sábado, 19 de abril de 2008

Amigos, bola e jolas

Uma verdadeira prova de amizade dá-se quando um amigo teu que é benfiquista ferrenho vem ver o jogo Sporting x Benfica a tua casa, traz por engano cervejas sem álcool, o Benfica acaba por perder justamente, mas por uma margem daquelas que dói, e no final do jogo ainda tem a capacidade de te dar os parabéns pelo resultado e pedir desculpa pelo engano das cervejas. Nem num jogo de cartas a dinheiro ou em ambientes de casas de strip um amigo teu pode ser tão simpático e generoso.
Numa relação de amizade entre homens, que no fundo tem sempre algo de competitivo por natureza (qualquer coisa de positivo que as mulheres nunca vão saber o que é e talvez tenha sido com base nisto que os gregos inventaram o desporto e as olimpíadas), saber perder é algo que se constrói de forma esforçada e consciente, assim como saber ganhar. Nesta vida não há nada que, sendo espontaneamente adquirida, se possa manter com a mesma facilidade e comodidade. Na óptica do “só se dá valor ao que se tem quando se perde”, que é uma colossal e enigmática verdade, deve-se trabalhar ao máximo para se manter uma relação que se quer madura e inalterável. Pode parecer contraditório, mas na amizade como no amor, temos sempre que dar o nosso melhor (e pior) para manter uma relação, caso contrário, facilitando ou vacilando, as relações definham ou transformam-se em monstros instáveis e caprichosos. Esta será, talvez, uma das mais duras verdades a que temos de nos habituar e interiorizar quando chegamos à fase adulta. Tudo é um desafio, até o que julgamos ser garantido! As amizades, não só as que guardamos desde a adolescência, mas também as que vamos criando pela vida fora, são trunfos que devemos amontoar e empregar orgulhosamente, e como troféus que também são, devem ser polidos e protegidos constantemente.
Grande Marius, porque vais estando por aí, tanto na vida real como cibernética, este post é para ti!
Abraço

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Fátima, Futebol e Fado

Várias vezes abordo a questão da política, também já toquei no assunto religião, mas até agora, que me lembre, foram raras as vezes que falei de futebol.

Acima de tudo, tento manter o bom gosto… mas hoje tenho de referir o seguinte:

O Sporting x Benfica de hoje nas meias-finais da Taça de Portugal foi um jogo fantástico que ficará na minha memória como Barcelona x Atlético Madrid de 1996 (o jogo que me fez começar a gostar de futebol), o Portugal x Inglaterra de 2000 ou o Portugal x Inglaterra de 2004.

Grande Sporting!!!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Dia Mundial da Voz

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAHAHAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAHAHAHAHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!!Melhor do que espreguiçar e espirrar sem qualquer tipo de restrições, só mesmo berrar a plenos pulmões quando nos dá na real gana!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Coincidências e Déjà Vus

De tanta idiotice e invenção desajeitada que está por detrás das várias religiões existentes, já para não falar dos plágios flagrantes que umas fazem das outras, a única coisa que me poderá levar a acreditar na ideia da existência de alguma consciência superior a nós, humanos e comuns mortais, é a realidade das coincidências e dos déjà vus. Depois de dois ou três segundos de interesse cómico, a sensação que fica é a de que alguém anda a brincar connosco, e se assim é, aquilo que poderá eventualmente existir, a que vulgar e receosamente chamam de entidade divina, é como que um puto traquinas que gosta de brincar com as formigas e com a lupa que traz no bolso, ao lado da fisga e do pacote de sugos. Pensando bem, isso explicaria muita coisa, como os desastres naturais desprovidos de justificações racionais, aos quais se juntam tentativas fortuitas de explicação baseadas em modelos teóricos. Com tanta coisa prática e relevante a que se assiste todos os dias, e também dada a imensa reflexão e teorização para lhes tentar dar um fundamento mais ou menos lógico, anda tudo perdido sem saber para que lado se hão de virar, e é no meio da confusão que aparecem mais coincidências e déjà vus para atrapalhar ainda mais o processo. Vivemos em tempos incertos e revoltos, mas sem dúvida interessantes. O melhor disto tudo ainda será a liberdade de pensamento e expressão, escolha-se ou não uma religião mais ou menos óbvia, ou nenhuma, pois cada um que acredite no que quiser, mas que acredite mesmo!

domingo, 13 de abril de 2008

Vacas magras, cabrões cheios dele e muita sacanice à mistura

Hoje no supermercado, ao fazer as compras do fim-de-semana – sim, ainda podia ter sido um pedacinho mais fastidioso se porventura referisse que também aspirei a casa e tratei da roupa, tendo inclusivamente ficado refém das abertas sem chuva que este estranho clima primaveril nos tem proporcionado – reparei num pormenor que exemplifica perfeitamente como funciona o Marketing de uma empresa em tempo de vacas magras (esta metáfora não poderia ter calhado melhor, como veremos mais à frente). O nível de vida dos portugueses está a piorar com o constante decrescer do poder de compra, o aumento da inflação, o crédito mal parado, o endividamento das famílias, o nível de desemprego e a precariedade do mesmo, o preço do petróleo, entre alguns outros factores mais ou menos relevantes para esta questão. A alimentação, por exemplo, está mais cara, e como é que vocês acham que o Departamento de Marketing e Publicidade da Mimosa achou que iria convencer os portugueses a continuarem a comprar leite em vez de optarem simplesmente pela água del cano? Terá sido com um pedido de desculpas informal por escrito em todos os pacotes, assim tipo “Pedimos desculpa mas o aumento do preço do litro de leite não depende só de nós”? Um redondo e sonoro não!! Nos pacotes de leite de litro da Mimosa pode ler-se “Bem Essencial”. Tomem e embrulhem, certo!? Só pode! Por este andar chegamos ao final do ano a oferecer pacotes de leite como prenda de Natal em vez de garrafas de whiskey.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Cães, idiotas e caixas de correio standardizadas

Até hoje, nunca tinha percebido a razão que leva os carteiros a deixarem os folhetos de publicidade, jornais e revistas enrolados e entalados na ranhura, a meio caminho entre a caixa de correio e o chão do prédio, do quintal ou da rua. Se as caixas levam alguma quantidade de tralha publicitária, porque as cartas cabem em qualquer lado, até por debaixo da porta, e agora até são todas standardizadas para caber um razoável molho de revistas A4, assim tipo 5 revistas 5, porque será que eles deixam aquilo a assim e não empurram tudo para dentro? (Taveira, anyone!?) De certo que já alguns de vós se questionaram sobre isso mesmo, claro, nem outra coisa seria de esperar. Pois bem! Qual é o maior amigo do homem? – esqueçam a reportagem que deu há poucos dias na TVI – o cão. E qual é o maior inimigo do carteiro, seja ele homem ou mulher? Lá está, o cão! Agora raciocinem comigo, se é que conseguem descer – ou subir, ou atirarem-se para o lado – ao nível da minha insanidade lógica: tirando a caça ocasional da mosca ou da melga, o que utilizamos nós para “treinar” os nossos cães!? Ah pois é! Revistas, jornais ou folhetos da Moviflor enrolados (espero sinceramente que não usem o catálogo do Ikea ou as Páginas Amarelas do Norte Alentejo, taditos dos bichinhos). O idiota, que não tem outro nome porque é de facto uma boa ideia, se bem que inconsistente, pois o que não falta aí são cães que lhe comeriam o braço se este o abanasse na sua direcção, mais valia enfiar a tralha para dentro como deve ser e andar com um valente Tazer, agora tão em voga. Sempre se socorria dos bichos em situações de aflição, mas também aumentaria muito mais a sua popularidade no bairro onde faz a ronda, porque de certo lhe daria para a traquinice e há muito boa gente por aí em quem apetece mesmo pregar partidas. Acreditem que é muito mais fácil arranjar uma arma destas do que um brinquedo daqueles de pregar choques com um aperto de mão. Se fosse carteiro, a bem ou a mal, seria o rei do bairro!

domingo, 6 de abril de 2008

Autoclismos, stocks de casas de banho e calças com bolsos a granel

A ida a uma casa de banho que não a da nossa casa é sempre uma aventura. Se for em viagem temos as áreas de serviço, os restaurantes e cafés, parques de campismo etc., sendo que cada um destes cenários traz um sem número de eventualidades caricatas e cómicas passíveis de explorar num outro post, mas se for em casa de outras pessoas, até mesmo familiares ou amigos, também não ficam longe as possibilidade de acontecimentos humorísticos e bizarros. Dada a situação, não tendo o cuidado de tentar perceber se o rolo exposto de papel higiénico está no fim ou não, e se sim, se haverá mais rolos à nossa disposição, nem que para isso tenhamos que vasculhar os armários e gavetas alheios, pode tornar-se num autêntico pesadelo. Caso isto aconteça, o que devemos fazer?
Chamar alguém que nos venha acudir? – e a vergonha de termos que ir destrancar a porta e aparecer de calças em baixo e sermos vistos pela frincha que se abre à largura de se conseguir fazer passar um rolo de folha tripla?
Enviar um sms ou ligar a alguém que discretamente peça ao dono da casa para fazer a tão necessária reposição do stock de rolos de papel higiénico? – é nesta altura que nos lembramos da razão que nos levou a comprar aquelas calças com bolsos de lado, que tanto jeito dá para trazer o telemóvel sem nos lembrarmos que andamos com ele sempre atrás, e nunca surgiu a hipótese de as levarmos para uma caçada, pescaria ou prova desportiva no meio do mato ou da selva!
Usar o bidé? – aquele mono de loiça que muitas casas-de-banho têm e que nem sempre reparamos neles até lhes darmos uma biqueirada sem querer e aí nos lembrarmos que não o utilizávamos desde criança, quando as nossas mães nos obrigavam a lavar os pés no verão antes de nos irmos deitar?
Usar a toalha das mãos? – dificilmente conseguiríamos esconder a toalha permanentemente e levá-la para casa para mais tarde a entregar lavada (!?) fica completamente fora de hipótese!
Vestir as calças antes de acabar o serviço também é completamente impensável sem que haja um urso, um polícia ou uma bichona louca no nosso encalço para nos apanhar.
Haverá, porventura, tantas hipóteses quantas as mentes perversas a reflectir sobre elas. Até hoje, posso gabar-me de nunca ter passado por uma situação destas, mas já me vi enredado numa do género e consegui desenrascar-me porque tinha um canivete suíço no bolso (das tais calças)… o autoclismo avariou-se e eu consegui safar-me em beleza! Não vou entrar em pormenores, mas o McGiver não teria feito melhor.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Árvores de cheiro, alergias e taludas chorudas

