terça-feira, 2 de agosto de 2005

Alentejo...

Nunca tive particular orgulho em ser português e tão pouco sou minimamente nacionalista. Considero-me um cidadão do mundo (já dizia o outro). Qualquer cantinho é bom para se estar desde que estejamos bem connosco próprios, mas não há nada que se compare ao Alentejo. E se há coisas que me fazem lembrar desta terra e desta região quando estou longe ou a percorrê-la, são as seguintes:
- as planícies douradas
- os montes alentejanos
- as searas (de onde vêm os cereal killers, alentejanos psicopatas)
- fardos de palha (dos redondos ou dos quadrados, tanto faz)
- as vinhas
- os girassóis
- as árvores típicas: oliveira, sobreiro, azinheira (também conhecido por chaparro)
- velhos a jogar à malha
- os cafés centrais nas aldeolas
- as tascas (bom vinho se faz por cá)
- velhas de bigode e barba (isto cá é tudo gente rija, principalmente as mulheres! lol)
- ceifeiras (humanas e industriais)
- a sombra
- o calor
- os tanques de água
- as barragens
- os pivots de rega ao longo dos campos
- o cheiro
- o cante
- a singular hospitalidade e simpatia das pessoas
- as histórias
- as alcunhas
- os nomes…enfim, tanta coisa!!

domingo, 31 de julho de 2005

Frases emblemáticas e kitches

Frases como “Oh chefe!?”, “Eh xerife!?”, “Jovem!”, “Óó boa!!”, normalmente usadas pelo típico tuga, vão bem com certo tipo de acessórios e apetrechos ou determinados cenários, senão vejamos (ordem aleatória): palito, buzina de camião, trolha devidamente colocado em andaime, GNR barrigudo em operação stop, um tipo a pedir a conta num tasco qualquer, tuga ostentando orgulhosamente o seu vasculho, amolador de facas e tesouras (e a sua gaita), … e por aí adiante. Se há coisas que nos caracterizam, como povo, é os exemplos da nossa cultura e folclore (não é só os ranchos que são folclore). Nós somos o que dizemos e aquilo que fazemos.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

A sorte não se faz, têm-se!

É segundo este postulado que eu nunca jogo no totoloto, no euromilhões ou seja lá no que for. Se estiver escrito que vou ganhar uma dessas coisas, ganho mesmo sem comprar o boletim e o preencher. Sorte é um dia destes virem-me dizer que ganhei o jackpot sem ter mexido uma palha! lol
Eu gosto mais de jogar Sobe&Desce, Lerpa, Poker, Sueca ou King a dinheiro. Nos jogos de cartas há o elemento sorte mas também há o saber jogar, sempre se tem algum controle… se calhar, o único controle que se tem é saber quando desistir: estando a ganhar (para não se perder) ou estando a perder (para não perder mais).Também é giro ir ao Bingo, estar-se ali a conter o entusiasmo e a ansiedade para gritar “linha” ou “bingo” na altura certa, mas para isso prefiro ir ao futebol e gritar golo quando o Sporting marca. Aiii, esta época é que vai ser!!!

segunda-feira, 25 de julho de 2005

“E aquele cheirinho a roupa lavada!?”

