sábado, 17 de março de 2007

Sabonete e Prisões, esse grande mito

Hoje, ao lavar as mãos, lembrei-me do seguinte: toda a gente utiliza aquela célebre piada do “apanha o sabonete”, mas como não conheço alguém que já tenha estado preso, não faço mesmo puto de ideia de como funciona um balneário de uma prisão (nem quero saber, é mais uma questão retórica do que outra coisa). Sabonete líquido não dá jeito nenhum, e no departamento dos sabonetes sólidos é óbvio que não pode ser qualquer um. Lembrei-me das seguintes marcas:
Palmolive – muito efeminado para um local com tanta testosterona, e daí talvez não!
Feno – ainda parece muito amaricado
Dove – claro que não!!
Festa – não sei como os responsáveis por esta marca ainda não se lembraram de fazer um protocolo com as prisões e penitenciárias portuguesas… lol
Sabão Macaco – boa escolha
Sabão Azul e Branco – assim sem pensar muito, votava neste
Depois da questão do SSL nos champôs e géis de banho, cheguei à brilhante conclusão que o Sabonete Azul e Branco é a melhor coisa para se ter em casa por todo o lado. No lavatório da cozinha, na bacia da cara, até na banheira, claro, e até imagino a possibilidade de figurar num móvel da sala como biblô. Long live Sabonete Azul e Branco!!


relembro:
http://ctanganho.blogspot.com/2006/08/ainda-o-champ-as-frias-de-vero.html
http://ctanganho.blogspot.com/2006/08/ssl-do-demo.html

quarta-feira, 14 de março de 2007

A tradição já não é o que era... ou não!

De certa forma, e em algumas situações, ainda é o que era e não se aplica este princípio. É o caso dos aniversários. Quando alguém faz anos, estamos sempre à mama, à espera que essa pessoa pague uns copos, um jantar, ou para os mais ousados, porque os há, uma rodada (de bebidas, entenda-se) num daqueles bares à meia-luz com um poste metálico ao meio – claro que não estou a falar de um “casino ilegal” num quartel de eiros onde servem min's e minuíns comprados no Lidl e se passa o tempo morto, em que não há incêndios ou gatos para resgatar das copas das árvores, a jogar à lerpa. Este conceito do desgraçado que faz anos ter de oferecer sempre qualquer coisa, mesmo que seja um pacote de pastilhas – recordo o tempo da escola – é no mínimo desmotivante.

Como se não chegassem os milhares (milhares não, centenas!!) de telefonemas que um tipo tem de atender, que nem quando está sentado na sanita tem descanso, ou os postais foleiros com imagens tiradas dos livros da Anita, com moedas de 2€ coladas com uma tira de fita-cola que as tias mandam pelo correio (no Natal são meias grossas), os beijos lambidos que as tias-avós nos dão quando nos vêm, o sermão sobre responsabilidade que os nosso avôs nos dão, porque já estamos uns homenzinhos, os ciúmes da nossa namorada com as prendas que as nossas amigas e ex-namoradas nos dão, entre muitos outros exemplos, para ainda por cima termos de gramar com aqueles “amigos” chatos que nos falam de longe o ano todo e nos cravam duas ou três imperiais nesse dia porque se aperceberam quando entrámos no bar. Quando um amigo meu faz anos tenho todo o prazer de pagar o almoço ou o jantar, ou dar-lhe aquilo que eu sei que vai gostar, e caso fique fora das minhas possibilidades, junto o pessoal todo e fazemos uma vaquinha. Amizade é, sem dúvida, a partilha, e partilhar significa mesmo isso… partilhar! Não é andar à babuje a ver se pega. Proponho uma nova frase, que se quer máxima, para combater esta hipocrisia gritante: Ê cá na’pago nad’a cabrão nenhum! ...só a amigos!

Antes de fechar este post queria dar mais uma achega no repto que lancei ontem: Nós somos bués e o tio Alberto é só um! But todos p'rá Madeira!!!

terça-feira, 13 de março de 2007

Justiça, culpa partilhada e piscas nas rotundas

A Polícia Judiciária está a investigar possíveis desvios de dinheiro no Supremo Tribunal de Justiça. Conseguem alcançar a ironia da coisa? É que não é uma câmara municipal, um instituto público ou um tribunal qualquer, é o Supremo Tribunal de Justiça. Quer dizer que acima desta só ao nível europeu. Pode ser que depois das investigações de pedofilia na Internet e crianças desaparecidas, da Casa Pia, Apito Dourado, Saco Azul de Felgueiras e tantas outras investigações em curso, ainda tenham tempo e capacidade para descobrir quem anda a comprar relógios e pratas com dinheiros do Supremo Tribunal de Justiça. Não me canso de referir “Supremo Tribunal de Justiça”, parece engraçado, quase anedótico, mas é o país que temos. E isto é apenas e só o que se vai descobrindo, resta imaginar o que haverá a mais que nunca ninguém dá por isso, ou dá e conseguem calá-los, a bem ou a mal. Continuamos na cauda da Europa no que diz respeito a quase todos os indicadores do Eurostat, pelo menos os mais importantes (economia, saúde, educação, emprego, etc.), inclusive depois da entrada de países como Malta… convém tirar uns segundos para reflectir sobre isto …já está!? Ok, bem sei que nos temos de preocupar com certas e determinadas situações a nível mundial, como o problema do aquecimento global e a ganância desmedida dos representantes de alguns governos e lobbys, mas hoje apetece-me dizer que este país fede e mete nojo. Mas querem saber quem mete mais asco do que os nossos governantes e representantes? Todos nós, que somos quem os elege! Somos nós os responsáveis pelo estado de sítio em que este país vai entrando, quando não pedimos facturas em lado nenhum, arrendamos casas sem recibo (sendo nossa ou estando lá a morar), quando não nos revoltamos contra a falta de saúde e justiça neste país e as constantes filhas de putíce que nos vão fazendo, umas vezes pela calada e outras à vista de todos. Somos nós que fazemos este país. Não houve uma geração, uns políticos, burgueses ou empresários que fizeram isto, fomos e somos todos nós! Pegando no bom exemplo de solidariedade e justiça social que foi o resultado deste último referendo, partindo do princípio que foi uma conclusão ponderada por parte dos que votaram, sabendo ainda que o nível de abstenção foi, ainda assim, alto, recomendo que passemos a ir votar sempre, mesmo que seja para escrever umas palavras feias no boletim de voto, colar a pastilha no biombo ou pura e simplesmente votando em branco. Temos urgentemente de mostrar que nos preocupamos com o nosso país, com a nossa cidade, com o nosso bairro, com os nossos amigos e a nossa família. Somos todos iguais e temos todos culpa nesta fase do campeonato. A nossa sorte seria os espanhóis terem a vontade de nos anexar, mas eles são tudo menos parvos, e sendo assim só nos resta fazer alguma coisa que não se pareça com deixar-nos ficar nesta mediocridade e apatia mental. Se somos bons a dizer mal, ao menos que o façamos para qualquer um ouvir e ler, e é bom aproveitar enquanto há liberdade de expressão, coisa que não durará muito tempo pelo andar da carruagem.
Como princípio, e por princípio, proponho três ou quatro medidas para mudar o estado letárgico em que nos encontramos (comfortably numb):
- pedir facturas em todo o lado e para qualquer bem ou serviço (assim é mais difícil fugir-se ao fisco)
- vejam mais televisão, se gostam, mas sem ser só novelas e reality shows
- leiam alguma coisa que não seja só jornais ou revistas de entretenimento
- levantem o cu do sofá!
- façam piscas nas putas da rotundas, porra!!!
- deixem de ver futebol até os clubes pagarem o que devem à Segurança Social, fiquem-se pelas selecções nacionais
…entre outras! (façam comentários com ideias, vá a ver!)
Por último, gostava de iniciar um movimento para levar as pessoas do continente a fixarem-se temporariamente na Madeira, fazendo também o recenseamento eleitoral, e votarem contra aquele pulha do A. João Jardim. Escolheu demitir-se, vamos então deixá-lo aproveitar a sua reforma milionária como deve ser.
Posso não fazer muito, mas gosto de verdades inconvenientes e nunca me calo!
Se nada disto der certo, podemos sempre pôr bombas e rebentar com isto tudo...

segunda-feira, 12 de março de 2007

Patifarias de amigo e vinganças cruéis

Por vezes questiono-me sobre qual será a pior coisa que um amigo nos poderá fazer. Traição, ciumeira parva, falar mal de nós nas nossas costas propositadamente ou começar um burburinho sobre a nossa suposta dependência de chantilly em lata para além da sanidade mental porque se calhar já não vamos para a cama com uma gaja há mais de oito meses e isso nos faz lembrar das noites mais loucas de que tivemos desde sempre e beber até cair para o lado não resulta tão bem como possível solução para esse problema e no Lidl as latas de chantilly têm melhor relação qualidade/preço do que a cerveja mais barata que lá conseguimos encontrar, roubar-nos a namorada ou meter-se com aquela rapariga de quem gostamos mesmo sabendo do nosso interesse nela, ir para a cama com a nossa tia mais nova (ainda pensei em mãe, assim à la American Pie, mas achei melhor não), espatifar o carro que lhe emprestámos durante o fim-de-semana, imolar a nossa mota com brandy barato durante uma noite louca de bebedeira, judiar do nosso animal de estimação de forma inenarrável… a lista é infindável e vai até onde a nossa imaginação nos levar, mas já cheguei a uma conclusão. Podemos emprestar-lhe o carro como já referi e dar cabo dele beyond recognicion, mas sem dúvida que não haverá nada mais saturante, desgastante e perverso do que alterarem a configuração do banco do nosso carro. E quanto mais mariquices tiver, para cima, para baixo, diagonais, até a altura e profundidade do volante, pior é. É que nem toda a gente tem Mercedes-Benz com bancos com memória, e quando isto acontece são sempre precisas, no mínimo, duas semanas de ajustes até voltarmos a dar com a nossa configuração ideal, e mesmo assim, num dia qualquer, num final de tarde com o sol de frente ou porque está fresco e apenas podemos levar o vidro do lado do morto aberto, apercebemo-nos de que ainda não está no ponto e lá proferimos uma frase menos simpática que termina em “nunca mais empresto o carro a ninguém!”
Se a vingança é um prato que se serve frio, esta é sem dúvida das melhores patifarias que se pode preparar a alguém.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Videoporteiro, ya!

A especificidade persiste, estou um pouco melhor hoje, mas ainda ando meio grog. Entre outras coisas, algumas dores de cabeça e chatices mundanas, o dia de ontem foi um dia de memórias devido à comemoração dos 50 anos da RTP, muito pelas recordações que a gala de aniversário nos deu a reviver, mas além disso, o título do post de ontem fez-me relembrar os cromos do Bolicau dos tempos em que andava no secundário, eheh! Mas passemos ao post de hoje. Sim, porque depois das 75 visitas que o blog teve ontem – nem sei como, muitos links extraviados, só pode – o post de hoje não se pode resumir apenas à patacoada sensaborona que este parágrafo contém até este ponto final. (ponto). Bem, não que eu ligue muito a isso, ou queira que os outros notem, mas de tudo o que tenho de interessante na minha casa nova, aquilo a que a malta mais dá atenção e até comenta efusivamente, é a câmara que tenho acoplada ao intercomunicador que abre a porta do prédio. “Epá!, tens um videoporteiro!? Muito bom!!”, dizem todos sem excepção. Videoporteiro, mas que raio de coisa vem a ser essa? Para já, vivo num rés-do-chão em que toda a gente entra pela porta da cozinha, sendo rara a vez em que utilizo o botão para abrir a porta do prédio, e ainda por cima, das vezes em que de facto quis utilizar a câmara para ver se não seriam jeovás ou vendedores de carpetes marroquinas, as pessoas nunca estavam colocadas frente à câmara, iam tocando à campainha como se não houvesse amanhã, e eu ali a barafustar enquanto ia mexendo na rodinha do contraste e do brilho até finalmente me decidir a ir abrir a porta do prédio pessoalmente para ver quem seria. Videoporteiro!?!? Sim, tenho um videoporteiro… sou eu!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Hoje tou ca’bolha!

