães de santo em quase todas as esquinas, escolas de artes patrocinadas pelos músicos e artistas baianos como o Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Ivete Sangalo, Netinho, entre outros (destinadas a tirar as crianças das ruas e educá-las), casas de artesanato, lojas de roupa, a casa do Jorge Amado (Fundação e Museu), a casa do Preto Velho, onde se vende rapé que cura tudo: dores de cabeça, sinusite e roncaria (é mesmo a casa dele com a porta e a janela aberta, a malta entra lá dentro, espreita, conversa com ele e compra rapé), e muita vida e Axé – significa energia e força. É de facto uma cidade fantástica! As frases “Alegria, alegria, que estamos na Bahia!!” e “muito axé p’rá você!!” ouvem-se repetidas quase até à exaustão, novos e velhos, transeuntes, guias turísticos ou vendedores ambulantes. Aquelas pessoas são intrinsecamente alegres e transmitem isso a toda a gente, sem excepção. A eterna questão da insegurança nas ruas não se nota, acreditem. Eu andei em grupo mas fiz algumas escapadelas por ruas estreitas para fotografar tudo e mais alguma coisa e nunca tive problemas. Há câmaras de segurança em todo o lado (ruas, lojas, onibus, praias) e muita polícia (militar, não há polícia civil, isso é que se estranha, mas é uma questão de hábito). Vi também muitos estrangeiros, típicos gringos brancos, completamente à vontade com câmaras fotográficas reflex, digitais compactas, roupa normal (não é só t-shirt, calção e havaianas como no Rio ou São Paulo… atenção que São Salvador da Baia é a 3ª maior cidade do Brasil, 3 milhões de pessoas só na cidade e 4 milhões e meio na zona metropolitana) e comportamento comum de turista. Fiz a zona da baia de barco, fui à Ilha dos Frades, onde deixavam os escravos trazidos de África a engordar antes de serem vendidos – eles convivem muito bem com o passado, não têm vergonha de nada. Visitei a Praia do Forte (“na praia do forte com o farol apagado”, Milla do Netinho), que é um sítio incrível e verdadeiramente indescritível, vão lá vocês ver! Fiquei a perceber que o preconceito que nutria (subconscientemente) sobre a alegada ou suposta música pimba brasileira não faz sentido algum. Axé Music não é pimba, são temas bem tocados por excelentes músicos, de ritmo vibrante e revitalizante/revigorante, com letras simples e por vezes românticas (naif). Cá soa estranho, mas lá faz todo o sentido! As praias são paradisíacas, coqueiros, palmeiras e bananeiras quase até ao mar e a água, que sem ser caldo, é bem quente. A comida é belíssima (fruta, saladas, carnes, bobó, moqueca, etc.), os sucos e as caipirinhas são excelentes (caipiroscas feitas com fruta esmagada no momento). Finalmente, uma última nota menos positiva: os tugas só estranharam o marisco e o peixe (não sei, porque não aprecio), que aparentemente não é tão bom como o de água fria e não é preparado/cozinhado como cá, pelos vistos é barato mas não é bom! Não há mais descrição ou detalhe que possa mostrar o que é a experiência de lá estar e viver aquele ambiente. Vale a pena lá ir!

domingo, 20 de janeiro de 2008

I'm back!!

Após algum tempo de interregno, algo nunca antes visto por estas bandas, volto à carga com mais posts. Peço-vos mais um pedacinho de tempo de paciência pois tenho muita coisa para pôr em dia e organizar, fisica e psicologiamente. Estive 10 diazitos no Brasil e trago muita coisa para contar e expôr ao brainstorm virtual desta comunidade cibernética e à nossa reflexão conjunta. Hoje ou amanhã estarei de volta com novidades fresquinhas! Mi aguarrdem...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

novas leis VS velha vontade de controlar

hum... nunca me apeteceu tanto fumar como agora e nem sequer sou fumador!

Espero que ainda falte muito para policiarem as minhas idas à praia (na hora que eu quero), o sal e o açucar que consumo, entre outras coisas que sabem tão bem, mesmo que façam tão mal. Eu é que sei se me apetece dançar sem mexer os pés e esbracejar até cair para o lado, as vezes que vou à casa de banho (sem ter de pedir por favor em nenhuma delas), aquilo que como, as horas a que me deito, os textos que escrevo, as bocas que digo e as anedotas que conto... livre vontade, livre opinião, livre espírito, livre arbítrio!

Para o pessoal que já se vai acostumando a fumar na rua, às portas dos cafés e restaurantes, juntem os vícios todos e ataquem os casinos, lá é que se está bem (ou não!).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Presidente da ASAE é fixe!

Ele há coisas que mais parecem destino e quase se enquadram na categoria "contado ninguém acredita", mas ainda bem (nestas coisas) que há fotógrafos paparazzi.

Oh sr. Presidente da ASAE! Então não bastava ter sido flagrantemente apanhado a fumar uma cigarrilha quando a nova Lei do Tabaco já estava em vigor, não dando o exemplo que se espera de um representante do Estado, ainda para mais de uma instituição que inspecciona precisamente o que esta nova lei veio instaurar como regra e com punições ao nível de outros pequenos delitos já existentes, por exemplo, no Código da Estrada, para ainda vir dizer em entrevista que vai continuar a fazê-lo porque, como você tão bem verbalizou, "a nova lei do tabaco entra em conflito com a ainda vigente lei do jogo"? Você é mesmo totó ou tava com os copos? Gostei da atitude do responsável pelo Direcção Geral de Saúde em resposta a este "incidente". lol

Aquela feliz foto (ou foto feliz?) que apareceu no jornal pode ter custado uma pipa de massa, e parabéns ao seu autor, foi muito bem caçado, mas o sentido de humor não tem preço! Senhor Presidente da ASAE, só mais uma coisa que lhe quero endereçar, em jeito de dica positiva (ou não!): aproveite para se pôr a jeito para as próximas eleições... talvez um desfalquezito, um escandalozinho ou algo assim o deixe em melhor posição do que já está para conseguir chegar a Presidente de Câmara ou Ministro.

Boa sorte!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Twilight Zone ou coincidências estranhas

O dia de hoje começou estranho! Está uma manhã farrusca, a cassimbar e com muito nevoeiro, e quando vinha a pé para o consultório vi uma carrinha de caixa-aberta com um presépio em tamanho real. Ok, o Natal já lá vai, são mais que muitas as árvores de natal, ou o que resta delas, junto aos contentores de lixo espalhados pela cidade, mas ver as figuras do presépio atadas com cordas, ao monte - Maria e José com a corda ao pescoço encostados à grelha, a vaca e o burro de patas para o ar e o menino fora das palhinhas já com a cabeça a saltar do corpo e desmembrado de braços e pernas - na traseira de uma pickup é um pouco sinistro. Depois, entrei no consultório e sentei-me um pouco a ler o Diário do Sul enquanto tomava o pequeno-almoço. No obituário aparecia escrito "faleceu a sra. Maria Morte". Que manhã estranha! Nem sei bem o que esperar para a tarde. Talvez chuviscos, uma parada de forcados com jaquetas fluorescentes e cartazes feitos à mão com tinta da china, em plena Praça do Giraldo, reivindicando e enaltecendo a sua relação de amor para com os animais (*) e a demissão de um ministro ou administrador de banco por admissão de culpa ou incompetência. Twilight Zone ou coincidências estranhas? A ver vamos...

(*) entenda-se os touros, não os organizadores de touradas, toureiros ou público em geral

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Benfica o Glorioso... ah valentes!

Depois de muito dinheiro (mal) gasto em jogadores, da mudança de treinador e de outras alterações estratégicas pontuais, o Benfica arranjou uma solução para a crise: mudar o logotipo!
Ainda estou para saber quem é que está por detrás destas ideias e deste modelo de gestão fantástico. mas além do pessoal responsável pela direcção e administração, que raio se passa com a equipa, quando os próprios jogadores se pegam à porrada em campo durante um jogo do campeonato? Ainda bem que não nasci numa família com um avô ou tio doido, daqueles que inscrevem as criancinhas como sócias de um determinado clube antes de nascerem ou assim que vêm ao mundo. Se fosse benfiquista tinha um desgosto!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Crise, becos e "wtf!?"