Qual será a probabilidade de eu, um ano decorrido desde a última vez que comprei um ambientador para o automóvel, voltar a acertar no mesmo que tem um cheiro que me deixa mal disposto? Não sei como será, se comparado com a probabilidade de ganhar o Euromilhões, mas no domingo pareceu-me bem quando o comprei, e a escolha era difícil dada a quantidade de cheiros e fragrâncias – dizer a palavra fragrâncias faz-me sempre sentir que estou no meio de um daqueles reclames a detergentes da roupa em que toda a gente tem bom aspecto e as roupas são da mesma cor e há putos a correr por todos os lados a rasgar lençóis – e hoje à tarde quando cheguei ao carro, uma vez que o coloquei logo de manhã e já fez bastante calor durante o dia, ia caindo de costas quando abri a porta do carro. Tive sérias dificuldades em conduzir até casa com aquela essência demoníaca a ocupar a quase totalidade da viatura e acreditem que vim o caminho todo de janelas abertas e ar-condicionado no máximo. Não sei qual o vosso gosto, mas aquelas arvorezinhas de pendurar no carro com cheiro a “flores silvestres” dão cabo de mim. E por falar em ambientadores!? Se eu quiser conduzir de mota com bons cheiros, só mesmo se escolher passear no campo! Mas por outro lado são tão reais as fragrâncias – lá está! – quanto as reacções alérgicas. Porque raio não calhei eu a ser alérgico a maus cheiros, tipo esgoto, estrume, peidos e cholé!? Dava-me um jeitão!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Papel rasgado, soutiens e pedidos de desculpas

Porque é que é suposto pedir-se perdão ou desculpa às pessoas que estão na mesma divisão que nós antes de se rasgar papel? Não seria mais apropriado se fosse imediatamente antes de abrir o soutien de uma mulher que está à nossa frente numa fila e tem um top tão minúsculo que o fecho do soutien fica à mostra? ou de darmos um beijo à socapa a outra que esteja de frente para nós? ou antes de puxarmos a cadeira a alguém que se vai sentar? ou à pessoa a quem vamos entregar o bitoque onde cuspimos enquanto estava ao lume? ou depois de pregarmos um porradão no carro de outra pessoa naquela rotunda em que ateimamos fazê-la (mal) por fora? ou mesmo um pedido público de desculpas aos portugueses por termos votado no PS para as últimas eleições legislativas?

relembro:
Película de plástico
Plásticos do demo

Post Scriptum:

não subscrevo as últimas 3 ideias apresentadas, foi só um suponhamos!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Película aderente, supermercados e vida depois da morte

Para quem ainda não reparou, talvez porque não tenha ainda comprado ou usado, atenção que a película aderente do Lidl é uma bosta! Pode prestar para qualquer outra coisa menos para aderir a um tuperware, taça de loiça, vidro ou metal. Já experimentei em tudo quanto é recipiente e não vale mesmo nada. Depois de reciclada, pode ser que venha a dar naqueles invólucros chatos dos cd’s, o que lhe dará um after life relativamente desinteressante.

domingo, 30 de março de 2008

Parabéns a mim...

...e aos demais que frequentam estas paragens… vocês, claro! Sem vocês não haveria vontade de escrever coisas insanas – já pensá-las e passar por elas não é coisa que eu consiga controlar facilmente – e este blog já vai com 3 anos, de certo uma idade (quase) madura, blogosfericamente falado, 584 posts publicados e mais de 14.000 visitas. Para quem o faz e também para quem cá vem e não descura a vida real em detrimento da vida virtual cibernética, devo reconhecer que é obra! Sinto-me bastante satisfeito, quase a roçar tangencialmente a felicidade estúpida, e estou muito grato pela vossa amizade e dedicação constante.
1 grande abraço
Pedro

sábado, 29 de março de 2008

Compilações, prendas e extravagâncias

Toda a gente gosta de receber prendas, talvez até mais do que dar, mas sem dúvida que as melhores prendas não são compradas porque não custam dinheiro, são feitas. Esse tipo de prendas talvez dê tanto gosto a quem recebe como a quem a produz, e no punhado de coisas que se podem fazer e oferecer a alguém, uma compilação de músicas bate todos os records de dedicação e empenho. Haverá coisa mais fantástica do que fazermos uma compilação de músicas para dar a alguém de quem gostamos, alguém verdadeiramente importante para nós? A resposta é não, claro que não! A música é das coisas mais importantes para os seres humanos (e alguns animais e plantas) e nada supera a motivação que nos move a produzir uma compilação de temas (originais ou de outros) para provocar algum tipo de efeito positivo em alguém. A escolha de músicas para uma compilação pode demorar anos, já passei por isso, e no fim, depois de tanto esforço, somos recompensados com um sorriso como prelúdio da boa disposição quando esse alguém a quem queremos agradar se digna a reproduzir o nosso cd no carro, no computador, na aparelhagem ou no leitor de mp3 portátil. Nem precisamos de estar lá para ver isso, é certo e sabido e vale bem a pena o empenho dedicado. São pequenas coisas que significam tanto, como de resto todas as coisas simples sempre significaram. Ir a uma loja e comprar uma bugiganga vistosa ou perguntar a familiares e amigos o que acham que aquela pessoa precisa ou vai gostar, são as coisas mais fáceis que há. Por outro lado, o tempo de reflexão e conceptualização investido na produção de uma compilação original não tem preço, mas a pessoa que receber o resultado deste compromisso irá sem dúvida entender a sua grandeza.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Demagogia económica x Economia demagógica

O alegado Engenheiro e certo Primeiro-ministro José Sócrates afirmou ontem que a consolidação orçamental está garantida, o deficit está ao nível do esperado, que estamos a sair da crise e até irá baixar impostos, nomeadamente o IVA para 20% (uma fartura!). Acrescentou também, na pessoa do Ministro da Economia (não quis com isto chamar fantoche a ninguém, entenda-se!), que poder-se-á verificar mais uma descida do IVA em um ponto percentual no próximo ano (ou não fosse ano de eleições). Sr. pseudo Engenheiro José Sócrates, então será possível sermos o único país que de tanto estar na cauda da Europa, na tangencia constante de tudo o que conta e na periferia perfeita do mundo em geral quando é bom, agora até a crise económica internacional nos passa ao lado? Não sei se acho isso bom, mas talvez seja caso para lhe endereçar os meus parabéns.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Igrejas, marmelos e drogas leves

Não se pode fumar nas igrejas e conventos por causa da Lei do Tabaco ou por causa do outro marmelo!?

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Alentejo

Recebi por email este texto fantástico, só tenho pena de não saber quem o escreveu.
Obrigado Ofélia! ;)


"O ALENTEJO

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.

O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.

Portugal nasceu no Norte mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade, Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.

Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que para o homem comum fica muito longe, para um alentejano fica já ali. Para um alentejano não há longe, nem distância porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.

Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.

Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.

D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»

E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.

Mas para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.

Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. Se e Estaline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.

E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis. Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!

É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?"

(autor desconhecido)

relembro:
http://ctanganho.blogspot.com/2007/05/isto-sim-qualidade-de-vida.html
http://ctanganho.blogspot.com/2006/08/h-dias-assim.html
http://ctanganho.blogspot.com/2005/08/alentejo.html
http://ctanganho.blogspot.com/2006/07/adizeres-alentejanos-parte-ii.html

segunda-feira, 24 de março de 2008

Leite, liquidez e soltura

Deve estar escrito em algum lado que quando eu aqueça leite no microondas e o leve para a sala ou o quarto, acabe por entornar no caminho. Ou então mesmo quando me vou a sentar no sofá, na secretária ou na cama. Bem sei que o leite frio tem outro grau de liquidez ou viscosidade (whatever!) e que quando se aquece fica mais líquido ou mais “solto”, mas acontece que eu comecei esta frase como queria, com um sonante “bem sei”! Se assim é, sabendo, porque raio é que entorno sempre a porcaria do leite? Vou a dar passos certos e bem definidos, a olhar para o copo (ou caneca), sempre a fitar o líquido branco e pronto... quando menos espero, ou mesmo quando espero e sem conseguir evitar, lá entorno aquela porcaria! É como a mastigação, tantos anos de experiência e de vez em quando continuo a falhar.


relembro:
Mastigação experiente

domingo, 23 de março de 2008

Maganas das amêndoas

Envelhecer é isto que vos vou dizer agora...
Putas das amêndoas de Páscoa que me fizeram partir um dente a comê-las! Qualquer dia estou a fazer rastreios e despistes a tudo e mais alguma coisa. Ele é colesterol, diabetes, olhos e ouvidos, etc. Desde os 7 anos que não vou ao dentista e agora vou ter de me resignar e visitar um desses facinoras de bata branca. Ganda galo... coelho ou lá o que é! Mas também, quem me manda gostar mais de morder do que de chupar as amêndoas, já com os gelados é a mesma coisa, até fico mal disposto e com dor de cabeça por causa do frio quando mordo um Calipo. Páscoa manhosa!!

sábado, 22 de março de 2008

Páscoa, filmes e sestas do demo

Embora tenha sido feriado, esta sexta-feira soube um pouco como as outras. O culminar de uma semana de trabalho e o cansaço apoderou-se de mim. Decidi não sair à noite e acabei por me deixar dormir no sofá enquanto via um filme em dvd. Já o filme tinha acabado, quando decidi ver o que estava a dar na televisão. Na RTP1 estava a dar a Paixão de Cristo – já cá faltava este, depois do Música no Coração pelo Natal, agora esta rotina na Páscoa – e na RTP2 estava a dar umas imagens de uma cruz a arder e gente vestida de branco. Fiquei apreensivo porque pensei que fosse um filme passado no Mississipi com o Klu Klux Klan como mote para a história, mas não, era mesmo a celebração da Páscoa em directo do Vaticano. Sinceramente, para gente estranha vestida de robes brancos com cruzes a arder em segundo plano, acho que preferia os cromos de capuz. Pelo menos seria um filme! E por falar em filme, o que estava a ver quando sucumbi ao sono (quem já viu o filme ainda vai achar mais piada à ironia desta frase), era a filmaça Invasão com a Nicole Kidman e o Daniel Craig… qualquer semelhança entre os possuídos do filme e os que apareciam nas imagens do Vaticano será pura coincidência
Boa Páscoa...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Serviço Público ou algo que se pareça #1

Hoje acordei com a vontade de criar uma nova rubrica de Serviço Público, ou algo que se pareça, neste blog que é tanto meu quanto vosso. Sendo assim, e dado que muita gente me tem perguntado "qual é aquela música do reclame do Fiat Bravo?", eu respondo definitiva e assertivamente: é o tema Meravigliosa Creatura da Gianna Nannini. Atenção que há duas versões, uma fixe, a do spot publicitário, e uma foleira, a original. Vá, ide emular!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Colunex vs Simplex