Epá, não sei se foi do eclipse, se da mudança de tempo, da água ou se espalharam algum produto no ar, mas hoje passei o dia todo específico, que é como quem diz: azoado, com dor de cabeça e esquisito de estômago. Começou logo de manhã, como o dia, e arrastou-se até agora. Já falei com várias pessoas e pelos vistos não sou só eu. Custa-me relativamente adoecer, talvez só mesmo pelo tempo que perco em casa sem poder sair à rua, mas também não sou daquelas pessoas que se chateiam a meio das férias sem saber o que fazer com o tempo que lhes queda, mas o que me faz mesmo diferença e causa impaciência é estar específico sem saber o que me leva a ficar assim. Se apanhar uma maleita manhosa qualquer, sei que me deixa doente. Se levar uma bordoada nos queixos de um tipo por ter olhado para o cu da sua namorada, já sei que me vai doer. Se for atropelado por um carrinho de choque porque queria trocar de bólide antes da buzina endemoninhada soar, também sei que vou sofrer com isso. O que não consigo perceber e me deixa irritadiço, além da especificidade da situação, é padecer da consequência sem ter noção da causa. Lembro-me daqueles ratos de laboratório que lhes acrescentam as mais incríveis porcarias à ração e água para ver como reagem. Será que alguém anda a brincar comigo!? Se sim, estou para ver quando me calha a mim fazer esse tipo de patifaria. Ah velhacos!

terça-feira, 6 de março de 2007

Futebol, desperdício e sacos de plástico

Hoje fui apanhado de surpresa no supermercado. Fiz as minhas compras típicas de solteiro que vive sozinho, pão para as tostas místicas, tostas para besuntar com paté, o referido paté mas sem ser feito com fígado de pato, e cerveja para ver o jogo do Chelsea (com o Porto), e quando chego à caixa e peço sacos de plástico para as compras, eis que o rapaz me pergunta quantos quero. Eu fiz a minha cara de espanto, porque de facto estava admirado, e disse: “olhe, acho que cabe tudo num só”. Nisto o tipo passa o saco pelo leitor de códigos de barra e dá-mo para a mão. Eu já nem pedia que me arrumasse as compras, coisa que em alguns supermercados fazem mas eu nem gosto muito, tal como não aprecio restaurantes finos, onde nos enchem constantemente o copo e vão servindo de puré como se não houvesse mais acompanhamentos, prefiro mesmo as tascas, pois já cospem tanto para o chão que de certo haverá menos probabilidade de nos cuspirem no prato, ao contrário dos tais restaurantes todos pipis onde se vingam pela mais pequena reacção que possamos esboçar, mas enfim… fiquei de facto pasmado com esta história dos sacos de plástico, e foi só quando cheguei ao carro que comecei processar o conceito. Nos dias que correm, quando há tanto desperdício e ignorância (pois, desperdício da mente), acho bom que nos ponham a pensar e a trabalhar na consequente reutilização dos sacos de plástico, que os há aos milhares (milhares!? Centenas!!!). Assim de repente, e mesmo sem saber, calculo que nos países civilizados as pessoas levem sacos de plástico de casa ou alcofas como faziam as nossas avós nas mercearias, até porque não custa nada… quer dizer, custa, menos dois cêntimos por cada saco! Pensem nisso e digam qualquer coisa.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Truques e Dicas: cd’s e dvd’s para queimar!

Estou farto de gastar dinheiro e sentir-me enganado, e acho que não custa nada deixar o meu testemunho para que mais ninguém (ok, não é o mundo inteiro, apenas quem vem espreitar este blog) caia no mesmo erro.
Há marcas e marcas de material informático, algumas bem merdosas que não enganam ninguém e outras que já foram tudo e agora não valem nada. É por isso que vos deixo esta pequena lista de compras, assim em jeito de cardápio informático:

Memorex – excelente relação preço qualidade. Os pretos (de carbono) eram bons mas não servem na maior parte dos auto-rádios
Sony – muito bons, mas caros
TDK – os cd’s já não são o que eram (fundo mais claro, já foram quase roxos), mas os dvd’s ainda valem o dinheiro
Mmore – já foi das melhores marcas, inclusive por causa da parceria com a Bayer (makrolon), mas agora não vale puto! Para gastar dinheiro nisto, mais vale puxarem-lhe fogo (aos cd/dvd’s ou ao guito)
Emtec (ex-Basf) – as cassetes de VHS e de áudio eram belíssimas mas nunca singrou neste mercado
Princo – grande anedota! Já foram bons, sim…
Mitsai – buahahaha, quem é que compra desta morraça!? É preciso ter-se tomates ou ser-se completamente leigo!
Sky – outra que tal! São ao preço da uva mijona
Maxxel – já foram bons, agora não tenho visto noutro sítio que não no Lidl, e desconfio um pouco de os ver ao lado da caixa registadora
Erva – literalmente, só fumados, e não eram de carbono! lol
Universal – aqui há 2 ou 3 anos via-os à venda na Feira-Nova e no Intermarché, baratinhos e muito bons
eProFormance – começaram por ser baratos, são bons
Samsung ou Pleomax – bons, relativamente baratos
Verbatim – ui, eram carotes mas belíssimos; nunca mais vi à venda
Philips – eram bons, mas havia várias séries e com preços muito distintos
Kodak – caros, razoáveis
HP – bons, caríssimos
TraxData – bons, preço razoável
Intenso – não são maus para o preço; só vi à venda em Lisboa (Fnac, Vobis, etc.)
Platinum – não valem um chavo!

Basicamente é assim que funciona: quanto mais escura (azul ou roxa) for a cor do fundo dos cd’s e dvd’s, melhor eles são, e mesmo que não se possa vê-los dentro da loja, é abrir a caixa, pacote ou cake no carro e voltar lá dentro para os trocar se não corresponder às expectativas. Eu faço isso. Todas as outras marcas que existem e não aparecem nesta lista, nem vale a pena ver, ler ou registar o preço na memória, não prestam!

domingo, 4 de março de 2007

Truques e Dicas: lixo caseiro e moengas por telefone

Este texto é daqueles que todos costumamos receber por mail, mas nem todos lhe damos a atenção devida. Decidi expô-lo no blog porque acho que oferece um método simples e eficaz de dar a volta a uma série de situações que nos moem diariamente. No final do post, decidi acrescentar um sketch que apareceu num episódio da série Seinfeld.

"1. Um método que realmente funciona:
Ao receber uma chamada de telemarketing a oferecer um produto ou um serviço, diga apenas, com toda a cortesia: "Por favor, aguarde um momento...". Dito isto, deixe o telefone sobre a mesa e vá fazer outras tarefas (em vez de simplesmente desligar o telefone de imediato). Isso vai fazer com que cada chamada de telemarketing para o seu telefone tenha uma duração longuíssima, ultrapassando em muito os limites impostos ao indivíduo que lhe ligou. De vez em quando, verifique se o sujeitinho ou menina ainda está em linha. Reponha o telefone na posição de repouso apenas quando tiver a certeza de que desligaram. Não tenha dúvida de que esta é uma lição de custo elevado para os intrusos.

2. Já alguma vez lhe sucedeu atender o telefone e parecer que não há ninguém do outro lado?
Se sim, fique a saber que esta é uma técnica de telemarketing executada por um sistema computorizado, o qual estabelece a ligação e regista a hora em que a pessoa atendeu o telefone. Esta técnica é utilizada por alguns serviços de marketing para determinar a melhor hora do dia em que uma pessoa dos serviços poderá ligar-lhe, evitando assim que o "precioso" tempo de ligação deles venha a ser desperdiçado, se não encontrar ninguém em casa. Neste caso, ao receber este tipo de ligação, não desligue. Ao invés, pressione imediatamente a tecla "#" do aparelho, seis ou sete vezes seguidas e em sequência rápida. Normalmente, este procedimento confunde o computador que discou o seu número, fazendo-o registar que o número é inválido, eliminando-o assim da base de dados.

3. Publicidade inserida nas contas recebidas pelo correio.
Todos os meses recebemos publicidade indesejada inserida nas contas de telefone, luz, água, cartões de crédito, etc. Muitas vezes essa propaganda vem acompanhada de um envelope-resposta (RSF) que "não precisa de selo". Insira nesses envelopes pré-pagos a publicidade recebida e coloque-a no correio, endereçada de volta a essas companhias. Caso queira preservar a sua privacidade, antes de inserir a publicidade no envelope remova todo e qualquer item que possa identificá-lo. Este é um método que funciona excelentemente para ofertas de cartões, empréstimos, e outro material não solicitado. Portanto, não atire fora esses envelopes pré-pagos! Ao devolvê-los com a propaganda recebida, está a fazer com que as referidas empresas paguem duas vezes pela publicidade enviada. Se quiser adicionar uma pitada de malvadez, aproveite para inserir anúncios da pizzaria do seu bairro, da lavandaria, do dentista, de canalizadores, fabricantes de marquises de alumínio, ou qualquer outro item inoportuno que esteja à mão.”

Num episódio do Seinfeld aparecia a seguinte cena:
Quando telefonarem para casa com publicidade ou alguma forma de mostrar as vantagens de um determinado produto ou serviço, bata pedir a essa pessoa para dar o seu número de casa de modo a que possam telefonar mais tarde, e expliquem que nesse preciso momento não podem atender. E quando do outro lado disserem que não o farão, ainda que o justifiquem, digam apenas o seguinte: “ah, deve ser porque você não quer ser incomodado com telefonemas quando estiver em casa… então agora já sabe o que eu sinto!” E desliguem o telefone imediatamente.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Roupa, odores e furgões de carga

Há odores que se reconhecem e outros que não. Há odores bons e maus. Mas aquele cheiro típico da roupa que se compra no mercado não tem definição possível. Não é todo mau, mas também não tem alguma coisa de bom. É assim uma essência de tudo um pouco mas que nada tem de semelhante com poutpourri ou uma qualquer outra mistura de cheiros. É de facto um odor de difícil descrição. Aliás, não me parece que haja alguém que, no seu perfeito juízo, queira ir mais além do que eu nesta caracterização. É daquelas fragrâncias que não vale mesmo a pena explicar, é assim e pronto! A melhor coisa é andar por lá, conviver de perto com a população, aproveitar as pechinchas mesmo que sejam da candonga, e lavar tudo muito bem quando chegar a casa… ou não! Que me lembre, ainda não vi tendeiros ou ciganos (atenção que isto é um texto que se quer cómico, sem dúvida exagerado, mas sem ponta de malícia) no Hospital ou no Centro de Saúde que não fosse por acidente – pancadaria, facadas, ferimentos de bala ou chumbos de caçadeira… pois, acidentes! – e se eles deixam as crianças andarem por todo o lado sem grandes preocupações ou atenções exageradas no que diz respeito à higiene, isso só pode significar que criam mais defesas e se tornam imunes a mais enfermidades e maleitas comuns. Pensando bem, talvez o ideal seja andar sempre com roupa comprada no mercado e usá-la sem a lavar. Mas se assim for, estou já a ver que alguém idiota e com jeito para o negócio possa trazer para a realidade um conceito que sempre esteve no lado da fantasia e do humor cómico (haverá outro tipo de humor!?): a Boutique São Braz! Esta só resulta para quem vive em Évora, mas posso dar outros exemplos: Bazar da Rotunda do Relógio, Loja da Ladra, e por fim uma feira tipo outlet na FIL, só com material transportado em furgões.
E para fechar este post marado, só mesmo uma reflexão muito parva: já repararam que os tendeiros nunca têm carrinhas Renault Traffic e só Ford Transit? É porque eles não traficam nada, o material deles anda sempre em trânsito.
Espero não ter ferido susceptibilidades com este post, pois além de machista e totó, não quero que me apelidem de “etnicamente preconceituoso”.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

My name is Gore, Al Gore!

Valeu a pena ter lá ido. Pela vitória na sua categoria, pela mudança de atitude provocada e muito bem conseguida, mas principalmente pela boca genial e destabilizadora da Ellen DeGeneres sobre a eleição que ganhou mas perdeu ao mesmo tempo, que se não estivesse lá pessoalmente nunca teria resultado tão bem. Muito bom!
Way to go Mr. Gore!!!

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Dobra de cima ou dobra de baixo?

