sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

crise financeira, crise imobiliária e crise de espírito

Casa?
Prédio?
...qual quê, Urbanização!!



Não há-de faltar muito para o país estar todo à venda!

domingo, 26 de dezembro de 2010

2011, coisas doces e jingles a metro

De facto sou fã do Pingo Doce! Dos seus produtos de linha branca, da comida take-away, da arrumação e disposição das lojas, da forma como se apresentam ao público, entre outros pormenores, mas acabei de ver agora o novo reclame para o ano 2011 e os tipos abusam na publicidade manhosa com jingles demoníacos!! São maus e ficam a martelar-nos na cabeça... BAH!!!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

o meu voto de boas festas...

Muitas e boas festas onde bem entenderem, não estourem o piriquito todo (tem de sobrar algum para enfrentar a crise), tratem-se bem, tratem os outros bem e advirtam-se em família!
Um ano novo com muita paciência, determinação e paz de espírito é o que desejo a quem gosto, os outros podem muito bem ir comer um cão cheio de pulgas!!

Já é Natal!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vemo-nos gregos, estúpidos e acorrentados

Perdoem-me os mais incautos e sensíveis leitores do blog, mas devo confessar que adorei ver políticos e polícias a levarem no focinho nas notícias que relatavam mais um dia de greve e manifestação geral na Grécia. É triste mas de certa forma libertador. Este mundo está caótico, desordenado e sem outro rumo que não o do consumo exaustivo dos recursos e da paciência de muitos, em proveito de apenas alguns, oportunamente "iluminados" e eu acho que por vezes, sendo que a própria Natureza procura repor a ordem de forma súbita e violenta, também os Homens o devem fazer! É um escândalo a corrupção moral e a devassidão ética em que nos vemos envolvidos, por vezes até de forma inconsciente, uns com os outros, somente porque alguém alega ter sido definido, dito e escrito que assim fosse. Esta New World Order que nos querem impor coercivamente, consiste na universalização da ignorância e da mediocridade, mas não me lixem, hoje em dia até a Igreja Católica, que é das instituições mais grotescas que esta civilização produziu até hoje, vem a público exigir rigor e transparência e uma alteração do status quo, muito embora pela voz de padres e um ou outro bispo, não pelos verdadeiros responsáveis do Vaticano, que esses bem sabem o quanto vale a opacidade conveniente. Isto chegou ao limite de se fazerem as coisas à descarada e sem preconceito ou pingo de escrúpulos. Quanto a mim é simples, as filhas de putíce pagam-se caras! Só tenho pena de quem é inocente, nunca de quem participa na edificação de algo que ao longe reluz, por dentro apodrece e por poros e orifícios verte verdadeiro esterco imundo. Pronto, já desabafei!
Já agora, o Zeitgeist 3 sai em Janeiro. Não conhecem o 2 ou o 1... nenhum!? Mas estão à espera de quê para conhecer verdadeiramente o mundo em que vivem!?

» zeitgeistmovie.com
» Manual de Sobrevivência em Sociedades Decadentes
» Teorias da Conspiração

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Varandas, pontes e jingles do demo

Bem sei que o Natal é uma época festiva de enfeites por todo o lado e de música na rua, mas eu juro que se ouço mais uma vez o Bridge Over Troubled Waters em flauta de pan, atiro-me de cabeça da varanda desta clínica onde estou a trabalhar hoje! Como se não bastasse ter ido às compras ao Pingo Doce na hora de almoço e aturar aqueles jingles endemoninhados que eles passam a toda a hora... 23 é um limite mais que razoável para ouvir uma versão bera de um tema interessante do Paul Simon. Tirem-me deste filme... please, make it stop!!