O mundo está perdido! Hoje encontrei uma espinha num douradinho de pescada. E se uma criança se tivesse engasgado com a espinha? É melhor optar pelo Simplex e xibar-me todo à ASAE no portal do governo.
Perdoem-me a arrogância literária, mas o título está genial, não está!? lol

terça-feira, 18 de março de 2008

sábado, 15 de março de 2008

Tabaco, fumo e leis do demo

Sinceramente, e já me expressei sobre isto antes, acho a Lei do Tabaco de uma hipocrisia atroz! Primeiro porque deveria ser uma questão de civismo a questão do fumo em espaços fechados, e cada pessoa tem a obrigação de pensar em si, porque não, mas também nos outros quando se dedica a uma prática tão egoísta como fumar. Em segundo lugar porque há uma lei que muita gente parece respeitar. Ontem estive numa festa de anos num espaço que eu adoro frequentar onde se deixa ao critério de cada um fumar dentro ou fora do espaço fechado. Não interessa que haja lei ou bom senso, o que é um facto é que eu levei o meu computador portátil e um disco externo com mp3 para passar durante a noite e hoje de manhã, já nem vou referir a minha roupa, cabelo e a mala do portátil, imagine-se só, o disco externo cheirava a fumo!!! Não estou a brincar! E atenção que já estou a dar o benefício de ter alergias e rinite, ficando o meu olfacto ser afectado por isso. Se o tabaco mata, e não só quem fuma activamente, porque é que se continua a fumar em espaços fechados? Não me interessa as leis e a repressão, mas também penso na questão da contínua forma repressiva como o Estado se dedica a educar os seus cidadãos, o que é certo e válido é que gostava de viver num país onde a tendência fosse para o progressivo amadurecimento de ideias, lutando assim contra os preconceitos, para o civismo e bom senso. Se há coisa que detesto são as falsas moralidades, é tudo uma questão de Ética! Se não sabem a diferença entre Ética e Moral, convido-vos a espreitar um dicionário filosófico, pois está mais do que visto que os dicionários comuns deixam a coisa mal definida e até confusa:

in http://www.priberam.pt:
Ética: disciplina filosófica que tem por objecto de estudo os julgamentos de valor na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal.
(parte “errada” que gera confusão: ciência da moral)

Moral: conjunto de costumes e opiniões que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem relativamente ao comportamento; conjunto de regras de comportamento consideradas como universalmente válidas; lição, conceito que se extrai de uma obra, de um facto, etc.; relativo ao domínio espiritual.
(parte “errada” que gera confusão: parte da filosofia que trata dos costumes e dos deveres do homem para com o seu semelhante e para consigo; ética; que diz respeito à ética)

Há uma grande área em comum entre a Ética e a Moral no que à definição entre o Bem e o Mal diz respeito, mas sem dúvida que a grande diferença entre uma e outra é que a Moral está intimamente ligada ao sentimento religioso enquanto que a Ética é completamente autónoma e independente, apenas estando ligada à nossa condição humana, ao Livre-Arbítrio.
Em filosofia definem-se da seguinte forma:

Ética: é pura e simplesmente o saber viver ou a arte de viver.

Moral: conjunto de normas e costumes que os indivíduos devem respeitar para poderem viver em conjunto, em sociedade.

Ou seja, Ética diz respeito à questão individual e em como devemos viver o melhor possível, de forma egoísta, porque não dizê-lo, significando sempre e obrigatoriamente respeitar os outros indivíduos, também eles no seu processo pessoal de quererem ser egoisticamente felizes, enquanto que Moral diz respeito às regras e leis (umas laicas e outras canónicas) que nos “forçam” a viver “melhor” como grupo.
Para terminar, convido-vos a lerem um livro delicioso (e pequeno, para quem não tem tempo ou não gosta muito) de Fernando Savater: “Ética Para Um Jovem” (péssima tradução de “Ética Para Amador”, no original em castelhano).

sexta-feira, 14 de março de 2008

Verde, laranja, roxo e cortinados do best!

Para a insanidade ser total, só mesmo juntado a verde à cor laranja, com umas pinceladas de roxo, assim em jeito de fato-de-treino de tuga num domingo de manhã quando este vai ao café de xanatas, brilhantina no cabelo, fardula do peito à mostra e palito nos dentes... típico estilo "cromado burguês"!
Verde, amigo de há mais de 2 décadas, companheiro de momentos insanos, palhaço deste circo que é a vida, este post é para ti (assim a modos que a dar-te os parabéns, grande abraço e bem-vindo aos 30!):

Tenho a certeza de que sei a altura exacta em que comecei a caminhar para a loucura, o preciso momento em que iniciei a minha viagem descendente e em espiral rumo à insanidade total. Tudo começou quando comprei uns cortinados cor-de-laranja. Ainda comecei por colocá-los na sala mas não conseguia ver televisão de dia, era impossível. Deixam o ambiente completamente alaranjado e mudam as cores e os tons de tudo. Quando chegava a casa parecia que alguém estava a fazer uma festa e eu tinha chegado tarde e sem ser convidado, as fotografias e posters na parede parecia que estavam todos a sépia. Aconteceu-me algumas vezes ir à cozinha buscar uma banana e trazer um pepino, tirar a caixa de caldos knorr do frigorífico pensando que era uma tablete de chocolate do Lidl, entre muitos outros incidentes deste género. Fartei-me e mudei as cortinas da sala para o quarto. Agora já não é só ao fim de semana ou final do dia. A loucura é todos os dias e começa logo pela manhã quando abro os estores da janela do meu quarto. Uns drogam-se ou embebedam-se, outros dedicam-se à política, outros fazem desporto radical, eu comprei uns cortinados cor-de-laranja!

Termino o post com uma frase tua, para que te lembres sempre: "a felicidade não é estúpida, a estupidez é que é feliz!"

quarta-feira, 12 de março de 2008

Toalhetes, jogo de cintura e maçanetas imundas

Acontece muitas vezes, quando vamos à casa de banho de um restaurante, café ou centro comercial, lavarmos as mãos e só depois, com as mãos encharcadas de água e a pingar, repararmos que não há secador de mãos nem outra forma de as limparmos senão com a máquina de toalhetes para secar as mãos que está atulhada de papéis até ao gargalo. Nesta altura tentamos retirar uma toalhete e só saem pedaços de papel rasgado porque aquilo está atascado... alguém achou que assim não teria de lá voltar tão depressa, talvez o empregado do mês! Quatro murros, seis cotoveladas e dois pontapés depois lá conseguimos secar as mãos, mais pelo tempo de espera do que pelas toalhetes, e deixamos o chão repleto de porcaria - papel, por muito limpo que esteja, e humidade só pode dar porcaria - Agora, procurando agilizar o nosso jogo de cintura, temos de apanhar o que conseguirmos mas sem tocar no chão, porque aquilo está imundo. Lavamos mais uma vez as mãos, secamos, agora as toalhetes já saem pela ordem certa em vez de virem aos packs de cinco, e seguimos em direcção à porta. Nessa altura pensamos na quantidade de pessoas que agarram aquela maçaneta sem previamente terem lavado as mãos depois de usar as instalações. Vá de tentar abrir a porta só com os cotovelos, sem sucesso! Agora utilizando o casaco, sem sucesso! Ainda nos lembramos de ir buscar toalhetes mas escorregam, quando finalmente usamos as mangas e tentamos não nos esquecer daí a cinco minutos de as arregaçarmos quando estivermos a comer, não vá elas tocarem na borda do prato ou nos talheres. Lavar as mãos não dá jeito nenhum e se nos lavamos todos os dias e o corpinho todo no banho, então bastava darmos a proverbial mijadela e voltarmos para a mesa de seguida. Se não fosse confiarmos no asseio do nosso material, chegaríamos à conclusão que os volantes dos automóveis, corrimãos, maçanetas, botões de elevadores, teclados de terminais de multibancos, computadores de trabalho e outras coisas que se agarram e manipulam numa base diária, estariam completamente emporcalhados e cobertos de morraça.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Cinema tuga

Nos tempos que correm, o cinema português resume-se a isto:
Mais um filme com a Soraia Chaves toda descascada, mais um filme com o Nicolau Breiner a fazer de polícia, mas um filme com o Vítor Norte a fazer de bandido, mais um filme com o Diogo Infante a fazer de galã, mais um filme com o Joaquim de Almeida a fazer de Joaquim de Almeida a fazer de qualquer coisa. Não tenho visto grandes evoluções a não ser em termos técnicos. A realização ainda deixa muito a desejar, os argumentos estam pejados de clichés e americaníces e a direcção de actores parece ser feita por encenadores de teatro, só mesmo ao nível da fotografia, som, etc., é que tem havido novidades, mas mesmo assim, longe do que poderia ser... e é pena!

quarta-feira, 5 de março de 2008

Bola, política e à mistura

Hoje estava a ver o Porto x Schalke04 quando me dei conta de uma série de coisas, algumas mais interessantes que outra (ou não!). O Marques Mendes faria a festa num debate político sobre o jogo de hoje, pois poderia referir-se ao guarda-redes do Schalke04 com toda a vontade e gozo – “O Porto foi afastado… ganda nóia!!” (Neuer); lembrei-me que uma das soluções para terminar com a eterna disputa pela televisão em casa das típicas famílias tugas seria as telenovelas serem narradas por comentadores de futebol; e por último, apercebi-me que fico satisfeito quando o Porto ganha jogos na Liga dos Campeões ou Taça Uefa, mas que também fico contente quando perdem!

Quando acabei de escrever o título achei que este post prometia, mas depois de o ler vejo que não poderia estar mais equivocado. Não pode ser sempre tudo ao melhor nível, tem de haver espaço para a expectativa!

terça-feira, 4 de março de 2008

A unhaca, a tecnologia e a polícia do bem

Os tugas são conhecidos pelos seus mais caricatos e bizarros vícios e manhas. Quer seja a escarreta no passeio, o afagar das jóias da família em plena rua, a buzinadela na passadeira quando vêm uma menina, ou os piropos provenientes dos andaimes, é fácil apanhar alguém numa situação grotesca deste género. Quanto a mim, um dos que mais me assusta é a unhaca do dedo mindinho. Seja para limpar o cotão ou a cera do pavilhão e canal auditivo, para a manutenção da narina no eterno combate contra o macacão, ou mesmo para coçar o tomatito por cima das calças sem ter de abrir a braguilha, é uma característica assim tipo… como direi… a atirar para o nojento! Por outro lado, com a velocidade cavalgante a que a tecnologia vai evoluindo hoje em dia e os telemóveis a apresentarem teclados cada vez mais pequenos e com teclas minúsculas, qualquer dia todos nós precisaremos de deixar crescer a unha do dedo mindinho para conseguir escrever sms, por exemplo. Porque será que os tipos da ASAE não implicam com estes hábitos tipicamente portugueses!? Este sim, seria o alvo preferencial de uma verdadeira polícia do consumidor. Imagino uma sociedade modernaça e civilizada em que à ASAE apenas coubesse a função de orientar os cidadãos para o bom gosto e as boas maneiras: multar o excesso de decibéis no que à música pimba diz respeito – poderiam sempre ouvir o que quisessem mas no recato do lar, nunca em altos berros de carro a passear e a intimidar outros cidadãos – andarem munidos de tesouras, canivetes capa-grilos, corta-unhas ou rebarbadoras que fossem, por forma a manter toda a gente de unhas bem aparadas e decentes – há sempre o perigo de se vazar uma vista a alguém sem querer – obrigar as pessoas a puxarem o autoclismo depois de usarem o órinol (lindo vocábulo!) ou a sanita e lavarem as mãos depois de usar qualquer um deles, aventar umas vergastadas a quem cuspisse para o chão ou fosse apanhado a mijar numa esquina, dar uns tabefes ou uma bem assente com a costa da mão a quem deitasse alguma coisa para o chão quando houvesse a possibilidade de a colocar num balde do lixo, especialmente se fosse o invólucro de plástico dos maços de tabaco. Se é para haver polícia que oprima e coaja, ao menos que fosse por uma boa causa!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Pau, plástico e a pílula da felicidade

