sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Primeiro-Ministro foi com o Pai Natal e o Super-Homem no comboio ao circo...

Não sei se reparam no que se passava à vossa volta durante estes últimos dias, de festa e animação. Para além das mais que óbvias iluminações de Natal, da interminável crise, da arrogância crónica do primeiro-ministro, da sistemática pasmaceira da oposição, dos incidentes escandalosos na banca, dos acidentes e do aumento de mortes na estrada, da inundação quase apocalíptica de sms durante a noite de consoada, ainda apareceu uma praga de bonecos de pai natal a subir por umas cordas, pendurados às janelas, varandas ou chaminés, alguns deles com luzes no rabo! Depois das bandeiras de Portugal durante as provas desportivas (de futebol, mais concretamente), só mesmo a massificação da figura simpática do velhote gordo, barbudo e concorrente do super-homem no que à roupa interior diz respeito, bem como à velocidade de ponta que consegue atingir no ar. Ninguém me consegue convencer daquilo ser um casacão vermelho, mais parece um roupão, e o homem de aço é que também anda sempre com a roupa íntima – talvez o salto da roupa de quarto para a lingerie seja um esticão grande e um pedacinho exagerado, mas serve o propósito – à mostra, em plena rua, para toda a gente ver. Em relação à velocidade do Pai Natal, é engraçado, pois surgiu um estudo de uma universidade americana em que se revela que o trenó no Pai Natal tem de ser super-hiper-mega-rápido para que ele possa distribuir tanta prenda em apenas uma noite. Talvez nem o Super-Homem conseguisse tal proeza. Mas voltando às surpresas e constantes, tenho receio do que possa vir a seguir… haverá alguma praga bíblica que envolva campinos? Tenho medo!!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Anda tudo maluco, doente ou no estrangeiro

Aviso deste já que alterei (melhorei) um texto que recebi por mail, recusando assim toda e qualquer acusação de plágio.
Após ponderada análise e consequente reflexão dos fenómenos verificados nestes últimos tempos, parece que
este ano não vai haver presépio de Natal:
- a ASAE fechou o estábulo por falta de condições
- as vacas loucas tiveram de ser abatidas
- os burros estão todos no Governo ou na Assembleia da República, mas ao mesmo tempo a gozar férias ou em reuniões de trabalho no estrangeiro, ninguém os apanha por cá
- os reis magos cairam numa emboscada na Faixa de Gaza e foram levados pelos americanos para Guantanamo
- a palha ardeu toda nos incêndios deste verão
- o menino Jesus desapareceu algures este ano na Praia da Luz em Lagos
- Maria foi apanhada pelo SEF na noite a tentar arranjar uns trocos para comprar leite e pão
- José foi apanhado a vender autorádios roubados na rotunda do relógio em Lisboa, também ele a tentar arranjar algum sustento
- a estrela está apagada porque a REN anda num processo de enterrar cabos de muita alta-tensão
...enfim, são as marcas da indeléveis da realidade.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Bófia, instintos pidescos e multas a granel