Génio, tédio e tickets dos CTT

O nosso cérebro é uma máquina fantástica!
Ontem de manhã saí de casa a entoar uma música, entrei no carro e no exacto momento em que rodo a chave da ignição e o rádio se liga, o que eu estava a cantar cola perfeitamente com a música Something Missing, John Mayer, no preciso momento em que ela tinha terminado quando desliguei o carro no dia anterior. Juro que não me apercebi do que estava a entoar, pois fi-lo inconscientemente, e mesmo que quisesse lembrar-me do que estava a ouvir quando cheguei a casa no dia anterior, seria necessário um esforço herculeano para lá chegar e nunca conseguiria precisar o momento em que tinha parado.
Ontem ao final do dia saí de casa com uma série de documentos que precisavam de ser agrafados antes de os colocar devidamente organizados num envelope a enviar pelo correio e trouxe comigo um agrafador para os agrafar (passo a redundância) enquanto esperava a minha vez na sempre longa fila dos CTT, pois que costumo tirar um ticket e depois aproveito para comer qualquer coisa, passar pelo videoclube ou fico a jogar poker com o telemóvel no carro a curtir um som, e só quando peguei no agrafador para agrafar (mais uma vez!) os ditos papéis é que reparei que não tinha agrafes, nem um!
Sinceramente, ou eu fico mais estúpido com o avançar da hora, o que pode muito bem ser verdade, dado que tenho a tendência para a dislexia quando o cansaço acumula, ou o meu cérebro oscila  entre poder e contra-poder de forma aleatória e ridícula ao longo do dia, deixando-me sem nexo em tarefas mundanas e ejaculando a uma velocidade estonteante, ideias e soluções para questões para as quais até então muito pouca gente se tinha debruçado ou nada disto interessa e este post é das coisas mais parvas que já escrevi até hoje... entre uma e outra... e outra... venha o diabo e escolha, porque eu... erh, lá está... esqueci-me do que ia...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Bonecagem, crise e estupidez para todos os gostos, feitios e bolsas

Só hoje é que me apercebi da Popota e Leopoldina - que estranhamente, a cada ano que passa aparece com formas mais femininas e este ano aparenta ter feito implantes mamários - serem ambas mascotes da Sonae, respectivamente do Modelo e Continente. Então e a concorrência!? Não há mais bonecagem noutros supermercados!? E por falar em supermercados, porque é Natal e o consumismo demoníaco reina na publicidade televisiva, achei importante manifestar o meu total desagrado, aliás, veemente nojo, pelo anúncio aos centros comerciais Dolce Vita. O reclame começa bem, referindo que o Natal é tempo de comunhão, de dar e receber presentes, etc., mas depois termina com um "esqueça lá isso porque o que interessa é que pode ganhar este magnífico automóvel!" WTF!? Pelo menos os tipos do MiniPreço referem a importância da família estar reunida e de se conseguir fazer um Natal porreiraço com preços baixos. Parece que a crise desperta o melhor e o pior na publicidade... estou para ver o que aí vem!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Alienígenas, organismos freudianos e vacas

Depois da psicanálise ter respondido a uma das mais inquietantes questões colocadas pelos Pink Floyd, a Nasa respondeu hoje a outra dessas questões com um estrondoso mas pouco melódico "YES, THERE'S SOMEONE OUT THERE!!"... now what!?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um sério update, um update sério ou um update em série!?

Retomando os posts dedicados a séries e sitcoms, lembrei-me de fazer um valente update acrescentando novos itens ou, como era suposto ser o título deste post, há vida depois de Scrubs... COUGAR TOWN!!

series:
House MD (5)
Californication (5)
Northern Exposure (5)
Life (4)
Men in Trees (4)
Scrubs (5)
Cougar Town (5)
Ally McBeal (4)
Boston Legal (4)
The Mentalist (4)
Castle (4)
Hotel Babylon (4)
Private Practice (3)
C.S.I. (com o Grissom 4)
Flashforward (4)
The Event (4)
Burn Notice (3)

sitcoms:
Seinfeld (5)
Coupling (5)
The Office (uk) (5)
Dharma & Greg (5)
My Name is Earl (5)
That 70's Show (5)
Two And a Half Men (4)
Frasier (4)
3rd Rock From The Sun (4)
Duarte & Ca. (5)