...que se lixe a ASAE! Cá na minha casa usam-se colheres e espátulas de pau e, sempre que é possível, aposta-se na comida tradicional. Já basta o rapa-tachos ser de borracha e a grande parte da comida vir em couvetes de plástico para ainda agora virem estes totós dizerem o que devo ou não utilizar como utensílios na preparação das minhas refeições. Nos restaurantes já me parece mal, então no meu covil é que não pode ser! Pelo que tenho visto nas lojas e supermercados, já vai sendo raro achar material de madeira e vegetais, legumes e fruta disponível para escolha. Qualquer dia ainda se dedicam os feirantes ao contrabando de colheres de pau no lugar de outras coisas. Seja como for, com tanta regra e lei repressiva, se na música o vinyl ainda continua vivo, na cozinha a madeira vai durar para sempre... enquanto houver árvores, pois calculo que os japoneses, depois da melancia cúbica, se dediquem a inventar árvores insufláveis que produzam oxigénio. Os suecos da Volvo já inventaram um sistema de arrefecimento para um automóvel que produz ozono. Pensando nisso, acho que já faltou mais para as refeições do comuns mortais serem do género das dos astronautas, tipo pílula! Se esse dia chegar, engulo-as com shots de Vodka para não me lembrar!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Escritórios, desesperos e muita animação

Final do mês, anda tudo aflito para conseguir terminar o que tem a fazer, principalmente a papelada de modo a deixar as coisas resolvidas a tempo de enviar pelo correio e é nestes momentos que algumas coisas começam a falhar. O toner da fotocopiadora no fim e aquele apito irritante da máquina não te deixa sossegar, as folhas encravam a impressora, não há agrafes naquela gaveta onde deveriam estar, a rapariga mais recente na empresa deu cabo de uma unha na guilhotina e berra a plenos pulmões lá da sala do fundo, o elástico parte-se quando não tens braço para alcançar outro e estás preso a uma resma de papeis que se a soltares certamente se irão espalhar pela secretária de alto a baixo, o anti-virus bloqueou o computador por causa de um zip manhoso que vinha num email de um amigo, a esferográfica rebenta e deixa tudo cheio de tinta, estás a conseguir partir mais minas com a lapizeira do que noutro momento qualquer e isso quase te deixa à beira de um ataque de fúria, o chefe grita da sala dele a perguntar pelo relatório final, há um colega a assobiar o "aperta, aperta com elas" três cubículos mais à frente e uma colega logo ao lado a cantar alto e a remexer-se na cadeira como se tivesse espasmos incontroláveis pensando que faz a mesma figura da Shakira, há um outro colega a enfardar ovos da Páscoa de chocolate como se não houvesse amanhã e tá-se cagando de alto e de repuxo para ajudar seja quem for, os cinco cafés que já bebeste desde as 8h começam a fazer-se notar e o último cigarro no maço que está à tua frente em cima da secretária já tem mofo porque tinhas jurado a ti mesmo deixar de fumar e agora é que vinha mesmo a calhar e sabia tão bem... pensa positivo... depois do fim deste mês vem logo o princípio de outro igual! Força aí!!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Saco de Plástico, essa instituição!

Acho que a maioria das pessoas negligenciam o poder do saco de plástico comum, das lojas e supermercados. Além do óbvio, dá para todo o tipo de usos, inclusivamente para pôr na cabeça. Noutro dia vi uma velhota à porta do hospital, à chuva, com um saco de plástico no alto da cabeça, até às orelhas e protegendo convenientemente a nuca e pescoço, provavelmente à espera da sua boleia. Ecológico ou não, o saco de plástico é uma instituição, principalmente nos meios rurais e mais pobres. Senão, porque outra razão investiriam tanto os partidos em sacos de plástico durante as campanhas eleitorais?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Bófia, radares e ideias parvas

Tenho esperanças que um dia que a brigada de trânsito me apanhe a alta velocidade e na operação stop alguns kms mais à frente me venham dizer:
- “o quê!?!? Você seguia a 195km/h… com este carrinho!? Não pode ser!! Não goze comigo… vá-se lá embora!”
Mais à frente serei apanhado outra vez e nessa altura eu direi:
- “o quê!?!? 195 km/h… com este carro!? Você acha mesmo que esta caixinha de fósforos se move a essa velocidade!? Não é possível! Recuso-me a pagar isso!"

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Histórias de um audioprotesista #2

Continuando com a saga, lembrei-me de outro episódio engraçado, desta feita aconteceu mesmo comigo. Quando se trabalha muitas horas por dia, se tem de dizer vezes sem conta a mesma coisa, e acrescentando a isso umas boas centenas de kms, é normal que se chegue ao final do dia cansado e ao final de uma semana com cansaço acumulado. Sinceramente não me lembro o dia da semana em que isto aconteceu mas foi ao final do dia, por volta da hora do jantar.
O audioprotesista preparava-se para dar início à consulta em casa de um paciente e precisava de ligar o equipamento electrónico à corrente eléctrica:
técnico: "Desculpe, não tem uma picha tripla?"
paciente: "...como!?"
técnico: apercebendo-se da gaffe e sem se deixar rir - "...uma ficha ou uma extensão onde possa ligar o equipamento!!"

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Felicidade, capas de edredons e tarefas impossíveis

No dia em que conseguir alinhar o edredon com os quatro cantos da capa de edredons sem ter de me enfiar lá dentro – estou a ser literal nesta expressão, não há aqui qualquer tentativa de criar uma metáfora – será o dia em que eu vou ser feliz! (*) Já ouvi todas as dicas e truques mas é impossível alinhar os cantos do edredon com os da capa quando se trata de uma cama tamanho de casal, pelo menos quando é só uma pessoa a tentar fazê-lo. Já tentei alinhar os cantos da zona da cabeceira e depois pôr-me em cima da cama aos saltos, a esbracejar como se não houvesse amanhã – e neste caso particular, durando algum tempo, há amanhã e também há dores de braços como se tivesse feito pesos e halteres – e deixar a natureza e as leis da gravidade seguirem o seu curso, mas não seguem, as maganas! É humanamente impossível conseguir fazer isso sozinho. Tento sempre uma e outra vez mas acabo por me descalçar, despir e enfiar –me pela abertura da capa indo lá dentro alinhar tudo, cantos e rebordos, até ficar jeitoso. É uma tarefa verdadeiramente herculiana.

(*) longe de mim querer fazer publicidade a um banco (bando) de metecaptos que se julgam donos da economia portuguesa, mas a frase fica bem assim!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Histórias de um audioprotesista #1

Uma consulta de rastreio auditivo consiste num breve questionário clínico, otoscopia, timpanometria, audiometria e consequente aconselhamento do paciente. Isto não aconteceu comigo, mas com uma ex-colega e amiga.

Durante o questionário clínico, o audioprotesista pergunta ao paciente:
técnico: tem desequilíbrios?
paciente: ...emocionais?
técnico: sem saber bem o que dizer – “…não...”
paciente: ...mentais!?
técnico: logo para acabar com a conversa – “…não, tonturas!!”

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ecologia ou parvoíce!?

Hoje vi um cartaz publicitário de uma empresa de lavagens automáticas que dizia o seguinte:
“O Elefante Azul é Ecológico”

Pergunto-me se cagará poias azuis e azotadas!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Coçar a micose

Se há razão óbvia para não gostar de andar de camisa é o facto de em determinados momentos querer coçar-me, porque apareceu uma teimosa comichão, e não conseguir fazê-lo nas devidas condições. Passo a explicar! Quando temos uma t-shirt e uma ou mais blusas vestidas, facilmente nos conseguimos coçar se aparecer algum tipo de comichão, enquanto que se for uma camisa a estar vestida por debaixo de uma blusa de malha, por exemplo, já não é tão fácil. Para nos coçarmos com uma camisa vestida, só mesmo agarrando nas várias peças de roupa e usando os próprios tecidos para esfregar contra a pele. Se for só com um dedo não dá porque o tecido da camisa não deixa. Experimentem, vão ver que é verdade. A usar camisa, que seja de fato, porque aí só temos mesmo a camisa vestida, ou com uma t-shirt ou camisola interior de algodão, que anula o efeito da camisa, e já nos dá um acesso facilitado para nos coçarmos. A não ser que estejamos com um colete ou o casaco do fato por cima, e isso sim, é um pesadelo, mas com certeza dura pouco tempo porque são fáceis de despir e num instante estamos a dar azo a uma esfrega desenfreada. Esfreg'aí!!!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Holocausto, internet e o Coelho da Páscoa

Está mais do que visto que a internet é uma fonte de informação, mas temos de nos cingir aos sites, porque se pensarmos nos emails, bem, aí a conversa é outra. Eu recebo todo o tipo de emails falsos, falsificados ou fora de prazo que me fazem passar a maiores vergonhas virtuais. Ele é cães para dar que já foram todos entregues ou abatidos, sangue para um adolescente que teve um acidente de mota e está no hospital mas que na realidade já tem 35 anos e três filhos, um rim para um velhote que já reencarnou numa abelha lá para os lados de Madagáscar faz mais de quatro anos, os esquemas para nos clonarem os cartões de MB, os eternos avisos (mais ultimatos) de bom karma que te dizem que deves reencaminhar o email para dez pessoas ou vais ter azar para sempre, já para não falar dos powerpoints com ursinhos, muita fotografia e música foleira que os brasileiros teimam em inventar e distribuir. Cada email é mais ridículo, bizarro ou macabro que o anterior. Até parece que há gente especializada em fazer e manter estes emails a circular... e há, todos nós! A última esparrela em que caí foi um email sobre a suposta retirada do "Holocausto" dos livros escolares do Reino Unido. Não podia ser mais falso, como seria de esperar. Ao que parece, eu é que ainda acredito no Coelho da Páscoa. Parece também que devo uma desculpa a todos que receberam o reencaminhamento do tal email que enviei. Não tenho tempo para confirmar algumas coisas e acabo por dar asas a estas parvoeiras. E por falar em Páscoa, quando é que começam a vender amêndoas de chocolate nos supermercados??