O post anterior fez-me pensar e ao mesmo tempo deu-me vontade de regurgitar algumas hipóteses e especulações (se tivesse escrito verdades ainda me crucificavam ou fechavam o blog). Trata-se de um assunto sério que já tenho debatido entre amigos e nem sempre é trazido para a praça pública, por razões pouco óbvias que vou tentando descortinar.
As autoridades e os jornalistas insistem em apelidar os tugas de aceleras, com alguma razão, mas há uma distinção que deve obrigatoriamente ser feita para que todos se apercebam da diferença: excesso de velocidade e velocidade excessiva não são a mesma coisa, atenção! Se não vejamos:
Seguir a 50km/h numa zona em que o limite de velocidade é 30km/h
Seguir a 110km/h numa estrada em que o limite de velocidade é 90km/h
Seguir a 140km/h numa auto-estrada em que o limite de velocidade é 120km/h
Qualquer dos cenários descritos apresentam situações de excesso de velocidade mas não necessariamente de velocidade excessiva. O conceito de velocidade excessiva depende muito de vários factores, alguns deles subjectivos:
- estado e qualidade do veículo em que se segue (pneus e pressão, travões...)
- capacidade física (idade) e instintiva (reflexos) do condutor
- estado psicológico em que se encontra o condutor (cansaço, irritabilidade, alterações químicas por drogas legais ou ilegais...)
- estado de conservação do piso (buracos, rasgões...)
- visibilidade da estrada (árvores, arbustos, cercas, vedações...)
- sinalização da via (traços no piso, sinais de trânsito...)
and last but not least... tacto do condutor! ...que, parecendo que não, nada tem a ver com a capacidade e/ou o estado psicológico em que este se encontra no momento.
Nisto tudo, o que me parece mal é misturarem nas notícias (repórteres, polícias entrevistados e conferências de imprensa por parte das várias autoridades envolvidas) um conceito com o outro e apenas dizerem que foram apanhados "X" condutores durante tal período em excesso de velocidade e que se conseguiu "Y" quantidade de dinheiro em multas. É pura demagogia e sensacionalismo barato.
Quantas pessoas que foram multadas por conduzir em excesso de velocidade seguiam em velocidade excessiva?
Quantas pessoas que seguiam em excesso de velocidade e não a velocidade excessiva sabiam efectivamente que estavam a ser filmadas e fotografadas?
Quantas das pessoas que foram multadas por excesso de velocidade estavam envolvidas nalgum tipo de acidente?
Quantas destas pessoas todas causaram alguma vez um acidente na sua vida?
Meus amigos (já pareço um político qualquer a falar)... porque é que a ASAE, o SEF, a PJ e a GNR têm tido o comportamento que se nota? Não querendo entrar na questão de um futuro, mais que provável, Estado totalitário, apenas vos deixo a seguinte consideração: além dos impostos, onde acham que este governo vai buscar o dinheiro para tapar os buracos deixados pelos anteriores e sucessivos governos? São todos uns cabrões (perdoem-me, mas não têm outro nome!) hipócritas e cínicos aprendizes de déspotas. Em vez de irem buscar o dinheiro ao bolso dos seus amigalhaços e familiares ricos, donos de bancos, seguradoras e clínicas de saúde, vão buscá-lo ao bolso dos que têm algum (classe média alta), dos que mal ou bem ainda vão tendo (classe média e média-baixa) e sempre que podem ao bolso dos que pouco ou nada têm (classe baixa). Estes último, quando não podem vão de cana e lixam-nos para a vida. Isto já para não falar dos medicamentos, das consultas e operações, das reformas, da falta de incentivos à natalidade, desemprego, entre muitas outras coisas.
Neste blog brinca-se muito, mas também se fala a sério! Espero comentários a favor, contra, ou meramente a dizer mal dos Pintos da Costa, Albertos João Jardins, Valentins Loureiros, e entre que tais. Esses estão sem dúvida na raiz de muita merda que p’raí há. É o costume, e o costume diz que "quem se lixa é sempre o mexilhão". Vá tudo a abrir a pestana-tana oh faxavor!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

INEM, pizzas e condução perigosa

Na falta de conseguir ser piloto de rallys ou formula1, com a vontade e o gosto que tenho em acelerar, acho que ainda vou tirar um curso de enfermagem e trabalhar para o INEM. É impressionante a forma como aqueles tipos conduzem. Luzinhas acesas, buzina a bombar e lá vão eles a zunir. Pior do que eles, só mesmo os mensageiros e os tipos das entregas de pizza. Phonix!? (passo a publicidade)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Belo dia!

Pronto, tudo bem! Está assim a modos que a cassimbar e tal mas acordei bem disposto porque ontem quando fui às compras apanhei um carrinho de supermercado com as rodas alinhadas. Que me lembre, acho que foi a primeira vez em muito tempo (tipo, desde sempre!!) que isso aconteceu. Aquilo é que foi andar à vontade nos corredores, para cima e para baixo, diante e de recto, sem fazer grande esforço. Ganda luxo! E depois, sem saber bem porquê, hoje de manhã foi dos dias mais fáceis para fazer a barba. Nem consigo explicar porquê. A água estava à mesma temperatura, o índice de humidade no ar dentro da casa de banho era o mesmo, a lâmina tinha apenas mais uma utilização em relação a ontem e cinco utilizações no total desde que a comecei a utilizar, a espuma apresentava a mesma consistência, o magano do espelho estava tão embaciado como das outras vezes, não consigo perceber... mas está a ser um belo dia! Gosto da chuva e do caos que provoca. Quando acompanhada de vento então, ainda melhor. É ver as pessoas todas aflitas de um lado para o outro, parecendo formigas num ninho (ninho!? lol) alagado por um gaiato de oito anos que brinca com uma mangueira. E se deus existe deve ser isso mesmo, um puto reguila que de vez em quando brinca com a mangueira, mas como não acredito muito nisso, gosto de pensar que é a Natureza a fazer das suas. Vinga-te com força, a gente merece!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

tendas luxuosas e o circo montado cá fora

Acho muito mal o governo português ter deixado o Kadhafi montar uma tenda monstruosa enquanto cá esteve para a Cimeira UE/África. Aquilo mais parecia um harém com mulherío por todo o lado - hamam-lhes seguranças ou escolta, mas devem ser as tais 40 virgens que o Kadhafi já tem mesmo antes de passar para o outro lado. Já o príncipe do Dubai tinha feito o mesmo quando foi a feira do cavalo da Golegã este ano, mas essa ultrapassava os limites do razoável: torneiras de outro, televisões de plasma em todas as divisões (sim! mais do que uma divisão), tapetes persas por todo o lado, arranjos de flores feitos para o príncipe com as flores que ele gosta, design exclusivo encomendado a um arquitecto de interiores, e sei lá o que mais! Se fosse eu, num lugarejo qualquer da costa alentejana, era logo multado por campismo selvagem e invasão de propriedade. Tá mal!!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O drama do pijama e da luz magana