Ora aí está uma frase que não se esquece. Bem como “é que é já a seguir”. Quem não se lembra dos reclames do Boca Doce, ou do Mokambo… ah!, a boa publicidade sempre nos deu que falar. Chegava a ser, ela própria, motivo de conversa. Eu lembro-me, nos tempos áureos do Herman José (Tal Canal, Hermanias, Casino Royal, Herman Enciclopédia) que ele tinha a capacidade inata de encher as conversas do dia-a-dia com frases, bocas e clichés provenientes das mais ricas personagens por si inventadas. No dia a seguinte a um programa dele, toda a gente tinha aquela frase na ponta da língua, era impressionante! Agora que ele se vendeu, está podre e decrépito, temos outro tipo de humor para nos salvar. Os Malucos do Riso, Fernando Rocha, Camilo de Oliveira, Fernando Mendes, Marina Mota e afins, são um bom exemplo do humor básico, revisteiro e kitch, que sempre teve o seu espaço, mas nunca de destaque. É como a música Pimba, ouve-se mas não se faz notar. Recentemente apareceu o humor com base nas Produções Fictícias, que nos trouxe o Gato Fedorento, Bruno Nogueira, Nuno Markl, Marco Horácio, Aldo Lima, entre outros. Estes são a coqueluche e a nata do humor nacional nos tempos que correm. Voltámos a ouvir em toda a parte frases como “qual papel?” ou “o que tu queres sei eu!?”, até mesmo na publicidade. Voltámos a ser nós próprios! Depois de anos de cinzentismo e de crise humorística, temos outra vez com que nos entreter… mas atenção!?, o bom humor que se faz nos dias que correm não é um humor fácil e despreocupado, é um humor que nos faz pensar e reflectir sobre nós próprios, sobre o status quo e como as coisas chegaram até aqui. Agora sim, temos Humor!

O Humor é a segunda melhor coisa do mundo, e sabe bem melhor quando se partilha, tal como a primeira, o Amor

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Enganos e expectativas

Hoje parei num semáforo atrás dum carro que tinha o seguinte autocolante no vidro de trás (juntamente com o da RR): “O dom grátis de Deus é a vida eterna”. E eu que sentia que andava enganado por pensar que mais dia, menos dia, ainda dava de caras com a Laetitia Casta ou a Jennifer Garner. É que nem a Conceição Lino!!! (eu tenho uma pancada séria com a Conceição Lino desde que a ouvi e vi cantar numa das primeiras festas de aniversário da SIC; é bonita, tem pinta, canta bem, tem um sorriso daqueles que enche a sala como o sol às seis da tarde no verão pela janela do alpendre, e é uma jornalista séria… quantos jornalistas sérios há neste mundo, vá lá… 24???).
Se foi o Forrest Gump a inventar o “Shit Happens” e o Have a Nice Day”, quem foi o toni que se lembrou desta frase? E terá um Q.I. inferior a 75!?

Ataque imundo

Lord Cotton à cabine de som... Lord Cotton à cabine de som...
Podes parar com a invasão, por favor? O meu quarto está imundo!

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Alter-Lego

Mas que raio será um alter-lego?
Um trolha de Alfama com as mãos sujas de estuque que pensa que ainda é um puto que brinca com blocos de Lego?
Um rato vegetariano politicamente alternativo…? (p.joke, lol)
E para que servirá este tipo de reflexão?
Vou-me deixar tar quieto.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Meio cheio ou meio vazio?

Esta é uma das mais intrigantes questões existenciais de todos os tempos. Algo com o qual toda a gente já se confrontou e debateu, por certo, quase tão intrigante como o laxante em dias de caganeira. A derradeira solução para este enigma já se me ocorreu há algum tempo, não vem de agora, mas eu tenho todo o gosto em compartilhá-la convosco, simpáticos leitores (digo eu cheio de fé! lol). Eis que se faz luz neste mundo obscuro, cinzento e entediante.
Na minha visão, muito própria e pessoal (gosto de redundâncias, são fixolas!), vejo a coisa da seguinte forma:
- um copo que se enche até ao topo e se vai bebendo até meio, estará meio vazio;
- um copo que se enche até meio, estará meio cheio.
Nada mais fácil!!

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Para o Rui...

"And so it is / Just like you said it would be / Life goes easy on me / Most of the time"

Começo este post com uns versos da música do Damien Rice que me fazem pensar em inúmeras coisas. Entre elas, uma pessoa que morreu esta madrugada. Era das pessoas mais vivas e vividas que conheci até hoje. Sempre cheio de vontade de fazer e acontecer, com aquele brilho cintilante nos olhos e um sorriso aberto e sincero. Morreu estupidamente, afectado por um cancro que começou nos pulmões. Ele fumava imenso!