Há questões imortais e dúvidas existenciais que provavelmente ficarão para sempre sem resposta, por mais que nos debrucemos sobre elas, mas haverá um bom punhado com respostas passíveis de serem descobertas, se nos empregarmos a elas com vontade, dedicação e um verdadeiro espírito de missão. Vivo sozinho e tenho em mãos, entre muitas outras, a aborrecida tarefa de fazer a cama, e surgiu-me uma dúvida que talvez tenha várias soluções, mas sem dúvida apenas uma interpretação. A questão é: “quando fazem a cama, qual é a dobra que deixam com mais lençol, a de cima ou a de baixo?” Quero dizer, o que é que preferem ter a moer-vos o juízo durante o tempo útil de um jogo de lençóis na vossa cama, a dobra de baixo, que resulta invariavelmente na falta de lençol quando ao fim de dois ou três dias ele se solta do colchão e lá acordamos a meio da noite com aquela aragem demoníaca que nos põe os pés frios, ou para evitar isso deixamos tudo demasiado compacto e entalado que damos cabo de um tendão durante a noite tentando arranjar espaço para rebolar na cama, ou a dobra de cima, que se solta com bastante frequência, deixando os cobertores sem norte, e pior, quando temos a coberta puxada até cima e aqueles berloques de tiras de tecido enroladas, tipo tranças, nos fazem comichões durante a noite, porque o lençol está curto e aquela aparente organização acaba por resultar, noite após noite, em tumultos penosos e fatigantes que nos levam o sossego em troca de horas de sono mal dormidas? Porque é que não fazem lençóis com medidas standard que sejam decentes!? Alguém me consegue dizer onde se fazem lençóis por medida, para eu ter um lençol de cima com meio metro para cada dobra e dormir descansado? No Verão não há destes problemas, mas o Inverno não são só duas semanas, e isto dá cabo de um gajo!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Crank

Ontem à noite vi um filme fantástico. Não que fosse um conceito novo, mas é sem dúvida original na forma e conteúdo. "Crank" conta com Jason Statham no principal papel e foi muito bem escolhido. Este actor só tem feito filmes deste género, mas este superou todas as minhas espectativas e deixou-me de rastos. Muitas vezes se ouve dizer que este ou aquele filme parece uma viagem de montanha russa, mas de certeza que esse adjectivo só se aplica certamente a este filme. Tudo se passa a uma velocidade frenética e constante, verdadeiramente brutal! A história não traz nada de realmente novo a não ser pelo ritmo que impõe à acção, e a forma como está filmado e editado, juntamente com a fotografia e os efeitos visuais (sim, quase nenhuns efeitos especiais… CGI e outras merdas em computador) é genial. Os realizadores dizem que quiseram fazer um filme que fosse como um jogo de vídeo, a grande velocidade e com muita intensidade do princípio ao fim, e sem dúvida que isso transparece. De acrescentar que Jason Statham faz todas as cenas perigosas sem duplos – podem não gostar da série Mission Impossible, mas o facto do Tom Cruise fazer tudo sozinho, faz uma grande diferença – e isso acrescenta realismo ao filme. Há uma cena de luta filmada num helicóptero a 3000 pés de altitude que é um mimo, fantástica! O filme começa logo num ritmo alucinante e não mais acalma até terminar de forma inesperada… ou não! Recomendo vivamente, muito bom! 5*

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

O mito do lenço de papel

O melhor amigo da mulher não é o contraceptivo, a maquilhagem ou os diamantes, é sem dúvida o lenço de papel. Sabendo isso, a melhor coisa a fazer é não as tratar mal nem tão pouco deixá-las a chorar, senão enchem-nos a casa e o carro de lenços de papel amarrotados como se tivesse havido uma espécie de batalha campal. É nos móveis, escondidos por entre os biblôs, na despensa em cima do frigorífico, na mesinha de cabeceira ou mesmo entalados entre o colchão e a armação da cama, eles aparecem onde menos se espera. Mas o mais impressionante é que elas podem estar num sítio qualquer e nem precisam da malinha do Sport Billy, podem estar no meio da praia, só em bikini e sem mais nada, mas quando for preciso lá aparece um pacote de lenços de papel como que por magia, é deveras impressionante!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Nem por isso, e hoje é dia de fessta!

Pegando no post anterior, nem tudo são desgraças! Há por aí tanta coisa boa, e este blog que vós tanto apreciais já conta com dois aninhos de vida, celebrados hoje, com 425 posts e mais de 8200 visitas. É obra!! Obrigado por irem aparecendo e por darem sinal disso. Alguns de vocês, parece-me, até vêm cá com mais frequência do que eu, o que não me parece normal ou justo, mas eu faço os possíveis por ir postando todos os dias, ou quase. Nem é por falta de ideias ou disponibilidade que não venho tantas vezes como vinha, porque se arranja sempre um pedacinho de tempo e o meu ficheiro de Word das ideias já conta com 11 páginas e cada uma delas com 68 linhas de texto (entenda-se, ideias!), é mesmo porque não tenho net em casa. Mas além de isso ir mudar brevemente, a motivação aguça a inspiração e em qualquer bocadinho aqui passo para dar cor a este espaço. Por falar em cor, tenho tido vontade de alterar o aspecto do blog, mas acho que se perde tempo com isso e parece-me que o que interessa de facto é o conteúdo, e esse vai manter-se sempre assim, prometo! Um forte abraço para os amigos e um entusiástico cumprimento para os desconhecidos.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Isto é só desgraças!

Agora ao final da tarde, estava em casa com a minha mãe e a minha avó, elas assistiam às notícias – não só as da TVI, correram os vários canais portugueses – e diz a minha avó:
- “Ai credo, é só desgraças e violência, desliga lá a televisão filha!”
A minha mãe concordou e disse:
- “Pois é, de facto isto até arrepia. Fico mal disposta com estas imagens!”
Vi-as desligar o aparelho, fui à casa de banho, e passados três minutos voltei e estavam elas a falar de doenças e de uma senhora que tinha perdido um braço no elevador e outras coisas do género carregadinhas de gore. Vá lá perceber esta gente! Esta última frase não tem nada de machismo, pois não quis dizer “as mulheres”, e também nao é nada contra a minha família, que até está bem atestada de gente insana. Foi só um apontamento humorístico para o final de tarde de sábado num fim-de-semana de Carnaval… ninguém leva a mal.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

A tradição já não é o que era

Tenho andado a reflectir sobre todos nós, o país, o nosso futuro como sociedade e deparei-me com o seguinte pensamento: com tanta experiência que os portugueses têm com certas actividades desportivas e de lazer, como os touros de morte, a matança de porcos, a caça, e até algumas ilegais como as lutas de cães e galos, não sei como é que de vez em quando não desaparece um político ou outro sem ninguém dar por isso. Tem havido greves, o descontentamento é geral, a desconfiança nos políticos é assumida, só pode ser falta de motivação ou cobardia. Não sou um tipo violento, e nunca faria tal coisa, mas com tanta gente louca e tanto desespero que se vê diariamente, talvez seja uma questão de tempo. Já estivemos mais longe de Angola e Brasil na lista dos países mais corruptos. Já agora tratava-se de tudo de uma só vez: empresários e políticos como bonecos em carreiras de tiro para resolver a questão do aquecimento global e da corrupção, assim de uma forma meio darwiniana.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

“Vá lá um copito, homem!”

Hoje estive em casa de um cliente que me obrigou, e a palavra utilizada é a correcta, a provar o seu abafado caseiro. Enquanto eu lhe pedia encarecidamente para não me fazer tal coisa, pois ainda havia mais de 100Km para fazer e que tinha como princípio não beber quando conduzo, lá ia ele dizendo que não tinha quase álcool nenhum, que era caseiro e fraquito. Como argumento derradeiro referi que não comia nada deste o meio-dia, e aquele episódio passava-se às 18h. A prova foi então um copo de shot cheio até cima e o senhor lá foi dizendo de forma a aniquilar toda e qualquer tentativa de fuga: “então mas um homem desse tamanho, acha que isso lhe faz diferença, alguma vez isso lhe faz mal?” Ainda nem tinha acabado de proferir estas palavras já me estava a pôr o copo na mão. Bebi aquilo de uma vez, poi’satão, e de facto era bom, e forte! Nesse preciso momento o sr. prega-me com uma fatia de bolo finto nas unhas dizendo o seguinte: “vá, esta é pró caminho!” Como se costuma dizer, contra factos não há argumentos, e vá lá que não foi outro copo e o sr. lá percebeu a minha preocupação. Escusado será dizer que vim cantando o caminho todo!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Epá, pronto, este é o último post sobre o aborto!

Portugal lá vai encarreirando naquele que é o percurso da esmagadora maioria dos países europeus civilizados.

Digamos que vamos entrando finalmente no século XXI, mas não sendo esse o propósito e tão pouco uma consequência desejável, este referendo mostra-nos que existem dois países dentro do mesmo território.
Um que quer ser mais solidário e humano, e outro onde se vive agarrado a dogmas e convicções ultrapassadas que se opõem claramente à evolução natural das mentalidades.

Seja como for, e ainda que a passo de caracol, lá vamos andando e mudando, crescendo e amadurecendo, e congratulo-me com este isso, aliás, dou os parabéns a todos e não só às mulheres, a todos! Ainda assim, ao reflectir sobre os resultados, apercebo-me das grandes diferenças entre os tais “dois países”: a norte e a centro, excepção feita ao Porto e a Castelo Branco (não me lembro se houve outros e vou mencionar as ilhas de propósito, não quero falar sobre a Madeira, já chega de tristezas), todos votaram não, e no sul votou-se sim… onde é que eu quero chegar com isto!? Pois bem, lá em cima eles são muitos e são praticamente todos primos, e agora vai ser mais fácil controlar o nascimento de gente lerda porque, com o devido acompanhamento e o tão desejado planeamento familiar, vai nascer muito menos gente poucochinha e talvez este país venha um dia a ser uma coisa de jeito e motivo de orgulho para quem o habita.

O meu sonho é acabar com tudo o que é kitsch, com a música pimba, etc., e tenho esperança que este é o caminho mais certo e seguro para lá chegar, e que será feito de forma cada vez mais consistente e coerente.

Depois da eleição de Cavaco Silva para presidente da república e do resultado do referendo de ontem, tendo em conta os opostos e tudo o que está no meio, já acredito que tudo é possível neste país.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Aborto e Democracia

Sinceramente, depois de tanta coisa dita e escrita, por mim e muitos outros, em blogs, jornais, rádios, televisões, tertúlias, debates públicos, comícios, etc., só me resta acrescentar o seguinte: a nossa Democracia tem mais de 10 semanas, é certo, mas ainda é novinha.

Por favor sejam exigentes com vocês próprios, tal como são com os vossos governantes, e exerçam o vosso direito e dever cívico… pelo sim ou pelo não, votem! Não sejam mais peso no prato da balança que pende para degenerescência desta Democracia que ainda vai a tempo de resultar em aborto espontâneo.

Ainda têm perto de duas horinhas, levantem o cu do sofá e vão votar!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

"Minha alma está parva..."

...dizia a minha mãe em voz alta enquanto acompanhava a notícia que dava a conhecer a alteração de opinião do Major em relação à questão do aborto... "no domingo, em Gondomar toda a gente vai votar... e cá o Valentim, vai votar SIM!"
Ah valente!!

Abortos, crânios e cromos

A questão do aborto é bem mais complicada do que aparenta, pois há pessoas que já são as e são uns verdadeiros abortos, só que ninguém as matou (ainda).

A vida começa no início e acaba com a morte, não há dúvidas quanto a isto, mas será que somos humanos quando somos gerados, quando temos todos os órgãos a funcionar e um sistema nervoso central, quando nascemos, quando crescemos e amadurecemos, ou apenas somos seres humanos quando somos humanos? O aborto é um problema de saúde pública e uma questão de ética, não uma questão de moral. Ao fim de tanto tempo, será possível que a religião ainda se imiscua tanto na política!?

Todos somos pessoas, alguns de nós são humanos, mas muito poucos serão verdadeiramente políticos.

A Política não é a politiquice a que se assiste na maior parte das situações, muitas vezes firmada em interesses pessoais, começa em coisas simples como uma disputa entre vizinhos e acaba em discussões de interesse universal. Acabo este post com uma frase belíssima e muito pertinente: “o cérebro é uma coisa fantástica, toda a gente devia ter um”!