Eu tenho dois pijamas de meia estação, um azul e outro amarelo, e dois pijamas de Inverno, um branco e outro cinzento – no Verão durmo de boxers e t-shirt, mas isso agora não vem ao caso – e acontece que no meu corredor se fundiu uma lâmpada de um dos dois candeeiros, que são pequenos, assim tipo olho de boi mas no tecto – também não interessa quem os colocou lá, já arrendei a casa assim – e como ambos somente suportam lâmpadas pequenas e de baixa potência, na casa dos 40W, não tenho grande iluminação e não me permitiram ver a roupa que escolhi no dia em que decidi passar dos referidos pijamas de meia estação – penso que o último que vesti foi o azul, mas isto é decididamente pouco relevante para o resto da história, ajudando apenas a manter esta frase enorme, coisa que estou a conseguir fazer com razoável êxito, pois ainda não apliquei um único ponto final – para os pijamas de Inverno. (ah!) Sem grande noção do que tinha em mãos, tirei as calças do pijama cinzento e a parte de cima do pijama branco, tendo apenas reparado nesse pequeno grande pormenor dois dias depois, altura em que, sem saber bem porquê, optei por me despir na casa de banho e não no quarto – agora sim, importa referir que nem sempre abro os estores da janela do quarto de manhã antes de me desramelar, mantendo aquele ambiente de lusco fusco, típico de quem apenas deixa entrar a luz por quatro ou seis fileiras (não me apeteceu dizer cinco) de furinhos de estores – precipitando toda uma cadeia de eventos ligados entre si (viva as redundâncias e os parêntesis!!). A derradeira questão que se coloca é a seguinte: como só tenho dois pijamas de Inverno, que vou alternando, usando um enquanto o outro está a lavar, e está demasiado frio para interromper esta sucessão de acontecimentos têxteis com um pijama de meia estação, será que tenho de esperar pelo próximo Inverno para poder acertar as cores das partes de cima e partes de baixo dos meus dois pijamas de Inverno e finalmente reequilibrar o status quo das coisas?
Após reler este post, mesmo antes de o publicar, não consigo perceber o que é mais maluco, se a sua forma ou o seu conteúdo… mas agrada-me!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Jamba, Jorge Palma e o princípio do fim de tudo

Ao que isto chegou, meus amigos!! Estava eu a surfar na net, quando dei com um popup da Jamba. Mas isso em nada me surpreende, porque os tipos estão em todo o lado e aparecem mais vezes em popups do que a CEAC ou qualquer coisa que envolva . O que de facto me prendeu à cadeira e me deixou quase KO, foi o anúncio do toque real, polifónico, monofónico ou em ringtone da nova música do Jorge Palma... do Jorge Palma, perguntei eu em voz alta? Mas ninguém me respondeu além do homenzinho que vive dentro da minha cabeça e esse esteve no prenúncio da própria pergunta e também estava ligeiramente atónito. Rihanna, Alicia Keys, Justin Timberlake e sim, Jorge Palma. Oh Jorge! Depois de teres penado a tocar no metro de Paris para juntares uns trocos e comer (esqueçam lá o resto, para este post apenas interessam as necessidades mais básicas, o alcool não vem ao caso), depois de teres estado de parte durante muito tempo só ao alcance de minorias culturais, depois de teres sido um roqueiro e teres montado o teu próprio gang de gangas esfarrapadas e lenços na cabeça, já recentemente ainda fizeste parte de dois grupos assim já a atirar para o comercialoide, para agora pertenceres a este mundo de consumismo frenético e desinteressado? Como te manténs sempre fiel aos teus princípios e à tua mensagem libertadora e sempre inconveniente para a grande maioria (epá, deixem lá a questão do alcool aqui também!), não sei se te dou os parabéns também a ti, mesmo sem teres feito 99 anos, uma vez que terás (boldly went where no man has gone before, lol!) conseguido fazer o que alguns sonham e até agora muito poucos conseguiram sem terem sido logo queimados vivos ou lobotomizados à força, que é minar o sistema por dentro, ou se realmente te estranhe. Seja como for, aqui fica um grande abraço do teu maior fã! Cuida-te e vai fazendo poesia como sempre fizeste, vale a pena, pá!!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Subsílios a granel!