Este post vem no seguimento do “Papel Decisivo” e serve para mostrar que o Rui teve um papel decisivo na minha vida, postura e forma como encaro os meus dias e o meu futuro. Recentemente vi o filme Million Dollar Baby e fez-me lembrar outro filme, Magnólia. Passo a explicar...

Ainda não “assisti” a muitas mortes, mas as que presenciei, ou pelas quais passei de perto, afectaram-me sempre. Recentemente o meu avô materno, há pouco tempo o meu cão, pouco antes disso a minha gata de dois anos que me deixou dois leais companheiros, há algum tempo um amigo de família, pouco mais tempo que isso um tio/avô, e há mais tempo o meu gato, companheiro de dez anos que morreu velhinho e fui eu que o enterrei, tal como ao cão do meu primo aqui há tempos. Isto não vos diz nada mas serve de desabafo, para mostrar que é péssimo quando se perde alguém que nos é próximo e querido. Pior ainda, quando perdemos a hipótese de estar com quem está próximo ou quando nos perdemos de nós mesmos.

A vida é uma coisa estranha e por vezes sem significado, mas vale sempre a pena ser vivida. Tenho muito respeito por quem cá está, tanto quanto por quem parte. Sei bem que não há nada depois do que sentimos e vivemos aqui. Não há ali nem mais tarde! Só há a ausência de dor e sofrimento desnecessário, como aconteceu agora, neste caso. Ninguém pode travar o caminhar para a morte, mas há outra postura que se pode ter: caminhar pela vida. Quero com isto dizer que além de se ter objectivos, expectativas e um querer chegar lá, importa também gozar a paisagem, ver umas árvores "pela janela", tirar umas notas e umas fotos, observar, reflectir... Talvez resulte melhor em inglês: a journey through life!

Há vícios que são bons de ter e isso é MESMO com cada um! Mas há vícios estúpidos que, irreflectidamente, vamos tendo e deixando estar e seguir, sem que nos apercebamos do possível e mais que provável resultado. Quando pensarem em vícios como o álcool ou o tabaco, que são, DE FACTO, as piores drogas do mercado (e legais!!!), pensem numa pessoa, que uma vez irradiava vida e depois, ainda cedo, sofria à espera do fim… e que fim estúpido, morrer-se doente! QUE FIM ESTÚPIDO!!!

Não quero ser pessimista, muito pelo contrário! Idealizo a vida como uma viagem com destino certo mas sem rumo. E cada pessoa que morre não deita abaixo. Não perco força nem vontade de viver. Faço a celebração da vida. Da minha e de quem morre. De quem parte e de quem fica. Porque a vida pertence aos que fazem por ela e a sentem.

"Get busy living or get busy dying”.

sexta-feira, 8 de julho de 2005

O que é o papel decisivo?

