Antes fosse o resultado do jogo entre duas equipas do distrital de futebol…
Com tudo o que se tem passado ultimamente e com o receio que tenho de que um dia destes possamos cair numa nova ditadura, decidi escrever este post, sem conteúdo que pudesse gerar uma possível e mais que provável acusação por difamação e injúria, para tentar perceber se é possível controlarem a minha vida, cibernética ou física, com pequenos ajustes harmoniosos e simpáticos.
O que quero dizer com isto? Será que isto é o Matrix, 1984 e Pink Floyd que há em mim?
Vamos ver se este blog se mantém online por muito mais tempo, agora que decidi dedicar-me a beliscar o poder onde mais comichão este sente. Já o fiz noutras ocasiões, embora de forma mais ligeira.
Hoje sacrifico-me a dizer que este governo é dos mais à direita que este país já teve nos últimos 30 anos; que as suas políticas sociais e de emprego metem nojo e apenas servem os grandes patrões; a política para a saúde apenas serve os grandes interesses económicos; o plano tecnológico é uma anedota que só faz rir gestores de algumas grandes empresas de telecomunicações; os favores, o nepotismo, o compadrio, teimam em existir e mostrarem-se um pouco por todo o lado e em todas as áreas da sociedade; o presidente da república, o tal do bolo-rei, é um fantoche; o pseudo engenheiro parece enganar meio mundo sem que ninguém se ofenda verdadeiramente com isso; quem ousa enfrentar publicamente as autoridades e o governo acaba despedido, afastado ou intimidado (exemplo mais escandaloso e recente: José Rodrigues dos Santos, RTP); os dirigentes desportivos mandam mais neste país do que aqueles em quem votamos (os que votam)… se um árbitro tendencioso, parcial, corrupto, com mau feitio e gosto por meninas fosse chamado a apitar este jogo, de certo se sentiria mal. No mínimo intimidado! É daqueles jogos em que qualquer que seja a equipa a vencer, acabamos todos por perder! Vá, agora “…mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos…”
Acabo com Zé Mário Branco e acabo bem, espero!
O blog que vai bem com meia dose de migas de espargos, uma caneca de Mokambo e um rebuçadinho de mentol.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Estado Novo 1 x Velho Sócrates 2
domingo, 30 de setembro de 2007
Barulhos inconvenientes
Há todo um conjunto de regras sociais aceites pela grande maioria das pessoas e também há umas quantas excepções, as tais que as confirmam, que dão um gozo brutal a quem tem a coragem para destoar e divergir dos demais. De entre os vários barulhos inconvenientes incluídos no cardápio das regras sociais, fazer barulho com a palhinha nos restaurantes e cafés quando o líquido está no final do copo é talvez dos que mais prazer me dão. Não só pela reacção imediata das pessoas que estão à volta, como pela sensação de que estou a beber a totalidade de uma bebida que gosto, não sobrando nada que seja inatingível, como por vezes acontece nos pacotes de litro de sumo, aqueles que têm a saída ao centro no topo do cartão e que deixam sempre umas gotas preciosas no fim, mas também porque me faz voltar aos meus tempos de puto em que não havia pruridos em fazer disparates, faziam-se e pronto, depois logo se sofriam as consequências. Pegando nesta ideia, havia outras coisas que adorava fazer e ainda hoje faço sempre que tenho oportunidade, seja onde for: liquefazer pudim ou gelatina com o poder de sucção da boca a passar entre os dentes. Mete nojo!? Paciência, é belíssimo!! Há os peidos furtivos nos elevadores, deixando toda a gente aflita. Uns porque estão a contar com o mau cheiro típico que se aproxima dissimuladamente, outros porque se desnorteiam a tentar perceber quem terá sido o animal que o fez deflagrar. Depois há o espirrar com toda a força que lhe é caracteristicamente natural, inclusivamente já ouvi dizer que se podem perder os olhos das órbitas por conter um espirro, de preferência utilizando palavrões bem escabrosos enquanto se liberta a morraça encalacrada. Experimentem fazer isto, é do melhor que há! Por fim, um gozo que descobri recentemente, porque sofro de rinite e sinusite e tenho a garganta constantemente entupida, que é aclarar a garganta com um pigarrear artístico. Passo desde já a explicar! Se temos de fazer aquele barulho chato e incomodativo – erh, erh – porque não fazê-lo com excertos de áreas de óperas famosas ou pedaços de música clássica? A vida em sociedade pode ter muitas normas que a definem e regulam, muitas vezes aprisionando-nos num cinzentismo deprimente, mas há toda uma quantidade de coisas que se podem fazer para tornar a coisa mais interessante e colorida. Aos poucos, em arranques impulsivos que roçam quer a timidez quer a arrogância, vou tentando mudar o estado a que nos deixámos chegar através de uma loucura que espero ser saudável e minimamente desafiadora.
sábado, 29 de setembro de 2007
Tive de ler o manual!
Não vou sequer esboçar uma tentativa de comparação da minha geração com esta que anda agora entre os oito e os doze anos, pois não valeria o esforço. Prefiro antes explicar que no meu tempo não carecíamos de ler manuais para aprender a mexer nas coisas tecnológicas. Hoje em dia também não há necessidade de manuais, aliás, nem precisam de aprender, já nascem ensinados! Tive computador desde cedo, consola de jogos, bem primitivos é certo, mas difíceis de dominar, vídeo VHS, televisão com comando, rádio digital, relógio com cronometro, telefone de botões e mais tarde telefone portátil, e nunca precisei de recorrer a um manual de instruções ou guia de utilização, que na realidade teria sido o seu quê de complicado pois era raro o manual que tinha as instruções em inglês, quanto mais em português. A minha geração conseguiu orientar-se com todo o tipo de engenhocas sem que para isso necessitasse de ajuda, apenas afinco e determinação para compreender o que se tinha à frente e como pôr aquilo a funcionar em condições… ou com o mínimo de condições. Por muito que me custe admitir, devo fazê-lo sem grandes quezílias, pois cheguei aos meus vinte e nove anos e senti pela primeira vez a violenta necessidade de recorrer a um manual de instruções para emparelhar o auricular Bluetooth com o telemóvel e para perceber como o meu auto-rádio (comprei um carro em segunda mão que já trazia um rádio todo xpto montado, especial naquela série) “engolia” os cd’s pela ranhura. Parece ridículo não? Pois foi exactamente assim que eu me senti na altura, em três momentos distintos: quando constatei que o rádio não engolia cd’s pela ranhura, quando sucumbi à tentação e me predispus a consultar o manual, e quando finalmente me apercebi de que tudo funcionava bem e que estive muito perto de ir chatear o tipo do stand que me vendeu o carro, que me tem como alguém que sabe tudo sobre carros e os avanços tecnológicos que os caracterizam, nomeadamente ao nível da segurança, motores, gadgets, etc. – já estou a aborrecer com tanta descrição – porque, claro está, era mais uma prova de que o carro valeu o dinheiro que paguei por ele – antes enfadado, agora satisfeito e orgulhoso… não com a consulta pró-activa do manual, mas com o investimento – pois percebi que o rádio xpto come seis cd’s seis pela mesma ranhura e esta não estava disponível para engolir cd’s porque primeiro se têm de escolher as slots em que se querem inserir os ditos. Simples e fantástico, não? E tive de ler a porcaria do manual para perceber isto!