O sr. Manoel d’Oliveira faz hoje 99 anos. Endereço-lhe desde já os meus parabéns mas não pelos seus filmes entediantes e muito menos pelos subsídios que recebeu do Ministério da Cultura (sem ir a concurso) para ajudar à produção dos seus mais recentes trabalhos. Os parabéns são inteiramente merecidos pelo facto de atingir tão bonita idade, ainda para mais com a lucidez que apresenta. Isso sim, é feito fantástico! O que já não soa tão fantástica é a atitude do sr. Ministro da Cultura e deste governo infecto e manhoso.

Velhos, porra frita e mercas para todos

A última abertura do ano da Boutique de Sº Braz, no mês do Natal... o trânsito é insuportável e as velhas parecem doidas, assim ao género do grande magusto de Lisboa na Praça do Comércio que aconteceu aqui há um mês ou dois, em que um velhote foi parar debaixo do assador empurrado pela horda de idosos famintos e enfurecidos que ali se encontravam. Acho que era para o Guiness ou algo assim. Põem-se loucos para comprar t-shirts a 4€, alarmes despertadores a 6€, auto-rádios a 35€, calças de lycra a 8€, blusas de malha a 10€ e porra frita, muita porra frita come esta gente!! Eu cá é mais bolos, mas se tiver de ser massa, venham churros!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Curiosidades sensivelmente nojentas #2

Quem vai pagar os novos contadores de electricidade digitais nas casas particulares de cada um de nós?
20 anos a pagar 0,90€ por mês pelos bons dos tugas (em Espanha são as empresas de electricidade que pagam, obrigadas pelo governo espanhol a procederem dessa forma)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Curiosidades sensivelmente nojentas #1

Quem é que paga a factura de se convidarem líderes autoritários, fascistas e genocidas, responsáveis pelas maiores atrocidades aos seus próprios povos, bem como pelas mais bárbaras infracções aos direitos humanos nos seus territórios, para uma “festa” toda catita e pipi organizada pela presidência portuguesa?
10.000.000,00€ a serem cobrados pelos bons dos tugas

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Acordes, varandas e pianos de caudas

Quando um piano de cauda cai de uma varanda em cima de uma pessoa que vai a passar, que acorde é que soa?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Apitos do demo

Sem querer entrar muito pela definição do trabalho que faço, apenas importa referir que, entre outras coisas, avalio a audição das pessoas. Hoje, enquanto fazia o questionário clínico a uma senhora, por forma a perceber melhor os sintomas que tinha e fazer uma melhor avaliação do problema, perguntei-lhe o seguinte:
-
"costuma ouvir apitos nos seus ouvidos?" ...querendo saber se tinha acufenos, lá está... apitos ou zumbidos!
Ao que a sra. responde, com um sotaque do norte (não foi a brincar, era mesmo do norte):
- "xim, àsh vezesh... as ambulânciash e asshim..."
Tive de me segurar à secretária para não me desmanchar a rir!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Futebol, camaramen’s e algraviadas

Nas transmissões televisivas de futebol os camaremen apanham sempre os jogadores e treinadores quando dizem palavrões, altamente perceptíveis apenas pelos movimentos de boca e lábios, ou será que estes dizem palavrões constantemente e basta que haja uma câmara apontada a eles para que se possa ver?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Bom cinema, mau e assim-assim

Hoje apraz-me escrever sobre cinema, mais propriamente sobre os três últimos filmes que vi:

Mr. Brooks (2007) *****
Boa história; realização interessante e muito bem conseguida; o final teria sido surpreendente sem os dois últimos minutos, belíssima interpretação do Kevin Costner e do William Hurt

Live Free or Die Hard (2007) *****
História bem montada; bom vilão; belíssimos pormenores de acção, perseguições e lutas; realizado com mestria; melhor do que as prequelas ou pelo menos ao nível do Die Hard With a Vengeance

The Good Shepperd (2006) *****
Só merece uma estrela pelo elenco; péssimas interpretações de belíssimos actores; história manhosa e sem nexo; as caracterizações estão muito más (passam-se 20 anos e só percebemos pelo diálogo, as caras do Matt Damon e da Angelina Jolie estão quase iguais); realização medíocre de Robert DeNiro (hey! DeNiro, don't quit your day job!)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Rotina diária saudável e equilibrada"

Este blog vive de material original e interpretações muito próprias do seu autor, visa vi, a minha pessoa, mas como gostei deste mail vou publicá-lo para vocês lerem...