Deixando de lado a questão da crise, dos acidentes rodoviários, do comodismo e apatia geral, do consumismo desenfreado e outros ismo chatos que bem caracterizam (e melhor denigrem) a sociedade portuguesa, há coisas que devem ser discutidas abertamente, mesmo correndo o risco de se iniciar este novo ano de forma menos "positiva". Aliás, quanto a mim, sendo um processo por vezes doloroso, não há nada de mais positivo do que a autocrítica e a reflexão interior – senão gostássemos no fundo disto mesmo, não acharíamos tanta piada aos Gato Fedorento, verdadeira oposição política em Portugal nos tempos que correm. Como é possível morrerem duas pessoas e uma ficar gravemente ferida com disparos de armas (uma pistola e uma shotgun) durante os festejos e a celebração da passagem de ano? Que país é este!? De tudo o que se passa noutros países como o Afeganistão, Iraque, Paquistão, entre muitos outros, como queimar a bandeira dos EUA, fazer greves gerais durante dias a fio por melhores condições de trabalho, manifestações espontâneas de milhares de pessoas nas ruas a exigirem mudanças na economia mundial e na forma como (não) se cuida do nosso planeta, e outras reivindicações do género, tínhamos de importar a estupidez típica de gentinha sem tacto nem cabeça, que se põe aos tiros no meio de um bairro – ainda que fosse um descampado – a curtir em delírio a entrada num novo ano! Com tantas outras coisas más que se vêm na CNN, era mesmo disto que este país precisava. Típico de uma Aldeia Global, onde o fenómeno de uma aculturação geral é real, ou simbólico de um Beco Sem Saída em que este país se está a tornar?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Borboletas, oceanos e governos manhosos

Partindo da Teoria do Caos e da noção de que se uma borboleta bater as asas no meio do Oceano Atlântico, poderá causar um tsunami a milhares de milhas de distância ou mesmo no outro lado do mundo, o que será que se passou noutro ponto do globo para o Salazar cair da cadeira? Não se poderá repetir algo semelhante para derrubar este governo manhoso!?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Benvindos a 2008... ao futuro!!

Pois bem, o futuro é agora... e agora... e agora... e agora... eheh ...ele há coisa mais subjectiva do que Passado, Presente e Futuro? É tudo meramente conceptual, não existe. Já foi, está a ser, será, é agora, agora, agora, e agora... não, agora! eheh Agora é que é... lol... o importante é saber que estamos sempre a tempo de mudar, crescer e reinventar o nosso presente e futuro. Por falar em futuro... Depois de conversar sobre este tópico com amigos, percebi que não era um sentimento estranho a algumas pessoas. Quando era pequeno, como voraz apreciador de filmaças sci-fi, achava que lá para o ano 2000 já haveria entendimento entre pessoas e animais (talvez por telepatia), carros que voassem, máquinas caseiras que transformassem o lixo em objectos úteis ou comida, armas de laser que dessem para atordoar, matar ou podar pequenos arbustros do quintal, comida em comprimidos e outras coisas do género, tudo assim muito à frente. Quem me manda a mim investir tempo a ver filmes como o Regresso ao Futuro, 2001 Odisseia no Espaço, 2010 Ano do Contacto, a ver séries tipo Espaço 1999, ou a ler livros tipo 1984 e O Admirável Mundo Novo? Por um lado, acho que se evoluiu muito, bastando dar uma vista de olhos aos gadgets que estão à nossa disposição (ou de algumas carteiras), mas ao mesmo tempo sinto-me um pouco defraudado. As expectativas eram muito grandes! Talvez lá para 2050 haja qualquer coisa de interessante e realmente surpreendente. Até lá, vou gozando o que há em 2008, escrevendo algumas coisas nesta coisa estranha que é a Internet para potencialmente milhões de pessoas lerem. Engraçado, a net é um pouco como o céu e o mar. Só muito de vez em quando é que reparamos neles e lhes damos o devido valor e respeito, dada a sua dimensão e força. Pensando bem, nunca haverá algo de tecnologico que me surpreenda verdadeiramente. Acho que serão sempre as pessoas capazes de surpreender (tentei reescrever esta frase três vezes e ficou sempre estranha). Já foi assim antes e assim será no futuro.
Acabo este post em jeito de brinde assim a puxar para o piroso, mas verdadeiramente sentido: ao amor, à amizade e à família...reais, espirituais ou virtuais, todos contam! Cheguem-lhe bagage!!
Em 2008 haverá mais insanidade da minha parte - que essa nunca tem fim - expressa em infindáveis pensamentos voláteis e gasosos que vão dando corpo e conteúdo a este blog que se quer castiço e conducente (ao riso, não se leva o portátil para o cagueiro). Vão aparecendo...

there's a new blog in town...

Ainda agora começou e já dá que falar...

É um novo blog escrito a muitas mãos e feito maioritariamente por eborenses. Escreve-se de tudo um pouco e vale bem a pena passar por lá de vez em quando, ou todos os dias, ou não! É à descrição.

Deixo-vos um post interessante que por lá aparece (...e o comentário que lhe seguiu):
"se não puderes ser excelente, sê excedente." (por zep)
"e se não puderes exceder-te, contém-te = contente" (anónimo)

Altamente pinkfloydiano. Caiu-me no goto!

http://evoracafeportugal.blogspot.com/

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Primeiro-Ministro foi com o Pai Natal e o Super-Homem no comboio ao circo...

Não sei se reparam no que se passava à vossa volta durante estes últimos dias, de festa e animação. Para além das mais que óbvias iluminações de Natal, da interminável crise, da arrogância crónica do primeiro-ministro, da sistemática pasmaceira da oposição, dos incidentes escandalosos na banca, dos acidentes e do aumento de mortes na estrada, da inundação quase apocalíptica de sms durante a noite de consoada, ainda apareceu uma praga de bonecos de pai natal a subir por umas cordas, pendurados às janelas, varandas ou chaminés, alguns deles com luzes no rabo! Depois das bandeiras de Portugal durante as provas desportivas (de futebol, mais concretamente), só mesmo a massificação da figura simpática do velhote gordo, barbudo e concorrente do super-homem no que à roupa interior diz respeito, bem como à velocidade de ponta que consegue atingir no ar. Ninguém me consegue convencer daquilo ser um casacão vermelho, mais parece um roupão, e o homem de aço é que também anda sempre com a roupa íntima – talvez o salto da roupa de quarto para a lingerie seja um esticão grande e um pedacinho exagerado, mas serve o propósito – à mostra, em plena rua, para toda a gente ver. Em relação à velocidade do Pai Natal, é engraçado, pois surgiu um estudo de uma universidade americana em que se revela que o trenó no Pai Natal tem de ser super-hiper-mega-rápido para que ele possa distribuir tanta prenda em apenas uma noite. Talvez nem o Super-Homem conseguisse tal proeza. Mas voltando às surpresas e constantes, tenho receio do que possa vir a seguir… haverá alguma praga bíblica que envolva campinos? Tenho medo!!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Anda tudo maluco, doente ou no estrangeiro

Aviso deste já que alterei (melhorei) um texto que recebi por mail, recusando assim toda e qualquer acusação de plágio.
Após ponderada análise e consequente reflexão dos fenómenos verificados nestes últimos tempos, parece que
este ano não vai haver presépio de Natal:
- a ASAE fechou o estábulo por falta de condições
- as vacas loucas tiveram de ser abatidas
- os burros estão todos no Governo ou na Assembleia da República, mas ao mesmo tempo a gozar férias ou em reuniões de trabalho no estrangeiro, ninguém os apanha por cá
- os reis magos cairam numa emboscada na Faixa de Gaza e foram levados pelos americanos para Guantanamo
- a palha ardeu toda nos incêndios deste verão
- o menino Jesus desapareceu algures este ano na Praia da Luz em Lagos
- Maria foi apanhada pelo SEF na noite a tentar arranjar uns trocos para comprar leite e pão
- José foi apanhado a vender autorádios roubados na rotunda do relógio em Lisboa, também ele a tentar arranjar algum sustento
- a estrela está apagada porque a REN anda num processo de enterrar cabos de muita alta-tensão
...enfim, são as marcas da indeléveis da realidade.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Bófia, instintos pidescos e multas a granel