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Digno de um filme de terror

Não condeno nem julgo ninguém, mas posso criticar. Haverá em ambos os lados desta luta ideológica, gente motivada e verdadeiros militantes, mas parece-me que só de um dos lados é que surgem fanáticos capazes de proferir as maiores barbaridades e crueldades. Não cometam o erro de pensar de outra forma, isto é uma luta entre dois países, um que se quer moderno, evoluído, civilizado e humano, e outro parado no tempo, virado para dentro, cinzento e salazarento. Aqueles textos que temos visto circularem nos colégios e infantários geridos pela igreja são dignos de um filme de terror, mas daqueles cheios de gore, sangueira e tripas à fartazana. É incrível como essa gente consegue ser cínica e hipócrita, condenando a violência por um lado, e sendo percursores deste tipo de ofensica por outro, porque aquilo não é mais do que um ataque ao bom senso e à sensibilidade de cada um. Sou contra tudo o que possa chocar as crianças: violência doméstica, abusos e maus tratos de qualquer ordem, exageros desmedidos e tentativas de “compras” de afectos por parte dos pais, acesso a filmes e desenhos animados violentos, e principalmente padralhada capaz de certo tipo de excessos. Como é que isto é possível nos dias de hoje? Há quanto tempo se deu o salto da Idade Média para o Iluminismo e Renascimento? Nem todas as religiões são iguais, percebo isso, mas de facto a igreja católica é decadente, obscurantista, medíocre, e parada no tempo. Tresanda a bafio! Defendam a vida, ok, tentem mostrar que é um mau princípio, tudo bem, fundamente isso na bíblia e nos “ensinamentos de deus”, até chupo isso, agora o que eu não admito é que usem as crianças para atacar os pais, e de uma forma tão cruel. Deviam ter vergonha! Não sou religioso e não acredito em deus, mas pelas regras em que eles se apoiam, talvez merecessem ir para o inferno!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Experiências, gatos e bófias simpáticos

Hoje decidi trazer os meus gatos de casa dos meus pais para a minha nova casa em jeito de experiência. Acontece que eles já têm cinco anos, são adultos, e pesam à volta de 6Kgs cada um. Não foi nada fácil trazê-los no carro, usei uma gateira que normalmente serve apenas para um gato, estive com eles aqui em casa desde as 19h até às 0h40, e passaram o tempo todo num desatino e numa aflição terrível. Acabei por decidir levá-los de volta, ou acabava por não deixar ninguém dormir no prédio inteiro. Na primeira viagem eles vinham na caixa do carro comercial sem a chapeleira, e como fizeram um escarcel dos diabos, decidi levá-los de volta ao pé de mim na parte da frente do carro. Escusado será dizer que gateira para um, que é de plástico, cedeu e os gatos saltaram cá para fora. Ainda fiz 2 ou 3 Kms com os gatos a passarinharem-se entre o banco do passageiro e o tabelier, até que sou mandado parar pela GNR mesmo quando um dos gatos estava em cima das minhas pernas e outro entre o meu pescoço e o apoio de cabeça do banco. Acreditem que não fiz fita nenhuma, apenas expliquei a situação e brinquei com o facto do geninho, provavelmente, nunca ter visto uma cena daquelas, e de facto referiu que não. Mostrei-lhe os documentos mesmo sem ele pedir, apenas confirmou que tinha de ser, e depois de algumas gargalhadas e de lhe ter explicado que o meu destino ficava a escassos 500m, ele lá anuiu e deixou-me seguir. Nem bocas foleiras nem uma multa, e tudo aconteceu em apenas três minutos, com uma frincha de vidro aberta de cerca 2 cm. O bófia foi simpático e um porreiráço. Só não me sai o Euromilhões (também não jogo), porque eu antecipei o filme todo ainda os gatos não se tinham soltado.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Ecran meu, ecran meu, haverá alguém mais idiota do que eu?

Sinceramente, só eu para sonhar com alguém que não existe, numa situação muito pouco provável, com um efeito altamente impensável, acordar com mau feitio e passar parte do dia chateado a pensar nisso. Será que sou só eu ou mais alguém padece deste tipo de problema!? É que não é só uma ou duas vezes por ano, é mais uma ou duas vezes por mês, com pessoas e situações diferentes, cenários múltiplos e diversos, mas sempre ricos e extremamente reais. Sempre fui assim, mas nem sempre são coisas desagradáveis. Noutro dia sonhei com uma música tocada e cantada pela Norah Jones e pelo Bem Harper, já procurei na net e isso não existe, mas a música era excelente. Muitas das minhas músicas, letras e posts neste blog, são escritos durante a noite, e alguns deles até a dormir – sou sonâmbulo. Tudo o que é bom tem o seu lado mau, o tal reverso da medalha, mas nisto dos sonhos, o que é mau dura sempre mais tempo e perturba muito mais. Vamos lá ver como é que acaba este dia e como acordo amanhã.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

O verdadeiro espírito motard

O melhor de um dia típico de Inverno é um passeio de mota. Parece estranho? Passo a explicar… Quando se anda de mota, e é óbvio que isso não é para todos, além de uma preocupação mínima para se fazer uma condução defensiva (de mota nem há outro tipo de condução possível), a sensação de liberdade é mais que muita e nem se pensa no frio. Aliás, só se repara nisso quando se pára, verificando que se está bem melhor assim, mas logo que se volta a ter sensação nos dedos das mãos e os pés respondem ao mínimo estímulo, está-se pronto e com vontade para seguir viagem. É a união entre homem e máquina numa simbiose perfeita que proporciona a ambos, momentos de prazer e liberdade singulares e irrepetíveis. Cada volta, cada passeio, cada viagem, são únicos e envoltos num gozo e satisfação, pouco mais descritíveis do que estas linhas que vos escrevo, só mesmo experimentando! Para quem vê muitos filmes americanos, andará perto da imagem que eles querem fazer passar das artes marciais e do surf, altamente envoltos em espiritualidade e união entre mente e universo… será qualquer coisa assim, o verdadeiro espírito motard, que (quase) nada tem a ver com admirar badochas sem soutien e apenas com uma t-shirt molhada, beber cerveja do barril, snifar gasolina super e ouvir hard-rock até cair para o lado. Andar de mota é belíssimo, seja quando e como for. Recomendo vivamente!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Dica culinária: ovos

Tinha dezenas de outros locais para apontar isto, postit no frigorífico ou um "txt" no desktop, mas decidi escrever este post para ter como recordar sem necessidade de fazer um ou dois telefonemas, e de certa forma também para partilhar. É que de facto é uma coisa tão dicotómica que não sendo utilizada todos os dias acabo por esquecer. Quando se faz o teste dos ovos para saber se ainda estão em condições, eles estão bons quando bóiam ou quando vão ao fundo? E a resposta, para os interessados e sem dúvida para os esquecidos é… estão bons quando vão ao fundo!
Para os esquecidos está feito o trabalho, mas para os interessados aqui fica a descrição de todo o processo:
1. encher uma tigela com água da torneira (Evian é cara e depois fica contaminada com caca da galinha, perdendo qualquer possibilidade de voltar a ser ingerida posteriormente) de forma que seja possível submergir completamente um ovo de galinha (o que também dará para ovos de codorniz mas será completamente impossível para ovos de avestruz), não se preocupem que não afogam o pintainho
2. colocar o ovo em questão dentro da tigela
3. observar o resultado
4. …não, o resultado já expliquei no princípio do blog, ide relê-lo, ide!
5. comentar este post fantástico
6. desligar a net e o pc porque está quase a dar o Dr. House
7. não, já chega de pornografia cibernética, tudo o que é demais enjoa!
8. este ponto já não interessa porque o pc já está desligado
9. o que é que eu disse!? vá a ver!
10. agora demorem-se...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Pedido de desculpas

Há dias revi na televisão um filme que marcou muito a minha adolescência, embora o tenha visto em criança. É um clássico que não passa despercebido a ninguém, e tinha eu os meus oito anitos quando literalmente obriguei o meu pai a ir comigo ao cinema, na altura, ver a última filmaça do Stallone, o Cobra. Como era puto não liguei à sua reacção e fiz trinta por uma linha até o convencer. Lá fomos ver o filme e escusado será dizer que gostei, e o meu pai aguentou-se como um senhor até ao final. Imagino a agonia que foi passar uma hora e meia a ver aquele filme, rodeado de gaiatos a grunhir, a atirar pipocas e a sorver coca-cola por palhinhas numa agitação digna de uma ópera de Wagner, mas não havia outra pessoa em quem eu confiasse tal tarefa, e por incrível que pareça, o filme era para menores de doze anos – alguém sofria de uma séria dependência do alcool na Comissão de Classificação de Espectáculos naquela altura (a julgar pelos títulos inventados nas traduções, essa pessoa ainda não se reformou). Até então, tinham sido muito poucos os filmes vistos em cinema e essa diminuta lista contava com o E.T. à cabeça, já estão, portanto, a ver o dramático que foi o salto de um filme para o outro em tão pouco tempo (1982–1986). Parecia ter um futuro tão promissor e cheio de esperança aos meus cinco anos e tinha de dar naquilo aos oito, mas hoje está tudo bem, e é exactamente por isso que eu escrevo este post tão pessoal. Pai, depois de ter lido a obra completa de Kafka e outras atrocidades que cometi sobre mim mesmo e a minha personalidade enquanto adolescente (I was young, I needed the money!), não te escrevo uma carta, mas um sincero e público pedido de desculpas. Não o devia ter feito, mas era apenas uma criança e sinto com muita convicção que a minha evolução pessoal e a caminhada rumo à maturidade se precipitaram precisamente depois de ter visto aquele filme. A minha inocência foi contra a parede e vi-a escorrer em sangue pelo meio de buracos de bala, cortes de faca (tinha aquela pega com picos, nunca mais esqueci) e reflexos do lazer apontador vermelho, mas hoje considero-me uma pessoa equilibrada e em harmonia, mesmo porque vi aquela porcaria naquele preciso momento. Valeu a pena o esforço, obrigado.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Post assim tipo Maria

Hoje, ao pôr desodorizante em forma de vaporizador, falhei a axila, veio uma boa porção para a cara, cheirei e engoli. Ainda tenho aquele sabor horrível na boca. Será que vou ter um cancro?
Buahahahahahahahah! lol

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Jipes, t-shirts e organização

Anda por aí uma moda muito estranha. Só vejo jipes e pickups com autocolantes a dizer “organização”.

Por todo lado os vejo estacionados ou me aparecem à frente em andamento e não se percebe o que isso signifique.

São jipes comuns, sem pinturas ou outros autocolantes característicos, apenas aquele com a palavra “organização”.

Mas não é só isto que me faz confusão, também já tenho visto pessoas com t-shirts a dizer “staff”. Ora, em bares, discotecas e num festival faz sentido, mas assim do nada? Esta malta anda a trabalhar para quem!?

Nos dias que correm, com o controle constante que é possível e de certa forma feito, dos nossos hábitos de consumo, para onde nos deslocamos e viajamos, e o que, de um modo geral vamos, fazendo, já vai sendo normal a sensação de perseguição e a permanência num estado de ansiedade constante.

Pensando bem, acho que vou mandar fazer um desses autocolantes para colocar no meu carro. Pode ser que passe despercebido e não me chateiem com multas de estacionamento, por exemplo.

Em relação à t-shirt, vou mandar fazer uma, vesti-la e usar o auricular com fio do telemóvel e tentar esgueirar-me nos espectáculos sem pagar.

"Se não os podes vencer..."

domingo, 21 de janeiro de 2007

O espaço e tempo de um momento…

Para me refazer da confusão criada pelo último post, e porque recebi comentários (mail e telemóvel) referindo a forma lamentável como tinha deixado o blog descair tanto com um post tão básico, decidi voltar a falar de coisas sérias – a malta anda mal habituada, posts simples de puro entretenimento também são interessantes (ou não!). Vi há dias o documentário do Al Gore, An Inconvinient Truth, e tirando um ou outro facto científico e algumas estatísticas mais actuais, nada do que era revelado naquela palestra soa a novidade para mim, mas nem por isso me deixa de surpreender, aliás, escandalizar! A forma simples e acessível como foi escrito e montado aquele documentário em género de longa-metragem, só não fere a susceptibilidade a quem for feito de pedra. É impressionante a forma diletante como temos vindo a apoderar-nos de tudo. Primeiro o espaço (físico), depois os recursos, e agora todo o planeta em si. Se pensarmos bem, o conjunto das decisões que tomamos são responsáveis por tudo o que fazemos, e se cada acção tem a sua consequência, as reacções anormais que se têm vindo a registar a nível climatérico e meteorológico nos últimos tempos, só podem querer dizer que já passámos o ponto de não retorno face ao que a natureza consegue aguentar até ter de reagir, como é naturalmente seu apanágio. Se desequilibramos e pomos em causa a harmonia que regula tudo o que é vida, só uma reacção aparentemente desproporcionada e bruta pode restaurar a estabilidade necessária. Mas será que se tornou irreversível esta espiral descendente em direcção ao abismo? Será de facto impossível voltar atrás e passar por cima dos erros cometidos, agora que temos a certeza da direcção que tomámos ser errada e sem sustentação? Todos os indicadores apontam para um redondo e corpulento sim, mas há esperança e a motivação é sempre a de subsistir. Não há satisfação individual sem a luta interior típica de quem se bate por um futuro, e esse, ameaçado pela iniquidade e pela ganância de alguns que desafiam a felicidade de todos, já parece estar seriamente comprometido e de forma alguma haverá a capacidade de existirmos como civilização humana se nos deixamos permanecer neste estado de dormência e inépcia geral. Há que levantar a cabeça, olhar mais além e perceber que o que é certo tem de ser, o que tem de ser tem muita força. Abram bem os olhos, sintam a energia da vida, deixem-se imbuir do espírito da verdadeira inteligência e aptidão humana e façam por merecer tudo aquilo que vos foi dado como privilégio e não por direito. As coisas só são nossas num determinado prazo, a propriedade e o sentimento de pertença são risíveis e altamente voláteis, a própria vida é fugaz, e nada do que temos à nossa volta é garantido, havendo sempre a real possibilidade de tudo isto desaparecer no espaço e tempo de um momento. Reciclem, poupem e economizem recursos, larguem a televisão, levantem o cu do sofá, façam desporto, não comam porcarias, evitem as “pré-ocupações” e as filas de trânsito, exijam mais e melhor dos vossos governantes (deponham-nos e candidatem-se caso eles não vos dêem ouvidos), informem-se, eduquem-se, votem sim no referendo, façam sexo e o amor até cair para o lado, aproveitem para se divertirem, sejam felizes, e já agora… não há mal nenhum nos decotes da Rita Pereira preencherem capas inteiras de revistas – é saudável! E tenho dito.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Séries, suores frios e mamas grandes