"Dizem que todos os dias temos que comer uma maçã por causa do ferro e uma banana por causa do potássio. Também uma laranja, para a vitamina C, meio melão para melhorar a digestão e uma chávena de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias temos que beber dois litros de água (sim, e logo a seguir mijá-los, que leva quase o dobro do tempo que os levei a beber).
Todos os dias temos que tomar um Activia ou um iogurte para ter 'L. Casei Defensis', que ninguém sabe exactamente que porcaria é, mas parece que se não ingeres um milhão e meio todos os dias, começas a ver toda a gente com uma grande diarreia ou presos dos intestinos.
Cada dia uma aspirina, para prevenir os enfartes, mais um copo de vinho tinto, para a mesma coisa. E outro de vinho branco, para o sistema nervoso.
E um de cerveja, que já nao me lembro para que era. Se os tomares todos juntos, mesmo que te dê um derrame cerebral na hora, não te preocupes, pois o mais certo é que nem te dês conta disso.
Todos os dias tens que comer fibras. Muita, muitíssima fibra até que sejas capaz de defecar uma camisolona bem grossa.
Tens que fazer quatro a seis refeições diárias leves sem te esqueceres de mastigar cem vezes cada garfada. Ora, fazendo um pequeno cálculo apenas a comer vão-se assim de repente umas cinco horitas. Ah, depois de cada refeição deves escovar bem os dentes, ou seja, depois do Activia e da fibra, os dentes; depois da maçã, os dentes; depois da banana, os dentes. Assim, enquanto tiveres dentes, não te podes esquecer nunca de passar o fio dental massajador das gengivas e bochechar com PLAX... Melhor, amplia a casa de banho e põe a aparelhagem de música lá, porque entre a água, a fibra e os dentes vais passar muitas horas (quase metade do dia) ali dentro. Equipa-a também de jornais e revistas para te pores a par do que se passa, enquanto estiveres sentado na sanita, porque com a quantidade de fibra que estás a ingerir, são mais umas horitas diárias.
Temos que dormir oito horas e trabalhar outras oito, mais as cinco que usamos a comer, faz vinte e uma. Restam três horas, isto se não surgir nenhum imprevisto. Segundo as estatísticas, vemos três horas de televisão diárias. Bem, já não podes, porque todos os dias devemos caminhar pelo menos uma meia hora (convém regressares ao fim de 15 minutos, senão andas mas é 1 hora!).
E há que cuidar das amizades porque são como uma planta: temos que as regar diariamente. E quando vais de férias também, suponho, senão as plantas morrem nas férias.
Para além disso, há que estar bem informado e ler pelo menos um dos jornais diários e uma revista séria, para comparar a informação.
Ah! E temos que ter todos os dias mas sem cair na rotina: temos que ser inovadores, criativos, renovar a sedução. Isso leva o seu tempo. E já nem estamos a falar do tântrico! (a respeito disso, relembro: depois de cada refeição temos que escovar os dentes!).
Também temos que arranjar tempo para a maquilhagem, a depilação/fazer a barba, varrer a casa, lavar a roupa, lavar os pratos e já nem digo, os que têm gatos, cães, pássaros e uma catrefada de filhos...
No total, a mim dá-me umas 29 horas diárias, se nunca parares.
A única possibilidade que me ocorre, é fazer várias destas coisas ao mesmo tempo: por exemplo, tomas duche com água fria e com a boca aberta, e assim bebes logo os dois litros de água de uma vez. Enquanto sais do banho com a escova de dentes na boca, vais fazendo amor, o tântrico, parado, junto ao teu par, que de passagem vê TV e te vai contando o que se passa, enquanto varre a casa. Sobrou-te uma mão livre?
Telefona aos teus amigos e aos teus pais! Bebe o vinho e a cerveja (depois de telefonares aos teus pais, vai fazer-te falta!).
O iogurte com a maçã pode dar-te o teu par enquanto ele come a banana com a Activia. No dia seguinte troquem.
Mas se te restam 2 minutos, reenvia isto aos teus amigos (que temos que regar como as plantas) enquanto comes uma colherzinha de Muesli ou Al-Bran, que faz muito bem...
E agora vou deixar-te porque entre o iogurte, o meio melão o primeiro litro de água e a terceira refeição do dia, já não faço a mínima ideia o que é que estou a fazer porque preciso urgentemente de uma casa de banho.
Ah, vou aproveitar e levo comigo a escova de dentes..."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Restaurantes: boa comida vs mau ambiente