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Homenzinhos e mulherões
Quando se pergunta a uma criança o que quer ser quando crescer, invariavelmente se ouve dos rapazes que querem ser pilotos de avião, bombeiros, jogadores de futebol, e oportunamente lá aparecem uns mais sinceros e garganeiros que dizem querer ser playboys - gigolo é uma palavra ainda assim algo complicada para homens deste tamanho. Como oposição à sinceridade e ingenuidade típicas dos rapazes, as raparigas contrapõem com algum método e maturidade que demonstram desde bem cedo, alegando querem ser médicas, veterinárias, farmacêuticas, bibliotecárias ou coisas ainda mais específicas como TOC’s ou assistentes sociais. A questão que eu ponho, mais uma vez sem receio de ser acusado de machismo, é: se os homens são capazes de dizer abertamente que querem ser playboys ou gigolos, as mulheres serão capazes de dizer que querem ser cabras quando forem grandes? (repararam na piadola meio forçada dentro da própria frase ao nível da organização de palavras? confesso que me saiu naturalmente, não foi orquestrado… – rindo!)
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Futebol, Fátima e Fado
O Porto perdeu em Fátima, os D’zrt terminaram e hoje logo de manhã mandei uma real cagada que me deixou verdadeiramente bem disposto para o resto do dia. Depois de um dia mau pode muito bem vir um dia bom… e depois de um post decente, pode muito bem vir um texto de(mente de) merda! Há dias assim e hoje deu-me para isto, amanhã há mais e a saga continua. Assim de repente, como quem não quer a coisa, sobre este tema poderia escrever inúmeras linhas e tecer os mais ultrajantes comentários, mas este post não carece de mais porquidão, está bem assim… ou não!?Escrevi isto de rajada e agora que o li de uma assentada, não percebo se é prosa ou poesia, se original ou porcaria. E p’ra finalizar… vou-ma’sé deitar!
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
"É só mais um dia mau..."
Tornarmo-nos adultos não significa deixarmo-nos vencer pelo comodismo, pelo conformismo e pelos hábitos. Podemos e devemos manter-nos em estado de alerta, sempre (auto)críticos e abertos a tudo o que possa vir, boas ou más experiências, tudo é bem vindo. Também faz parte da fase a deixarmos cair, ou pôr de lado, alguns sonhos e objectivos, e percebermos que não somos tão únicos ou especiais como pensávamos, que o mundo não gira só à nossa volta, que não vamos viver para eternamente, que a sorte não dura sempre, que as merdas acontecem com muita regularidade, que "a vida é o que nos acontece enquanto fazemos planos", que "não podemos ter sempre o que queremos", entre outros pensamentos, teorias, filosofias, frases e clichés, uns mais verdadeiros do que outros, porque lá está, não somos únicos mas também não somos todos iguais.
Estando preste a entrar na casa dos trinta, tenho tirado algum tempo para pensar nestas coisas e tenho reparado em pormenores muito interessantes. Até há dois ou três anos atrás fazia questão de mostrar a toda a gente que nunca me iria casar e não queria ter filhos, adorava chocar as pessoas com este tipo de afirmações e outras ainda mais cáusticas que entravam pelos meandros da política, da filosofia ou da religião. Típico comportamento de adolescente rebelde. E sim, era um adolescente rebelde, mas hoje já me considero o. Tem de ser, faz parte. Acreditem que não me conformei com isso, dei as boas vindas a este novo estádio da minha existência com absoluta satisfação e orgulho. De certa forma as grandes dúvidas ficaram para trás, agora debato-me questões de fundo que vão sendo respondidas com o tempo e com a experiência. Acima de tudo gosto do que vejo no espelho e daquilo que sinto quando faço as minhas introspecções, muito importante para termos a tão desejada estabilidade psicológica, mas há certas coisas típicas da fase a às quais ainda não me habituei. São incómodas e fazem-me uma certa comichão. Em criança fazemos amigos a todo o momento, bastava haver interesses em comum como um saco de berlindes, jogos de computador, ou haver alguém com uma mesa de ping-pong na garagem. Na adolescência era o desporto, as ideologias e as causas humanitárias, as listas para as associações de estudante, ou as jam's e guitarradas durante os intervalos ou no final das aulas. Agora em o é tudo mais complicado. É difícil fazer-se amigos porque as pessoas estão mais fechadas, cínicas ou apenas complicadas – não me considero complicado, apenas complexo. Há muita gente com feridas abertas, com problemas antigos que se arrastam por vezes há décadas, e qualquer coisinha despoleta discussões, invejas e ódios completamente desproporcionados. Por outro lado ainda mantemos os amigos de sempre, aqueles amigos do peito que teimam em resistir ao tempo, mas esses nem sempre estão connosco. Costumo dizer até, que os melhores amigos não são os que estão sempre connosco, mas sim os que estão lá quando é preciso. É verdade que o carácter das pessoas se revela nos momentos de crise e os amigos ajudam a apoiar, reparar e resolver o que nos vai acontecendo, quer ao nível de crises externas, quer internas. Os amigos, a par com a família, são o que há de mais importante nas nossas vidas. Já dizia o grande Sérgio Godinho que "coisa mais preciosa no mundo não há". Mas é neste preciso momento singular que eu me deparo com algumas das tais questões de fundo: como é que lidamos com a perda de um daqueles amigos? E quando acontece em pouco tempo, não interessa quanto pois é relativo, perdermos vários desses amigos? E quando um deles é aquela pessoa em quem mais confiávamos acima de tudo e todos. Aquela pessoa que um dia conquistámos e nos mostrou, com provas dadas durante mais de uma década, que a confiança é completamente à prova de tudo? É do mais fodido que há e põe tudo, ou apenas muito, em causa! São várias voltas sucessivas e em catadupa de 90, 180 e 360º que nos deixam completamente sem norte. Mas como no amor, ao contrário de certos filmes e peças shakespearianas, e mesmo quando mete amizade e amor à mistura, num último e derradeiro teste à nossa força essencial, ninguém morre de desgosto e tudo o que mexe com as nossas entranhas pode ser libertador. Numa primeira instância digere-se para depois se evacuar. É uma guerra interna, suja e sombria, que deixa baixas e apresenta danos colaterais, mas com jeitinho e preserverança acabamos por sair mais fortes dela. É mais uma batalha e "é só mais um dia mau..."