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Dinamarca (registada)

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que nada se passa de errado no Reino da Dinamarca, mas lá que é estranho, isso é! Imaginem só que aquilo é tudo gente civilizada, certinha e respeitadora de tudo quanto é regra. No trânsito, pura e simplesmente não atravessam as ruas fora das passadeiras e tão pouco o fazem com o sinal no vermelho para os peões. É engraçado brincar com eles e atravessar a passadeira antes de sair o verde... não reparam e vêm todos atrás, confiando! Copenhaga é a capital do design, do bom gosto, da comida gourmet - assim a atirar para a Nouvelle Couisine, mas com mais sustânca - e das bicicletas modernaças (lá está, o design). São todos loirinhos e branquinhos, gente bonita e vistosa. Vestem-se como se tivessem saído da passerelle (até me questiono como é que dará jeito elas andarem de bicicleta e saltos-altos!?) e uma coisa é certa, é só rabinhos, coxas e pernas bem tonificadas! Nunca tinha visto tanta mulher com pernas bonitas e bem feitas como lá!! Parecem modelos mas com as medidas certas, não são escanzeladas, e os homens têm todos bom aspecto. A cidade de Copenhaga não é grande mas é super espaçosa. As ruas são largas e os edifícios não são muito altos. Na zona de Nyhavn (novo porto), junto aos canais, podem apreciar-se os prédios coloridos, as esplanadas, os barezinhos e os restaurantes. Por falar em restaurantes, Copenhaga tem mais de 2000! E não dei por haver tascas, estamos a falar de restaurantes todos pipís. É normal, é tudo caríssimo! Uma sandocha (típica open sandwich dinamarquesa) custa em média 10€. Há museus por todo o lado, galerias de arte, lojas de roupa e de peças de design. Os dinamarqueses são conhecidos pelas peças de design em metal: faqueiros, chaleiras, etc. É um país com pouco mais de quatro milhões de pessoas, achatado (o monte mais alto tem 147m de altura), descendentes dos Vikings e são os maiores produtores de carne suína do mundo, mas garanto que não há porcaria nem cheira mal em lado nenhum. Pelo que pude indagar, e indaguei bastante, em média desconta-se cerca de 50% de impostos do ordenado individual, mas os quadros superiores das empresas chegam a descontar 60%. O ordenado mínimo ronda os 400 contos, não há desemprego, não há praticamente crime e é tudo de graça no que à saúde e segurança social diz respeito. É de facto um país de gente civilizada, madura. Lá por ser uma Monarquia não deixa de ser uma democracia, que funciona. O que mais me surpreendeu foi a postura deles no trabalho. Lá trabalha-se com gosto, motivação e proactividade. Nas fábricas e empresas não há escritórios, é tudo openspace, e abundam as cores e a ergonomia. Na sede da minha empresa perto de Copenhaga, o edifício é todo modernaço e há pormenores tão fantásticos como um ginásio, uma sala de massagens, uma sala de jogos (snooker e matraquilhos, são doidos por matraquilhos), uma sala de leitura com todas as revistas que se vendem no país, entre outros pormenores interessantes como a cantina que tem comida belíssima, tipo restaurante buffet, para a qual todos os trabalhadores descontam do seu ordenado, tudo o resto é gratuito. Os dinamarqueses são muito diferentes dos suecos, filandeses e noruegueses. Não se suicidam nem se desgraçam com drogas e álcool. Trabalham a sério e sabem divertir-se com tacto. É um mundo diferente, um admirável mundo novo! O frio e as poucas horas de luz não me fazem deixar de pensar que gostaria de ir para lá viver. Tirando o Alentejo, que também tem o seu ritmo próprio, e até ver, só mesmo em Copenhaga.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Gays, roupa e armários

A questão da homossexualidade é um tema que, já não sendo (tão) tabu, carece de alguma delicadeza a ser lidado, pois pode ferir susceptibilidades. Sem querer brincar com o assunto, de forma gratuita pelo menos, lembrei-me de uma coisa engraçada. Parece-me que só não há mais homossexuais homens a saírem do armário porque de facto eles gostam muito de roupa!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

À saúde da nossa Saúde!

Sei perfeitamente que ler coisas mais sérias para além das verborreias que eu regurgito de forma cómica neste blog que têm exactamente o intuito de alertar mas também de entretet e que parecem interessar algumas pessoas de forma recorrente e quase militante, o qual vos agradeço mais uma vez de forma sentida, pode não ser tão motivador, mas de vez em quando gosto de partilhar convosco alguns textos de outras pessoas. Este é daqueles que a mim me inspira e dá coragem para entender e tentar lutar contra o Status Quo e o Estado de Sítio em que se encontra este país. Andei recentemente pelo estrangeiro, visitando duas realidades completamente díspares, mas também muito diferentes da nossa, e posso dizer-vos que pressinto que estamos a caminhar para o abismo em termos sociais e humanos. Resta saber se damos o tal "passo em frente" ou se mudamos radicalmente de ideias e voltamos as costas a essa realidade de forma proactiva, inteligente e civilizada, no sentido de mudar, transformar e crescer como povo. Já vai sendo tempo de o fazer e a vários níveis. No que à Saúde diz respeito, este país está de facto a saque. Há que se perceber o porquê!
Depois deste pedacinho de tempo, dediquem apenas mais três minutos a ler o que vos deixo em baixo e retirem as vossas conclusões. Se quiserem falar sobre isso, comentem ou falem mesmo!

 
Boaventura Sousa Santos, Opinião
É a saúde, estúpido!
«Is the economy, stupid», afirmou Bill Clinton, em 1992, para explicar aos republicanos as razões da sua vitória eleitoral. Com isso queria dizer que as preocupações principais dos norte-americanos tinham a ver com o estado da economia e o modo como este se traduzia no seu bem-estar. E por isso uma das suas promessas eleitorais prioritárias era a criação de um sistema de saúde universal que acabasse com o escândalo de, no país mais rico do mundo, cerca de 30 milhões de cidadãos não terem qualquer protecção na doença. As grandes empresas da indústria da saúde (das hospitalares às seguradoras e à indústria farmacêutica) moveram uma das guerras mediáticas mais agressivas de que há memória contra a «medicina socialista» de Clinton e a proposta caiu. Hoje são 49 milhões os norte-americanos sem qualquer protecção na doença.
É trágico que em Portugal se esteja a tentar destruir aquilo a que o povo norte--americano tanto aspira. Mais trágico ainda é que, neste domínio, haja, desde 2002, uma continuidade entre as políticas do PSD e do PS. Descartada a retórica, os objectivos dos ministros da Saúde Luís Filipe Pereira e Correia de Campos (ou dos governos a que pertenceram) foram os mesmos: privatizar o bem público da Saúde, transformando-o num lucrativo sector de investimentos de capital (afirmação de um quadro de uma grande empresa de saúde: «Mais lucrativo que o negócio da saúde, só o negócio das armas»); transformar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) num sistema residual, tecnológica e humanamente descapitalizado, proporcionando serviços de baixa qualidade às populações pobres; definir a eficiência em termos de custos e não em termos de resultados clínicos (levado ao paroxismo pela decisão de limitar o aumento da produção cirúrgica nos hospitais, para não aumentar a despesa); impor rápida e drasticamente três palavras de ordem: privatizar, fechar, concentrar; promover parcerias público/privado em que todos os riscos são assumidos pelo Estado e as derrapagens financeiras não contam como desperdício ou ineficiência (já que um e outra são um exclusivo do sector público).
A Correia de Campos apenas devemos reconhecer a coerência. Desde que passou pelo Banco Mundial assumiu-se como coveiro do Estado Social, na Saúde e na segurança social. Na Comissão do Livro Branco da Reforma da Segurança Social, a que pertenci, verifiquei com espanto que os seus aliados na comissão não eram os socialistas, eram precisamente Luís Filipe Pereira (que pouco depois quis privatizar a Saúde) e Bagão Félix (que, desde sempre quis privatizar a Segurança Social). Portanto, de duas uma: ou o PS abandonou os seus princípios ou Correia de Campos está no partido errado. A sua recente demissão parece apontar para a segunda opção. Veremos. O SNS é um dos principais pilares da democracia portuguesa, e a ele se devem os enormes ganhos de desenvolvimento humano nos últimos 30 anos; qualquer retrocesso neste domínio é um ataque à democracia.
O SNS é um factor decisivo da gestão territorial do país. Os critérios de eficiência incluem a eficiência na vida dos doentes, cujo atendimento pontual é fundamental para que não se perca uma manhã num acto médico que dura 20 minutos. É urgente modernizar o SNS para o aproximar dos cidadãos, permitindo a participação destes e das associações de doentes na concretização do direito à saúde. Promover a todo o custo o regime de exclusividade e terminar com a escandalosa promiscuidade entre a medicina pública e privada. Promover a estabilidade e as carreiras, apostar na inovação técnica e científica e democratizar o acesso às faculdades de Medicina. E, sobretudo, tornar claro o carácter complementar do sector privado, antes que os grupos económicos da saúde (Grupo Mello, BES, BPN/GPS, CGD/HPP, etc.) tenham suficiente poder para serem eles próprios a definir as políticas públicas de saúde. Quando tal acontecer serão eles a dizer: «É a saúde, estúpido!», a saúde dos seus negócios, não a dos cidadãos estúpidos.
in VISÃO, 14/02/2008

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dia de Sº Valentim, Ferraris e diarreias