Como é que avaliamos um restaurante? Pela comida, pelo serviço, pelo ambiente geral?
Acho que acima de tudo há coisas que um restaurante não pode exibir no circuito interno de televisão, mesmo que seja apenas um aparelho! Reposições do filme "A Música no Coração" ou de Festivais da Canção das décadas de 50 e 60, ou concertos do José Cid em dvd, é algo que me ofende profundamente. A comida pode ser belíssima e o serviço cinco estrelas, já o ambiente roça por milésimas o repugnante, e isso é qualquer coisa que não tolero. Sim, já me aconteceu assistir a cada um dos exemplos descritos... em restaurantes diferentes! Há gente para tudo, acreditem.
Antes do que vos descrevi ter passado a ser uma realidade para mim - já alguém me tinha falado de "um restaurante não sei bem aonde que passa festivais da canção na talevisão", mas ainda não tinha percebido qual - achava que a avaliação de um restaurante poderia assentar, por exemplo, no facto de acertarem nos pedidos (pedir 7up e trazerem Snappy, julgarem que os sumos de laranja são todos iguais), nas batatas fritas que acompanham as doses (congeladas ou naturais), ou mais não fosse no facto de cuspirem ou não no bife. Agora sei quais são os verdadeiros critérios de análise... o nível de xunguíce! Quantas vezes eu não deixei já cair ao chão uma fatia de queijo e voltei a pôr na soon to be tosta mística, calculando não haver grande mal, pois tudo iria morrer com o calor da tosteira? Acidentes e maus jeitos toda a gente os tem, mau gosto está reservado só para alguns.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Invernia Simpática vs Mau Feitio Desgraçado

Ele há dias em que embirramos com tudo o que se passa à nossa volta e mais alguma coisa que venha a jeito. Quando estamos com mau feitio até nos irritamos de estar assim, mas não há muito a fazer senão esperar que passe ou empreender alguma tarefa minimamente producente e oportuna que ajude a resolver, mas por vezes é pior a emenda que o solfejo (gosto mais de poemas do que ler pautas). O mau feitio é uma coisa que dá cabo de nós aos bocadinhos, tipo ácido corrosivo, porque é um processo de irritação contínua ad eternum, sendo a consequência última de tudo isto ainda mais irritação. O que se deverá fazer neste tipo de situação? Dormir!? E quando esta sensação nos aparece às 9h da manhã e temos um dia inteiro de trabalho pela frente? Pois é, chegou a invernia, o frio e a chuva. As sarjetas entupidas com folhas e porcaria que nós deitamos pelas janelas dos carros, estradas a transbordar de água da chuva, os acidentes de carro, o trânsito caótico, o lusco-fusco que dura o dia todo, o final de tarde às 4h da tarde, sair do trabalho já de noite… bah! Adoro o Inverno, não me entendam mal: neve, roupa quente, manta no sofá, lareira, castanhas assadas, chocolate quente, chazadas e bolos, jogos de mesa com os amigos, filmaças e conversas até às tantas em casa de alguém – que é bem melhor do que meias conversas até às tantas em bares com música altíssima e cheios de fumo – mas neste preciso momento queria estar deitado na minha cama a ouvir Van Morrison e estou aqui feito mono a ver ouvidos cheios de cera. Hum!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Toda a verdade sobre o Actimel

Um amigo meu, que não quer de forma alguma participar neste blog, deu-me esta ideia por tópicos para que a pudesse explorar.
Num belo dia ouvia-se numa rádio nacional a informação sobre o lançamento de um novo Actimel especial para mulheres. Como é costume na publicidade do Actimel, há sempre testemunhos de “pessoas reais” e uma frase emblemática. Este meu amigo está de facto convencido que o Actimel especial para mulheres tem feromonas masculinas e/ou sabor a esperma. Esta ideia ganha todo um novo sentido, diz ele, quando vemos os reclames na televisão em que o ar de satisfação da “pessoa real” em causa é acompanhado por um afago carinhoso na região do ventre enquanto referem uma frase do género “isto é mesmo o que o corpo pede”. Especulação!? Parecem-me bons indicadores de que poderá ser mesmo assim.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Boxers, compras e filmaças sci-fi