Estando preste a entrar na casa dos trinta, tenho tirado algum tempo para pensar nestas coisas e tenho reparado em pormenores muito interessantes. Até há dois ou três anos atrás fazia questão de mostrar a toda a gente que nunca me iria casar e não queria ter filhos, adorava chocar as pessoas com este tipo de afirmações e outras ainda mais cáusticas que entravam pelos meandros da política, da filosofia ou da religião. Típico comportamento de adolescente rebelde. E sim, era um adolescente rebelde, mas hoje já me considero o. Tem de ser, faz parte. Acreditem que não me conformei com isso, dei as boas vindas a este novo estádio da minha existência com absoluta satisfação e orgulho. De certa forma as grandes dúvidas ficaram para trás, agora debato-me questões de fundo que vão sendo respondidas com o tempo e com a experiência. Acima de tudo gosto do que vejo no espelho e daquilo que sinto quando faço as minhas introspecções, muito importante para termos a tão desejada estabilidade psicológica, mas há certas coisas típicas da fase a às quais ainda não me habituei. São incómodas e fazem-me uma certa comichão. Em criança fazemos amigos a todo o momento, bastava haver interesses em comum como um saco de berlindes, jogos de computador, ou haver alguém com uma mesa de ping-pong na garagem. Na adolescência era o desporto, as ideologias e as causas humanitárias, as listas para as associações de estudante, ou as jam's e guitarradas durante os intervalos ou no final das aulas. Agora em o é tudo mais complicado. É difícil fazer-se amigos porque as pessoas estão mais fechadas, cínicas ou apenas complicadas – não me considero complicado, apenas complexo. Há muita gente com feridas abertas, com problemas antigos que se arrastam por vezes há décadas, e qualquer coisinha despoleta discussões, invejas e ódios completamente desproporcionados. Por outro lado ainda mantemos os amigos de sempre, aqueles amigos do peito que teimam em resistir ao tempo, mas esses nem sempre estão connosco. Costumo dizer até, que os melhores amigos não são os que estão sempre connosco, mas sim os que estão lá quando é preciso. É verdade que o carácter das pessoas se revela nos momentos de crise e os amigos ajudam a apoiar, reparar e resolver o que nos vai acontecendo, quer ao nível de crises externas, quer internas. Os amigos, a par com a família, são o que há de mais importante nas nossas vidas. Já dizia o grande Sérgio Godinho que "coisa mais preciosa no mundo não há". Mas é neste preciso momento singular que eu me deparo com algumas das tais questões de fundo: como é que lidamos com a perda de um daqueles amigos? E quando acontece em pouco tempo, não interessa quanto pois é relativo, perdermos vários desses amigos? E quando um deles é aquela pessoa em quem mais confiávamos acima de tudo e todos. Aquela pessoa que um dia conquistámos e nos mostrou, com provas dadas durante mais de uma década, que a confiança é completamente à prova de tudo? É do mais fodido que há e põe tudo, ou apenas muito, em causa! São várias voltas sucessivas e em catadupa de 90, 180 e 360º que nos deixam completamente sem norte. Mas como no amor, ao contrário de certos filmes e peças shakespearianas, e mesmo quando mete amizade e amor à mistura, num último e derradeiro teste à nossa força essencial, ninguém morre de desgosto e tudo o que mexe com as nossas entranhas pode ser libertador. Numa primeira instância digere-se para depois se evacuar. É uma guerra interna, suja e sombria, que deixa baixas e apresenta danos colaterais, mas com jeitinho e preserverança acabamos por sair mais fortes dela. É mais uma batalha e "é só mais um dia mau..."
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
O número 23
Há mais sobre o número 23 do que podem imaginar. Basta procurar por “enigma 23” ou "23 enigma" na net, é impressionante e dá muito que pensar. Não querendo monopolizar este post à volta do número 23, quero apenas dizer que vi hoje o filme “The Number 23” de Joel Schumacher com Jim Carrey no principal papel, e sem ser um filme brilhante, surpreendeu-me bastante. Jim Carrey faz um bom papel e sério, como já nos vem habituando desde “Eternal Sunshine Of The Spotless Mind” (outro bom filme), e a realização está ao nível do que Schumacher tem vindo a fazer (“8mm”), mas o que me espantou foi o argumento. Está muito bem escrito, original e deixa-nos quase de boca aberta – a mim não porque consegui adivinhar antes do tempo. Um bom filme, vale a pena!
No final, e assim em jeito de and now for something completly different, acho escandaloso a forma como a situação do Mourinho no Chelsea monopolizou os jornais, as rádios e os telejornais de manhã à noite… mas antes o Mourinho que a Maddie. Este mundo está perdido! 23 punhadas no focinho dos responsáveis pelas televisões era o que eu dava de boa vontade.
referências:
http://www.number23movie.com
http://www.imdb.com/title/tt0481369/
http://1001gatos.org/23/
http://www.blather.net/blather/2003/07/the_23_enigma_captain_clark_we.html
http://en.wikipedia.org/wiki/23_(numerology)
http://afgen.com/numbr23b.html
http://www.sayer.abel.co.uk/23.htm
No final, e assim em jeito de and now for something completly different, acho escandaloso a forma como a situação do Mourinho no Chelsea monopolizou os jornais, as rádios e os telejornais de manhã à noite… mas antes o Mourinho que a Maddie. Este mundo está perdido! 23 punhadas no focinho dos responsáveis pelas televisões era o que eu dava de boa vontade.
referências:
http://www.number23movie.com
http://www.imdb.com/title/tt0481369/
http://1001gatos.org/23/
http://www.blather.net/blather/2003/07/the_23_enigma_captain_clark_we.html
http://en.wikipedia.org/wiki/23_(numerology)
http://afgen.com/numbr23b.html
http://www.sayer.abel.co.uk/23.htm
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Notícias do Mundo
Vamos por tópicos e sem exageros, para não se parecer demasiado com um noticiário da TVI. Neste blog não há desgraças nem sorte macaca, apenas factos e uma interpretação humorística do que está à vista de toda a gente:
Este blog acalmou durante as férias do seu fundador, mas continua vivo e de boa saúde.