Mesmo porque eu quero, não vou tocar neste assunto chato que só serve de entretenga ao consumismo desenfreado!
Hoje, ao fazer compras num supermercado que se dissesse que era o Pingo Doce estaria a fazer publicidade desnecessária e com a qual não ganho nada a não ser mais um nanocentímetro de calo nas pontas dos dedos por teclar uma frase tão grande e essa sim perfeitamente desnecessária mas com ligeiro interesse do ponto de vista cómico, reparei numa publicidade da Activia onde se podia ler o seguinte: “Aceite o desafio Activia, regule o seu trânsito intestinal em 2 semanas e habilite-se a ganhar 100€”.
Ok, agora vamos colocar o Capacete da Verdade do Capitão Legendas (referência da sitcom Coupling) e traduzir o texto:
aceite = compre lá isto, vá! é que não podemos obrigar ninguém porque por enquanto ainda vai sendo ilegal fazê-lo
desafio = para colocarem as coisas nestes termos, e estranho a franqueza, é porque os iogurtes são mauzinhos
regule o seu trânsito intestinal = ok, eu nem quero pensar nos transeuntes que se passeiam pelos meus intestinos enquanto ingiro alguma coisa, se bem que depois de ter visto o Planet Terror do Rodriguez já pouca coisa me mete nojo
2 semanas = mesmo que não dê resultado, já está a dar lucro à Danone
habilite-se = sempre me parece melhor que com os tipos da Readers Digest (“você já poderá ter ganho”)
100€ = quem é que ganha estes prémios? com tanta coisa que oferecem por aí não seria de esperar que eu conhecesse pelo menos uma pessoa que tivesse ganho um elástico de cabelo da Ragazza, uma merda de um pareo da Máxima (que nem sei o que isso é nem quero saber), um faqueiro todo pipi da Caras, uma colecção de vídeos VHS do Poirot na TV Guia, um jogo de damas com as caras dos 4 violinos e outros heróis daquela época coladas nas peças, do Record ou da Bola, ou um daqueles 33 Mercedes do Jumbo?? Isto está tudo viciado, calha sempre aos primos e aos cunhados dos tipos que regulam esses concursos
Voltando à conversa séria (salvo seja) e ao texto corrido, que isto por tópicos quando é demais também enjoa (e por falar em enjoar) – sim, os parêntesis não enjoam! – parece-me estranho as pessoas que são entrevistadas nos reclames deles não dizerem que nos três primeiros dias em que beberam ou comeram o tal iogurte andavam de soltura – como dizem os velhos (e órinar também é giro e fica bem em qualquer parte de qualquer texto, por mais literário e sério que seja) – como se não houvesse amanhã. Epá, não dá jeito nenhum uma executiva – coloco a questão no feminino pela direcção mais que óbvia que dão a este tipo de publicidade, mas eu já experimentei os Actimel, que não sendo para regular o trânsito intestinal, também nos põem a cagar fininho nas primeiras doses – numa manhã em que vai fazer uma apresentação na empresa em que trabalha, ter de ir quatro vezes à casa de banho por entre os quinze slides que tinha pensado apresentar, ou o Goucha aceitar o desafio e dar cabo do directo porque passa mais tempo fora das câmaras do que no plateu e fica aquela loira estridente, que nada tem a ver com um Ferrari, a conduzir o programa e dar cabo do juízo às velhotas. Isto, que é bom e é verdade, ninguém tem coragem de dizer… pois tenho eu! Deviam dar Actimeis e Activias aos deputados da mui nobre Assembleia da República mas deixá-los só comer/beber dois dias de cada vez, intercalando com três dias de pacotinhos de Milo (ou Nesquick, pronto, senti saudades!). Assim andavam sempre e literalmente a cagar-se para a gente.

Post Scriptum (com cuidadinho, porque hoje em dia é lixado ser-se confundido com um socialista, passam logo a olhar-nos de soslaio): aquela cena do Ferrari é percebida apenas por quem prefere Porsches ou Lamborghinis, pois costuma dizer-se que um Ferrari não é mais do que uma loira histérica numa festa cheia de desportistas adolescentes.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sandochas, mitetes e condução perigosa

Quando por vezes vamos a comer uma sandocha ou uma tosta mística enquanto conduzimos e abocanhamos um pedaço de pão, que não sendo grande de mais para caber na sua totalidade na nossa boca, é manifestamente grande demais para passar os lábios e podermos manobrá-lo apenas com os maxilares e língua. Nesse preciso instante não conseguimos tirar as mãos do voltante e manete das mudanças e ali ficamos durante uns segundos a fazer a figura mais rídicula que é possível fazer-se enquanto se conduz (ou não!). Além dos exagerados mitetes faciais e de toda uma linguagem corporal digna de uma aula de protecção pessoal vista à distância por uma janela, ainda são acrescidos uma série de grunhidos, apenas audíveis pelas viaturas que seguem exactamente ao nosso lado no trânsito. Nunca a frase "ter mais olhos que barriga" acentou tão bem em alguém!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Batata-(dá cá aquela)-palha e uma possível dor de barriga

Hoje, ao preparar um belo de um prato de Bacalhau à Braz, reparei que a data de validade patente no pacote de batata-palha que comprei no Lidl sabe-se lá quando, tinha escrito “consumir de preferência antes de 10-02-2007”... ok! Não dizia “obrigatoriamente” pois não? Era mesmo preferencialmente!? Então não há-de haver grande crise, pois eu preferi, com poucas hipóteses de escolha, lá está, ou comia ou deitava fora e uma vez que já tinha juntado os ovos, optar por comer. Soube-me a pato! Entretanto já se passaram umas horitas e mantenho-me estou de pé! Diria mesmo mais, “firme e hirto que nem uma barra de ferro”. Ainda estou para saber que raio de ciência é esta a que determina o prazo de validade para os alimentos, medicamentos e outros que tal. Como e em que é que se baseiam para definir isso? Seja como for, e aqui deixo uma dica para quem vive (e cozinha) sozinho, dá sempre jeito ter uma caneta de acetato à mão para escrever a data em que se abre uma lata, frasco ou pacote. Desta forma nunca deixo passar muito tempo e sei sempre desde quanto aquele frasco de pickles ou de maionese está no frigorífico e evito ter de fazer demasiadas contas de cabeça, que mais provável seria não me darem qualquer tipo de resposta concreta em tempo útil. Agora um suponha-mos – sempre quis dizer isto: se no frasco que eu abri hoje, aparece uma data de validade de “Jun/2008”, sei que não dura até lá no frigorífico. Essa data é para indicar o tempo que dura dentro do frasco antes deste ser encetado. Picuinhíce? Talvez não! Seja como for, tenho sempre um frasquinho de Eno na dispensa bem a jeito… só não sei quando foi que o abri! Ahhhhhhhhhh!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

I'm back!! (parte dois)

Heis-me de volta do reino da Dinamarca sem ter trocado meu reino por um cavalo nem tão pouco um cavalo por aquele ou outro reino qualquer. Também não conheci o Hamlet mas fartei-me de ver coisas interessantes, as quais vou escrever e sintetizar num breve texto que aparecerá aqui muito brevemente, passo a redundância...

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Filmaças de culto

Hoje deixo-vos uma listagem simpática de filmaças de culto, mesmo a propósito do fim de semana, uma vez que na televisão só dá merda e com este frio só apetece ficar em casa na borralheira.

Grindhouse (2007), Quentin Tarantino + Robert Rodriguez (Death Proof + Planet Terror)
Ocean's 13 (2007), Steven Soderbergh
Crank (2006), Mark Neveldine + Brian Taylor
300 (2006), Zack Snyder
V For Vendetta (2005), James McTeigue
Sin City (2005), Robert Rodriguez + Frank Miller + Quentin Tarantino
Star Wars: Episode III - Revenge Of The Sith (2005), George Lucas
Ocean's 12 (2004), Steven Soderbergh
The Village (2004), M. Night Shyamalan
Un Long Dimanche de Fiançailles (2004), Jean-Pierre Jeunet
Kill Bill: Vol.2 (2004), Quentin Tarantino
Kill Bill: Vol.1 (2003), Quentin Tarantino
The Italian Job (remake 2003), F. Gary Gray
X2 (2003), Bryan Singer
Star Wars: Episode II - Attack Of The Clones (2002), George Lucas
Vanilla Sky (2001), Cameron Crowe
Ocean's 11 (remake 2001), Steven Soderbergh
Le fabuleux Destin d'Amélie Poulain (2001), Jean-Pierre Jeunet
X-Men (2000), Bryan Singer
Snatch (2000), Guy Ritchie
The Sixth Sense (1999), M. Night Shyamalan
Stir Of Echoes (1999), David Koepp
Fight Club (1999), David Fincher
Star Wars: Episode I - The Phantom Menace (1999), George Lucas
Matrix (1999), Andy Wachowski + Larry Wachowski
Magnolia (1999), Paul Thomas Anderson
American Beauty (1999), Sam Mendes
Ronin (1998), John Frankenheimer
Dark City (1998), Alex Proyas
Gato Preto, Gato Branco (1998), Emir Kusturica
Lock, Stock And Two Smoking Barrels (1998), Guy Ritchie
The Big Lebowski (1998), Joel Coen
The Game (1997), David Fincher
Jackie Brown (1997), Quentin Tarantino
Boogie Nights (1997), Paul Thomas Anderson
Deconstructing Harry (1997), Woody Allen
Bound (1996), Andy Wachowski + Larry Wachowski
From Dusk Till Dawn (1996), Robert Rodriguez
Four Rooms (1995), Allison Anders + Alexandre Rockwell + Robert Rodriguez + Quentin Tarantino
The Usual Suspects (1995), Bryan Singer
Revolver (1995), Guy Ritchie
Desperado (1995), Robert Rodriguez
Se7en (1995), David Fincher
Dracula: Dead and Loving It (1995), Mel Brooks
Pulp Fiction (1994), Quentin Tarantino
Robin Hood: Men in Tights (1993), Mel Brooks
Reservoir Dogs (1992), Quentin Tarantino
Delicatessen (1991), Jean-Pierre Jeunet + Marc Caro
Spaceballs (1987), Mel Brooks
2010: The Year We Make Contact (1984), Peter Hyams
Monty Python's Meaning Of Life (1983), Terry Jones + Terry Gilliam
Star Wars: Episode VI - Return Of The Jedi (1983), George Lucas
History of the World: Part I (1981), Mel Brooks
Airplane (1980), Jim Abrahams + David Zucker
Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back (1980), George Lucas
The Shining (1980), Stanley Kubrick
Monty Python's Life Of Brian (1979), Terry Jones
Star Wars: Episode IV - A New Hope (1977), George Lucas
High Anxiety (1977), Mel Brooks
Monthy Python's Quest For The Holly Grail (1975), Terry Jones + Terry Gilliam
Blazing Saddles (1974), Mel Brooks
A Clockwork Orange (1971), Stanley Kubrick
2001: A Space Odyssey (1968), Stanley Kubrick
Bullitt (1968), Peter Yates

É óbvio que me esqueci de um porradão de filmes e também que estou a ser tendencioso, mas este blog é meu e opiniões, cada um tem a sua! Bom resto de fds...

Notas:
clicar nos títulos e nomes para mais info ( www.imdb.com )
lista de filmes de culto (http://www.filmsite.org/)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ponham mais carne ao lume, ó'faxavor!