Não consigo encontrar em lado nenhum aqueles boxers que comprei aqui há tempos e é uma chatice, pois passados três ou quatro anos estão todos a ficar ratados e com os elásticos à mostra. É de facto aborrecido porque só encontro boxers extremamente langueirões cheios de bonecagem ou então demasiado elásticos que apertam o material, e a lógica dos boxers é mesmo aquilo tudo andar solto, mas de certa forma, controlado. São situações como esta que me levam a comprar roupa em quantidades quase industriais. Quando encontro coisas que gosto mesmo, compro várias iguais (t-shirts, meias, boxers) ou várias de cores diferentes e formatos semelhantes (blusas, calças, sapatos, ténis). Aprecio o facilitismo das personagens dos desenhos animados que se vestem sempre da mesma forma. Talvez o facilitismo assente na dificuldade do desenhador em arranjar um guarda-roupa equilibrado para a personagem, mas se o que interessa nas pessoas é de facto o que temos por dentro, de que serve alterarmos constantemente o que vestimos a cada dia que passa? Não será só receio que os outros pensem que não tomamos banho e não mudamos de roupa amiúde? Será mesmo porque gostamos de variar? A roupa faz-nos sentir bem ou não será para os outros se sentirem bem connosco porque sabem, com a facilidade de um relance ou olhar fortuito, que somos pessoas de bem, donos de uma relação regular e intima com uma qualquer banheira? Por mim andava sempre vestido da mesma forma, só alterando talvez um chapéu, gravata ou algum tipo de apetrecho. Estabelecendo um paralelo estranho, quase a roçar a insanidade temporária, recordo-me que desde muito novo nutro o gosto por filmes de ficção científica e cada vez me apercebo que também tem a ver com a roupita que eles usam nesses filmes, assim tipo Star Trek. São sempre fatiotas de lycra ou algo do género, extremamente confortáveis e que realçam as curvas do corpo. Talvez nem sejam fáceis de vestir, mas há as que se secam sozinhas e dão para tomar banho, ir à praia e à montanha, na linha dos tampões que tanto jeito dão às mulheres, há as que se ajustam automaticamente ao corpo, etc. Noutro dia vi num documentário que já há roupa que muda de cor consoante o estado de espírito de quem a veste, algumas peças feitas com material tecível que é virtualmente indestrutível ou que, por exemplo, impregnada com medicamentos ou vitaminas, vão doseando a absorção cutânea. Para que saibam, e isto deixou-me completamente siderado, os portugueses (em Portugal, porque muitos são mesmo bons mas a trabalhar no estrangeiro) são pioneiros e líderes na investigação e produção deste tipo de soluções. A ideia da roupa do futuro agrada-me bastante!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A desgraceira do PowerPoint!

Tenho de confessar uma coisa e admito que até nem custa muito...
DETESTO OS POWERPOINTS BRASILEIROS!!!
Aqueles típicos slideshows idiotas ou realmente informativos mas irritantes pelas músicas que lhes acrescentam, pela escrita manhosa ou pelas péssimas traduções, estão a dar cabo da minha tolerância para com os brasileiros. Adoro a música, a gastronomia, as mulheres, as paisagens e os ambientes que aquele país proporciona a quem o visita - até estou em contagem decrescente para lá ir em Janeiro - os escritores, entre muita outra coisa. Acontece que de tanta morraça cibernética que anda por aí a circular, a par com as telenovelas que são às carradas, cada vez tenho menos paciência e gosto por tudo o que é brasileiro. Deliro com a escrita e composição brasileira quando se trata do Chico Buarque, Caetano Veloso, ou tantos outros, mas os slideshows são um péssimo exemplo de como eles dão cabo da língua portuguesa. Por outro lado, a Microsoft nunca pensou que o PowerPoint, como excelente ferramenta de trabalho que é, fosse desperdiçada desta forma e à escala de um país como o Brasil. Quem costuma receber este tipo de emails sabe muito bem do que estou a falar e entende que não há nada de xenófobo nesta minha afirmação. Só não consigo compreender como é possível o constante volume de produção que vem daquele lado do oceano e como consegue alguém trabalhar ou estudar dedicando-se de uma forma tão intensa e determinada ao PowerPoint. Basta fazer uma espécie de paralelo com a realidade portuguesa: se os trabalhadores portugueses, nomeadamente os funcionários públicos, se dedicassem a este tipo de tarefa, assim como já fazem com outras, como ler esses e outros emails, as pausas constantes para o café e as conversas juntos à máquina da água ou das sandes, este país não andava para a frente. Ficava parado ou eventualmente acabava por andar para trás! Hum... acho que já estivemos mais longe disso!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Clima endemoninhado