Já agora explico que nunca vi o 24, vi dois episódios do 30 Rock e não me conquistou, não curto a novela Gray's Anatomy, não aprecio o C.S.I. NY, irrita-me séries como o Lost ou o Prison Break durarem mais do que uma temporada, não consigo ver um episódio inteiro de Dexter, Nip Tuck sucks!, Lie To Me é uma péssima imitação do The Mentalist, NCIS e NCIS LA são fraquinhas, o Big Bang Theory roça o detestável e abomino o Horatio Cane (talk about type-cast!! o homem é sempre igual em tudo o que faz; será que também fala assim com os filhos?). Tudo o que ficou de fora não merece ser mencionado!
Longe vão os tempos do McGyver, da A-Team, do Cheers, Mission Impossible, The Fugitive, Twilight Zone e Hill Street Blues... ah... faltam algumas!? Pois faltam, muitas, mas este é o meu top. Ide chekar e votar em 100 Top...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Híbridos, espaço e japoneses estranhos

Tenho andado atento ao fenómeno dos carros híbridos e eléctricos e não consigo perceber a lógica dos japoneses na construção deste tipo de veículos. Bem sei que são apostas de futuro e conceitos evoluídos de sustentabilidade, mas os responsáveis dos departamentos de design da Toyota e da Honda devem achar que quem gosta de carros tecnologicamente avançados deve igualmente apreciar linhas futuristas e espaciais. Só podem ter associado o facto das gerações em idade activa e com capacidade financeira serem do tempo do Star Wars, Star Trek, Buck Rogers e Galática, ou simplesmente porque vêm o mundo em Pal Plus e, na tentativa de imitar a Ferrari ou a Lamborghini, os seus olhos em bico acabaram por criar carros como o Prius e o Insight. Por favor, aquilo é mais feio que um Skoda dos anos 90!! Já a Nissan vai quase pelo mesmo com o Leaf, não percebo! Se virmos os modelos eléctricos da Smart, da Ford, até da Jaguar e da Porsche, reparamos que são modelos em quase tudo idênticos, excepto nalgumas funcionalidades e na motorização... os japoneses são um povo estranho!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Rebuçados, mordidelas e o acordo ortográfico

Recentemente descobri que tenho um problema sério de adicção. Em primeiro lugar porque não respeito o novo acordo ortográfico, escrevendo sempre as consoantes mudas, como acontece com a palavra 'adicção', em segundo porque não consigo comer rebuçados, gomas, bolachas, bolinhos, biscoitos, chocolates, batatas fritas de pacote, frutos secos e outros produtos alimentícios do género de forma moderada, e em terceiro porque nada que seja doce se aguenta muito tempo na minha boca sem ser completamente reduzido à sua ínfima significância! O que acontece é que sempre que abro um pacote - ou outra pessoa, numa casa que não a minha onde eu esteja como visita, o que é sempre interessante de ver - sinto-me compelido a devorar tudo até ao fim ou, num segundo e mais que provável cenário, até ser assaltado por uma súbita e indesejada má disposição, qual delas venha primeiro. É algo que me transtorna a nível digestivo, por razões óbvias, mas também porque fico sempre mal visto quando como o tipo que comeu ‘aquele’ último Mon Cherrie. Vendo bem, só estou completamente à vontade em festas tipo casamentos e baptizados (lá está o 'p'), porque nem a minha mãe, nem uma namorada ou um amigo terão de se preocupar comigo e poderei andar à vontade de mesa em mesa, embora acabe por dar muito nas vistas ao acampar à selvagem junto aos queijos, fumados e fruta. É mais forte que eu!! Além disto ainda há outra situação que me incomoda, como acontece com rebuçados, gomas e chocolates, deixando-me, por vezes, quase a roçar a histeria: quando começo a chupar um doce, mesmo que seja um drop para a dor de garganta ou rebuçado para refrescar o hálito, dou comigo a pensar: “este vou comer até ao fim!“ Mas ainda esta frase não chegou à palavra ‘fim’ no meu pensamento e já destruí completamente o que tinha na boca, qual perdigueiro com um coelho de peluccia entre as suas desregradas mandíbulas. Um dia destes ainda dou comigo a dizer… “olá, sou o Pedro e tenho um problema; não consigo parar de comer rebuçados!”