Portugal está cada vez mais longe do que há de melhor e pior na Europa… se é que alguém percebe o que isto quer dizer!?
José Sócrates não consegue ter uma posição mais à direita, nem que passasse o resto do tempo a masturbar-se apenas com a mão oposta à da esquerda, de punho fechado, em jeito de saudação ou cumprimento político.
George Bush continua burro e com vontade de mostrar isso mesmo.
Da tarde de hoje, um rapaz no Burquinafasso proferiu a seguinte frase: “gosto muito da minha mãe e de chupa-chupas de cereja”. Entretanto, no Pentágono houve uma pronta reacção, e passo a citar: “Isto é mais uma prova cabal de que há provas concretas de existirem indícios formais da possibilidade de haver uma oportunidade ainda que ínfima, mas real, da ligeira mas séria eventualidade de se acharem um dia destes, armas de destruição massiva algures que seja, e a cereja, quando comida ao sol do deserto, provoca graves distúrbios na digestão. Os povos que fomentam a ingestão forçada e continuada de fruta, bagas e qualquer outro tipo de sobremesa nos seus semelhantes, ainda que todos diferentes, todos iguais a si próprios, devem ser incapacitados na sua capacidade de provocar o mal. Não estamos para brincadeiras até às 18 horas de cada dia, e depois das 21 horas só nos dedicamos ao divertimento até trinta minutos antes de irmos para a cama. Este tipo de abusos têm de parar!”
Foi quebrado mais um record do Guiness com a maior concentração de sempre de pais natal a segurarem uma banana da Madeira enquanto se penteavam com gel líquido transparente e uma escova de casco de tartaruga, a beberem sumo de manga por uma palhinha do Noddy e a comerem Pastéis de Belém só com açúcar em pó e sem canela.
A bronca “Scólari” não tem qualquer fundamento. Ao que parece, o técnico brasileiro apenas respondeu aos vitupérios do desportista sérvio, que o acusou de ser pouco homem (ou homossexual), mostrando este, de punho fechado, o anel que comprova que é muito homem e casado… quantos haverá por aí que até têm uma horda de filhos em casa, mulher e gostam de atracar de poupa!? Nada é o que parece, mas ao que tudo indica, as quase quatro dezenas de milhares de espectadores no estádio de Alvalade, bem como os milhões que seguiram o jogo e os incidentes que lhe seguiram, pela televisão, estavam todos a ver mal!
Na moda, a Fátima Lopes conseguiu mostrar mais meio centímetro de peito e dois de anca nas novas criações para a Primavera-Verão de 2027.
…agora o desporto:
O Benfica teima em jogar de cor-de-rosa e em perder.
O Futebol Clube do Porto não deixa de ser um bando de cabrões arrogantes com sorte.
…e por fim a meteorologia:
Não se percebe nada do que se passa com o tempo! Não há Verão nem Inverno, apenas bom tempo, seguido de mau tempo, depois bom tempo, a seguir mais mau tempo, bom tempo, mau tempo, não tão bom mas não propriamente mau tempo, bom tempo, mau tempo, até tudo isto implodir!
Este blog acalmou durante as férias do seu fundador, mas continua vivo e de boa saúde.
Portugal está cada vez mais longe do que há de melhor e pior na Europa… se é que alguém percebe o que isto quer dizer!?
José Sócrates não consegue ter uma posição mais à direita, nem que passasse o resto do tempo a masturbar-se apenas com a mão oposta à da esquerda, de punho fechado, em jeito de saudação ou cumprimento político.
George Bush continua burro e com vontade de mostrar isso mesmo.
Da tarde de hoje, um rapaz no Burquinafasso proferiu a seguinte frase: “gosto muito da minha mãe e de chupa-chupas de cereja”. Entretanto, no Pentágono houve uma pronta reacção, e passo a citar: “Isto é mais uma prova cabal de que há provas concretas de existirem indícios formais da possibilidade de haver uma oportunidade ainda que ínfima, mas real, da ligeira mas séria eventualidade de se acharem um dia destes, armas de destruição massiva algures que seja, e a cereja, quando comida ao sol do deserto, provoca graves distúrbios na digestão. Os povos que fomentam a ingestão forçada e continuada de fruta, bagas e qualquer outro tipo de sobremesa nos seus semelhantes, ainda que todos diferentes, todos iguais a si próprios, devem ser incapacitados na sua capacidade de provocar o mal. Não estamos para brincadeiras até às 18 horas de cada dia, e depois das 21 horas só nos dedicamos ao divertimento até trinta minutos antes de irmos para a cama. Este tipo de abusos têm de parar!”
Foi quebrado mais um record do Guiness com a maior concentração de sempre de pais natal a segurarem uma banana da Madeira enquanto se penteavam com gel líquido transparente e uma escova de casco de tartaruga, a beberem sumo de manga por uma palhinha do Noddy e a comerem Pastéis de Belém só com açúcar em pó e sem canela.
A bronca “Scólari” não tem qualquer fundamento. Ao que parece, o técnico brasileiro apenas respondeu aos vitupérios do desportista sérvio, que o acusou de ser pouco homem (ou homossexual), mostrando este, de punho fechado, o anel que comprova que é muito homem e casado… quantos haverá por aí que até têm uma horda de filhos em casa, mulher e gostam de atracar de poupa!? Nada é o que parece, mas ao que tudo indica, as quase quatro dezenas de milhares de espectadores no estádio de Alvalade, bem como os milhões que seguiram o jogo e os incidentes que lhe seguiram, pela televisão, estavam todos a ver mal!
Na moda, a Fátima Lopes conseguiu mostrar mais meio centímetro de peito e dois de anca nas novas criações para a Primavera-Verão de 2027.
…agora o desporto:
O Benfica teima em jogar de cor-de-rosa e em perder.
O Futebol Clube do Porto não deixa de ser um bando de cabrões arrogantes com sorte.