Epá, há duas coisas que não se fazem e tão pouco se pedem e estão nos antípodas da escala que as mede. A cena de ontem da série Nip Tuck, por sinal mais uma série americana que promete, em que o puto faz uma (ichhhh, só de pensar nisso!) circuncisão a ele próprio, e a capa de uma revista portuguesa que hoje vislumbrei, com bastante entusiasmo e excitação, na banca de uma papelaria. A primeira provocou-me um profundo mau-estar físico e psicológico que durou a noite toda, invadindo-me o sono sob a forma de pesadelos e suores frios, e se arrastou por grande parte da minha manhã de trabalho, só terminando quando comecei a imiscuir-me por entre pessoas numa qualquer terriola tipicamente alentejana, onde há sempre pessoas interessantes a contar histórias curiosas que extravasam os limites da própria conversa, entre essas mesmas pessoas, pois há sempre quem esteja à coca e com vontade de aprender – a minha sorte foi hoje não ter sido dia de dentista na clínica onde trabalho às quartas-feiras, senão o pesadelo prolongava-se o dia todo. A segunda, bem mais simpática, prende-se com a capa de uma revista feminina portuguesa que está neste preciso momento nas bancas (ide ver que não vos arrependeis) e que ostenta, de forma assombrosa e quase a roçar a escandaleira monumental, o peito da Rita Pereira que enche quase por completo a face da página. Escusado será dizer que fiz uma completa e total figura de urso enquanto o empregado de balcão me ia perguntando o que queria e eu não dava cavaca. Estive nisto durante uns bons quinze segundos que mais pareceram uma eternidade ao tipo, mas altamente fugazes para mim, mas de facto não tive a mais pequena intenção de comprar a revista, que nem faço puto de ideia qual seja, pois não tomei a mínima atenção à literatura nela patente …na capa, que eu desse por isso, e julgando apenas e só o decote, a Rita não tinha nenhuma tatuagem na barriga. Moral da história, depois de vinte minutos atribulados sem caber em mim de contentamento (não disse “literalmente”, pois não? Deixem-se de merdas!), agora já estou mais sereno. Sem dúvida que depois de tanto desassossego e calculando bem o rácio entre a cena desagradável de ontem e a fantástica revelação de hoje, o saldo é francamente positivo. Dijei-de cummigo: "bem dita sejas, oh grande Rita Pereira, proporcionada e harmoniosa deusa!"

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Chico-espertismo, o reverso da medalha

Continuando no campo da justiça (social), e porque este país está mal e todos os esforços para contrariar o que já vai parecendo irreversível revelam-se inúteis, parece-me de facto haver uma solução para algumas daquelas nefastas e eternas questões. A ideia será pôr os chicos-espertos, que são realmente mais do que as mães – a taxa de natalidade tem vindo a decrescer mas ainda assim vão nascendo chicos-espertos e na esmagadora maioria são do sexo masculino – a trabalhar para o bem da comunidade. Ok, bem sei que parece um paradigma, mas penso que é possível e altamente viável, senão reparem: quando os melhores piratas informáticos são caçados, colocam-nos a trabalhar para as autoridades, e o mesmo poderia acontecer com os chicos-espertos. Trata-se de os apanhar, não necessariamente em flagrante porque toda a gente sabe quem são, para os pôr a colaborar inter e proactivamente com instituições como o DIAP, a PJ, as Finanças, a Segurança Social, etc. Os que fossem realmente apanhados teriam penas acessórias de trabalho cívico para impedir que outros fizessem o que esses tão bem sabem fazer, assim na lógica do it takes one to know one. Para aqueles que nunca são apanhados, porque não se consegue ver bem a sua matrícula, ou o vizinho é mole demais para agir, ou quem sabe dele até é amigo de infância e outras razões do género, há uma forma de os ir amolecendo através do receio de serem apanhados. Não será bem uma forma de tortura de terror, talvez assente mais numa noção de coação passiva. A ideia de fazer listas de devedores e publicá-las é genial, quer seja a nível central ou ali na mercearia do bairro, mas há outras possibilidades do mesmo género, por exemplo: quando vamos na estrada e nos fazem sinais de luzes, e refiro-me a mais do que um carro, porque um ainda nos deixa na dúvida, temos sempre a tendência para abrandar na expectativa de avistarmos um jipe da GNR ou uma operação stop da BT, pois bem, todas as forças policiais podiam e deviam andar na estrada em carros descaracterizados a fazer sinais de luzes a quem passa como se não houvesse amanhã, e essa era uma forma de andarmos todos acagaçados e respeitarmos os limites de velocidade que já por si são para cumprir mas muito poucos ligam a isso, e os velhos andam de vagar mas muitas vezes em contra-mão, por isso também não contam. Por um lado não se verificariam decididamente tantos acidentes, por outro não haveria tantos agentes da autoridade à beira da estrada a esconder as médias (os tipos não bebem minis, é mesmo médias porque não correm o risco de deixá-las aquecer) quando passam carros, parecendo desinteressados e sem mandar parar ninguém. Assim todos estaríamos instituídos de forma a actuar no sentido da organização social. Ok, todos menos os cegos, mas esses não causam acidentes de viação e tão pouco conduzem.
Há duas coisas em que os tugas são realmente bons e que me parecem ser a consequência lógica e inevitável uma da outra: o chico-espertismo e o desenrasque; era uma questão de se aliar uma à outra definitivamente, tornando-nos a todos conscientemente producentes.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Ele há leis para todos os gostos e feitios, façam uma que funcione!

Uma sociedade democrática, livre, fraterna e solidária é algo no mínimo fantástico, e para que essa ideia se ponha em prática é necessário que cada um dos indivíduos que a compõem se dediquem à tarefa, muitas vezes ingrata e utópica, de a fazer ser aquilo que apenas o é em potência. Uma sociedade é muito mais do que um espaço e um tempo nos quais estamos e vivemos, é um estado de espírito. O todo é mais do que as partes que o compõem. Nós somos muito mais do que rodas dentadas num mecanismo gigante que se quer operante, mas para que o seja, e é claro que existe esse nível primário de consciencialização, ainda que pareça mera abstracção, todos temos de trabalhar para o mesmo objectivo último e comum: a funcionalidade. Não é só coincidência que esta palavra rime com felicidade, acreditem. Se pensarmos numa pessoa capaz de ser feliz, teremos de conceptualizar alguém provido de todos os sentidos, munido de inteligência, dotado de livre-arbítrio, mas também alguém que se enquadre e encaixe no panorama geral que é a sociedade, pois para sermos saudáveis fisiologicamente o nosso corpo e os órgãos que o compõem têm de funcionar como um mecanismo perfeito, mas também para sermos funcionais temos de estar física e psicologicamente sãos, esta é a base e o ponto de partida para a chegada a um possível e muito desejado estado de felicidade. No que diz respeito ao livre-arbítrio, muitos já tentaram descrever o que será esta estranha característica que nos distingue, desde filósofos clássicos e modernos, passando por escritores, compositores, músicos e uma infinidade de anónimos pensadores, mas é algo de tal forma tão subjectivo quanto objectivo. Não se sabe bem o que é e nem todos sabemos bem o que fazer com tal coisa, e uns aplicam-no arrogantemente, outros ingenuamente, mas é sem dúvida algo que nos qualifica enquanto seres humanos e de uma maneira geral todos nós exercemos esse direito que nos assiste. Como não vivemos numa anarquia (já ou ainda!?) e sim numa democracia pluralista e representativa que se baseia no sufrágio universal, todos temos o direito e o dever de votar em consciência sempre que nos é pedido e permitido, e o referendo do próximo dia 11 de Fevereiro não é excepção.
Tenho assistido a muita gente regurgitar todo o tipo de disparates e despropósitos, mas também tenho apreendido opiniões inteligentes e extremamente lúcidas. De entre muita coisa, há duas que são factos incontornáveis: ninguém é a favor do aborto e uma vida é vida desde o momento em que é gerada. Tudo bem, acho que ninguém contesta, mesmo os idiotas que afirmam categoricamente que os defensores do sim estarão a possibilitar um irreversível abrir de portas a um crescente e exponencial sem número de futuros abortos, mas acontece que os abortos já se fazem, com ou sem controle e com ou sem monitorização, mas vamos a factos (por tópicos):
- já se fazem abortos
- não há uma mulher que seja, que não sofra psicologicamente com a ideia, o acto e a consequência de um aborto
- existe uma lei que permite haver abortos sob vigilância médica para situações muito especiais (violações, etc.)
- esta lei não é cumprida
- existe a prática de abortos clandestinos
- há quem ganhe rios de dinheiros com isso
- muitas mulheres que fazem abortos clandestinos sofrem fisicamente, podem ficar sem a capacidade de ter filhos e até se sujeitam a morrer na altura ou com as complicações que daí podem advir
- muitas mulheres que fazem abortos clandestinos acabam por se ver apanhadas nas malhas da justiça, presas e julgadas como criminosas
- o aborto é considerado crime, não por uma questão ética ou moral, mas pura e simplesmente porque existe uma lei que assim o aprecia
Como referi anteriormente, não se põe em causa que um feto seja uma vida, que seja capaz de aprender ou registar sensações (sensações e não emoções), mas não é ainda um ser humano no verdadeiro sentido do termo. É um ser, sem dúvida, uma vida, mas…
- não é mais importante do que os seus pais
- não é obrigatório que venha ao mundo se estiver destinado a sofrer de uma doença ou de privações porque os seus progenitores ou a sua família não têm as mínimas condições de sustentabilidade
- ou que seja filho de alguém que leva uma vida desastrada ligada à prostituição ou a drogas
…entre alguns outros exemplos, não muitos, mas alguns. O que verdadeiramente interessa mudar é a forma como se tratam as mulheres que se submetem a abortos, porque vamos ser francos e honestos, sempre se fizeram e sempre se farão abortos, não há lei, referendo ou opinião que alguma vez venha a mudar isso, e de certa forma, se o sim vencer, será muito mais fácil controlar quem comummente utiliza o aborto como forma de contracepção. Porque também haverá quem o faça com esse propósito e de facto não está certo. Além de se alterar ou fazer uma nova lei, há que mudar as mentalidades e a forma como se encara o planeamento familiar, e se isto tiver de ser imposto, pois que se faça também uma lei nesse sentido. E já agora, uma vez que a natalidade é uma questão tão importante dos tempos que correm e nas sociedades ditas modernas, que se faça uma lei para ajudar quem quer ter filhos e não tem possibilidade de os ter fisiológica e financeiramente.
Sinceramente, para todas as regras há excepções e são elas mesmas que confirmam a própria regra, mas parece que é maior e mais significativo o desvio do que a normalidade, e é por tudo isto e muito mais que eu digo não ao aborto mas SIM à sua despenalização.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Moda x Política