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Adeus, o sr. do adeus e um último adeus

Sinceramente, para quem acha que estamos a enfrentar a pior crise de sempre e que isto está feio, as coisas vão ficar bem piores agora que o sr. do Saldanha faleceu. Quem é que vai dizer adeus aos transeuntes que se deslocam enraivecidos no trânsito de Lisboa? Quem irá felicitar os peões desatentos e devoradores de montras com um olá espontâneo? Agora que o sr. disse adeus pela última vez, Portugal vai ficar bem mais triste, taciturno e melancólico. Eu conversei uma vez com ele em frente ao Saldanha e, tirando o tom por demais abichanado e mais um ou outro pormenor que aqui não vou revelar, era um tipo excêntrico mas extremamente simpático e prestável. Não o fazia só por sua vontade, era a forma de tornar a vida dos outros mais positiva, nem que fosse num breve instante, respondendo sempre com surpresa, com um esgar, um sorriso ou até um palavrão incompreendido. São estes seres corajosos e desviados que dão alguma cor ao padrão social a tender naturalmente para o cinza acastanhado, quase tom de cocó. São estas almas que dão profundidade às nossas histórias e recordações. Ficarás para sempre na memória de quem te viu, de quem te ouvi, de quem te respondeu. Adeus sr. do adeus. Um grande e eterno bem-haja! Quem é o próximo...!??

(não a lerpar, mas a passar-se dos carretos... a julgar por este e outros posts, eu já estou na calha)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Bola, surpresas incríveis e um frango

Ok, sou sportinguista...

Ontem queria ter visto o Porto x Benfica mas não estava perto de um rádio, de um computador com internet ou de um café com SportTv e telefonei a um amigo, o qual ficou indignado comigo porque pensou que estava a gozar, além da minha namorada ser do Benfica (mais pela família do que por vontade própria, me parece) e de me ter sujeitado à sua ira (essa é mesmo dela, embora talvez seja característica da grande família benfiquista, porque ninguém os atura quando vence, quando perdem, quando empatam, quando não jogam, e noutros momentos). Depois de lhe explicar que não, que apenas queria saber como estava a correr, explicou-me que já estava o Porto a vencer por 3 a 0 aos 28 minutos de jogo!! Meti-me no carro de regresso e apanhei os comentários à primeira parte do jogo, uma vez que estava no intervalo, em que referiam uma metade de jogo com um Benfica muito apagado, incapaz de progredir no ataque e de parar o "incrível Hulk" e das más escolhas do Jorge Jesus para a defesa e meio campo... cheguei a casa e fui espreitar um bocado do jogo à internet. Estava muito lento o feed e só consegui perceber que já estavam a levar 4! No final apareceu um amigo meu - adepto do FiêCiêPiê - em casa, que me disse que tinham arremessado pedras ao autocarro à chegada para o estádio, jogado bolas de golfe à equipa encarnada durante o jogo, que tinham soltado uma galinha preta na zona da baliza do Roberto, guarda-redes do Benfica, em pleno jogo e que o mesmo tinha terminado com uns incríveis e surpreendentes 5 a 0!!! Fiquei completamente espantado, verdadeiramente estupefacto, quase atónito e a roçar a total perplexidade...

...UMA GALINHA NO CAMPO!?!?!?

Ok, eu avisei!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Gordura, migalhas e o Universo

Mas porque é que de quando em vez a manteiga enrola e custa tanto a sair? Uso sempre a mesma faca, ok não exactamente a mesma, mas uma igual, é retirada do frigorífico com a mesma antecedência, acontece tanto de Verão como de Inverno, o cenário consiste em 2 ou 3 fatias de pão torrado num prato raso em cima da bancada da cozinha, já experienciei isto em vários pontos do globo... sinceramente não percebo! Haverá uma ruptura na espacio-temporalidade da minha relação com a manteiga no preciso momento de a barrar no pão tostado? Será que ali e nesse preciso momento se encontra o nexus do universo, no meio da gordura, das migalhas e do meu desespero? Terá a ver com a forma como acordo e o feitio que trago comigo para a cozinha? E se levar a manteiga para o quarto? Não entendo, juro que não entendo!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Smart phones, dumb technology, normal me