…e por fim a meteorologia:
Não se percebe nada do que se passa com o tempo! Não há Verão nem Inverno, apenas bom tempo, seguido de mau tempo, depois bom tempo, a seguir mais mau tempo, bom tempo, mau tempo, não tão bom mas não propriamente mau tempo, bom tempo, mau tempo, até tudo isto implodir!
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Maddie McCann
Começo este post por congratular a RTP pelo verdadeiro e esforçado serviço público eu prestou hoje com o programa “Prós e Contras”, como já vem sendo um bom hábito. Pode falar-se da questão do Segredo de Justiça, da interferência da imprensa livre e autónoma na construção do senso comum que a sustenta (duplamente), da forma mais ou menos avançada com que uma Polícia, que se quer científica, objectiva e imparcial, digna de um Estado de Direito moderno, elabora e realiza uma investigação criminal, e de muitas outras questões paralelas mas sempre pertinentes, mas certo é ser típico do ser social – não utilizei ser humano propositadamente – o interesse pelos assuntos que lhes são supostamente alheios. Não vou apreciar a imprensa ou as revistas cor-de-rosa, a televisão ou os opinion makers. Apenas me critico a mim, deixando a dica para os demais que me poderão ler neste blog. Não sendo, de facto, uma pessoa curiosa, dou muitas vezes por mim a ler, ouvir e ver tudo o que possa, para tentar perceber mais e melhor o que poderá ter-se passado neste caso tão enigmático, como no caso Casa Pia, no Apito Dourado ou seja lá qual for… mas curioso porquê? Enigmático porquê? E tentar saber tudo porquê? Bem, depois de hoje e tentando não me esquecer desta resolução fantástica, vou aprender a dar tempo ao tempo e deixar que as coisas aconteçam no seu espaço e tempo certo. Tudo importa saber, mas com a devida contextualização, para que depois se possa opinar, ajuizar e criticar, sempre de forma fundamentada. Não interessa em nada decidir afastar-me da informação por mera teimosia bacoca, pois o resultado poderia ser ainda pior (vivo constantemente com o receio de estarmos cada vez mais próximos de um novo estado totalitário mais ou menos invisível), mas não vou alimentar a besta que nós próprios criamos quando abrimos a nossa mente colectiva à fome e necessidade de informação, tão característicos da nossa condição social e humana. Interesse e curiosidade sim, bisbilhotice e intriga, certamente que não! Nos dias de hoje há forças tão poderosas que fogem ao controle das Instituições, de um Estado, de uma Lei. Não podemos ingenuamente alimentar um monstro que se sustenta do próprio lixo que produz, qual máquina perfeita auto-sustentável de DaVinci. Há que haver regras, que as há, bom senso, que nem sempre aparece, rigor, que nem sempre impera, mas sobretudo uma determinação racional e corajosa pela formulação, administração e manutenção de uma autocrítica constante, capaz de conter, educar e manietar, se assim for necessário, o monstro que todos nós ajudamos a criar. Como é costume dizer-se, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. É tudo uma questão de equilíbrio dinâmico de forças, internas e externas: livre-arbítrio e raciocínio lógico a um nível íntimo ou individual; senso comum e consciência colectiva a um nível global ou civilizacional. Seja como for gosto pouco de circos, sobretudo se for eu o palhaço!
Além de palhaço também não gosto de ser urso. Admito que dei o nome da menina ao post para testar cientificamente a visibilidade do meu blog nos próximos dias. Não os espero vencer, sozinho pelo menos, mas também não me quero juntar a eles, acreditem! É apenas um exercício de avaliação usando a mais pura metodologia científica. Não quero mesmo que este blog se desproporcione para além do meu controle, mas também não sou ingénuo ao ponto de não pensar que não estou já inserido no logaritmo que sustenta o motor de busca do Google, o mais usado no mundo inteiro para fazer buscas na internet. A ver vamos…
Além de palhaço também não gosto de ser urso. Admito que dei o nome da menina ao post para testar cientificamente a visibilidade do meu blog nos próximos dias. Não os espero vencer, sozinho pelo menos, mas também não me quero juntar a eles, acreditem! É apenas um exercício de avaliação usando a mais pura metodologia científica. Não quero mesmo que este blog se desproporcione para além do meu controle, mas também não sou ingénuo ao ponto de não pensar que não estou já inserido no logaritmo que sustenta o motor de busca do Google, o mais usado no mundo inteiro para fazer buscas na internet. A ver vamos…
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Trabalhinhos de verão
Quem é que nunca teve um trabalho de verão? Mesmo que não fosse nada de muita responsabilidade ou algo pontual, qualquer pessoa já dedicou algum tempo das suas férias para ganhar uns trocos ou mesmo para arranjar dinheiro para voltar para casa se o guito das férias já se tivesse acabado. No mundo dos trabalhos temporários e sazonais, com a constante necessidade de arranjar uns biscates ou um part-time, ainda há a motivação acrescida de encontrar o trabalhinho de sonho. Quer seja realizado durante o verão ou o resto do ano, de sonho é ter um trabalho daqueles em que não se faz muito, as responsabilidades são mínimas, ainda se avistam algumas raparigas, até podemos trabalhar para o bronze ou ficar num local em que se esteja à sombra, onde se possa dormitar uns bocadinhos, ouvir música, ler ou ver um filme no leitor de DVD portátil e eventualmente beber qualquer coisa fresca mesmo que não contenha álcool. Parece bem, certo? Pois aqui há uns dias apercebi-me que isso existe ou anda a roçar lá muito perto. Não é apenas uma quimera utópica. Depois da experiência que tive pelos meandros das forças policiais, da qual não me arrependo de forma alguma, acho que na altura escolhi foi mal a força policial. Se tivesse escolhido acertadamente talvez não me tivesse vindo embora. Confesso que não me importava nada ser da GNR, mas teria de ser da Brigada de Trânsito. Aprecio imenso aqueles tipos que ficam dentro dos carros descaracterizados com o radar instalado no pára-choques. Ficam ali tardadas a fio, estiraçados, a bater grandes sornas. E como os carros nunca são pequenos utilitários, têm espaço à bruta para encostar o banco e esticar as pernas, até dá jeito, pois passa mais despercebido. Os tipos da zona de Portalegre, Estremoz e Évora não fazem absolutamente caso algum do que as outras pessoas pensam. Dormem de vidros abertos e com a perna ou braços de fora, caso não tenham ar-condicionado, o que está de todo muito mal pensado, do ponto de vista das condições do posto de trabalho, ou então com o carro ligado e o a/c a funcionar. Eu já me dei ao trabalho de parar por trás e tirar fotografias, os tipos tão duríssimos de sono e não dão por nada. Grandes vidas! Tirando a parte chata que é a formação e o estágio, trabalhar-se por turnos e em horários complicados, e o notável abalo que nos dá à nossa estrutura individual o facto de nos vermos ao espelho e termos de admitir que, passados tantos anos e tanta patifaria típica de criança e adolescente, a dizer mal da bófia em tudo quanto era canto, algumas vezes, inclusive, a ter de fugir deles, nos tornámos naquilo que nunca, alguma vez, em tempo algum, pensaríamos ser possível, sem que de alguma forma fosse revestido de um invólucro de castigo ou tortura… não me parece assim tão mal. É tudo uma questão de feitio.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Caras simpáticas e pernas jeitosas!