Um papel decisivo é, por exemplo, o último quadradinho de papel higiénico num wc público; ou a última folha A4 para se imprimir um documento de 8 páginas; ou pode ser a carta da escola, dizendo que o gaiato atingiu o número máximo de faltas em todas as disciplinas; ou aquela cábula que não conseguimos encontrar durante o exame; a folha de rascunho que tanto jeito dava durante um telefonema… mas nem caneta há!?; pode também ser aquele impresso que é preciso ir buscar às finanças para se poder comprar a merda do selo do carro; também pode ser aquele post’it com a data e local da entrevista de emprego que não conseguimos encontrar de feitio nenhum, e aquilo é já amanhã!; ou pedaço de papel com o número de telefone daquela miúda gira que conhecemos no bar há 3 noites atrás; o guardanapo de papel com aquela ideia fantástica ou a anedota que queríamos decorar; ou aquela folha com os pagamentos que estava em cima da secretária, no topo duma pilha de tralha, que o gato conseguiu espalhar pelo chão todo; ou aquele papel de Romeu na peça da escola que ficou para o loiro estúpido, e agora ele é que vai beijar a rapariga de quem nós gostamos desde o 7º ano; a nota de 10€ que escondemos no sapato enquanto estávamos na praia, e que desapareceu; pode até ser o papel de consumo do bar que não sabemos o que aconteceu porque estamos com uma cardina do caraças e os nosso amigos já todos pagaram e saíram do bar e agora estamos entalados mas bêbados demais para perceber as implicações, e os porteiros são enormes, e o barman também é grande, e isto fica longe de tudo…
Há sempre coisas importantes que são menosprezadas, esquecidas ou que nos passam ao lado, às quais nunca damos a devida atenção, e são de extrema importância… por vezes até vital! Em suma, o que quero mostrar é que as coisas simples são as que nos fazem rir e nos deixam bem dispostos, mesmo que seja só ao fim de uns tempos, quando a história nos for contada em forma de piadola e nós até achamos piada.
Quem é que nunca se riu de si próprio? Mesmo que muito tempo depois da situação ter acontecido!? Ah!, é verdade, há uma frase do John Lennon que eu gosto sempre de dizer a toda a gente: “a vida é o que nos acontece enquanto fazemos planos”; e é bem verdade! Agora uma frase minha: “a vida é curta mas pode ser uma curte. Apreciem-na!” ;)

domingo, 19 de junho de 2005

Vento no focinho é belíssimo...

Há coisas muito engraçadas e outras que não têm piada nenhuma. Para mim, e porque pensei nisto por mero acaso, foi muito interessante ter chegado à seguinte conclusão: eu gosto de levar com vento no focinho! Ok, pode parecer estranho, mas esta brilhante conclusão resulta da seguinte ordem de ideias: em pequenino, das coisas que mais ansiava fazer era andar com a cabeça de fora da janela do carro, ou em pé na parte de trás de uma pickup. Carrinhas de caixa aberta era coisa relativamente rara de encontrar naquela altura, mas de quando em vez lá aparecia um tio do norte, um primo da aldeia, ou alguém que fazia obras em casa, e caía do céu a oportunidade dourada de surfar na traseira duma pickup. Era o delírio! Parecíamos doidos!! Mais tarde, e mesmo sendo afectado pelo mal de querer ser sempre eu a guiar o carro, em férias ou de passeio, eu apreciava imenso (*) ir no banco do lado, descalçar os ténis e pôr os dois pés fora da janela, apoiados no espelho retrovisor… mas com meias, porque o resultado era muito mais satisfatório com meias calçadas. Ah, e quem é que não gosta de guiar com o braço de fora, a lutar contra o vento, mudando constantemente a posição da mão, da vertical para a horizontal, rapidamente, e vice-versa? Fantástico, não!? Adoro andar de mota, e hoje em dia o que mais quero é ter um descapotável. É que nem precisa de andar a cento e cem e acelerar dos 0 aos 100 em instantes poucos, basta que não tenha capota quando a vontade se apoderar de mim. Aí sim, será o delírio outra vez!
(*) seria possível!?

terça-feira, 7 de junho de 2005

Nudez, meias e a virilidade masculina

Se há coisa que faz uma mulher sentir vergonha de um homem, deixando-o numa situação de desvantagem óbvia, é este aparecer descascado (entenda-se nu) só com meias perante a sua companheira, ou acompanhante. Ser-se bronco e não atinar com a sensibilidade dela, dizer disparates completamente descabidos, ter uma crise de impotência (pontual, daquelas que só acontecem uma vez na vida!), são coisas que se ultrapassam com relativa facilidade, agora, ser-se visto todo nu só com umas soquetes nos pés, numa visão digna do pior dos filmes pornográficos dos anos ‘70, é imagem que fica gravada na cabeça de uma mulher! A partir deste momento qualquer mulher perde o respeito pelo macho que se quer dominante (ou não), quando aliás, a virilidade deste ficou lá atrás no chão, junto com as calças de ganga.