O post anterior fez-me pensar e ao mesmo tempo deu-me vontade de regurgitar algumas hipóteses e especulações (se tivesse escrito verdades ainda me crucificavam ou fechavam o blog). Trata-se de um assunto sério que já tenho debatido entre amigos e nem sempre é trazido para a praça pública, por razões pouco óbvias que vou tentando descortinar.
As autoridades e os jornalistas insistem em apelidar os tugas de aceleras, com alguma razão, mas há uma distinção que deve obrigatoriamente ser feita para que todos se apercebam da diferença: excesso de velocidade e velocidade excessiva não são a mesma coisa, atenção! Se não vejamos:
Seguir a 50km/h numa zona em que o limite de velocidade é 30km/h
Seguir a 110km/h numa estrada em que o limite de velocidade é 90km/h
Seguir a 140km/h numa auto-estrada em que o limite de velocidade é 120km/h
Qualquer dos cenários descritos apresentam situações de excesso de velocidade mas não necessariamente de velocidade excessiva. O conceito de velocidade excessiva depende muito de vários factores, alguns deles subjectivos:
- estado e qualidade do veículo em que se segue (pneus e pressão, travões...)
- capacidade física (idade) e instintiva (reflexos) do condutor
- estado psicológico em que se encontra o condutor (cansaço, irritabilidade, alterações químicas por drogas legais ou ilegais...)
- estado de conservação do piso (buracos, rasgões...)
- visibilidade da estrada (árvores, arbustos, cercas, vedações...)
- sinalização da via (traços no piso, sinais de trânsito...)
and last but not least... tacto do condutor! ...que, parecendo que não, nada tem a ver com a capacidade e/ou o estado psicológico em que este se encontra no momento.
Nisto tudo, o que me parece mal é misturarem nas notícias (repórteres, polícias entrevistados e conferências de imprensa por parte das várias autoridades envolvidas) um conceito com o outro e apenas dizerem que foram apanhados "X" condutores durante tal período em excesso de velocidade e que se conseguiu "Y" quantidade de dinheiro em multas. É pura demagogia e sensacionalismo barato.
Quantas pessoas que foram multadas por conduzir em excesso de velocidade seguiam em velocidade excessiva?
Quantas pessoas que seguiam em excesso de velocidade e não a velocidade excessiva sabiam efectivamente que estavam a ser filmadas e fotografadas?
Quantas das pessoas que foram multadas por excesso de velocidade estavam envolvidas nalgum tipo de acidente?
Quantas destas pessoas todas causaram alguma vez um acidente na sua vida?
Meus amigos (já pareço um político qualquer a falar)... porque é que a ASAE, o SEF, a PJ e a GNR têm tido o comportamento que se nota? Não querendo entrar na questão de um futuro, mais que provável, Estado totalitário, apenas vos deixo a seguinte consideração: além dos impostos, onde acham que este governo vai buscar o dinheiro para tapar os buracos deixados pelos anteriores e sucessivos governos? São todos uns cabrões (perdoem-me, mas não têm outro nome!) hipócritas e cínicos aprendizes de déspotas. Em vez de irem buscar o dinheiro ao bolso dos seus amigalhaços e familiares ricos, donos de bancos, seguradoras e clínicas de saúde, vão buscá-lo ao bolso dos que têm algum (classe média alta), dos que mal ou bem ainda vão tendo (classe média e média-baixa) e sempre que podem ao bolso dos que pouco ou nada têm (classe baixa). Estes último, quando não podem vão de cana e lixam-nos para a vida. Isto já para não falar dos medicamentos, das consultas e operações, das reformas, da falta de incentivos à natalidade, desemprego, entre muitas outras coisas.
Neste blog brinca-se muito, mas também se fala a sério! Espero comentários a favor, contra, ou meramente a dizer mal dos Pintos da Costa, Albertos João Jardins, Valentins Loureiros, e entre que tais. Esses estão sem dúvida na raiz de muita merda que p’raí há. É o costume, e o costume diz que "quem se lixa é sempre o mexilhão". Vá tudo a abrir a pestana-tana oh faxavor!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

INEM, pizzas e condução perigosa

Na falta de conseguir ser piloto de rallys ou formula1, com a vontade e o gosto que tenho em acelerar, acho que ainda vou tirar um curso de enfermagem e trabalhar para o INEM. É impressionante a forma como aqueles tipos conduzem. Luzinhas acesas, buzina a bombar e lá vão eles a zunir. Pior do que eles, só mesmo os mensageiros e os tipos das entregas de pizza. Phonix!? (passo a publicidade)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Belo dia!

Pronto, tudo bem! Está assim a modos que a cassimbar e tal mas acordei bem disposto porque ontem quando fui às compras apanhei um carrinho de supermercado com as rodas alinhadas. Que me lembre, acho que foi a primeira vez em muito tempo (tipo, desde sempre!!) que isso aconteceu. Aquilo é que foi andar à vontade nos corredores, para cima e para baixo, diante e de recto, sem fazer grande esforço. Ganda luxo! E depois, sem saber bem porquê, hoje de manhã foi dos dias mais fáceis para fazer a barba. Nem consigo explicar porquê. A água estava à mesma temperatura, o índice de humidade no ar dentro da casa de banho era o mesmo, a lâmina tinha apenas mais uma utilização em relação a ontem e cinco utilizações no total desde que a comecei a utilizar, a espuma apresentava a mesma consistência, o magano do espelho estava tão embaciado como das outras vezes, não consigo perceber... mas está a ser um belo dia! Gosto da chuva e do caos que provoca. Quando acompanhada de vento então, ainda melhor. É ver as pessoas todas aflitas de um lado para o outro, parecendo formigas num ninho (ninho!? lol) alagado por um gaiato de oito anos que brinca com uma mangueira. E se deus existe deve ser isso mesmo, um puto reguila que de vez em quando brinca com a mangueira, mas como não acredito muito nisso, gosto de pensar que é a Natureza a fazer das suas. Vinga-te com força, a gente merece!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

tendas luxuosas e o circo montado cá fora

Acho muito mal o governo português ter deixado o Kadhafi montar uma tenda monstruosa enquanto cá esteve para a Cimeira UE/África. Aquilo mais parecia um harém com mulherío por todo o lado - hamam-lhes seguranças ou escolta, mas devem ser as tais 40 virgens que o Kadhafi já tem mesmo antes de passar para o outro lado. Já o príncipe do Dubai tinha feito o mesmo quando foi a feira do cavalo da Golegã este ano, mas essa ultrapassava os limites do razoável: torneiras de outro, televisões de plasma em todas as divisões (sim! mais do que uma divisão), tapetes persas por todo o lado, arranjos de flores feitos para o príncipe com as flores que ele gosta, design exclusivo encomendado a um arquitecto de interiores, e sei lá o que mais! Se fosse eu, num lugarejo qualquer da costa alentejana, era logo multado por campismo selvagem e invasão de propriedade. Tá mal!!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O drama do pijama e da luz magana

Eu tenho dois pijamas de meia estação, um azul e outro amarelo, e dois pijamas de Inverno, um branco e outro cinzento – no Verão durmo de boxers e t-shirt, mas isso agora não vem ao caso – e acontece que no meu corredor se fundiu uma lâmpada de um dos dois candeeiros, que são pequenos, assim tipo olho de boi mas no tecto – também não interessa quem os colocou lá, já arrendei a casa assim – e como ambos somente suportam lâmpadas pequenas e de baixa potência, na casa dos 40W, não tenho grande iluminação e não me permitiram ver a roupa que escolhi no dia em que decidi passar dos referidos pijamas de meia estação – penso que o último que vesti foi o azul, mas isto é decididamente pouco relevante para o resto da história, ajudando apenas a manter esta frase enorme, coisa que estou a conseguir fazer com razoável êxito, pois ainda não apliquei um único ponto final – para os pijamas de Inverno. (ah!) Sem grande noção do que tinha em mãos, tirei as calças do pijama cinzento e a parte de cima do pijama branco, tendo apenas reparado nesse pequeno grande pormenor dois dias depois, altura em que, sem saber bem porquê, optei por me despir na casa de banho e não no quarto – agora sim, importa referir que nem sempre abro os estores da janela do quarto de manhã antes de me desramelar, mantendo aquele ambiente de lusco fusco, típico de quem apenas deixa entrar a luz por quatro ou seis fileiras (não me apeteceu dizer cinco) de furinhos de estores – precipitando toda uma cadeia de eventos ligados entre si (viva as redundâncias e os parêntesis!!). A derradeira questão que se coloca é a seguinte: como só tenho dois pijamas de Inverno, que vou alternando, usando um enquanto o outro está a lavar, e está demasiado frio para interromper esta sucessão de acontecimentos têxteis com um pijama de meia estação, será que tenho de esperar pelo próximo Inverno para poder acertar as cores das partes de cima e partes de baixo dos meus dois pijamas de Inverno e finalmente reequilibrar o status quo das coisas?
Após reler este post, mesmo antes de o publicar, não consigo perceber o que é mais maluco, se a sua forma ou o seu conteúdo… mas agrada-me!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Jamba, Jorge Palma e o princípio do fim de tudo

Ao que isto chegou, meus amigos!! Estava eu a surfar na net, quando dei com um popup da Jamba. Mas isso em nada me surpreende, porque os tipos estão em todo o lado e aparecem mais vezes em popups do que a CEAC ou qualquer coisa que envolva . O que de facto me prendeu à cadeira e me deixou quase KO, foi o anúncio do toque real, polifónico, monofónico ou em ringtone da nova música do Jorge Palma... do Jorge Palma, perguntei eu em voz alta? Mas ninguém me respondeu além do homenzinho que vive dentro da minha cabeça e esse esteve no prenúncio da própria pergunta e também estava ligeiramente atónito. Rihanna, Alicia Keys, Justin Timberlake e sim, Jorge Palma. Oh Jorge! Depois de teres penado a tocar no metro de Paris para juntares uns trocos e comer (esqueçam lá o resto, para este post apenas interessam as necessidades mais básicas, o alcool não vem ao caso), depois de teres estado de parte durante muito tempo só ao alcance de minorias culturais, depois de teres sido um roqueiro e teres montado o teu próprio gang de gangas esfarrapadas e lenços na cabeça, já recentemente ainda fizeste parte de dois grupos assim já a atirar para o comercialoide, para agora pertenceres a este mundo de consumismo frenético e desinteressado? Como te manténs sempre fiel aos teus princípios e à tua mensagem libertadora e sempre inconveniente para a grande maioria (epá, deixem lá a questão do alcool aqui também!), não sei se te dou os parabéns também a ti, mesmo sem teres feito 99 anos, uma vez que terás (boldly went where no man has gone before, lol!) conseguido fazer o que alguns sonham e até agora muito poucos conseguiram sem terem sido logo queimados vivos ou lobotomizados à força, que é minar o sistema por dentro, ou se realmente te estranhe. Seja como for, aqui fica um grande abraço do teu maior fã! Cuida-te e vai fazendo poesia como sempre fizeste, vale a pena, pá!!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Subsílios a granel!