Que estranho mundo este em que vivemos, que a as cotoveleiras à Art Garfunkel voltaram a estar na moda. De certa forma não eram só as cotoveleiras que proporcionavam ao Garfunkel aquele aspecto patusco e estranho, também o cabelo lhe dava um ar de esgazeado, mas de facto as cotoveleiras nos casacos de azine e blusas de malha voltaram a aparecer e não só na rua, mas também à venda nas lojas. Se fosse apenas em algumas pessoas que vemos passar, ainda se poderia supor que fosse uma certa nostalgia ou gosto peculiar, mas assim é mesmo a moda a dar a volta ao tempo, ou o tempo a dar a volta à moda! Mas estes artistas do tecido e criadores de moda não conseguem inventar algo que não seja roupa que ninguém usa ou roupa que já toda a gente usou há algum tempo atrás? Esta gente é criadora de moda e não criadora de roupa, isso sim! Estou para ver quando é que a política se sincroniza com a moda e voltamos ao tempo do mo, das gabardinas tipo Gestapo, chapéus de gangster, etc. A política, a julgar pela tendência na Europa, já vai perto dos anos 50 enquanto que a moda ainda só atrasou até aos anos 60, mas tendo em conta o ritmo que se sente e se observa com as transformações que a sociedade tem vindo a gerar, calculo que daqui a cinco ou seis aninhos estejamos outra vez num estado novíssimo, mesmo a tempo da Direita propriamente dita ter voltado ao poder, continuar durante relativamente pouco tempo esta política porca que o PS tem vindo a preconizar, e darem cabo de tudo definitiva e irreversivelmente. Logo vemos como é que a Geração X vai reagir, porque seremos nós a estarmos no “poder” nessa altura. Ou deixamos que isso aconteça ou devemos começar já a mudar qualquer coisita na nossa mentalidade, sempre se poupa algum sofrimento. Entretanto mais vale ir dando alguma atenção à roupa que nos vestem e à política que eles investem.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Hino à estupidez

Quando era puto e inconsequente, todos nós passamos por isso, também era dado a fazer partidas e de vez em quando lá havia um ou outro deslize para a parvoíce pura e simples. Entre tanta ideia maluca, mais ou menos original, aparecia uma ou outra em que não se pensava muito e se decidia pôr em prática imediatamente, normalmente isto acontecia quando era mais do que uma cabeça a trabalhar – o que contraria completamente a grande máxima – aliás, bem mais do que uma, p’raí umas dez, pelo menos! Quando somos mais novos e ainda estamos a formar o nosso carácter não temos grande alcance para perceber as consequências de certas brincadeiras e trapalhices, mas aquilo que aqueles dois gaiatos de treze anos (13 anos!!!) fizeram de avacalhar completamente a cena e porem-se a dar cabo de carros estacionados na rua mesmo no centro da cidade, onde há sempre gente a passar, a polícia fica a três minutos a pé, filmarem toda a acção, inclusivamente dizerem os seus nomes e sem sequer pensar um bocadinho na tamanha estupidez que se está a fazer é mesmo de gente completamente desprovida de senso. Eu também me lembro de alguém que eu conheço ter andado a saltar de tejadilho em tejadilho dos vários carros estacionados num determinado local da mesma cidade, mas estava lá e não me lembro de ter sido pensado, filmado e distribuído num dos sites mais conhecidos. Sinceramente não acho que seja a internet, os desenhos animados ou os filmes a fazer das crianças parvas e com uma ausência total de tacto, e da vez em que uma coisa semelhante aconteceu com alguém que eu conheço, não teve nada a ver com rebeldia, violência ou má índole, foi apenas uma situação de frustração psicológica levada ao extremo pelo álcool e o incentivo de muitos outros que nunca pensaram que chegasse a esse ponto. Epá, o rapaz andava chateado por não ter entrado para a Universidade e quisemos que descarregasse a frustração, só nunca pensámos que a bebedeira fosse tanta ou tão grande e que ele acabasse em cima de automóveis a gritar “I’m the lizard King, I can do any thing!” Voltando aos dois putos de treze anos... eram só dois e não me apercebi de ser outra coisa que não uma brincadeira (de muito mau gosto)! Totós!

sábado, 6 de janeiro de 2007

Top’s, trabalho e cortinas de casa de banho

Estou a escrever este post no primeiro hotel a entrar para o meu Top10 Dos Melhores Hotéis. Não me interessa muito que o hotel seja no Algarve, mesmo na praia e com um belíssimo aspecto. Que tenha cinco estrelas e tenha sido inaugurado há pouquíssimo tempo. Que o almoço tenha sido numa varanda com vista para o mar ou que a piscina seja maior do que a minha casa + quintal juntos. Que o quarto seja do tamanho de um salão de dança e com apenas duas camas. Que a casa de banho seja mais ampla e dotada de mais equipamento do que a minha cozinha e sala juntas, incluindo um varão aquecido para pendurar as toalhas de banho. Que ofereçam mais coisas do que uma caravana política na recta final de uma campanha eleitoral. Nada disto é relevante! O que de facto interessa; o que valoriza este hotel e o coloca no topo do até actual vazio Top10 Dos Melhores Hotéis Em Que Estive Instalado é o facto da casa de banho estar desenhada e concebida de uma forma tão bem elaborada que não haja qualquer tipo de corrente de ar e não seja necessário colar a cortina à loiça da banheira que de forma alguma ela mexe e toca no nosso corpo enquanto nos banhamos orgulhosamente. Isto é que é uma construção bem feita. Fantástico!
Ah, esqueci-me de dizer que vim em trabalho. Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Abaixo-assinados precisam-se

Porque é que ainda ninguém se lembrou de fazer daqueles abaixo-assinados que se vêm na net mas para coisas realmente úteis, como por exemplo:

“pelo fim da Revista e o uso inteligente dos subsídios para a cultura”

“pela não volta do Santana Lopes à política e o incentivo para que fique em casa a escrever”

“pela proibição de ingestão de bolo-rei por parte do Presidente da República”

“pela investigação séria e definitiva de todos os casos que metam futebol e putedo”

“pela detenção do Major e dos seus pandans”

“pela recuperação do Parque Mayer, nem que seja para pocilgas”

“pela implosão e consequente afundamento da ilha da Madeira”

Há certas coisas que têm de ser feitas mas não se sabe ao certo quantos somos os que assim as querem fazer, desta forma será mais fácil o entendimento e a mobilização.
(comentários em jeito de mais exemplos precisam-se…)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Sketches novos, vidas novas

Os Gato Fedorento são o inegável substituto do Hérman José no panorama humorístico português. Não tanto pelo estilo mas pela capacidade de mobilização e de pôr toda a gente a falar dos seus sketches nos dias seguintes a terem aparecido na televisão, e desde que estão na RTP que o potencial é outro e o resultado efectivo tem sido exponencialmente maior (e melhor). Recordo com saudade o Hérman do Tal Canal, Hermanias, Humor de Perdição e Herman Enciclopédia, bons tempos, e nem vou comentar o seu estado actual, não gosto de me repetir. Voltando aos Gato Fedorento, e à razão pela qual escrevo este post, devo juntar também outro ingrediente importante, que é o Contra Informação. Não sei se as Produções Fictícias também escrevem para este programa, mas o que interessa é de facto certos sketches e personagens que neles apareceram retratados, mais propriamente o boneco do Marcos Mendes e a caricatura do Paulo Bento. O que é que eu quero mostrar com isto? Já vão perceber! Marcos Mendes, além do que nele se vê, não terá muito mais a dar à governação e à política portuguesa porque tem sido completamente ridicularizado e descredibilizado, e o mesmo acontece com o desgraçado do Paulo Bento. Estes dois nunca mais vão ser alguém, ou ninguém! Não se trataram apenas de sketches inocentes com algum sucesso, mas sim uma verdadeira revolução no humor português. O Hérman já tinha tido um programa suspenso por alegada provocação, mas o que se conseguiu com estas duas personagens, e talvez outras como o boneco do Santana Lopes, por exemplo, foi arranjar uma forma de não conseguirmos desligar a personagem da pessoa real. Eu tento, mas não consigo, e não há forma de olhar para qualquer um dos dois sem me rebolar a rir à espera que eles cometam uma gaffe (ou digam o que costumam dizer), e se assim não for, rio-me que nem um perdido na mesma, mais não seja pela lembrança que guardo dos sketches. O cúmulo disto tudo deu-se em dois momentos distintos mas de certa forma similares:
- Marcos Mendes, de visita a uma escola secundária, perguntou se o conheciam dizendo que era o responsável pelo partido da oposição, muito importante na nossa democracia, que já tinha feito parte de um governo, etc. e tal, até que, perfeitamente resignado, disse “sou o ganda nóia do Contra Informação”… não interessa quem se riu e quantos foram, toda a gente ficou a perceber quem ele era!

- Paulo Bento mudou de penteado e está a fazer um esforço enorme para falar de outra forma, menos pausadamente e sem a sonoridade típica do castelhano, e conta-se que a equipa técnica e todos os jogadores do Sporting, no treino da manha seguinte à exibição do famoso sketch, apareceram de risco ao meio e a proferir insanamente a palavra 'tranquilidade' como se não houvesse mais nada para dizer!

O que dizer desta situação e da forma como o humor pode influenciar a política e o futebol? Pois bem, felizmente nenhum destes programas foi suspenso, mas quando o Hérman fez as tais rábulas históricas, nomeadamente a entrevista à rainha D. Isabel no Humor de Perdição (1987) foi suspenso a meio do programa… o que quero eu dizer com isto? Ainda não chegaram lá!? Vivemos numa democracia moderna e há liberdade de expressão, mas pelos vistos não se pode brincar muito com a igreja, that’s what!! O Diácono Remédios não serve de exemplo, pois é uma tentativa demasiado politicamente correcta para aferir se houve ou não mudanças nesse plano, e de cera forma os Gato Fedorento têm avacalhado a cena religiosa mas ainda não o fizeram no canal do Estado. Os antigos pilares da sociedade portuguesa, os famosos três 'F' (Fátima, Futebol e Fado), terão definitivamente passado para 'I-F-P', Igreja, Futebol e Política – nesta ordem. Já os queimaram, cozeram e torturaram, agora estão mais amenos e delicados, mas o efeito é o mesmo… muito pouco ou nenhum! Podem atrasar a cultura e a própria civilização mas não conseguem travar definitivamente a vontade e a determinação humanas. Quando queremos, podemos! Mesmo que 'deus' assim não o entenda, e acho mesmo que o tipo não foi visto nem achado para a maior parte, senão todas as decisões da igreja, o homem sonha a obra nasce e a vida acontece (“enquanto fazemos outros planos” e regras (idiotas)).
Fecho o post com uma frase engraçada que pode ter vários sentidos (vários é mais do que um, certo!?) consoante o momento e a forma como se diz: “some things never change and some things do”.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Ano novo, o mesmo blog

Mais um ano passou e sem dúvida que cada vez parecem ser mais curtos, mas o que interessa é aproveitar cada um como se fosse o último. Parece um cliché, mas é uma grande verdade. Quantos mais planos fazemos, mais longe ficamos de viver o que se vai passando connosco no dia-a-dia, e isso é que é a nossa vida! Talvez seja essa a receita para a felicidade: se o sentido da vida é a viagem, sem dúvida que o segredo será aproveitá-la e ir vendo a paisagem. Desejo a todos um excelente ano, melhor e mais proveitoso que o que agora findou. Aproveitem as árvores que virem, não choquem contra elas, e acelerem quando houver oportunidade, pois não se deve andar em velocidade de cruzeiro a todo o momento, mas também não é nada bom andar sempre numa correria desenfreada.
Resposta: penso divertir-me até já ser velhinho!

sábado, 30 de dezembro de 2006

Just one man…

O comércio tradicional está em perigo, por toda a parte proliferam as grandes superfícies, ao longe na neblina ecoam suspiros e latidos de sofrimento e só uma pessoa pode responder positivamente às preces que aparentam ficar sem reposta… este homem é Steven Seagal, recorrente vingador de gentes oprimidas, deprimidas e comprimidas, habitantes de nenhures, onde o sol já chega baixinho e as aves cantam roucas e desafinadas, povos acabrunhados e desfalecidos. Mas eis que se renova o sentimento de esperança, dá-se um rasgo de confiança no herói. Mais uma vez voltarão a brilhar sorrisos. Pois que se este homem arrasa sozinho companhias petrolíferas e multinacionais de produção a granel, aguenta os avanços de dez matulões de uma só vez a quererem dar-lhe porrada partindo braços a três deles e desdentando os restntes, ele também poderá valer aos nossos conterrâneos esquecidos nas zonas mais isoladas. As localidades do interior jamais voltarão a ser as mesmas. Existe uma nova força capaz de devolver o alento e a motivação aos mais desafortunados. Seagal é o maior!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Amigos, putas e vinho tinto

Há duas frases míticas que têm um grande fundo de verdade:
Um Homem mede-se pelos amigos que tem.
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

Sendo assim, não sei bem o que sou, presumo que alguém mo dirá oportunamente, mas tenho a certeza que sou um colosso cheio de sorte. Um grande abraço e obrigado!
…ah!, o resto do título era mesmo publicidade enganosa só para causar efeito.

Parece um chupito, mas não é bem!