Eu quero desde já afirmar aqui publicamente que não tenho qualquer tipo de atracção, fantasia ou fetish pela Ana Malhoa. A rapariga não é roliça, nem tesuda, jeitosa ou qualquer outra coisa boa que se possa dizer dela. É uma badocha manhosa toda tatuada, com piercings de mau gosto que não tem ponta por onde se lhe pegue. Não percebo a onda de entusiasmo que esta mulher gera no meio cibernético. Já foi minimamente interessante, é verdade! Era simpática, grandalhona e com um valente par de trancas, mas desde que largou o Buereré que tem vindo a descer por uma espiral negativa vertiginosa qualquer para a qual não encontro explicação possível neste universo de leis quânticas. Neste momento, e como se pode comprovar pelas imagens (link em baixo), a menina Malhoa deixou de roçar o reles e o ordinário (a música não é para aqui chamada) para envergar com todo o orgulho aquele ar de rameira que só pode ter sucesso na área da pornografia rasca para geeks pervertidos e desajeitados que nunca fizeram sexo em toda a sua vida e fantasiam com bonecas de desenhos animados japoneses a serem violadas por extra-terrestres com vários membros peludos, que deixam ranho pela casa toda. Por favor alguém que ponha juízo na cabeça destes tipos que ainda puxam pela imagem duma Ana Malhoa has been (Maxmen's, blogs, sites, etc.)… essa pessoa já não existe! Aquilo é um monte de silicone, carne, metal e tinta da china. Tal como a Amália antes, deixem a Ana Malhoa morrer em paz – mesmo que seja só quando chegar a velhinha – e até lá preferia não saber por onde anda nem o que faz. Vai de recto Ana Malhoa!! Tantas saudades que tenho da Pamela Anderson a aparecer em tudo quanto era motor de busca, site e popup. Ainda que assim pró plástica, era de muito mais bom gosto e atingindo apenas um 6 numa escala de 0 a 10, punha a Bomba Malhoa assim num sólido -17.


http://www.gatas-qb.net/ana-malhoa/ana-malhoa-2.html

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

conversa mole para boi dormir

Uma vendedora de uma editora está a tentar vender livros ao gerente de um banco, entre eles uma edição especial da bíblia. No meio da conversa informal surge esta pérola.
Garanto-vos que foi tal e qual assim:

- o sr. é católico?
- não, sou céptico.
- desculpe a minha ignorância, mas isso é alguma religião?

...eu responderia "tá desculpada!"

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Em casa a definhar...

Hoje encontro-me, pela primeira vez em anos, em casa a definhar e a morrer. Se é verdade que começamos a morrer a partir do minuto em que nascemos, então neste preciso momento estou literalmente a dar força a esse processo nefasto que nos encaminha para a negritude total e final. Ou então tou só verdadeiramente engripado... seja como for, entre uma e outra, venha o diabo e escolha! O que me parece interessante em relação a todos os momentos da vida, sem excepção, é que podemos sempre escolher a forma como os vivemos e experenciamos, certo? Significa isto que eu posso abraçar a doença e curtí-la até à exaustão, ou seja, até à recuperação do estado de saúde plena. Pode parecer estranho (dass! então não!?) mas gosto de tentar sentir-me confortável em qualquer pedacinho de tempo e espaço e a doença não é excepção a essa regra. Se estou doente, pois bem, que esteja e que viva também isso com intensidade e entrega. Ficar em casa não custa nada desde que consiga esquecer-me de que fica mais trabalho para fazer em menos tempo nos dias que sobram do mês. Se conseguir evitar este tipo de pensamentos, até pode ser assim para o razoável a roçar o bom. Passar o dia inteiro em casa a ler com os olhos ramelosos, ver filmes e séries com a visão ligeiramente desfocada, escrever no blog com os dedos meio a tirintar por causa dos arrepios de frio - e a porcaria do aquecedor até está no máximo - ou ter de ir ao wc vezes e vezes sem conta para dar azo às mais estranhas expelições de tudo quanto é excrecências, acompanhadas dos mais curiosos ruídos e grunhidos é uma festa! Tudo pode ser aproveitado e transformado em prazer, é uma questão de postura. Quando somos bebés, na fase oral e anal, tiramos prazer do processo de controlo das coisas mais estranhas que podem entrar e sair de tudo quanto é orifícios do nosso corpo, é verdade!, então é uma questão de trazermos de volta essa forma de estar na vida para a fase adulta. Tossir, pigarrear, espirrar, cuspir, regorgitar, vomitar, tudo coisas que podem saber bem e dar prazer... ou não! Talvez seja melhor ignorarem esta colecção de barbaridades. De momento encontro-me a delirar com febre e talvez não esteja em mim mesmo. Engraçado é este meu alter-ego também querer participar no blog. Tem bom gosto!

Só uma correção: com algum custo e proactividade da minha parte, posso dizer orgulhosamente que não vomito desde a passagem de ano de 1997 para 1998.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

conversa entre dois gestores

- e os ladrões?
- ...ladrões!?!?
- sim, para cima de 10 políticos. Mas acabou por não ser nada por causa do subsídio!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Brasiu!

O que dizer do Brasil? Bem, de facto eu não conheci o Brasil, estive na Bahia, que é bem diferente. Aquela zona do país caracteriza-se pela harmonia perfeita entre povos: africanos, europeus e nativos. Não há brancos em lado nenhum, só os turistas (portugueses, espanhóis, italianos, americanos). Oitenta e tal porcento da população são pretos ou mulatos, os brancos não se notam porque estão torrados do sol. Aquela gente respira e transpira talento, na música, na dança, nas artes plásticas, em tudo e mais alguma coisa; no resto do Brasil costuma dizer-se que na Bahia tem muito talento… talento, tá lento… são os alentejanos lá do sítio! Não há stresses nem complicações. São calmos, pacíficos, profundamente ecológicos e preocupados com a Natureza, exageradamente religiosos e extremamente supersticiosos. Cumprem os rituais do Cristianismo (catolicismo e protestantismo) e do Candomblé no que a festas e feriados diz respeito. Costumam dizer que pelo sim, pelo não, mais vale rezar a todos! Festas é com eles, estão constantemente em festa. Dezembro, Janeiro e Fevereiro é tempo de Verão e Carnaval, uma só festa contínua e sem fim. No resto do ano é festa também, sempre. Eles lá vão arranjado desculpas e justificações para a boa disposição, que essa nunca falta. E tem de ser assim, porque a vida no Brasil é muito difícil! É uma dos países mais ricos do mundo em termos de recursos naturais e de facto há muita gente rica e podre de rica – vários prédios com cerca de vinte andares em que cada andar é um duplex com uma área brutal (talvez mais de 250m2) por volta dos 300.000 contos, com estacionamento para 3 carros por apartamento, marina privativa, varandas rotativas, muito ao jeito do Dubai, foi o que pensei na altura em que via e iam descrevendo, etc. – mas há muito mais gente pobre (pobreza extrema, se é que sabem o que isso é!) do que classes média, media-alta, alta, altíssima e extratosfericamente alta. Os combustíveis são praticamente do mesmo preço que em Portugal (são independentes na exploração de petróleo!), os restaurantes, cafés, bares, supermercados e shoppings têm preços tão ou mais altos quanto os nossos, e o nível de vida é, em média, igual ao nosso, mas o salário mínimo anda por volta dos 300R$ (+/- 150€). Só não percebi como seriam o preço das casas, apartamentos, carros e custos de água, gás e electricidade, mas fiquei espantado ao perceber que não há carros velhos e é raro ver-se um fusca a circular – a lei obriga a actualizar os carros velhos e torna-se incomportável, só os mais endinheirados têm carros antigos e clássicos e esses estão em garagens. A zona do Estado da Bahia, próxima do Equador que está, só tem duas estações: o Verão e a estação de trém. Está sempre calor e as temperaturas oscilam entre os 27ºC no Inverno e os 35ºC no Verão. Chove quase todos os dias mas eles não se preocupam em nadjica de nada – quem anda a pé ou de mota (só há motas de 50cm até 250cm), por exemplo – porque para eles não chove… rega! …e é uma chuva quente que não altera em nada a temperatura ambiente. As gotas são pouco espaçadas mas muito miudinhas, molha mesmo mas seca tudo num instante. A Baia de Todos os Santos é enorme e tem 55 ilhas, algumas delas do tamanho da cidade de Évora. A cidade de São Salvador da Bahia é linda e muito parecida com as nossas em Portugal (365 igrejas católicas na zona velha e zona histórica, uma para cada dia do ano, referem eles) em termos arquitectónicos e urbanísticos. Foi a primeira cidade e primeira capital do Brasil e tem Portugal presente em todos os recantos e pormenores (calçada à portuguesa, painéis de azulejos, etc.). A zona histórica, denominada de Pelourinho, ou Pelô, é composta por ruas de calçada antiga, casas todas recuperadas e de todas as cores, igrejas até mais não (carregadinhas de ouro que até faz impressão), barezinhos com esplanadas e muita música, música também na rua (Samba, Axé e alguma Bossa Nova), dança, baianas e mães de santo em quase todas as esquinas, escolas de artes patrocinadas pelos músicos e artistas baianos como o Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Ivete Sangalo, Netinho, entre outros (destinadas a tirar as crianças das ruas e educá-las), casas de artesanato, lojas de roupa, a casa do Jorge Amado (Fundação e Museu), a casa do Preto Velho, onde se vende rapé que cura tudo: dores de cabeça, sinusite e roncaria (é mesmo a casa dele com a porta e a janela aberta, a malta entra lá dentro, espreita, conversa com ele e compra rapé), e muita vida e Axé – significa energia e força. É de facto uma cidade fantástica! As frases “Alegria, alegria, que estamos na Bahia!!” e “muito axé p’rá você!!” ouvem-se repetidas quase até à exaustão, novos e velhos, transeuntes, guias turísticos ou vendedores ambulantes. Aquelas pessoas são intrinsecamente alegres e transmitem isso a toda a gente, sem excepção. A eterna questão da insegurança nas ruas não se nota, acreditem. Eu andei em grupo mas fiz algumas escapadelas por ruas estreitas para fotografar tudo e mais alguma coisa e nunca tive problemas. Há câmaras de segurança em todo o lado (ruas, lojas, onibus, praias) e muita polícia (militar, não há polícia civil, isso é que se estranha, mas é uma questão de hábito). Vi também muitos estrangeiros, típicos gringos brancos, completamente à vontade com câmaras fotográficas reflex, digitais compactas, roupa normal (não é só t-shirt, calção e havaianas como no Rio ou São Paulo… atenção que São Salvador da Baia é a 3ª maior cidade do Brasil, 3 milhões de pessoas só na cidade e 4 milhões e meio na zona metropolitana) e comportamento comum de turista. Fiz a zona da baia de barco, fui à Ilha dos Frades, onde deixavam os escravos trazidos de África a engordar antes de serem vendidos – eles convivem muito bem com o passado, não têm vergonha de nada. Visitei a Praia do Forte (“na praia do forte com o farol apagado”, Milla do Netinho), que é um sítio incrível e verdadeiramente indescritível, vão lá vocês ver! Fiquei a perceber que o preconceito que nutria (subconscientemente) sobre a alegada ou suposta música pimba brasileira não faz sentido algum. Axé Music não é pimba, são temas bem tocados por excelentes músicos, de ritmo vibrante e revitalizante/revigorante, com letras simples e por vezes românticas (naif). Cá soa estranho, mas lá faz todo o sentido! As praias são paradisíacas, coqueiros, palmeiras e bananeiras quase até ao mar e a água, que sem ser caldo, é bem quente. A comida é belíssima (fruta, saladas, carnes, bobó, moqueca, etc.), os sucos e as caipirinhas são excelentes (caipiroscas feitas com fruta esmagada no momento). Finalmente, uma última nota menos positiva: os tugas só estranharam o marisco e o peixe (não sei, porque não aprecio), que aparentemente não é tão bom como o de água fria e não é preparado/cozinhado como cá, pelos vistos é barato mas não é bom! Não há mais descrição ou detalhe que possa mostrar o que é a experiência de lá estar e viver aquele ambiente. Vale a pena lá ir!

domingo, 20 de janeiro de 2008

I'm back!!