O sr. Manoel d’Oliveira faz hoje 99 anos. Endereço-lhe desde já os meus parabéns mas não pelos seus filmes entediantes e muito menos pelos subsídios que recebeu do Ministério da Cultura (sem ir a concurso) para ajudar à produção dos seus mais recentes trabalhos. Os parabéns são inteiramente merecidos pelo facto de atingir tão bonita idade, ainda para mais com a lucidez que apresenta. Isso sim, é feito fantástico! O que já não soa tão fantástica é a atitude do sr. Ministro da Cultura e deste governo infecto e manhoso.

Velhos, porra frita e mercas para todos

A última abertura do ano da Boutique de Sº Braz, no mês do Natal... o trânsito é insuportável e as velhas parecem doidas, assim ao género do grande magusto de Lisboa na Praça do Comércio que aconteceu aqui há um mês ou dois, em que um velhote foi parar debaixo do assador empurrado pela horda de idosos famintos e enfurecidos que ali se encontravam. Acho que era para o Guiness ou algo assim. Põem-se loucos para comprar t-shirts a 4€, alarmes despertadores a 6€, auto-rádios a 35€, calças de lycra a 8€, blusas de malha a 10€ e porra frita, muita porra frita come esta gente!! Eu cá é mais bolos, mas se tiver de ser massa, venham churros!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Curiosidades sensivelmente nojentas #2

Quem vai pagar os novos contadores de electricidade digitais nas casas particulares de cada um de nós?
20 anos a pagar 0,90€ por mês pelos bons dos tugas (em Espanha são as empresas de electricidade que pagam, obrigadas pelo governo espanhol a procederem dessa forma)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Curiosidades sensivelmente nojentas #1

Quem é que paga a factura de se convidarem líderes autoritários, fascistas e genocidas, responsáveis pelas maiores atrocidades aos seus próprios povos, bem como pelas mais bárbaras infracções aos direitos humanos nos seus territórios, para uma “festa” toda catita e pipi organizada pela presidência portuguesa?
10.000.000,00€ a serem cobrados pelos bons dos tugas

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Acordes, varandas e pianos de caudas

Quando um piano de cauda cai de uma varanda em cima de uma pessoa que vai a passar, que acorde é que soa?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Surdez, sotaques e apitos do demo

Sem querer entrar muito pela definição do trabalho que faço, apenas importa referir que, entre outras coisas, avalio a audição das pessoas.

Hoje, enquanto fazia o questionário clínico a uma senhora, por forma a perceber os seus sintomas e a melhor avaliar o problema que a afecta, perguntei-lhe o seguinte:

- "costuma ouvir apitos nos seus ouvidos?" ...querendo saber se tinha acufenos, lá está... apitos ou zumbidos!

Ao que a sra. responde, com um sotaque do norte:

- "xim, àsh vezesh... as ambulânciash e asshim...".

Tive de me agarrar com força à secretária para não me desmanchar a rir!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Futebol, camaramen’s e algraviadas

Nas transmissões televisivas de futebol os camaremen apanham sempre os jogadores e treinadores quando dizem palavrões, altamente perceptíveis apenas pelos movimentos de boca e lábios, ou será que estes dizem palavrões constantemente e basta que haja uma câmara apontada a eles para que se possa ver?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Bom cinema, mau e assim-assim

Hoje apraz-me escrever sobre cinema, mais propriamente sobre os três últimos filmes que vi:

Mr. Brooks (2007) *****
Boa história; realização interessante e muito bem conseguida; o final teria sido surpreendente sem os dois últimos minutos, belíssima interpretação do Kevin Costner e do William Hurt

Live Free or Die Hard (2007) *****
História bem montada; bom vilão; belíssimos pormenores de acção, perseguições e lutas; realizado com mestria; melhor do que as prequelas ou pelo menos ao nível do Die Hard With a Vengeance

The Good Shepperd (2006) *****
Só merece uma estrela pelo elenco; péssimas interpretações de belíssimos actores; história manhosa e sem nexo; as caracterizações estão muito más (passam-se 20 anos e só percebemos pelo diálogo, as caras do Matt Damon e da Angelina Jolie estão quase iguais); realização medíocre de Robert DeNiro (hey! DeNiro, don't quit your day job!)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Rotina diária saudável e equilibrada"

Este blog vive de material original e interpretações muito próprias do seu autor, visa vi, a minha pessoa, mas como gostei deste mail vou publicá-lo para vocês lerem...

"Dizem que todos os dias temos que comer uma maçã por causa do ferro e uma banana por causa do potássio. Também uma laranja, para a vitamina C, meio melão para melhorar a digestão e uma chávena de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias temos que beber dois litros de água (sim, e logo a seguir mijá-los, que leva quase o dobro do tempo que os levei a beber).
Todos os dias temos que tomar um Activia ou um iogurte para ter 'L. Casei Defensis', que ninguém sabe exactamente que porcaria é, mas parece que se não ingeres um milhão e meio todos os dias, começas a ver toda a gente com uma grande diarreia ou presos dos intestinos.
Cada dia uma aspirina, para prevenir os enfartes, mais um copo de vinho tinto, para a mesma coisa. E outro de vinho branco, para o sistema nervoso.
E um de cerveja, que já nao me lembro para que era. Se os tomares todos juntos, mesmo que te dê um derrame cerebral na hora, não te preocupes, pois o mais certo é que nem te dês conta disso.
Todos os dias tens que comer fibras. Muita, muitíssima fibra até que sejas capaz de defecar uma camisolona bem grossa.
Tens que fazer quatro a seis refeições diárias leves sem te esqueceres de mastigar cem vezes cada garfada. Ora, fazendo um pequeno cálculo apenas a comer vão-se assim de repente umas cinco horitas. Ah, depois de cada refeição deves escovar bem os dentes, ou seja, depois do Activia e da fibra, os dentes; depois da maçã, os dentes; depois da banana, os dentes. Assim, enquanto tiveres dentes, não te podes esquecer nunca de passar o fio dental massajador das gengivas e bochechar com PLAX... Melhor, amplia a casa de banho e põe a aparelhagem de música lá, porque entre a água, a fibra e os dentes vais passar muitas horas (quase metade do dia) ali dentro. Equipa-a também de jornais e revistas para te pores a par do que se passa, enquanto estiveres sentado na sanita, porque com a quantidade de fibra que estás a ingerir, são mais umas horitas diárias.
Temos que dormir oito horas e trabalhar outras oito, mais as cinco que usamos a comer, faz vinte e uma. Restam três horas, isto se não surgir nenhum imprevisto. Segundo as estatísticas, vemos três horas de televisão diárias. Bem, já não podes, porque todos os dias devemos caminhar pelo menos uma meia hora (convém regressares ao fim de 15 minutos, senão andas mas é 1 hora!).
E há que cuidar das amizades porque são como uma planta: temos que as regar diariamente. E quando vais de férias também, suponho, senão as plantas morrem nas férias.
Para além disso, há que estar bem informado e ler pelo menos um dos jornais diários e uma revista séria, para comparar a informação.
Ah! E temos que ter todos os dias mas sem cair na rotina: temos que ser inovadores, criativos, renovar a sedução. Isso leva o seu tempo. E já nem estamos a falar do tântrico! (a respeito disso, relembro: depois de cada refeição temos que escovar os dentes!).
Também temos que arranjar tempo para a maquilhagem, a depilação/fazer a barba, varrer a casa, lavar a roupa, lavar os pratos e já nem digo, os que têm gatos, cães, pássaros e uma catrefada de filhos...
No total, a mim dá-me umas 29 horas diárias, se nunca parares.
A única possibilidade que me ocorre, é fazer várias destas coisas ao mesmo tempo: por exemplo, tomas duche com água fria e com a boca aberta, e assim bebes logo os dois litros de água de uma vez. Enquanto sais do banho com a escova de dentes na boca, vais fazendo amor, o tântrico, parado, junto ao teu par, que de passagem vê TV e te vai contando o que se passa, enquanto varre a casa. Sobrou-te uma mão livre?
Telefona aos teus amigos e aos teus pais! Bebe o vinho e a cerveja (depois de telefonares aos teus pais, vai fazer-te falta!).
O iogurte com a maçã pode dar-te o teu par enquanto ele come a banana com a Activia. No dia seguinte troquem.
Mas se te restam 2 minutos, reenvia isto aos teus amigos (que temos que regar como as plantas) enquanto comes uma colherzinha de Muesli ou Al-Bran, que faz muito bem...
E agora vou deixar-te porque entre o iogurte, o meio melão o primeiro litro de água e a terceira refeição do dia, já não faço a mínima ideia o que é que estou a fazer porque preciso urgentemente de uma casa de banho.
Ah, vou aproveitar e levo comigo a escova de dentes..."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Restaurantes: boa comida vs mau ambiente