Chegou um momento crítico de dizer o que acho e marcar uma posição sobre a velocidade alucinante a que a tecnologia evolui nos dias de hoje. Sinceramente detesto o 3D e o HD, o Hi-Fi e o Wi-Fi, os cd's remasterizados com a música esquartejada pelos processos de filtragem de ruídos e suposta "sujidade", os filmes passados de cinza para cores, os frangos com nitratos e o peixe com mercúrio, a água da piscina com cloro e a água da rede com alumínio, os vegetais com bom aspecto mas sem sabor, a fruta de plástico e os plásticos com fruta... prefiro o natural ao sintético e o analógico ao digital - em tudo excepto no relógio da minha mesa de cabeceira, pois que dá mais jeito ter um LCD luminoso do que ter de ligar a luz para ver as horas, mas de resto tudo é melhor com ponteiros, até o cockipt do carro, aliás, especialmente no cockpit do carro - e tolero todos os avanços tecnológicos nas áreas da Medicina, Química e Física, até aí tudo bem, agora mudarem tudo para ecrãs digitais, alterarem as formas e os sabores da comida, brincarem com a genética em animais e humanos já me parece exagerado, francamente desajustado e até estúpido! Tenho um telemóvel que só serve para fazer chamadas e enviar/receber SMS, não preciso de um smart phone com touch screen; não me interessa ter um GPS para me levar onde quero por sítios onde não me apetece passar; não tenho vontade de vir a substituir a comida por comprimidos e estou particularmente farto de publicidades engenhosas, notícias incríveis e reportagens insidiosas e manipuladoras que tendem a fazer-me crer que certas coisas que não preciso, ou não são fundamentais, são de facto o que há de melhor e mais imprescindível na minha vida. Estou a começar a irritar-me!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Funcionalidade, sossego e alter-egos

Respondendo aos comentários gerados pelo post anterior, achei que ficaria melhor em formato de novo post.
Nestes últimos anos apercebi-me que a melhor forma de sermos "funcionais" em alguns contextos, principalmente em termos profissionais e até com certas pessoas a nível social, é de certa forma escondermos o que somos realmente e deixarmos - ou fomentar, dependendo do momento e situação - a projecção e influência da nossa imagem abrir caminho à nossa frente, como se de um amigo a afastar gente a pulso numa multidão se tratasse. Com algum jogo de cintura até nos vamos conseguindo tornar mais profissionais, confiáveis e até verdadeiros no nosso percurso, mas sem dúvida que requer muito traquejo e aquela patine tão pouco natural na nossa consciência. Com o decorrer do tempo, considero que mudei, amadureci e hoje sei que devo ser egoísta para estar melhor, para ter paz de espírito e até para ser feliz, mas é um egoísmo interessado, não interesseiro! (faço-me entender!?)

Quem me conhece narra-me como sendo genuíno e verdadeiro - mesmo mudando tantas vezes de opinião, o que continuo a achar tratar-se de uma característica positiva, dado que não me custa muito dar o braço a torcer a quem quer que seja, uma vez que quando mudo é para melhor, logo, compensa - mas a que preço!? Custa e desgasta bastante, só se tornando positivo quando analisado o rácio custo-benefício e normalmente só quem está mesmo perto reconhece e dá valor a isso. Os outros, bem...

Invariavelmente quem tem uma postura mais séria e regular, não necessariamente cinzentona, arriscar-se a ser rotulado de arrogante ou distante, o que muitas vezes acontece comigo, mas confesso que em nada me incomoda, pois só acontece num primeiro instante ou à distância e nem a toda a gente vale a pena dar-me a conhecer. Não que não importem, com certeza interessam a alguém, ou até a muita gente, mas não são relevantes para o meu percurso... e era exactamente aqui que queria chegar!

Num dos comentários, aparecia escrito: "sê superficial, mas sem faltar à verdade, com os outros que passam na tua vida sem deixar marcas".

