O blog que vai bem com meia dose de migas de espargos, uma caneca de Mokambo e um rebuçadinho de mentol.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
AI, data centers e reciclagem
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Pessoas, momentos e motas
Ainda sobre o vídeo referido no último post...
Uma das reflexões da narradora é uma frase conhecida:
"Tempos difíceis criam pessoas fortes, pessoas fortes criam tempos bons, tempos bons criam pessoas fracas e pessoas fracas criam tempos difíceis."domingo, 9 de agosto de 2026
Motas, carros e liberdade
Vi um vídeo no YouTube sobre a suposta morte da cultura das motas e de como nos anos '90 a idade média de quem tinha uma mota andava na casa dos 20 anos e hoje em dia andará na casa dos 50 anos. Que a minha geração - e as anteriores - procuravam fazer coisas divertidas na rua, enquanto que os miúdos de hoje ficam dentro de casa agarrados ao vício das redes sociais, consolas e outras coisas que vêm em ecrãs.
Tudo certo, concordo e assino por baixo, mas às tantas a youtuber referia que tinha deixado de ir a eventos de imprensa e apresentações de novos modelos porque sentia que o foco tinha mudado das motas em si e de as conduzir, para as specs, a análise dos números e as novidades face ao modelo anterior ou à concorrência e quando, finalmente, iam andar nas motas era muito mais para tirar as fotos e fazer os vídeos naqueles locais instagramáveis e não tanto pelo prazer de andar na mota e testá-la verdadeiramente.
Então ela enquadra o vídeo, feito na Islândia, um local incrível e mágico, mas inóspito e onde rara seria a pessoa que andaria por ali de mota naquelas condições, como fazendo parte do seu desejo de voltar às raízes e à primeira vontade de andar de mota, explorar e sentir a ligação com a paisagem.
Concordo com tudo o que mostrou no vídeo, mas não consegui evitar de comentar o vídeo com isto:
"A ideia de que, quando se conduz um automóvel se vê menos coisas do que quando se anda de mota depende muito da estrada, do contexto e do nosso estado de espírito nesse dia ou nesse momento. Adoro motas, muito pela sensação de liberdade que proporcionam, mas por vezes conecto-me mais com a paisagem e o contexto à minha volta e sinto-me mais à vontade a conduzir um carro do que a andar de mota, onde pode ser mais stressante tendo em conta tudo o que acontece à nossa volta... se a estrada for estreita e não der tempo de olhar para o lado ou se houver trânsito e até gente ao telemóvel enquanto conduz, se é um dia de semana e anda tudo com pressa para chegar ao destino e apostam nas ultrapassagens à papo-seco... enfim! Prefiro mota em certas estradas e com determinados estados de espírito e carro noutros. E também depende da mota... e do carro! A combinação perfeita dos dois seria, provavelmente, um descapotável... ou um roadster! :)"
Na linha deste pensamento e como já tenho partilhado com amigos que ficaram estranhamente espantados com as minhas mais recentes decisões neste departamento, fui muito positiva e agradavelmente surpreendido com a forma mais despreocupada e livre como posso andar na cidade numa scooter 125cc, relativamente a um carro e sobretudo a uma mota maior... e como posso chegar mais depressa e "sem espinhas" ao meu destino numa trotinete!
É que eu sempre vi as scooters como algo idiota, até ridículo, que jamais me daria prazer de conduzir... e, de facto, não dá! Mas, neste cenário, o prazer pode ser outro, como o de perder menos tempo no trânsito, chegar mais depressa ao destino, poder ir às compras e levar tudo o que preciso (exceção feita a garrafões de água, caixas de 25 minis ou pacotes familiares de papel higiénico), poder parar perto dos sítios onde quero ir e acima de tudo a facilidade de estacionamento, pois há sítios onde não deixaria uma mota maior, mas ninguém me chateia se deixar a scooter... e os consumos são brutais e a poupança é incrível!
E ainda há a trotinete, que uso nas ciclovias e passeios e nem tenho de me chatear com carros... nem motas! Levo menos coisas, é certo, mas levo-me a mim mais depressa e com ausência total de stress.
Haja dinheiro e espaço na garagem para ter um veículo para cada contexto e mood, que isso é que faz sentido!!
domingo, 2 de agosto de 2026
Música, tecnologia e desgostos
Por mais que goste de viver no passado, porque sabe bem revisita-lo de quando em vez, sou pouco dado a arrependimentos... mas também por mais que haja necessidade de progredir e criar futuro, há sempre espaço para desgostos, aprender e crescer com eles.
Bem, mas filosofias à parte, o maior desgosto que tenho na vida é não ser possível ouvir Queen, Beatles ou Pink Floyd dos anos 60 e 70, mas gravados com tecnologia de 20 ou 30 anos depois!
Passo a explicar...
Certas bandas como Queen, The Beatles, Pink Floyd, The Beach Boys e outras gravavam em 4 pistas - que era o que havia na altura - e depois passavam o resultado essas 4 pistas para uma nova pista... e usavam as outras 3 para gravar mais instrumentos e mais vozes. E depois repetiam este processo até - infelizmente - se perder muita qualidade de som!
Com o advento do digital este processo tornou-se radicalmente diferente, podendo gravar-se ad eternun, ou em certos casos ad nauseum, sem se perder qualidade. Os Aerosmith são um bom exemplo disso: basta ouvir uma das suas faixas dos álbuns dos anos 90 - com phones!! - para perceber que há para ali pormenores que quase saturam o tema... mas é tããããão bom!!
E custa-me que, por mais que haja músicas originais de Pink Floyd nos anos 90 e depois, por mais remasterizações que se façam de temas antigos, não é a mesma coisa!
As bandas que gravavam daquela forma pré-digital, e por mais que me soe bem ouvi-los, nunca vão poder ser escutadas de outra forma!
E atenção, não me refiro à ausência de ruído que o vinil e a cassete tinham e o CD não! Esse "ruído" é bem saboroso e acrescenta mística e patine aos temas. Refiro-me mesmo à perda de qualidade e há, inclusivamente, testemunhos de produtores e técnicos de som de estúdio que referem que as fitas analógicas dos Queen e Beatles, por exemplo, chegavam quase ao ponto de se tornarem tão finas/gastas que quase se rasgavam!!
E é isto... nunca vou saber como certas músicas soariam se fossem gravadas, da mesma forma, no mesmo ambiente e contexto, mas com tecnologia digital.
É um desgosto que trago comigo... e que se dilui um pouco quando oiço essas mesmas músicas em vinil ou mesmo em CD com phones. Sim, porque em mp3 ainda se perde mais qualidade e com colunas 5.1 ou 3.1 não vale a pena sequer tentar!