Como é que avaliamos um restaurante? Pela comida, pelo serviço, pelo ambiente geral?
Acho que acima de tudo há coisas que um restaurante não pode exibir no circuito interno de televisão, mesmo que seja apenas um aparelho! Reposições do filme "A Música no Coração" ou de Festivais da Canção das décadas de 50 e 60, ou concertos do José Cid em dvd, é algo que me ofende profundamente. A comida pode ser belíssima e o serviço cinco estrelas, já o ambiente roça por milésimas o repugnante, e isso é qualquer coisa que não tolero. Sim, já me aconteceu assistir a cada um dos exemplos descritos... em restaurantes diferentes! Há gente para tudo, acreditem.
Antes do que vos descrevi ter passado a ser uma realidade para mim - já alguém me tinha falado de "um restaurante não sei bem aonde que passa festivais da canção na talevisão", mas ainda não tinha percebido qual - achava que a avaliação de um restaurante poderia assentar, por exemplo, no facto de acertarem nos pedidos (pedir 7up e trazerem Snappy, julgarem que os sumos de laranja são todos iguais), nas batatas fritas que acompanham as doses (congeladas ou naturais), ou mais não fosse no facto de cuspirem ou não no bife. Agora sei quais são os verdadeiros critérios de análise... o nível de xunguíce! Quantas vezes eu não deixei já cair ao chão uma fatia de queijo e voltei a pôr na soon to be tosta mística, calculando não haver grande mal, pois tudo iria morrer com o calor da tosteira? Acidentes e maus jeitos toda a gente os tem, mau gosto está reservado só para alguns.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Invernia Simpática vs Mau Feitio Desgraçado

Ele há dias em que embirramos com tudo o que se passa à nossa volta e mais alguma coisa que venha a jeito. Quando estamos com mau feitio até nos irritamos de estar assim, mas não há muito a fazer senão esperar que passe ou empreender alguma tarefa minimamente producente e oportuna que ajude a resolver, mas por vezes é pior a emenda que o solfejo (gosto mais de poemas do que ler pautas). O mau feitio é uma coisa que dá cabo de nós aos bocadinhos, tipo ácido corrosivo, porque é um processo de irritação contínua ad eternum, sendo a consequência última de tudo isto ainda mais irritação. O que se deverá fazer neste tipo de situação? Dormir!? E quando esta sensação nos aparece às 9h da manhã e temos um dia inteiro de trabalho pela frente? Pois é, chegou a invernia, o frio e a chuva. As sarjetas entupidas com folhas e porcaria que nós deitamos pelas janelas dos carros, estradas a transbordar de água da chuva, os acidentes de carro, o trânsito caótico, o lusco-fusco que dura o dia todo, o final de tarde às 4h da tarde, sair do trabalho já de noite… bah! Adoro o Inverno, não me entendam mal: neve, roupa quente, manta no sofá, lareira, castanhas assadas, chocolate quente, chazadas e bolos, jogos de mesa com os amigos, filmaças e conversas até às tantas em casa de alguém – que é bem melhor do que meias conversas até às tantas em bares com música altíssima e cheios de fumo – mas neste preciso momento queria estar deitado na minha cama a ouvir Van Morrison e estou aqui feito mono a ver ouvidos cheios de cera. Hum!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Toda a verdade sobre o Actimel

Um amigo meu, que não quer de forma alguma participar neste blog, deu-me esta ideia por tópicos para que a pudesse explorar.
Num belo dia ouvia-se numa rádio nacional a informação sobre o lançamento de um novo Actimel especial para mulheres. Como é costume na publicidade do Actimel, há sempre testemunhos de “pessoas reais” e uma frase emblemática. Este meu amigo está de facto convencido que o Actimel especial para mulheres tem feromonas masculinas e/ou sabor a esperma. Esta ideia ganha todo um novo sentido, diz ele, quando vemos os reclames na televisão em que o ar de satisfação da “pessoa real” em causa é acompanhado por um afago carinhoso na região do ventre enquanto referem uma frase do género “isto é mesmo o que o corpo pede”. Especulação!? Parecem-me bons indicadores de que poderá ser mesmo assim.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Boxers, compras e filmaças sci-fi

Não consigo encontrar em lado nenhum aqueles boxers que comprei aqui há tempos e é uma chatice, pois passados três ou quatro anos estão todos a ficar ratados e com os elásticos à mostra. É de facto aborrecido porque só encontro boxers extremamente langueirões cheios de bonecagem ou então demasiado elásticos que apertam o material, e a lógica dos boxers é mesmo aquilo tudo andar solto, mas de certa forma, controlado. São situações como esta que me levam a comprar roupa em quantidades quase industriais. Quando encontro coisas que gosto mesmo, compro várias iguais (t-shirts, meias, boxers) ou várias de cores diferentes e formatos semelhantes (blusas, calças, sapatos, ténis). Aprecio o facilitismo das personagens dos desenhos animados que se vestem sempre da mesma forma. Talvez o facilitismo assente na dificuldade do desenhador em arranjar um guarda-roupa equilibrado para a personagem, mas se o que interessa nas pessoas é de facto o que temos por dentro, de que serve alterarmos constantemente o que vestimos a cada dia que passa? Não será só receio que os outros pensem que não tomamos banho e não mudamos de roupa amiúde? Será mesmo porque gostamos de variar? A roupa faz-nos sentir bem ou não será para os outros se sentirem bem connosco porque sabem, com a facilidade de um relance ou olhar fortuito, que somos pessoas de bem, donos de uma relação regular e intima com uma qualquer banheira? Por mim andava sempre vestido da mesma forma, só alterando talvez um chapéu, gravata ou algum tipo de apetrecho. Estabelecendo um paralelo estranho, quase a roçar a insanidade temporária, recordo-me que desde muito novo nutro o gosto por filmes de ficção científica e cada vez me apercebo que também tem a ver com a roupita que eles usam nesses filmes, assim tipo Star Trek. São sempre fatiotas de lycra ou algo do género, extremamente confortáveis e que realçam as curvas do corpo. Talvez nem sejam fáceis de vestir, mas há as que se secam sozinhas e dão para tomar banho, ir à praia e à montanha, na linha dos tampões que tanto jeito dão às mulheres, há as que se ajustam automaticamente ao corpo, etc. Noutro dia vi num documentário que já há roupa que muda de cor consoante o estado de espírito de quem a veste, algumas peças feitas com material tecível que é virtualmente indestrutível ou que, por exemplo, impregnada com medicamentos ou vitaminas, vão doseando a absorção cutânea. Para que saibam, e isto deixou-me completamente siderado, os portugueses (em Portugal, porque muitos são mesmo bons mas a trabalhar no estrangeiro) são pioneiros e líderes na investigação e produção deste tipo de soluções. A ideia da roupa do futuro agrada-me bastante!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A desgraceira do PowerPoint!

Tenho de confessar uma coisa e admito que até nem custa muito...
DETESTO OS POWERPOINTS BRASILEIROS!!!
Aqueles típicos slideshows idiotas ou realmente informativos mas irritantes pelas músicas que lhes acrescentam, pela escrita manhosa ou pelas péssimas traduções, estão a dar cabo da minha tolerância para com os brasileiros. Adoro a música, a gastronomia, as mulheres, as paisagens e os ambientes que aquele país proporciona a quem o visita - até estou em contagem decrescente para lá ir em Janeiro - os escritores, entre muita outra coisa. Acontece que de tanta morraça cibernética que anda por aí a circular, a par com as telenovelas que são às carradas, cada vez tenho menos paciência e gosto por tudo o que é brasileiro. Deliro com a escrita e composição brasileira quando se trata do Chico Buarque, Caetano Veloso, ou tantos outros, mas os slideshows são um péssimo exemplo de como eles dão cabo da língua portuguesa. Por outro lado, a Microsoft nunca pensou que o PowerPoint, como excelente ferramenta de trabalho que é, fosse desperdiçada desta forma e à escala de um país como o Brasil. Quem costuma receber este tipo de emails sabe muito bem do que estou a falar e entende que não há nada de xenófobo nesta minha afirmação. Só não consigo compreender como é possível o constante volume de produção que vem daquele lado do oceano e como consegue alguém trabalhar ou estudar dedicando-se de uma forma tão intensa e determinada ao PowerPoint. Basta fazer uma espécie de paralelo com a realidade portuguesa: se os trabalhadores portugueses, nomeadamente os funcionários públicos, se dedicassem a este tipo de tarefa, assim como já fazem com outras, como ler esses e outros emails, as pausas constantes para o café e as conversas juntos à máquina da água ou das sandes, este país não andava para a frente. Ficava parado ou eventualmente acabava por andar para trás! Hum... acho que já estivemos mais longe disso!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Clima endemoninhado