Parte de nos tornarmos adultos, seja lá em que momento da vida isso possa acontecer, ou não, até porque se pode de certa forma evitar e contrariar esse processo quase inevitável, consiste em compreender e aceitar que não somos donos, em parte, do nosso destino - ou da sua totalidade, diriam alguns - por mais que se orientem objectivos num ou mais sentidos ou até deixando andar a vida ao sabor do tempo; que não somos imortais e o quanto isso tem de real em si mesmo, em nós próprios e a cada dia que passa; e que muito provavelmente não deixaremos grandes marcas neste mundo ou na sociedade em geral - confesso que detesto o triste postulado de Warhol. Apreendemos tácticas e todo o tipo de manobras de diversão com o objectivo de afinar a nossa maneira de estar, tendo como desígnio último a tão importante obtenção de sossego de espírito, conseguindo, de forma mais ou menos penetrante, ser nós próprios. Mas será que com tanta curva e contra-curva no traçado sinuoso que vamos riscando social e profissionalmente acabamos por atingir essa meta ou estaremos, assim, designados ao curioso e atraente esboço de uma ou mais versões de nós mesmos? E a ser esse o cenário, poderemos melhorar continuamente os defeitos perniciosos da nossa original individualidade ao darmo-nos de forma tendencialmente harmoniosa com os outros ou as reverberações cabalísticas da nossa essência teimam sempre em borrar a pintura dessas versões alternativas do nosso Ego?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Felicidade, razão e verdade

Ser feliz ou ter razão?
«Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar em casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou as indicações e um mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela dá as orientações e pede para que vire na próxima rua à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem e, percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com alguma dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz inversão de marcha. Ela sorri e diz que não há problema de maior se chegarem uns minutos atrasados, mas ele ainda pergunta:
- se tinhas tanta certeza de que eu estava enganado, devias ter insistido mais...
E ela diz:
- entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz! Estávamos à beira de uma discussão e se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!»
Moral da história: esta pequena história foi contada durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho e foi usada cena para ilustrar a energia que gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de a ter ou não. Outra frase semelhante diz: "Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam".

Recebi esta história por email e a princípio até achei alguma piada. Não só por ser, talvez, verídica, por ser aplicável a N situações do dia-a-dia mas principalmente porque parecia fazer sentido. A questão que se coloca como consequência lógica - ou não, se calhar sou eu que sou mesmo esquisito - é que o mesmo se pode dizer de "ser-se feliz ou saber a verdade?"

- se alguém mentiu por nós, dará jeito saber?

- se houve a quem contámos um segredo em estrita confidência, com base na confiança e respeito mútuos que temos com e por essa pessoa e em nosso benefício o revelou... será importante termos a noção disso?

- se somos traídos pela(o) nossa(o) companheira(o) e ela(e) tem essa realidade completamente resolvida, tendo sido só um caso pontual e inteiramente justificável, será que é melhor sabermos?

- se terminámos a licenciatura com um 10 na última cadeira, daquelas que levou anos e vários exames para a dar como feita, só porque alguém intercedeu em nosso favor; será fulcral termos acesso a esse dado?

- se conseguimos aquele emprego de sonho, no qual seremos esforçados e competentes, estando decidida e unilateralmente motivados, principalmente porque um familiar ou amigo usou uma cunha, mesmo sabendo que seriamos incapazes de tolerar tal atitude; será decisivo termos consciência disso?