Dica: descalçar as meias antes ou juntamente com as calças.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Coragem x Estupidez

Muitas vezes nos questionamos sobre a diferença entre coragem e estupidez. Há momentos em que nos deparamos com situações incríveis e pensamos: aquele tipo ou é muito estúpido ou tem uns tomates do demo!?”. Pois bem, a coragem não é a ausência de medo, mas a realização de que há algo superior e mais importante que o medo. Sendo que, quando há alguém que se atira para uma situação de cabeça quente e, por vezes, até na base do showoff, é por mera estupidez. Uma corrida de carros, um mergulho dum penhasco, acrobacias numa mota, desportos ultra radicais, ou ser-se tratador de gnus (daqueles que serem 7 e andem’naí aos pares), não são actos de coragem. Por outro lado, ser-se bombeiro, trabalhar-se na recolha do lixo ou ser-se filiado na Juventude Centrista, são actos de generosidade e solidariedade, verdadeiros actos de coragem.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

"Dinner With Friends"

Vi hoje um filme fantástico. A história anda toda à volta de 2 casais, no momento em que um deles se separa. Questões como a nossa mortalidade, a segurança e estabilidade das relações, o que se espera da vida e da pessoa que levamos anos a conhecer, sentimentos, razões, sexo, amor, família, amigos, entre outras questões importantes. Em suma, é um filme com diálogos crus, reais e inteligentes. Ao estílo do Closer, baseado na vida real e em tudo o que nos rodeia desde a adolescência até à fase adulta, e depois também. É um filme 5*, fácil de se ver e difícil de se digerir... estas coisas levam tempo a encaixar e a resultar em conclusões. Aconselho vivamente! ;)

quinta-feira, 26 de maio de 2005

O fenómeno do capacete

img src="http://ctanganho.no.sapo.pt/blog/velha.jpg" align="left" />Já repararam que as mulheres quando passam de uma determinada idade (+/- 45 anos), começam a tratar do cabelo de forma diferente? Chegam a uma certa idade e passam a usar o cabelo mais curto atrás e repleto de laca manhosa, numa espécie de armação no topo!! É o típico fenómeno do capacete, também apelidado de cabeção (referência: personagem Caco Antíbes no “Sai de Baixo”). Talvez seja uma questão cultural. É com certeza! As mulheres americanas e nórdicas, por exemplo, quando ficam (mais) velhas, mantêm o cabelo comprido, ou ainda assim solto. As velhas tugas não… põem-se doidas e encharcam-se de betume todos os dias para criar aquela homenagem monolítica e intemporal aos calhaus, antas e copas de chaparros. "É a loucura atrás das bancadas!"

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Um dia mau começa logo pela manhã!

Um dia mau começa logo de manhã, quando nos acontecem as coisas mais chatas e irritantes que parecem ter hora marcada nos momentos menos oportunos… quando temos pressa! É o papel higiénico em que só restam 3 folhas de papel, e até é de folha simples porque fomos forretas na altura de tirá-lo da prateleira do super, e é manifestamente pouco para limpar a morraça; é o gás que acaba a meio do banho e a toalha que ainda está húmida porque nos esquecemos de a pôr a secar; é a manteiga que está no fim e não dá jeito a tirar da caixa para pôr no pão-de-leite que se desfaz em migalhas quando a barramos nele; é o saco do lixo que se rompem as asas quando lhe pegamos, e mais tarde se rasga o fundo no trinco da porta quando o tiramos da mala do carro; é um furo no caminho para o trabalho e a multa por o estarmos a mudar sem ter a merda do colete ridículo (esta já a estou a adivinhar… e quando pararmos para mandar a pontual mijadela!?); é o trânsito infernal no caminho; é a caneta de tinta permanente que rebenta; é a sopa que espirra para a roupa à hora do almoço… todas estas, situações relativamente controláveis se tivermos tempo para organizarmos o nosso tempo.
Deitem-se com tempo, levantem-se com tempo e desfrutem o tempo que têm antes que o vosso tempo se acabe.
O tempo é relativamente absoluto e absolutamente relativo. Não há como lhe dar a volta.
Ah!, e lembrem-se disto: "é só mais um dia mau!"