E por falar em tempo, lembrei-me do clima... não falei!? ...mas pensei, ok e agora teclei!
Em bom alentejano, isto cá anda tudo p'las avessas! Nestes últimos dias tem sido assim:
- manhã, 12ºC, saio de casa com uma camisola vestida e o casaco na mão
- hora do almoço, 26ºC, saio do emprego em s de camisa
- 15h, 28ºC, saio de casa com as s arregaçadas e dois botões da camisa abertos (três já começa a aparecer a fardula e fica assim um look meio tascósio-foleirote)
- final da tarde, 15ºC, volto para casa com o casaco vestido e a blusa pela mão
- princípio da noite, 8ºC, blusa de malha já assim para o grossa e casaco vestido
- final da noite, princípios da madrugada, 1ºC, tudo abotoado e zippado até acima, a tirintar de frio e a grunhir irritado porque me esqueci do cachecol e do gorro
Felizmente não temos tsunamis, furacões, inundações e coisas do género, mas isto não anda nada bem.
Para acrescentar à lista de fenómenos estranhos, as alergias voltaram e pior do que nas últimas três primaveras. Há flores no campo a brotar e a abrir, a bicheza anda maluca porque não consegue ibernar e não sabe se há-de migrar ou ficar. Isto não vai ter bom fim!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Publicidade educativa

Quero desde já endereçar os meus parabéns a quem de direito pela autoria do reclame que passa nestes dias na televisão sobre o uso do preservativo. Ainda me lembro de um conjunto de anúncios muito interessantes da Prevenção Rodoviária, que mostravam as consequências dos desastres para quem passa por eles. Muito bom! É disto que este país precisa, mas a muitos níveis e sobre variadíssimos assuntos. Há que ser-se positivo quando os números e as estatísticas são miseráveis, mesmo que se pegue nos temas de forma a chocar. Os tugas só aprendem assim! Deviam fazer toda uma série de anúncios de verdadeiro Serviço Público em prol do Sentido Cívico, baseado nos seguintes tópicos:
- a importância de ir votar, mesmo que seja em branco ou nulo
- porquê fazer piscas nas rotundas, cruzamentos e ultrapassagens
- não esquecer de ver as datas de validade do queijo fresco, patés e afins
- para que é que quis um cão se agora que vai de férias não tem onde o deixar e os gatos têm sete vidas mas morrem de uma vez só se os deixarmos dentro de casa à fome durante uma semana ou mais
- quem me manda a mim ser tão tosco, gostar de touradas, rugby e embocar cervejas com os amigos até perder os sentidos?
- se conduzir depois de ter bebido bastante álcool, conseguir chegar a casa e evitar a polícia ou possíveis acidentes, e ainda assim a minha mulher não me moer o juízo pelo estado deprimente em que me encontro e com muita sorte ainda a convencer, sem ser violento física ou psicologicamente, a ter sexo comigo, o mais certo é não o conseguir pôr de pé
- de 0 a 10, sendo 0 uma pessoa decente e 10 completamente desprovida de senso, quão idiota sou por ter lido o livro da Carolina Salgado, ainda que apenas algumas passagens quando o folheei numa livraria? E serei menos tanso se não o li e apenas lhe peguei para o levar para a caixa, pagá-lo, pedir para embrulhar e oferecê-lo como presente de aniversário a um amigo?
- ainda é possível fazer-se bom cinema em Portugal? Saiba se sim ou não em apenas 10 segundos de compilação dos melhores momentos do cinema português!
- quantas vezes é preciso dizer-lhe para separar a porcaria do seu lixo doméstico antes de começar a beber e a comer a própria porcaria que produz?
- ser-se tuga, espanhol ou europeu? Como é que você vai ganhar mais ou fim do mês sem para isso ter de trabalhar mais?
Com tanto tema bom, é difícil escolher. E agora que reli a listagem de tópicos, reparei que comecei a avacalhar para o final. Por muito que se queira ficar sério, a coisa acaba sempre por descambar. Num país como este, é de facto difícil mantermo-nos focados na solidariedade, no civismo ou na humanidade, foge-nos sempre a mente para a brincadeira. Mas é sempre possível conciliar o humor e a tendência para o gozo, com o necessário sentido positivo que devemos dar às coisas. Nem tudo é negativo, mais não seja o gozo que se pode retirar do que há de mau… e aprender com isso!


relembro:
disparates da publicidade
caras simpáticas e pernas jeitosas

terça-feira, 30 de outubro de 2007

300

Confesso-me um convicto interessado pela Numerologia, Matemática e tudo o que tenha a ver com números, mas prometo que não vou continuar com este tipo de títulos por muito mais tempo. Por falar em números, recordo que sempre detestei a Matemática na escola até ter chegado à Universidade e conhecido o meu professor da cadeira de Matemática II do curso de Sociologia. Nunca tinha visto ou pensado a Matemática daquela forma. O tipo explicava as parábolas com arremessos de paus de giz; mostrava o interesse da Trignometria com slides lindos da Catedral de Alhambra; comentava o funcionamento da Estatística com o visionamento e consequentes debates de filmes como o 2001, A Space Odissey e outros do género. Aquilo é a uma aula! Mando desde já um cínico e venenoso “olá” à minha professora de Matemática do 9º, 10º e 11º, que sempre me chumbou e mesmo assim acabei o ensino secundário. Foi o azar de ter sempre apanhado professores de Matemática péssimos e a nunca esperada sorte de ter apanhado a reforma do ensino secundário. Não me lembro de ter pedido favores a ninguém, calhou! Mas a realidade dos terríveis professores de Matemática contrastava vivamente com os belíssimos professores de História, Filosofia e Psicologia que também tive a oportunidade e o prazer de conhecer e assistir às suas aulas desde o 9º até ao 12º, passando também para a Universidade. É como tudo, há bons profissionais em todos os ramos, trabalhos e funções.
Agora passo para o tema que me levou a escrever este post.
Vi aqui há dias o filme 300 e gostei bastante. Parti para o seu visionamento com algumas reservas, mas passados poucos minutos dissiparam-se. O filme, que embora o belíssimo aspecto é um low budget movie, conquistou-me pela imagem, realização, produção, pela coragem na adaptação de mais uma BD do Frank Miller, mas principalmente pela história e argumento. Convido-vos a todos a vê-lo, não necessariamente na minha casa, pois vale bem a pena. Já agora deixo outra dica no éter, também ele um filme e uma adaptação de uma BD do Frank Miller, desta feita pelo realizador Robert Rodriguez: Sin City. Já tem uns aninhos e talvez só se apanhem dvd’s de aluguer carregados de riscos e impressões digitais mutantes, mas vale o esforço de tentar alugar ou mesmo comprar. Em tempos natalícios arranjam-se este tipo de filmes em dvd bastante baratos, naquelas grades de miscelânea cultural que os hiper-mercados têm na zona dos electrodomésticos em que misturam concertos do Tony Carreira ou do Caetano Veloso com filmes tipo The Secret Of My Sucess e Apocalypse Now, Redux. Como sempre ouvi do meu pai desde pequeno, “é fartar vilanagem”!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

500

Chegámos ao fofinho e redondinho número de 500 posts publicados. 500 posts escritos, muitos lidos e alguns comentados. Era uma tarefa impensável e quase megalómana no início, mas eis que aqui chegámos. Chegámos no plural, pois! Nada disto tinha sido possível, não fosse o incentivo que vocês proporcionam com as constantes e infindáveis visitas. Sendo assim, endereço os parabéns a quem cá passa e dedica um pedadinho do seu tempo a consultar este cardápio de pensamentos gasosos. Obrigado pela força! Vou tentando responder com dedicação e vontade em perpetuar esta baiuca cibernética. Um grande bem haja a todos!

domingo, 28 de outubro de 2007

O tempo muda ou somos nós que (o) mudamos?

Esta noite mudou o tempo, aliás, a hora, o que é sempre um conceito e um processo de alteração da realidade perceptível, profundamente interessante. Assim que me levantei, ainda meio estremunhado e com a visão desfocada, pensando que já era meio dia, o que me dava muito pouco tempo de descanso no conforto do meu sofá da sala e me fazia ganhar consciência de que me deveria ir dirigindo para a cozinha por forma a ir preparando o que viria a ser, horas mais tarde, uma amostra pouco recomendável de um almoço, deparei de imediato com o brilho ofuscante do relógio do meu pouco utilizado vídeo VHS - que é automático nestas mudanças e acertos horários, pois que se liga ao teletexto, coisa que nunca percebi para que serviria até chegar ao meu primeiro equinócio de Inverno com este aparelho fantástico na minha sala, reparando neste extraordinário e mui útil pormenor - que me dizia que ainda eram apenas 11h. Passados alguns minutos no refastelo do meu sofá, recordei mais um episódio caricato dos meus tempos de adolescente.