Desde que vi filmes como o What is The Matrix, Fight ClubAmerican Beauty, Vanilla Sky ou o V For Vendetta, entre outros, que me debruço sobre estas questões e a frase "ingorance is bliss" não me sai da cabeça! Para acrescentar a isto, ouvi em tempos uma expressão fantástica de um amigo meu que me trouxe ainda mais confusão: "a felicidade não é estúpida, a estupidez é que é feliz". Se a isto tudo acrescentarmos a realidade em que vivemos nos dias de hoje, a actualidade política, económica e social, o facto da nossa imagem alegadamente valer mais que o nosso interior, pelo menos à partida e na grande maioria dos casos, e de se dar prioridade à forma em detrimento do conteúdo, em que pé é que ficamos!?
Será possível e exequível atingirmos a tão desejada e necessária Paz de Espírito que norteia e baseia a Felicidade se, ainda que mantendo uma atitude positiva, tivermos acesso a tudo o que está por detrás da cortina, no fundo da toca do coelho e por detrás do espelho!? Existirá magia sem ilusão? Haverá sentido sem imaginação? E os nossos sonhos não serão, na sua maioria, inquietantes pesadelos!?
Não é fácil ser-se adulto, não é simples atingir-se o suposto e desejado grau de maturidade e não é de todo evidente e acessível o processo que nos leva a alcançar a resolução das coisas em nós mesmos.
Hoje não há respostas, dicas ou interpretações especulativas. Desta vez deixo tudo em aberto para a reflexão individual e o debate comum...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Apelo, grito de guerra e cães pulguentos

Quero deixar aqui uma apelo público e sincero a todos os que enviam emails, com ou sem powerpoints, e sejam lá eles em brasileiro ou chinês, com conteúdo duvidoso a pedir no final para eu reenviar a sei lá quantas outras pessoas, sob pena de ter todo o azar do mundo, perder o tacto ao amor, ao jogo e até eventualmente me cair a pila ou os lóbulos das orelhas que cessem esse tipo de actividades terroristas. Estou farto e ao 2º email do género, assinalo-vos como SPAM! Sinceramente, mais vale irem comer um cão cheio de pulgas... isso é coisa que se faça a um amigo? Desejar assim o mal!?!? Mandem-me emails com mp3, vídeos interessantes, fotos de gajas nuas ou todo o tipo de parafernália em jeito de "Portugal no Seu Melhor", que até ver parece ser um tema inesgotável, mas por favor não me enviem bacoradas com anjinhos da sorte, ursinhos do amor, karmas do destino ou frases enigmáticas e premonitórias que só me dão vontade de regurgitar o pequeno-almoço para cima do teclado e depois é uma real chatice limpar entre as teclas. Por favor!!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Simplex, dificultex ou somente complex!?

Pode não parecer, mas o tuga gosta mesmo é de complicar as coisas, atravancar os espaços e dificultar a sua vida ao máximo, quase a roçar o insuportável. Porque de outra forma não dá gozo, seria menos colorida e tornava-se quase banal, ora por aqui a malta quer tudo menos o que é normal!

Escadas de prédio sem nada ou uns centímetros de parapeito na janela? ...vá de vasos com fartura!

Um corredor, ainda que assim para o estreito mas com aspecto de que está vazio? ...não é bem Feng-Shui, mas colocar um armário, uma cómoda ou uma mesa corrida sempre compõe o espaço!

Uma varanda só com meia dúzia de floreiras? ...é o espaço ideal para uma carrada de lenha, que sempre fica perto da janela da sala!

128 manobras para estacionar o carro intra-muros, bem juntinho à porta de entrada da casa? ...é sempre melhor do que deixá-lo na rua!

Um pedacinho de terra no quintal? ... dá para ter umas couves, ervas aromáticas e uma palmeira, que leva tempo para caraças a crescer e depois só dá sombra praticamente para o seu tronco e é difícil como o raio passar a corda da rede para as sestas, mas dá um toque exótico e sempre fica mais alta do que o limoeiro do vizinho!

Uma praia cheia de gente, com pouquíssimo espaço para esticar a toalha e estar à vontade? ...qualquer pedaço de areia serve para abancar com a família, colocar 3 guarda-sóis, 1 daquelas "cortinas" anti-vento e 9 toalhas meio enroladas, espalhadas à volta a fazer uma espécie de forte, quase a lembrar a Vivenda Silva lá da aldeia, cadeiras de braços para os adultos e bancos da pesca para as crianças, 4 arcas frigoríficas, 5 alheiras, 2 garrafões de tinto e cerveja à descrição e o dia todo a cuspir sementes de melancia de papo para o ar a dizer palavrões e mal do governo!

Ser tuga não é fácil! É assim uma espécie de arte performativa e quase quase uma ciência!