Voltando ao tema da publicidade, acho que uma das coisas ridículas que aparecem na televisão e que não enganam ninguém é o facto de aparecerem sempre caras e pernas sem pelos nos anúncios de lâminas, espumas, géis, cremes, ceras e bandas depilatórias. Alguém acha que por debaixo daquela espuma quase apetecível, assim ao género de chantilly de lata, seja numa cara simpática ou numas pernas jeitosas, haverá pelos grossos de quem tem uma barba de dois dias ou não faz a depilação há três semanas? Nada disso! Aqueles tipos não enganam ninguém. É até fácil de perceber logo nos primeiros frames do filme publicitário, e são sempre tipos charmosos com queixadas à George Clooney e gajas belíssimas com valentes trancas tipo Marisa Orth. A publicidade está cheia de falsas expectativas e dá cabo do nosso imaginário. É os reclames de bebidas, de automóveis, dos operadores de telecomunicações, dos champôs… até dos detergentes para a máquina de lavar! São uns piores que os outros. Uns mais imaginativos, outros mais radicais, mas todos nos deixam a desejar e por vezes coisas que nem precisávamos antes de assistirmos àqueles trinta segundos de pura treta com boas cores, boa luminosidade, gente boa, mas nem sempre bons produtos. Ah valentes!
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Tourada Caras
Ontem vi numa rotunda um painel publicitário que dizia “VII Grandiosa Tourada Caras”… ora bem, escusado será dizer que comecei logo a imaginar um magote de VIP’s na arena, todos bem vestidos e maquiados, sim, os homens também, a digladiarem-se como nunca o teriam feito antes. Eles eram chapadas com as costas da mão, escarradelas, puxões de cabelos, rasgar de roupa, encontrões, e todo o tipo de luta sem precedentes, pois seria tudo gente pouco acostumada a fazer fosse o que fosse pela frente, mas nessa arena não eram permitidas facas, o que invalidava as habituais facadinhas nas costas… foram uns bons dez segundos de pura loucura imaginada pela minha mente perversa. Depois, lá me apercebi que as bestas estariam nas bancadas e seriam 6 touros 6 da ganadaria lá de trás do sol posto na arena, dois toureiros com nomes de meninas e roupas ainda mais efeminadas, e um grupo de forcados – ou jogadores de rugby – de sabe-se lá onde. Epá, perdoem-me a frontalidade, e até pode parecer preconceito e maldade da minha parte, mas é uma coisa que em todos os aspectos e sentidos me mete algum nojo!
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Óculos de sol, compras e uma profunda falta de tacto
Entrar em casa num dia de verão com os óculos escuros na cara e com as mãos cheias de compras, já não basta as fezes – frase tipicamente alentejana – de tentar tirar as chaves do bolso e conseguir abrir a porta sem deixar cair os ovos de um dos oito sacos de compras que temos nas mãos, para ainda entramos em casa e não enxergamos nada porque fica demasiado escuro pela diferença de luminosidade e por não nos termos lembrado de deixar os raybantes no tabelier do bólide. Não conseguimos enxergar onde está o interruptor e também não conseguimos tirar os óculos, e ali ficamos durante uns segundos a tentar acender a luz, tateando parede fora à procura do botão. Outra coisa que irrita, sendo muito deste género, é quando temos de desligar um cabo eléctrico com uma ponta das grossas, de uma extensão tripla com os grampos de terra que está debaixo de um sofá ou detrás de um armário. Esticamos o braço todo, a mão, os dedos e nada; já quase em desequilíbrio e com as pernas num desatino lá nos arrastamos a esbracejar, sem conseguir retirar o cabo da extensão porque aquela porcaria está mesmo presa e não cede nem um milímetro... se ao menos conseguíssemos levantar o sofá ou aparecesse alguém com força para mover o armário neste preciso momento... bastavam dois míseros centímetros... bah!! É do demo!
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
automático é sempre pior que manual
Todos nós temos automatismos nas nossas vidas. As máquinas de lavar roupa e loiça, os comandos de infra-vermelhos para tudo quanto é aparelho electrónico, a gravação de voz na caixa de mensagens do telemóvel, o cruise control nos automóveis, as bombas de limpeza da água das piscinas, a televisão ou a aparelhagem que se desligam quando queremos para adormecermos sem que fiquem ligadas a noite toda, os aparelhos que ligam e desligam as luzes em casa aleatóriamente ou de forma fixa para podermos ir de férias deixando a noção aos outros de que há gente em casa, o sistema de rega que liga e desliga sozinho, entre muitas outras coisas que nos facilitam e proporcionam tempo de qualidade numa sociedade que nos exige cada vez mais e nos preenche todo o tempo que temos sem que sobre algum para dedicarmos ao que mais gostamo. Um exemplo que eu deixei para agora, é o da assinatura nos e-mails. Isto é um automatismo que nos pode trazer mais inconvenientes e dissabores do que propriamente vantagens. Acho, e aqui também lanço uma dura crítica à minha pessoa, que é mesmo coisa de preguiçoso. Deixo-vos um exemplo que recebi por mail e que me deu tanto gozo como me fez arrepiar:
Mail para a VODAFONE a pedir cancelamento do contrato:
Cancelamento de contrato- telefone 91*******
Exmos. Senhores,
por falecimento da V. cliente (...), no passado dia 28 de Novembro, queiram por favor proceder ao cancelamento do respectivo contrato, a partir do corrente mês de Dezembro inclusive.
A mesma informação será enviada por correio, conforme carta anexa.
Sem outro assunto,
...
Resposta da Vodafone:
Muito boa tarde, como está?
Para podermos efectuar a desactivação definitiva é necessário que nos envie uma cópia da certidão de óbito do titular.