Quando era puto, por volta dos 14 anos, uma das coisas que me dava real gozo era voltar para casa à noite fora do horário de chegada, pré-estabelecido em conversa com os meus pais, e chamar-lhes à atenção de que estava a cumprir integralmente o combinado, apenas que o horário tinha mudado. Para um típico adolescente com o normal respeito pelos seus progenitores, mas também com a emergente vontade de desafiar o estabelecido, isto era o culminar de muito tempo de espera e poder realmente desafiar a autoridade, sem que isso resultasse em qualquer tipo de sermão ou castigo. A chamada chapada de luva!

No Verão perdia-se uma hora, mas no Inverno era a loucura total. Mais uma hora para estar na rua com os amigos, ou nos copos com os amigos, ou na jogatana com os amigos, ou na cantoria e guitarrada com os amigos, ou na conversa com os amigos, ou aos beijos com as amigas. Belos tempos! Cerca de 30 minutos depois, muitas imagens deliciosas que passaram pela minha mente e todo um processo árduo de compilação, síntese e escrita, num portátil que me aquece as pernas mas que já vai sabendo bem porque o tempo, melhor, o clima, também está a mudar e ainda não tenho os meus gatos a viver comigo para me aquecerem e a manta que comprei no Ikea não é de lã e não aquece assim tanto, mas também quem me manda a mim estar de boxers e t-shirt numa altura destas em que acho que esta frase já vai chata e comprida demais para um razoável entendimento da minha escrita maluca, eis que me levanto a caminho da cozinha... bom resto de fim de semana.

sábado, 27 de outubro de 2007

13, esse número mágico!

Não resisti a publicar um desabafo cibernético que recebi em forma de e-mail, de uma pessoa muito próxima... o tipo de humor, se o quiserem reconhecer, é muito semelhante ao que aqui tem sido exposto e sendo assim não destoa. Deve ser mal de família!

Domingo, 14 Outubro, de manhã.
A RTP1 transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
A SIC transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
A TVI transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
A TSF transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
A Rádio Renascença transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
Tive medo de ligar a torradeira...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Manual de sobrevivência em sociedades decadentes e apodrecidas

Deixo-vos uma lista de coisas obrigatórias e urgentes de serem assimiladas e digeridas... sem mais comentários:

Documentários
- Bowling For Columbine
- Farenheit 9/11
- Loose Change, 2nd Edition
- Zeitgeist
- An Inconvinient Truth

Filmes
- V For Vendetta
- The Matrix (pelo menos o 1º filme + Animatrix)
- The Wall / Pink Floyd (o filme)
- Thin Red Line
- The Shawshank Redemption
- American Beauty
- The Day After Tomorrow
- O Código DaVinci
- In The Flesh / Roger Waters (concerto)

Música
- The Wall / Pink Floyd
- Dark Side Of The Moon / Pink Floyd
- Wish You Were Here / Pink Floyd
- Animals / Pink Floyd
- Final Cut / Pink Floyd
- The Pro's And Cons Of HitchHiking / Roger Waters
- Radio K.A.O.S. / Roger Waters
- Amused To / Roger Waters
- Flickering Flame / Roger Waters
- OK Computer / Radiohead
- Pigs, Peasants And Astronauts / Kula Shaker
- Chicago III / Chicago

Livros
- O Pêndulo de Foucault / Umberto Eco
- O Código da Bíblia / Michael Drosnin
- O Processo / Kafka
- Metamorfose / Kafka
- Anti-Cristo / Nietzsche
- Assim Falava Zaratustra / Nietzsche
- O Admirável Mundo Novo / Aldous Huxley
- Fernão Capelo Gaivota / Richard Bach
- Ética Para Amador / Fernando Savater

Sites
The Ultimate Conspiracy Guide
Só me Apetece é Cobrir



Pode estar a faltar-me qualquer coisa de essencial, mas depois vou acrescentando ou vocês podem contribuir para isso!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Parado vs Andando

Tenho andado extremamente preocupado com as notícias sobre o endividamento das famílias portuguesas e a questão do crédito mal parado. Hoje vi uma notícia que me deixou a pensar… “mal parado”... mas que raio de conceito manhoso é este!? Por mais voltas que o crédito dê, por muito que vá andando por ai, acaba sempre no mesmo sítio... no banco! Não há volta a dar e isto raramente significa que pare na nossa conta, só se for tipo paragem nas boxes. Aliás, desafio qualquer português de classe média e média-baixa a tentar ter dinheiro na sua conta à ordem por mais de quatro meses sem lhe mexer, esquivando, muitas vezes a todo o custo, os empréstimos pré-aprovados, os créditos pessoais, cartões de crédito, aplicações, ordens de compra de acções, etc. É uma tarefa próxima do impossível. Mais fácil se revela uma fuga às empresas de telecomunicações ou aos indianos vendedores de rosas na noite. Depois há os perdões de juros e de empréstimos, mas isso é só para alguns. Eles bancam o dinheiro e nós bancamos o otário!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A humanidade e o tampo da sanita

O tampo da sanita será dos objectos mais enigmáticos que poderemos encontrar nas nossas casas. É claro que alguém poderia, e bem, contra-argumentar referindo que há o poutpourri no 'ólio' de entrada, os ambientadores de armário ou as bolas de naftalina, as velas altamente decorativas que nunca mas nunca se acendem, nem naquela noite de consoada às escuras ou no aniversário em que a avó se esqueceu de colocar velas no bolo de anos do neto, um candeeiro cuja lâmpada de fundiu e nunca mais se substitui porque só nos lembramos quando o tentamos acender e nunca quando vagueamos pelos corredores do supermercado, entre muitos outros exemplos, uns mais funestos do que outros. Volto à questão da casa de banho porque é a divisão da casa que mais me fascina. Vibro com muitas outras coisas na minha casa, mas o wc é de longe o mais apelativo. É a divisão mais fácil de apreciar e criticar ao mesmo tempo. Não há grandes móveis, gaveta ou baús para esconder as coisas, ficando quase tudo à vista. As mulheres adoram todas as casas de banho, quer seja num restaurante, hotel ou em casa de amigos, adoram ir espreitar! Nos bares e discotecas pelam-se por ir em par ou trio, e para fazerem fila esperando a vez de cada uma não é de certeza, a não ser que isso meta conversa, e esta conversa pode ser sobre os mais ínfimos assuntos, não necessariamente sobre a própria casa de banho. Voltando à questão do tampo da sanita, prometendo não voltar a falar sobre os tampos translúcidos com objectos no seu interior, lembrei-me destes serem um dos assuntos que mais opõe e divide os sexos. As mulheres queixam-se dos homens deixarem o tampo e a tampa levantados, encostados ao autoclismo ou à parede, numa verdadeira – dizem elas – atitude desrespeitosa e indelicada para com ou vários utilizadores da dita casa de banho. Por outro lado todos se queixam das pinguinhas que por vezes algumas almas mais descuidadas ou com menos tendência para o número circense deixam no tampo sem se preocuparem em limpar, talvez porque nem se preocupem com mais nada além do alívio oportuno. Depois também há, e já foi referido anteriormente, os que se sentam para mijar quando muito bem o poderiam fazer de pé. Pois que a natureza os brindou com essa fantástica mais valia em detrimento da capacidade de ter orgasmos múltiplos, por exemplo, que só as mulheres podem ter – a capacidade e os próprios orgasmos, dois momentos bem distintos – que por força das circunstâncias mijam sempre sentadas ou de cócoras; estes são os verdadeiros artistas. O que me ocorreu, e bastante me apraz relatar, é que as mulheres, no alto da sua (des)preocupação, também deixam a tampa para cima, e isso chateia os homens, alguns! Passo a explicar: os homens levantam tampa e tampo para poderem mijar de pé; as mulheres e os tais artistas levantam apenas a tampa para mijarem sentados. O mais comum é toda a gente deixar a sanita em constante e eterno estado de premente utilização. Sendo assim, porque é que só as mulheres é que podem queixar-se dos homens deixarem o tampo levantado? Eles não se podem queixar-se delas (e dos artistas) deixarem a tampa levantada!? Há um sem número de razões pelas quais tudo deve estar no seu lugar, nomeadamente o tampo e a tampa em baixo, mas apenas ressalvo a mais importante: pode cair alguma coisa valiosa para aquele buraco negro de loiça e quando isso acontece, sendo de facto algo estimável ou insubstituível, torna-se no mínimo chato ter de arregaçar a manga para retirar o que quer que seja que lá foi parar. Pois que tirar aquilo com um utensílio de cozinha ou de jardim não dá assim tanto jeito, mas convém sempre tentar primeiro. Isto é como fazer piscas nas rotundas. Não sejam preguiçosos e deixem as coisas na sua devida disposição, tampo e tampa para baixo, mas acima de tudo tenham atenção ao sentar-se. Façam-no depois do anterior utilizador se ter levantado. Não convém criar embaraços e confusões num espaço tão exíguo.