Após algum tempo de interregno, algo nunca antes visto por estas bandas, volto à carga com mais posts. Peço-vos mais um pedacinho de tempo de paciência pois tenho muita coisa para pôr em dia e organizar, fisica e psicologiamente. Estive 10 diazitos no Brasil e trago muita coisa para contar e expôr ao brainstorm virtual desta comunidade cibernética e à nossa reflexão conjunta. Hoje ou amanhã estarei de volta com novidades fresquinhas! Mi aguarrdem...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

novas leis VS velha vontade de controlar

hum... nunca me apeteceu tanto fumar como agora e nem sequer sou fumador!

Espero que ainda falte muito para policiarem as minhas idas à praia (na hora que eu quero), o sal e o açucar que consumo, entre outras coisas que sabem tão bem, mesmo que façam tão mal. Eu é que sei se me apetece dançar sem mexer os pés e esbracejar até cair para o lado, as vezes que vou à casa de banho (sem ter de pedir por favor em nenhuma delas), aquilo que como, as horas a que me deito, os textos que escrevo, as bocas que digo e as anedotas que conto... livre vontade, livre opinião, livre espírito, livre arbítrio!

Para o pessoal que já se vai acostumando a fumar na rua, às portas dos cafés e restaurantes, juntem os vícios todos e ataquem os casinos, lá é que se está bem (ou não!).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Presidente da ASAE é fixe!

Ele há coisas que mais parecem destino e quase se enquadram na categoria "contado ninguém acredita", mas ainda bem (nestas coisas) que há fotógrafos paparazzi.

Oh sr. Presidente da ASAE! Então não bastava ter sido flagrantemente apanhado a fumar uma cigarrilha quando a nova Lei do Tabaco já estava em vigor, não dando o exemplo que se espera de um representante do Estado, ainda para mais de uma instituição que inspecciona precisamente o que esta nova lei veio instaurar como regra e com punições ao nível de outros pequenos delitos já existentes, por exemplo, no Código da Estrada, para ainda vir dizer em entrevista que vai continuar a fazê-lo porque, como você tão bem verbalizou, "a nova lei do tabaco entra em conflito com a ainda vigente lei do jogo"? Você é mesmo totó ou tava com os copos? Gostei da atitude do responsável pelo Direcção Geral de Saúde em resposta a este "incidente". lol

Aquela feliz foto (ou foto feliz?) que apareceu no jornal pode ter custado uma pipa de massa, e parabéns ao seu autor, foi muito bem caçado, mas o sentido de humor não tem preço! Senhor Presidente da ASAE, só mais uma coisa que lhe quero endereçar, em jeito de dica positiva (ou não!): aproveite para se pôr a jeito para as próximas eleições... talvez um desfalquezito, um escandalozinho ou algo assim o deixe em melhor posição do que já está para conseguir chegar a Presidente de Câmara ou Ministro.

Boa sorte!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Twilight Zone ou coincidências estranhas

O dia de hoje começou estranho! Está uma manhã farrusca, a cassimbar e com muito nevoeiro, e quando vinha a pé para o consultório vi uma carrinha de caixa-aberta com um presépio em tamanho real. Ok, o Natal já lá vai, são mais que muitas as árvores de natal, ou o que resta delas, junto aos contentores de lixo espalhados pela cidade, mas ver as figuras do presépio atadas com cordas, ao monte - Maria e José com a corda ao pescoço encostados à grelha, a vaca e o burro de patas para o ar e o menino fora das palhinhas já com a cabeça a saltar do corpo e desmembrado de braços e pernas - na traseira de uma pickup é um pouco sinistro. Depois, entrei no consultório e sentei-me um pouco a ler o Diário do Sul enquanto tomava o pequeno-almoço. No obituário aparecia escrito "faleceu a sra. Maria Morte". Que manhã estranha! Nem sei bem o que esperar para a tarde. Talvez chuviscos, uma parada de forcados com jaquetas fluorescentes e cartazes feitos à mão com tinta da china, em plena Praça do Giraldo, reivindicando e enaltecendo a sua relação de amor para com os animais (*) e a demissão de um ministro ou administrador de banco por admissão de culpa ou incompetência. Twilight Zone ou coincidências estranhas? A ver vamos...

(*) entenda-se os touros, não os organizadores de touradas, toureiros ou público em geral

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Benfica o Glorioso... ah valentes!

Depois de muito dinheiro (mal) gasto em jogadores, da mudança de treinador e de outras alterações estratégicas pontuais, o Benfica arranjou uma solução para a crise: mudar o logotipo!
Ainda estou para saber quem é que está por detrás destas ideias e deste modelo de gestão fantástico. mas além do pessoal responsável pela direcção e administração, que raio se passa com a equipa, quando os próprios jogadores se pegam à porrada em campo durante um jogo do campeonato? Ainda bem que não nasci numa família com um avô ou tio doido, daqueles que inscrevem as criancinhas como sócias de um determinado clube antes de nascerem ou assim que vêm ao mundo. Se fosse benfiquista tinha um desgosto!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Crise, becos e "wtf!?"

Deixando de lado a questão da crise, dos acidentes rodoviários, do comodismo e apatia geral, do consumismo desenfreado e outros ismo chatos que bem caracterizam (e melhor denigrem) a sociedade portuguesa, há coisas que devem ser discutidas abertamente, mesmo correndo o risco de se iniciar este novo ano de forma menos "positiva". Aliás, quanto a mim, sendo um processo por vezes doloroso, não há nada de mais positivo do que a autocrítica e a reflexão interior – senão gostássemos no fundo disto mesmo, não acharíamos tanta piada aos Gato Fedorento, verdadeira oposição política em Portugal nos tempos que correm. Como é possível morrerem duas pessoas e uma ficar gravemente ferida com disparos de armas (uma pistola e uma shotgun) durante os festejos e a celebração da passagem de ano? Que país é este!? De tudo o que se passa noutros países como o Afeganistão, Iraque, Paquistão, entre muitos outros, como queimar a bandeira dos EUA, fazer greves gerais durante dias a fio por melhores condições de trabalho, manifestações espontâneas de milhares de pessoas nas ruas a exigirem mudanças na economia mundial e na forma como (não) se cuida do nosso planeta, e outras reivindicações do género, tínhamos de importar a estupidez típica de gentinha sem tacto nem cabeça, que se põe aos tiros no meio de um bairro – ainda que fosse um descampado – a curtir em delírio a entrada num novo ano! Com tantas outras coisas más que se vêm na CNN, era mesmo disto que este país precisava. Típico de uma Aldeia Global, onde o fenómeno de uma aculturação geral é real, ou simbólico de um Beco Sem Saída em que este país se está a tornar?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Borboletas, oceanos e governos manhosos

Partindo da Teoria do Caos e da noção de que se uma borboleta bater as asas no meio do Oceano Atlântico, poderá causar um tsunami a milhares de milhas de distância ou mesmo no outro lado do mundo, o que será que se passou noutro ponto do globo para o Salazar cair da cadeira? Não se poderá repetir algo semelhante para derrubar este governo manhoso!?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Benvindos a 2008... ao futuro!!

Pois bem, o futuro é agora... e agora... e agora... e agora... eheh ...ele há coisa mais subjectiva do que Passado, Presente e Futuro? É tudo meramente conceptual, não existe. Já foi, está a ser, será, é agora, agora, agora, e agora... não, agora! eheh Agora é que é... lol... o importante é saber que estamos sempre a tempo de mudar, crescer e reinventar o nosso presente e futuro. Por falar em futuro... Depois de conversar sobre este tópico com amigos, percebi que não era um sentimento estranho a algumas pessoas. Quando era pequeno, como voraz apreciador de filmaças sci-fi, achava que lá para o ano 2000 já haveria entendimento entre pessoas e animais (talvez por telepatia), carros que voassem, máquinas caseiras que transformassem o lixo em objectos úteis ou comida, armas de laser que dessem para atordoar, matar ou podar pequenos arbustros do quintal, comida em comprimidos e outras coisas do género, tudo assim muito à frente. Quem me manda a mim investir tempo a ver filmes como o Regresso ao Futuro, 2001 Odisseia no Espaço, 2010 Ano do Contacto, a ver séries tipo Espaço 1999, ou a ler livros tipo 1984 e O Admirável Mundo Novo? Por um lado, acho que se evoluiu muito, bastando dar uma vista de olhos aos gadgets que estão à nossa disposição (ou de algumas carteiras), mas ao mesmo tempo sinto-me um pouco defraudado. As expectativas eram muito grandes! Talvez lá para 2050 haja qualquer coisa de interessante e realmente surpreendente. Até lá, vou gozando o que há em 2008, escrevendo algumas coisas nesta coisa estranha que é a Internet para potencialmente milhões de pessoas lerem. Engraçado, a net é um pouco como o céu e o mar. Só muito de vez em quando é que reparamos neles e lhes damos o devido valor e respeito, dada a sua dimensão e força. Pensando bem, nunca haverá algo de tecnologico que me surpreenda verdadeiramente. Acho que serão sempre as pessoas capazes de surpreender (tentei reescrever esta frase três vezes e ficou sempre estranha). Já foi assim antes e assim será no futuro.
Acabo este post em jeito de brinde assim a puxar para o piroso, mas verdadeiramente sentido: ao amor, à amizade e à família...reais, espirituais ou virtuais, todos contam! Cheguem-lhe bagage!!
Em 2008 haverá mais insanidade da minha parte - que essa nunca tem fim - expressa em infindáveis pensamentos voláteis e gasosos que vão dando corpo e conteúdo a este blog que se quer castiço e conducente (ao riso, não se leva o portátil para o cagueiro). Vão aparecendo...

there's a new blog in town...

Ainda agora começou e já dá que falar...

É um novo blog escrito a muitas mãos e feito maioritariamente por eborenses. Escreve-se de tudo um pouco e vale bem a pena passar por lá de vez em quando, ou todos os dias, ou não! É à descrição.

Deixo-vos um post interessante que por lá aparece (...e o comentário que lhe seguiu):
"se não puderes ser excelente, sê excedente." (por zep)
"e se não puderes exceder-te, contém-te = contente" (anónimo)

Altamente pinkfloydiano. Caiu-me no goto!

http://evoracafeportugal.blogspot.com/