Deverá confirmar o nº de contribuinte ou nº de conta Vodafone.
Boas festas. Viva o momento, Now!
Paula Santos
apoiocliente@vodafone.pt
Nota: Caso necessite contactar-nos novamente sobre o mesmo assunto agradecemos que faça reply deste e-mail.
PS: Para dúvidas relacionadas com o serviço yorn o mail de apoio ao cliente é Heeellp@Yorn.net
Contra-resposta:
Re: Cancelamento de contrato- telefone 91*******
Boa tarde. estou bem, muito obrigada. A minha mãe faleceu, por isso estou óptima e vivo o momento, now!
Agradecia que me indicasse a morada para onde deve ser enviada a certidão de óbito.
Boas festas também para si.
Ah, valente!!!
Mail para a VODAFONE a pedir cancelamento do contrato:
Cancelamento de contrato- telefone 91*******
Exmos. Senhores,
por falecimento da V. cliente (...), no passado dia 28 de Novembro, queiram por favor proceder ao cancelamento do respectivo contrato, a partir do corrente mês de Dezembro inclusive.
A mesma informação será enviada por correio, conforme carta anexa.
Sem outro assunto,
...
Resposta da Vodafone:
Muito boa tarde, como está?
Para podermos efectuar a desactivação definitiva é necessário que nos envie uma cópia da certidão de óbito do titular.
Deverá confirmar o nº de contribuinte ou nº de conta Vodafone.
Boas festas. Viva o momento, Now!
Paula Santos
apoiocliente@vodafone.pt
Nota: Caso necessite contactar-nos novamente sobre o mesmo assunto agradecemos que faça reply deste e-mail.
PS: Para dúvidas relacionadas com o serviço yorn o mail de apoio ao cliente é Heeellp@Yorn.net
Contra-resposta:
Re: Cancelamento de contrato- telefone 91*******
Boa tarde. estou bem, muito obrigada. A minha mãe faleceu, por isso estou óptima e vivo o momento, now!
Agradecia que me indicasse a morada para onde deve ser enviada a certidão de óbito.
Boas festas também para si.
Ah, valente!!!
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Onda rosa
Hoje fui comprar uns ténis a uma loja de desporto e por brincadeira perguntei ao tipo que me atendeu se pelo facto de não ver os novos equipamentos do Benfica expostos isso significaria que o dono da loja teria bom gosto, ao que ele se prontificou a responder:
- "aqui não interessa de que clube se é, vendem-se equipamentos dos três principais, mas o novo cor de rosa do Benfica esgotou no país inteiro, nem no Estádio da Luz se consegue arranjar!"
Fiquei estarrecido e nem consegui esboçar um esgar que fosse. Já vi este filme em qualquer lado! Hoje em dia anda tudo a virar rosa. São os telemóveis da Motorola, os equipamentos do Benfica, até o Blanka Vanish com aquela frase parva do anúncio televisivo: “confie no rosa, esqueça as nódoas”… é caso para dizer “tenha medo, tenha muito medo”!
- "aqui não interessa de que clube se é, vendem-se equipamentos dos três principais, mas o novo cor de rosa do Benfica esgotou no país inteiro, nem no Estádio da Luz se consegue arranjar!"
Fiquei estarrecido e nem consegui esboçar um esgar que fosse. Já vi este filme em qualquer lado! Hoje em dia anda tudo a virar rosa. São os telemóveis da Motorola, os equipamentos do Benfica, até o Blanka Vanish com aquela frase parva do anúncio televisivo: “confie no rosa, esqueça as nódoas”… é caso para dizer “tenha medo, tenha muito medo”!
sábado, 4 de agosto de 2007
Soposts
O mundo em que nós vivemos nem sempre é aquilo que queremos, desejamos e sonhamos. Custa saber da fome que grassa em certos locais, da pobreza que assola certas pessoas, da falta de cultura geral, do mal que todos andamos a fazer ao planeta, o desemprego, a saúde, entre tantas outras desgraças trágicas e sobejamente nefastas. Tudo isto me consome aos pouquinhos, mas uma situação que me deixa quase fora de mim é a constatação dos nomes de certas empresas que existem em Portugal. Não me interessa se fogem ao Fisco e à Segurança Social, se dão lucros brutais, ou se tratam bem os seus trabalhadores, apenas que não merecem estar abertas apenas e só à conta do nome que envergam nos placards, cartões de visita e papel timbrado. Chega a ser ridículo… Sogiene, Sotalhos, Soferragens, Socarros… será falta de imaginação? Não é algo de tão grave que me tire o sono, mas leva-me o sossego! É triste verificar que há pessoas tão poucochinhas que nem um nome decente conseguem idealizar para a sua empresa. Mostra o quão deprimidos estamos como país, social e economicamente, e a forma como não se vislumbra uma luz, tímida que fosse, no fundo do poço – escolhi poço de propósito, porque metemos água e não vejo grande esperança para este país. Que noção farão os outros de nós a julgar por pormenores como este? Somapeteceéganir!
terça-feira, 31 de julho de 2007
Copos d’água com fartura
Não sei a quantos de vocês isto sucede, mas a mim é com farta e atulhada frequência. Digamos que sete em cada dez copos de água que bebo são sete copos a mais de água com os quais eu me engasgo. Parece caricato e grotescamente ridículo mas é verdade, e desde pequeno que isto sucede. Já tentei perceber o porquê desta situação infernal mas não consigo chegar a grande conclusão. Reuni dados suficientes que me dessem a perceber que isto só ocorre quando bebo de pé e fora das refeições, sempre com água e nunca com sumos, chás, infusões, leite ou bebidas alcoólicas (excepção feita a uma única vez em que me engasguei com Coca-Cola e além de chegar ao goto até me saiu pelas narinas… episódio para esquecer mas que parece não dar descanso à minha mente viciada em recordações divertidas). Não importa se a água está gelada, fria, natural, tépida ou quente. Se é mineral, natural, salobra ou salgada – também já se deu o caso de me engasgar com água do mar, piscina, rio e barragem, mas aí o propósito e a condição norteadora eram outros e opto conscientemente por deixar de fora desta pequena dissertação. Já tentei beber devagar e mais depressa, pausadamente e sem inspirar ou expirar durante o processo de ingestão. Já teorizei e reflecti quase até à exaustão mas sempre longe de alcançar um desfecho que me aprouvesse. Não me parece ser um problema com fundamentos sobrenaturais, mas também não se resolve com análises empíricas ou intuitivas. Não consigo perceber porquê, irrita-me mais do que os 45ºC que estiveram ontem durante o dia, e canso-me de tossir a gastar, durante os aparentemente eternos três ou quatro minutos que se sucedem após cada incidente destes e que se dão na ordem das cinco ou seis vezes por semana.