sábado, 13 de outubro de 2007

A puta da loiça suja

É oficial! Juntei tanta loiça durante meia dúzia de dias em jantares a solo e jantaradas com amigos que já levo dois dias a lavá-la e ainda tenho os talheres e os tupperwares para acabar. É certo que não passei as quatro ou cinco horas úteis que tenho para estar em casa por dia, de roda do lava-loiças nesta árdua tarefa, mas dediquei algo mais acima de dez minutos por dia para dar a volta à imundice em que se transformou a minha cozinha. Mais não seria possível, uma vez que tenho de reservar algum tempo para o piano, o blog, a consola e também para o convívio com o sexo oposto, não necessariamente por esta ordem ou com a mesma importância. Estou a ponderar seriamente arranjar loiça descartável e cingir-me ao canivete, tipicamente alentejano, para consumar as minhas refeições caseiras e sempre que puder levar-me a comer fora, uma vez que na minha cozinha não há onde conectar uma máquina de lavar a loiça que por acaso até tenho possibilidades de comprar. Paciência! Mas esta história da quantidade de loiça que se acumula na casa de um homem solteiro tem muito que se lhe diga. É um verdadeiro e categórico teste à resistência masculina face às necessidades inerentes à vida em sociedade. Já lá vai o tempo em que se era obrigado a caçar para sobreviver, quando um homem não sabia o que era um napron ou um descascador de alhos e a nouvelle cuisine ainda estava bem longe de ser inventada. Nessa altura bastava um pau comprido para atirar aos bichos e dois paus curtos para acender uma fogueira. Não havia banho-maria ou refogados com caldos knorr e a comida não era confeccionada, apenas pendurada ao lume durante o tempo que fosse preciso. As labaredas, em jeito de lume brando ou alto, dependiam apenas da quantidade de lenha que havia para queimar. Não que faça a apologia desses inauditos tempos, embora a minha mente esteja povoada de boas memórias de acampamentos e pic-nics no campo, mas recordo tudo isto com alguma nostalgia.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Congratulations Mr. Gore!

Normalmente não me surpreendem os prémios dos festivais de cinema ou os Nobel, mas lá de quando em vez aparece uma nomeação mais interessante e muito raramente ganha aquele que menos esperávamos. Depois de dois Oscars e uma catrefada de outros prémios com o documentário "An Inconvinient Truth", agora foi a vez da surpresa total: Al Gore e o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU foram os justos vencedores do Nobel da Paz deste ano. Isto só prova que um homem que tem dedicado toda uma vida à questão do aquecimento global e das alterações climáticas tem mexido com as consciências e deixado muita gente preocupada. Agora, será que isto chega? NÃO!! Não basta apercebermo-nos da importância da questão, nem tão pouco saber da premência que ela acarreta. Não chega fazermos pequenas alterações ou ligeiros ajustes. Temos de reestruturar a vida em sociedade. É preciso mudarmos radicalmente a nossa postura e forma de fazer as coisas, não apenas a forma de pensar as coisas, isso é o princípio mas nem pode ocupar muito tempo, há que arrepiar caminho e ser-se rápido e decidido a agir, é isso que importa neste momento. Fazer pressão junto dos grupos económicos para que os grandes poderes por detrás das companhias eléctricas e petrolíferas, os fabricantes de automóveis e demais envolvidos possam, não apenas pela viabilidade económica, que sem dúvida é importante nesta sociedade, mas também pela urgência em evitar uma catástrofe de dimensões globais que nos afecta a todos e nunca vista desde que há seres humanos a povoar este planeta. A questão final e última é mesmo esta: o planeta está a corrigir, naturalmente, os desvios que intencionalmente provocámos no seu equilíbrio dinâmico. A mãe natureza prevalecerá sempre, espero! Uma última consideração muito pessoal. Não se deixem ficar por gestos importantes, sem dúvida, mas de consequências mínimas face ao que importa realizar. Separar os lixos é importante mas não chega! Mudem a vossa vida para todos podermos gozá-la da melhor forma possível por muito e bom tempo.

Por fim, deixo uma lista de coisas que se podem fazer que ajudam bastante e sem dúvida ajudam o planeta e a nossa carteira:
- separem os lixos
- não deixem os equipamentos eléctricos em stand-by (com a luzinha acesa), desliguem tudo no botão ou na corrente
- não deixem os transformadores de telemóveis, computadores portáteis, consolas de jogos, etc. ligados à corrente, desliguem tudo da ficha quando não estão a ser utilizados
- cuidado com os gastos de água e de electricidade desnecessários, racionalizem
- troquem as lâmpadas incandescentes normais por lâmpadas fluorescentes e economizadoras
- limpem regularmente os filtros dos ar-condicionados
- apostem em painéis solares térmicos substituindo caldeiras eléctricas (extremamente dispendiosas) e esquentadores a gás (outros que tal)
- sempre que possível estender a roupa na corda em vez do secador eléctrico
- isolem bem as portas e janelas, conseguem-se grandes poupanças de energia no verão e inverno desta forma
- mudem as janelas e portas normais para vidro duplo
- quando comprarem equipamentos novos escolham os mais eficientes do ponto de vista energético, mesmo que inicialmente possam ser mais caros, vai fazer a diferença na carteira ao longo do tempo
- vão ver estas e outras dicas ao site: http://www.climatecrisis.net/

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Sonhos do demo

Hoje acordei a meio da noite depois de ter sonhado que era um glutão do Omo... não foi propriamente um sonho mau, nem tão pouco um pesadelo, mas também não foi um sonho fofinho. E era só isto, ou foi apenas o que eu fixei, mas chega perfeitamente para perceber o nível de insanidade a que estou sujeito durante a noite. De dia até levo uma vida normal, mas de noite a conversa é outra. Não consigo controlar minimamente o que se passa dentro da minha cabeça, depois de me deitar. Felizmente nunca me deu para sonhar com o Alberto João Jardim de cinto de ligas a recitar poesia em francês; ou o Sócrates com uma farda das SS, a regurgitar passagens do Mein Kampf com excertos do Anel dos Nibelungos tocados em rings de telemóveis; ou o Cavaco Silva a comer doce de natas sem qualquer tipo de utensílio de cozinha e mais uma vez a mastigar de boca escancarada, ou qualquer coisa do género... ou pior ainda! Mas ainda assim, quando me dá para a maluquice, é sempre dentro dos limites do bom gosto.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Estado Novo 1 x Velho Sócrates 2

Antes fosse o resultado do jogo entre duas equipas do distrital de futebol…

Com tudo o que se tem passado ultimamente e com o receio que tenho de que um dia destes possamos cair numa nova ditadura, decidi escrever este post, sem conteúdo que pudesse gerar uma possível e mais que provável acusação por difamação e injúria, para tentar perceber se é possível controlarem a minha vida, cibernética ou física, com pequenos ajustes harmoniosos e simpáticos.

O que quero dizer com isto? Será que isto é o Matrix, 1984 e Pink Floyd que há em mim?

Vamos ver se este blog se mantém online por muito mais tempo, agora que decidi dedicar-me a beliscar o poder onde mais comichão este sente. Já o fiz noutras ocasiões, embora de forma mais ligeira.

Hoje sacrifico-me a dizer que este governo é dos mais à direita que este país já teve nos últimos 30 anos; que as suas políticas sociais e de emprego metem nojo e apenas servem os grandes patrões; a política para a saúde apenas serve os grandes interesses económicos; o plano tecnológico é uma anedota que só faz rir gestores de algumas grandes empresas de telecomunicações; os favores, o nepotismo, o compadrio, teimam em existir e mostrarem-se um pouco por todo o lado e em todas as áreas da sociedade; o presidente da república, o tal do bolo-rei, é um fantoche; o pseudo engenheiro parece enganar meio mundo sem que ninguém se ofenda verdadeiramente com isso; quem ousa enfrentar publicamente as autoridades e o governo acaba despedido, afastado ou intimidado (exemplo mais escandaloso e recente: José Rodrigues dos Santos, RTP); os dirigentes desportivos mandam mais neste país do que aqueles em quem votamos (os que votam)… se um árbitro tendencioso, parcial, corrupto, com mau feitio e gosto por meninas fosse chamado a apitar este jogo, de certo se sentiria mal. No mínimo intimidado! É daqueles jogos em que qualquer que seja a equipa a vencer, acabamos todos por perder! Vá, agora “…mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos…”

Acabo com Zé Mário Branco e acabo bem, espero!