domingo, 8 de maio de 2005

Tempo inútil

Às vezes penso na quantidade de tempo que se desperdiça em coisas menos importantes no dia-a-dia: os 3m especados a observar o microondas enquanto este aquece a refeição; os 2m da lavagem dos dentes; os 5m passados a enviar "faxes"; os vários 37s (+/-) das mijadelas da praxe - isto para alguns homens, porque há os que mijam sentados (!?); as assobiadelas ou as melodias sussurradas enquanto estendemos a roupa; os intervalos no cinema; a fila para pagar na bomba de gasolina, ou para levantar guito no MB... de facto, é tempo morto, porque não se formulam pensamentos decentes nestes tempos mortos. Todos este momentos somados, e tendo em conta que levamos 1/3 das nossas vidas a dormir, é muito tempo gasto sem propósito! Antes gastá-lo doutra forma... a pensar!

sábado, 23 de abril de 2005

A magia da noite.

É incrível como à noite tudo parece fazer mais sentido. Talvez por já termos o peso de um dia inteiro em cima a noite aparente um saudoso aspecto mágico. Traz significado à nossa imaginação, às ideias mais recônditas... às nossas fantasias. A noite potencia a nossa capacidade intrínseca de sonhar, e não só enquanto dormimos. A noite é amiga, confidente, tem-nos respeito. Podemos fazer qualquer loucura, dar azo à mais estranha das vontades que ela não nos ignora, não sente despeito. À noite não há lugar para ressentimento. É durante o dia que os nossos pensamentos nos ferem, nos deitam abaixo, nos transformam. O dia é escravo da nossa consciência, dos nossos preconceitos e preocupações. De dia sente-se o tempo, controlam-se as horas, medem-se os momentos. A noite não tem fim, é eterna e está sempre dentro de mim.

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Carta de um potencial suicida

Nunca tive a mais ínfima intenção de pôr termo à minha vida. Nem tão pouco pensei nisso! Era coisa que nunca me tinha passado pela cabeça. A minha vida estava inquieta, empolgante, quase descontrolada. Sucediam-me, em catadupa, uma quantidade incrível de ideias e projectos para realizar, ou somente para pensar e dedicar mais tarde. A minha cabeça não parava, estava, como eu gosto de dizer, num turbilhão de ideias e emoções – sempre gostei desta noção, dá uma sensação de frescura – mas ao mesmo tempo pensava como é engraçado pararmos para reflectir sobre a nossa vida, em tudo o que nos acontece e encarar as coisas sob uma outra perspectiva. Nestes momentos deparamo-nos com uma certa letargia ao nível das ideias, só compensada com o fluir da nossa imaginação, que essa, nunca pára. Não são raras as vezes em que nos questionamos acerca das imutáveis e eternas dúvidas, aquelas do tipo: quem sou eu realmente?, qual o sentido disto tudo?, entre outras mais degradantes. Sim, porque é nestas alturas que nos revelamos mais egocêntricos e indecentes. Nestas alturas pomo-nos à parte de tudo. Somos nós contra o mundo. Nós e a nossa vontade nesta demanda última de saciar o mais antigo dos instintos: a curiosidade.

O que me atormenta verdadeiramente é o facto de a vida ser tão imprevisível, irónica, mesmo. Um dia estamos apaixonados, por nós, ou mesmo por outra pessoa, e de repente acontece algo que transforma e desfigura completamente a nossa percepção da realidade. Tornamo-nos taciturnos e melancólicos, mais reflexivos, e por vezes até nos insuflamos de raiva e vontade de estragar o pouco que se mantém de pé. E é aqui que somos capazes de tudo, em potência até de nos extinguirmos. Em última instância somos apenas pó…

Há uma frase dos Monty Python que sempre achei genial: Do nada vimos e para o nada caminhamos. O que é que temos a perder entretanto!? …NADA!