E-mails do demo!
Abro as hostilidades neste post explicando que não vou tocar na questão dos powerpoints feitos por brasileiros.
Uma vez desfeito o possível equívoco criado pelo título do post, bem como do surpreendente e quasi abrupto prólogo a abrir o post, eis que me dedico à sua normal continuação.
Recebi na minha caixa de correio electrónica, pela enésima vez, um e-mail que anunciava a futura aparição de Marte no firmamento a 27 de Agosto como se de uma segunda Lua se tratasse. Que pela sua estranha e invulgar dimensão a olho nu, causaria um espectáculo de incomparável impacto visual. A par com os tais e-mails dos cãezinhos que estão prestes a serem todos liquidados se não forem resgatados a tempo por quem queira ficar com eles, esta situação desgasta-me a paciência para além da compreensão. Que há gente imbecil com orçamento para adquirir computadores e terem internet em casa, disso não haja qualquer sombra de dúvida – há até gente capaz de coisas muito piores, como votar, ler jornais e ver noticiários na televisão e considerarem-se desoprimidamente instruídas e decisoras do seu próprio destino – agora que eu tenha no meu leque de conhecimentos pessoas ignorantes, capazes de repassar e-mails idiotas, inicialmente sem fundamento e infinitamente repetidos, até à exaustão sem por isso darem conta como se se dessem a esse “trabalho”, tarefa que requer um mínimo de atenção, sem perceber o que lhes chegou e aquilo que ajudaram a fomentar, por muito ingénuo que o resultado possa parecer, isso já me faz alguma espécie. Leiam porra!!! …e se não for demasiado incómodo, pensem um bocadinho.
Gosto muito de tudo o que envolva a Astronomia e demais ciências exactas que a esta se associem no verdadeiro espírito da multidisciplinaridade, bem como de animais, principalmente os menos afortunados, agora este tipo de e-mails tem de acabar.
Dicas para acabar com esta calamidade:
1. leiam tudo, sempre
2. pensem, uma migalha que seja
3. datem os mails quando são vocês a compô-los ou a repassá-los
4. não andem p’raí a dormir!
Uma vez desfeito o possível equívoco criado pelo título do post, bem como do surpreendente e quasi abrupto prólogo a abrir o post, eis que me dedico à sua normal continuação.
Recebi na minha caixa de correio electrónica, pela enésima vez, um e-mail que anunciava a futura aparição de Marte no firmamento a 27 de Agosto como se de uma segunda Lua se tratasse. Que pela sua estranha e invulgar dimensão a olho nu, causaria um espectáculo de incomparável impacto visual. A par com os tais e-mails dos cãezinhos que estão prestes a serem todos liquidados se não forem resgatados a tempo por quem queira ficar com eles, esta situação desgasta-me a paciência para além da compreensão. Que há gente imbecil com orçamento para adquirir computadores e terem internet em casa, disso não haja qualquer sombra de dúvida – há até gente capaz de coisas muito piores, como votar, ler jornais e ver noticiários na televisão e considerarem-se desoprimidamente instruídas e decisoras do seu próprio destino – agora que eu tenha no meu leque de conhecimentos pessoas ignorantes, capazes de repassar e-mails idiotas, inicialmente sem fundamento e infinitamente repetidos, até à exaustão sem por isso darem conta como se se dessem a esse “trabalho”, tarefa que requer um mínimo de atenção, sem perceber o que lhes chegou e aquilo que ajudaram a fomentar, por muito ingénuo que o resultado possa parecer, isso já me faz alguma espécie. Leiam porra!!! …e se não for demasiado incómodo, pensem um bocadinho.
Gosto muito de tudo o que envolva a Astronomia e demais ciências exactas que a esta se associem no verdadeiro espírito da multidisciplinaridade, bem como de animais, principalmente os menos afortunados, agora este tipo de e-mails tem de acabar.
Dicas para acabar com esta calamidade:
1. leiam tudo, sempre
2. pensem, uma migalha que seja
3. datem os mails quando são vocês a compô-los ou a repassá-los
4. não andem p’raí a dormir!
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Ingmar Bergman
Hoje morreu um dos maiores cineastas de todos os tempos, talvez agora venha a saber in loco a verdade sobre o 7º Selo. Se não viram ainda filmes dele, vejam que vale a pena!
domingo, 29 de julho de 2007
Medo, liberdade e um texto fantástico
Tenho receio que se afastem deste texto por ser extenso, mas sem dúvida que vale a pena lê-lo, porque nos põe a pensar. Mais do que outra coisa qualquer, pensar e reflectir é irreversivelmente sinónimo de observar atentamente e criticar, mesmo que fique tudo guardado dentro de nós.
É importante que não deixemos cair certos e bons hábitos. LEIAM, PENSEM, FALEM, FAÇAM UM BLOG!!!
Utilizando uma frase mítica do cinema e do nosso imaginário, e uma outra da publicidade de uma marca conhecida, "fear is the path to the dark side", "have no fear".
grande abraço
Contra o Medo, Liberdade
Manuel Alegre
Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á.
Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.
Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.
Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que "só é livre o homem que liberta". Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, "o partido sem medo", como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.
Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.
Há, é claro, o álibi do Governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O Governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio o social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do Governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu Governo.
Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no Parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.
Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo. Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do Governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu. Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.
O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude. Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio. António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu "querido talvez" por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato". Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências. Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereótipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória. Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o Papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo. Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura. Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.
É importante que não deixemos cair certos e bons hábitos. LEIAM, PENSEM, FALEM, FAÇAM UM BLOG!!!
Utilizando uma frase mítica do cinema e do nosso imaginário, e uma outra da publicidade de uma marca conhecida, "fear is the path to the dark side", "have no fear".
grande abraço
Contra o Medo, Liberdade
Manuel Alegre
Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á.
Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.
Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.
Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que "só é livre o homem que liberta". Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, "o partido sem medo", como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.
Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.
Há, é claro, o álibi do Governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O Governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio o social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do Governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu Governo.
Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no Parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.
Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo. Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do Governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu. Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.
O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude. Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio. António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu "querido talvez" por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato". Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências. Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereótipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória. Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o Papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo. Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura. Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.
Subscrever:
Mensagens (Atom)