Estou prestes a fazer anos e chegando a esta altura faço sempre um balanço do que fica para trás e da melhor forma de encarar o que está para vir. É tudo uma questão de estabilidade, equilíbrio, e a vontade e necessidade de atingir um estado geral de harmonia. Pensando bem, depois de todo este tempo vivido, tantas experiências, muita aprendizagem que se traduz em sabedoria, senso comum e cultura geral, e um nível razoável de maturidade e crescimento psicológico mais do que suficiente (como é que isso se mede!?), não era já tempo para ter aprendido a beber água sem me engasgar!? Às refeições até me contenho e geralmente não sucedem qualquer tipo de percalços, mas se estiver em casa e for à cozinha beber um copo de água, ou beber de um cantil num passeio, ou de uma garrafa num bar, é desgraceira mais do que provável e suficiente para ficar a tossir e a respirar mal durante uns bons dois ou três minutos. Estamos sempre a aprender, é verdade, mas há coisas que não mudam e permanecem sem evoluir, e até têm a sua piada… mais tarde, porque quando acontece é sempre manhoso!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

A little big bit of soul!

Foi com muita pena que me apercebi da morte do grande James Brown, mas depois pensei “o gajo estava assim um bocado para o lado de lá já há algum tempo, será que o homem faz mesmo falta se temos a obra?” Nem é preciso reflectir durante mais do que dois ou três segundos para perceber que sim, claro que sim! Não se pode desligar o sujeito da obra, tal como não se deve desligar a forma do seu conteúdo. O tipo até podia ser um maluco, um excêntrico e um tresloucado, mas qualquer pessoa faz falta neste mundo. Desde que seja um ser humano razoável (bem sei que é subjectivo, vamos deixar o Bush, Hitler e outros facínoras de fora), possuidor de sensibilidade, sentido de humor e outras características que nos distinguem das restantes formas de vida, faz sempre falta e deixa saudades (ora aí está um conceito difícil de definir e perceber… será bom ou mau!?). Há uma grande máxima budista que mostra que todos os Homens são iluminados, uns saberão disso, outros não, e sendo assim fazemos todos falta! O James Brown, além de excelente músico, cantor e compositor, é um marco incontornável na música moderna: Funk, Soul, Rock, Pop… chamem-lhe o que quiserem. Mais do que o mundo da música, marcou indelevelmente a sociedade americana no que aos direitos humanos diz respeito, mais propriamente na questão racial. É, sem dúvida, uma grande perda em variadíssimos aspectos, até a polícia americana vai ter saudades dele.

domingo, 24 de dezembro de 2006

O Natal é quando um Homem quiser!

A altura do Natal é propícia à proliferação de mensagens manhosas. Quer seja por sms ou e-mail, todos os dias recebemos frases ou citações tristes de tão gastas que estão, e nota-se perfeitamente quem é que consegue ser original, quer na forma quer no conteúdo, fazendo um verdadeiro e sincero esforço por transmitir-nos que se lembra de nós numa altura especial. Nem toda a gente se lembra do nosso aniversário, ou de que acabámos o curso, conseguimos um emprego, arranjámos casa, nos juntámos com alguém, fomos promovidos, etc., e é nestas alturas que mais precisamos de sentir o calor humano, a solidariedade e porque não, o carinho de quem gostamos (ou de quem gosta de nós). Desculpem-me a franqueza, mas os e-mails com powerpoints cheios de ursinhos e personagens da Disney, perfeitamente idiotas, e as frases que já eram enviadas no tempo dos pombos correio e do cagar de cócoras, são degradantes de tão ingénuos que são (perdoem-me a redundância). Depois há a questão do consumismo por detrás desta quadra, chega a meter medo (basta ver a publicidade para as crianças, e os perfumes ou as bebidas…)! Se o Natal é quando um Homem quiser, e o ser humano está irreversivelmente caracterizado pela lógica do livre arbítrio, então porque não querer ser solidário e humano o ano inteiro? Seja como for, o Natal não vale (só) pelas prendas, pelos doces e pela festa em si, mas pela possibilidade de estar em família e com os amigos, e nos darmos um pedacinho às pessoas de quem gostamos. Se de facto não conseguimos ser sempre boas pessoas o ano todo, então que o sejamos sinceramente neste momento único que, até ver, só vem uma vez por ano. Boas festas e não se encharquem em ponche e eggnog, a bófia está sempre de serviço e é raro o espécimen que se mostra verdadeiramente imbuído (por vezes embubido, sim!) do típico espírito natalício.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

“Quer emagrecer, pergunte-me como”

Quando vejo aqueles anúncios típicos nas montras das farmácias, nos folhetos que nos aparecem na caixa do correio, ou nos vidros traseiros de carros em forma de autocolante, normalmente grandes bombas (a malta da Herbalife chega-lhe bem), fico sempre num imprevisível limbo entre o cepticismo científico e a gargalhada imediata e total. Sei perfeitamente que o truque para uma vida saudável, do ponto de vista da alimentação, é manter uma dieta equilibrada, não comer depressa nem de forma muita espaçada ou muito de cada vez, etc., mas também sei que há condições físicas especiais e certas doenças que impedem que se atinjam resultados “óptimos” (reparem no cuidado em utilizar as aspas em vez do itálico) com as dietas ditas “normais” (mais uma vez…). Aliás, a mania de se chamar dieta à altura em que se faz regime é ridículo e induz em erro, depois só podem vir os exageros. É como as inscrições nos ginásios a quadruplicar por altura da Primavera, patético! Bem, voltando à alimentação. Sei por experiência própria, não por mim mas por ter visto os resultados, que há certos artigos na TV-Shop que resultam e até são boas compras, ou investimentos, dependendo da perspectiva, mas quando vejo referências a comprimidos milagrosos, dietas fáceis e demasiado acessíveis arrepio-me logo. Pensando em coisas fáceis, acessíveis e muito possivelmente capazes de dar resultados, até estranho nunca ninguém se ter lembrado disto: uma técnica infalível para perder gordura, como que por artes mágicas, seria acrescentar umas gotas de lava-loiças Fairy à dieta de todos os dias – confesso que nunca provei óleo de rícino ou de fígado de bacalhau, mas lava-loiças já provei e não pode ser pior – e bastava apenas umas gotinhas, porque o que eles anunciam é de facto um gota dar para lavar não sei quantos milhares de pratos – milhares!? Centenas!!! – e funcionar como um íman com a gordura, repelindo e mais não sei quantas patacoadas que aqueles tipos inventaram (ou descobriram, sabe-se lá!). Se de facto os tipos dizem no anúncio que o Fairy é o milagre anti-gordura, e isso for verdade, só pode significar que alguém está a passar ao lado de uma ideia genial para conseguir conquistar as mulheres (e os homens, não quero correr o risco de ser tendencioso) para esta causa. Se o Goucha e aquele outro tipo que era da RTP e já está na TVI já há algum tempo, fazem reclames para colchões e trens de cozinha (este termo parte-me todo! lol), via muito bem o LaFéria ou o João Baião (recuso-me a falar daquela coisa que dá pelo nome de Castelo Branco) a fazerem um verdadeiro anúncio de sucesso, é que era garantido! É uma ideia a considerar…

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Línguas traiçoeiras e pensamentos malandros

Aqui há dias ouvi na rádio um anúncio do El Corte Inglês que incluía a expressão “…menage de cozinha e mesa...”. Bem sei que não era um anúncio do Pingo Doce com aquela voz extremamente sugestiva, mas será necessário acrescentar alguma coisa mais para chegarem a onde eu cheguei? “Menage de cozinha e mesa”!? Então, será perfeitamente plausível que qualquer pessoa deixe resvalar o seu pensamento para os meandros da sexualidade! Alguns até poderão considerar certas e determinadas hipóteses como sexo na bancada da cozinha (bom, é estável), sexo na mesa (hum, com jeitinho até dá; evitar mobília do Ikea), sexo no chão (chão é sempre pau para toda a obra… epá, juro que foi sem querer!), sexo d’encontra (d’encontra carrega uma valente conotação lasciva) o frigorífico, sexo na despensa (kinky!!), sexo em cima da máquina de lavar roupa (a trepidação parece-me bem!), etc., etc., etc. Este anúncio foi feito muito ingenuamente ou completamente propositado, e quer-me a mim parecer que não há lugar para ingenuidades na publicidade. Conhecem mundo mais premeditado e organizado do que este? Será só a minha pessoa ou qualquer um de vós pensaria o mesmo!? Pegando na frase e desenvolvendo um pouco mais o tema, até poderemos ultrapassar a barreira psicológica da cozinha e passar para o resto da casa, aliás, diria mesmo para o quintal! E não é só sexo e cozinha, mas a palavra menage também nos despe o pensamento para a completa e irreversível exposição a um admirável e inquietante mundo novo (agora foi propositado). Não serão só duas pessoas, mas várias! …tudo bem, várias até poderá ser um pernicioso exagero da minha parte, digamos antes três, pois que para serem várias teria de ser qualquer coisa do género: “…trem de cozinha com libidinosas pegas banhadas a ouro e orgia de mesa em variadíssimos tamanhos…”. Caramba, tanto ingrediente que pode ser acrescentado a esta receita... o único limite é o da imaginação!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Em vez de um Especial Natal, porque não um Especial Dentistas!?

Em vez de um Especial Natal, porque não um Especial Dentistas!?
Com tanta clínica e tantos dias por semana para escolher, logo tinha de vir calhar a uma clínica em Portalegre onde também vem o dentista à quarta-feira. Tenho de gramar o diabólico e carnificínico som da broca o dia todo, todas as quartas-feiras. Má sorte!
Quando tinha sete anos, na minha última vez em que fui a um dentista, fui tratado (na verdadeira acepção irónica da palavra "tratar"... da saúde!) por um facínora sedento de sangue, envergando uma bata branca que mais parecia um talhante. O indivíduo de trato gentil, aparentemente, conquistou a confiança do meu avô, que na falta dos meus pais me acompanhava nesse fatídico dia, e por conseguinte a minha também. Esfregou com o seu dedo indicador (inquisidor até soava melhor) uma pasta azulada nas minhas gengivas e depois dedicou-se à tarefa de desvitalização de um dente molar como se de partir brita se tratasse, à bruta e sem controlo. Tanto a criatura da bata como o meu avô (o tal do coelho) passaram o tempo todo a referir-se à minha humilde e desataviada pessoa como "fiteiro", "menino" e outras desconsiderações do género. Pois que passados aqueles vinte minutos infernais, que ainda hoje me parece terem sido duas semanas de tormento, o imoral malfeitor acabou por reconhecer que se teria “esquecido” (mais uma vez um termo irónico) de me dar a injecção de anestesia antes de começar. Tudo isto foi presenciado por mim, à distância, enquanto o bandido me filava e prendia o antebraço do meu avô, barrando-lhe a saída do consultório, falando-lhe ao ouvido com a sua pérfida língua bífida de forma quase sussurrada. O monstro, que não tem outro nome, teve a sorte de eu ser muito novo e de ter má memória para quem me faz mal, senão estaria hoje deveras arrependido. O azar dele, mesmo não me lembrando da sua cara ou do seu nome, é que eu tenho um blog e uma forma muito imaginativa de relatar verdades… bem feito!
Por falar em dentistas (…arrepio!) tenho mesmo de contar uma história, também ela verdadeira, que acho fantástica e carregada de um humor do mais fino que há. O meu primo (o Super-Pai) foi a um dentista com todos os dentes, com 50€ no bolso e sem qualquer manifestação física de dor. Esteve lá meia hora e saiu sem um dente, sem os 50€ que trazia e com uma dor de dentes que durou uma semana e ainda o fez lá voltar mais uma vez… pagando, claro! Onde está a parte cómica da história? a graçola? …é aquele tipo de humor preconceituoso, tipicamente meu, que só dá para algumas mentes mais perversas e corrompidas alcançarem, assim muito ao género do exagero que compus com o post dedicado ao Senhor dos Anéis.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Bifanas e canecas de leite morno

Quando venho de Lisboa para Évora e faço o trajecto pela estrada nacional, muitas vezes paro em Vendas Novas para comer umas bifanas (sempre duas, pelo menos!). A última vez que lá estive veio-me uma ideia à cabeça: alguém, no seu perfeito juízo, terá coragem para pedir uma tosta mista (ou uma sandes de presunto) num café em Vendas Novas? Pode parecer estranho colocar esta questão mas não se brinca com tradições (ou sim), e a bela da bifana de Vendas Novas já é um marco histórico e incontornável nas viagens de e para Lisboa. É a volta típica que faço muitas vezes nos meus passeios de mota, isso e os pastéis de toucinho em Arraiolos (sim, tem mesmo toucinho mas não sabe). Engraçado foi aqui há muito tempo, teria eu uns quinze aninhos, quando comecei a fazer as minhas primeiras incursões pela vida nocturna eborense, e fomos parar ao Manel dos Potes. Fizeram uma aposta comigo em como não conseguiria chegar até ao “barman” (sim, para quem conhece o local esta palavra até parece uma anedota), dar uma murreana no balcão para que toda a gente ouvisse (e ouviu!) e dizer: “quero um canecão de leite… morninho!”. Escusado será dizer que foi a cena da noite e fizemos sucesso com as universitárias. Nessas idades é coisa que marca! Agora estou à espera que novos desafios me sejam lançados, e esta ideia da tosta mista, dado que também é coisa que gosto muito, é mesmo para se fazer num futuro próximo. Até hoje só perdi duas apostas, e saíram-me caras, mas isso é conversa para outros locais menos virtuais.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Natal e Circo

Já há algum tempo que me debato vivamente sobre esta questão: porquê Circo e Natal? Que estranha e alegadamente inócua ligação une estes dois conceitos tão díspares e aparentemente incompatíveis? Qual a razão deste fenómeno curioso? A resposta, além de simples, já tem barbas, e não são as do Pai Natal. Desde os tempos da Roma Antiga que as coisas se passam da mesma forma, e com as devidas excepções, claro está, talvez tenha sido sempre assim. Nem todos vamos atrás de modas e do que nos é apresentado como sendo normal, mas certamente haverá um instinto primitivo que nos leva a comportar de forma idêntica à do nosso “semelhante”. Não falo contra mim, pois sei que faço parte da excepção que confirma a regra, mas a maioria das pessoas comporta-se de igual forma, senão reparem: quando vêm um acidente na estrada param para ver como foi (inclusivamente causando mais acidentes); se houver um fogo até fazem fila para ir espreitar e tirar fotografias; devoram revistas cor-de-rosa; ingerem quilos de novelas por dia como se não houvesse mais nada; de uma hora e meia de notícias no telejornal só lhes interessa aquelas que referem o peeling da tia ou a referência à nova alarvidade que o Castelo Branco terá proferido enquanto defecava sentado numa sanita dourada na sua mansão; entre muitos outros exemplos. No fundo é tudo pão e circo – ou Bolo Rei e Circo – e o que a malta quer é distracção e entretenimento, qualquer coisa que seja fácil de mastigar e não custe muito a digerir. O Roger Waters tem toda a razão, não estamos muito longe de nos satisfazermos até à morte (“this species has amused it self to death”). Nesta época festiva, supostamente tão marcada por sentimentos dignos e verdadeiros como a solidariedade e a fraternidade, há sempre quem se aproveite da nossa distracção com a publicidade, filmes, Circo, compras, etc., mas o que realmente interessa é que há vida para além da televisão e o Natal pode ser passado de forma autêntica em família e com quem realmente interessa. Eu faço questão de não me deixar levar pelo sentimento consumista e de imediatismo tão característico desta quadra, e dedicar-me ao que realmente importa, as pessoas e não as coisas, e se nem por isso a coisa correr bem, resta-me sempre a grande máxima: o Natal é quando um homem quiser!

domingo, 17 de dezembro de 2006

O Senhor do Comando

Os filmes da saga O Senhor Dos Anéis irritam-me! São chatos e compridos, assim na linha dos filmes do Manoel d’Oliveira, a música não ajuda a torná-los mais suportáveis, antes pelo contrário, a história é uma cagada de primeira, tudo muito sofrido e todos desgraçadinhos – nada que se compare à teatralidade dos textos de Shakespeare – e cada um deles ocupa uma tarde inteira. Parece-me ser uma má desculpa para ficar em casa. E a questão é: se já estão disponíveis em dvd, porque é que ainda os dão na televisão? É uma forma subtil de fazer tortura? Não bastaram já aqueles anos seguidos de Big Show Sic? Se estivesse a dar qualquer outro filme também não ficaria a assistir, mas estes têm uma forma peculiar e muito própria de azedar uma tarde de Inverno em que até sabe bem ficar em casa a abobrar sentado no soufá, como só uma peça do Lá Féria faria (e que bonito final de frase!). Passados sete minutos de filme, clico no botão verde do comando e vou tocar piano.

Play it again Sam!

Ontem, embora tenha tido pouco tempo para apreciar a decisão que tomei e o efeito do seu resultado, realizei um sonho que sustento desde há muito tempo: ter um piano e saber tocar nele. A primeira parte, a da compra, até foi relativamente fácil, a decisão é que se revelou teimosa, pois já andava a pensar fazê-lo há anos e só agora a tomei. Actualmente só me resta a consequência inevitável de todo este empreendimento mental e esforço intelectual, que é aprender a tocar, ou melhor, conseguir tocar com as duas mãos ao mesmo tempo, porque consigo fazer baixos e tenho alguma destreza para as melodias e solos. Aprender a tocar e conseguir evoluir num instrumento nunca foi problema para mim – tirando o violino e o acordeão – é tudo uma questão de tempo e disponibilidade. E se consegui aprender a tocar bateria sozinho, com muita exigência e teimosia, também vou conseguir dominar o piano. Não é de um dia para o outro, nem no espaço de um ou dois meses, mas vai acontecer. Pouca gente conhece este meu desígnio, uma vez que me dedico à guitarra desde os meus catorze anos, à composição desde os dezasseis, e mais recentemente à voz, mas depois da bateria e agora do piano, só me resta o saxofone para completar a tríade da minha veneração (alguém falou em jazz ou contrabaixo!?). E não se trata apenas de possuir e saber arranhar qualquer coisa ou fazer figura de quem sabe, mas sim de traçar o difícil objectivo (para alguns impossível), ter prazer em alcançá-lo, conseguindo dominar minimamente aqueles que desde cedo elegi como os meus instrumentos preferidos, e fundamentalmente tocá-los por gosto e deleite pessoal. Há quem faça desporto, há quem queira fazer filmes pornográficos, há quem se dedique à pesca, o meu chamamento é a música.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Cidade x Campinho

A casa de banho da minha casa é interior e não tem janelas, mas tem uma série de respiradouros espalhados por duas paredes e funcionam bem porque se nota que há circulação de ar e nem por isso tenho de gramar com os sons e cheiros característicos das casas de banho da vizinhança do resto do prédio, mas tem uma particularidade interessante (ou não!): ouvem-se os sons que vêm da rua. Quando estou sentado no cagueiro – acho que tem mais sainete do que dizer sanita ou latrina – oiço uma série de barulhos típicos da rua da frente da casa. Se fechar os olhos até parece que estou a arrear o calhau no telhado ou na varanda, pois a barulheira é mais que muita e também se sente corrente de ar, coisa que só sabe mesmo mal quando estou no banho, aí tenho mesmo de fechar algumas das grelhas para não rapar uma frieza desgraçada. O engraçado é que certos e determinados sons, como um cão a ladrar, um puto a chamar outro ou um trolha a assobiar enquanto carrega uma lata de 25 litros de tinta e vai dizendo alguns palavrões pelo meio, faz-me parecer que estão cá dentro de casa, ali mesmo na minha sala, a situação do cão foi a mais caricata de todas, porque apanhei um susto do caraças. São no mínimo curiosas, estas novas particularidades tão características da vida na cidade. É que até agora, e já vivi em Beja num r/c, em Faro num 3º andar e em Lisboa num 6º, nunca me tinha apercebido destas coisas. É caso para dizer “ai que bem que se está no campo Adelaide!”. Como vivo num bairro sossegado até me estou a habituar depressa e estou de facto a gostar da experiência de viver sozinho, mas a Courela do Tanganho domina, sem dúvida.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Long live and god save Quim Bóio

Em Inglaterra, um homem, e vamos identificá-lo como Bóio, Quim Bóio, foi encontrado a dormir numa linha de comboio, mas não se tratava de uma linha de comboio num local remoto e isolado, foi mesmo numa de oito ou nove linhas situadas numa zona que, a julgar pelas imagens, mais parecia um terminal ou uma estação. O Quim estava tão alcoolizado que nem se apercebeu de nada nem sequer acordou com as várias composições que passaram, e segundo referiu o pivot do telejornal, até fez do carril almofada para a cabeça. O que dizer de uma coisa destas? Ca’ganda carraspana, fogo!? Nem interessa porque razão o desgraçado se embebedou daquela forma, como se não houvesse amanhã, mas o pior é que além desse motivo ainda vai ter, muito provavelmente, de cumprir até seis meses de pena, visto ter sido acusado de obstrução de linha de caminho de ferro e ter provocado atrasos consideráveis e prejuízos significativos. E como foi o Quim descoberto, perguntam vocês? Aparentemente, os milhares de câmaras de vídeo-vigilância espalhadas pela cidade de Londres, que muito me chocam como princípio, até serviram para evitar que o tipo fosse passado a ferro enquanto dormia. Ganda maluco!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Josh Groban, o fenómeno!

Já repararam bem no reclame do Josh Groban que passa na tv? O tipo parece cantar bem e ter um vozeirão fantástico, mas com tanta gente a dizer o nome dele e de forma tão entusiasta, até parece que só eu é que ainda não ouvi falar dele. De facto o anúncio está muito bem conseguido, pois não mais esqueci o nome do gajo desde que o vi pela primeira vez na televisão, mas estou convencido de que se houvesse uma campanha de marketing consistente, assim deste género, para promover um tuga com um nome sugestivo, assim tipo Arrufa Picanço, Tomé Peidinho ou Augusto Fónix, também este se tornaria um fenómeno de vendas de proporções galácticas em muito pouco tempo. Senão, vejam o que aconteceu com o Zé Kabra. Numa altura em que se discute a possibilidade de regular a publicidade direccionada para as crianças com menos de 12 anos, acho que se devia pensar mais a fundo na questão (e não só na televisão). Não sou preconceituoso nem faccioso ao ponto de falar nesta ou naquela marca, neste ou no outro anúncio, a esta ou àquela hora, nesse ou no outro local, desta ou daquela forma, direccionado para esta ou aquela faixa, acho é que as pessoas deviam abrir a pestana… antes, durante e depois dos intervalos publicitários. E sinceramente, quem é o Josh Groban, além de ter um ar de lunático e pinta de ex-delinquente?

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Biografias e entrevistas a gente com (pouca) cabeça

Depois de reler o post anterior, e à luz dos recentes acontecimentos, acho inaceitável o que tem acontecido nos últimos dias. Há os que aceitam dar entrevistas em que confessam ter posto bombas em aviões, isto depois de trinta anos de silêncio; outros aceitam que se façam biografias sobre a sua vida, em que confessam terem sido responsáveis por pagar a capangas para que dessem sovas em alguém, a mando de dirigentes de clubes desportivos… Sinceramente, o que é que está a acontecer à justiça neste país? E às mentalidades individuais ou à noção de consciência comum? Já vai sendo cada vez mais normal ser-se cínico e contar-se as coisas apenas e só por dinheiro ou notoriedade e nunca por responsabilidade, sentimento de culpa ou arrependimento. Não preciso de reflectir muito para chegar à conclusão que esta gente me mete uma bequinha de nojo... assim a atirar para o bué!

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Livros de cabeceira por gente sem cabeça

Nos dias que correm toda a gente que é gente, e isto significa mesmo TODA a gente, escreve um livro. Quer dizer, escrever não escreve, mas lança assunto para que se escreva um livro sobre a sua pessoa, assim em jeito de biografia. Desde o governante has been, ao político never was, passando pelo coveiro solitário, o árbitro polémico, ou até mesmo a ex-striper/puta-amante do dirigente de clube de futebol, qualquer pessoa pode ganhar dinheiro e protagonismo com uma biografia feita sobre si ou apenas sobre um pormenor ou um momento específico da sua vida. É ridículo! Sinceramente, já espero uma biografia sobre o Emplastro ainda a tempo de forrar as prateleiras da Fnac antes do Natal. Como em toda a obra de ficção que se preze, livro ou não, qualquer semelhança entre a realidade e um sketch dos Monty Python será pura coincidência. Este país é um antro de vendidos! Isto é curioso, quase, quase a roçar o cómico, mas não deixa de ser grotesco.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Monopólio da idiotice ou idiotas a jogar Monopólio?

Há uma questão pertinente e curiosa que me tem dado muito que pensar:
Será que o Vale e Azevedo, quando era puto, gostava de jogar ao Monopólio? E se sim, era pessoa para ganhar ou passava a maior parte do tempo a ir directamente para a prisão sem passar na casa de partida e sem receber 2000€?