E por falar em tempo, lembrei-me do clima... não falei!? ...mas pensei, ok e agora teclei!
Em bom alentejano, isto cá anda tudo p'las avessas! Nestes últimos dias tem sido assim:
- manhã, 12ºC, saio de casa com uma camisola vestida e o casaco na mão
- hora do almoço, 26ºC, saio do emprego em s de camisa
- 15h, 28ºC, saio de casa com as s arregaçadas e dois botões da camisa abertos (três já começa a aparecer a fardula e fica assim um look meio tascósio-foleirote)
- final da tarde, 15ºC, volto para casa com o casaco vestido e a blusa pela mão
- princípio da noite, 8ºC, blusa de malha já assim para o grossa e casaco vestido
- final da noite, princípios da madrugada, 1ºC, tudo abotoado e zippado até acima, a tirintar de frio e a grunhir irritado porque me esqueci do cachecol e do gorro
Felizmente não temos tsunamis, furacões, inundações e coisas do género, mas isto não anda nada bem.
Para acrescentar à lista de fenómenos estranhos, as alergias voltaram e pior do que nas últimas três primaveras. Há flores no campo a brotar e a abrir, a bicheza anda maluca porque não consegue ibernar e não sabe se há-de migrar ou ficar. Isto não vai ter bom fim!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Publicidade educativa

Quero desde já endereçar os meus parabéns a quem de direito pela autoria do reclame que passa nestes dias na televisão sobre o uso do preservativo. Ainda me lembro de um conjunto de anúncios muito interessantes da Prevenção Rodoviária, que mostravam as consequências dos desastres para quem passa por eles. Muito bom! É disto que este país precisa, mas a muitos níveis e sobre variadíssimos assuntos. Há que ser-se positivo quando os números e as estatísticas são miseráveis, mesmo que se pegue nos temas de forma a chocar. Os tugas só aprendem assim! Deviam fazer toda uma série de anúncios de verdadeiro Serviço Público em prol do Sentido Cívico, baseado nos seguintes tópicos:
- a importância de ir votar, mesmo que seja em branco ou nulo
- porquê fazer piscas nas rotundas, cruzamentos e ultrapassagens
- não esquecer de ver as datas de validade do queijo fresco, patés e afins
- para que é que quis um cão se agora que vai de férias não tem onde o deixar e os gatos têm sete vidas mas morrem de uma vez só se os deixarmos dentro de casa à fome durante uma semana ou mais
- quem me manda a mim ser tão tosco, gostar de touradas, rugby e embocar cervejas com os amigos até perder os sentidos?
- se conduzir depois de ter bebido bastante álcool, conseguir chegar a casa e evitar a polícia ou possíveis acidentes, e ainda assim a minha mulher não me moer o juízo pelo estado deprimente em que me encontro e com muita sorte ainda a convencer, sem ser violento física ou psicologicamente, a ter sexo comigo, o mais certo é não o conseguir pôr de pé
- de 0 a 10, sendo 0 uma pessoa decente e 10 completamente desprovida de senso, quão idiota sou por ter lido o livro da Carolina Salgado, ainda que apenas algumas passagens quando o folheei numa livraria? E serei menos tanso se não o li e apenas lhe peguei para o levar para a caixa, pagá-lo, pedir para embrulhar e oferecê-lo como presente de aniversário a um amigo?
- ainda é possível fazer-se bom cinema em Portugal? Saiba se sim ou não em apenas 10 segundos de compilação dos melhores momentos do cinema português!
- quantas vezes é preciso dizer-lhe para separar a porcaria do seu lixo doméstico antes de começar a beber e a comer a própria porcaria que produz?
- ser-se tuga, espanhol ou europeu? Como é que você vai ganhar mais ou fim do mês sem para isso ter de trabalhar mais?
Com tanto tema bom, é difícil escolher. E agora que reli a listagem de tópicos, reparei que comecei a avacalhar para o final. Por muito que se queira ficar sério, a coisa acaba sempre por descambar. Num país como este, é de facto difícil mantermo-nos focados na solidariedade, no civismo ou na humanidade, foge-nos sempre a mente para a brincadeira. Mas é sempre possível conciliar o humor e a tendência para o gozo, com o necessário sentido positivo que devemos dar às coisas. Nem tudo é negativo, mais não seja o gozo que se pode retirar do que há de mau… e aprender com isso!


relembro:
disparates da publicidade
caras simpáticas e pernas jeitosas

terça-feira, 30 de outubro de 2007

300

Confesso-me um convicto interessado pela Numerologia, Matemática e tudo o que tenha a ver com números, mas prometo que não vou continuar com este tipo de títulos por muito mais tempo. Por falar em números, recordo que sempre detestei a Matemática na escola até ter chegado à Universidade e conhecido o meu professor da cadeira de Matemática II do curso de Sociologia. Nunca tinha visto ou pensado a Matemática daquela forma. O tipo explicava as parábolas com arremessos de paus de giz; mostrava o interesse da Trignometria com slides lindos da Catedral de Alhambra; comentava o funcionamento da Estatística com o visionamento e consequentes debates de filmes como o 2001, A Space Odissey e outros do género. Aquilo é a uma aula! Mando desde já um cínico e venenoso “olá” à minha professora de Matemática do 9º, 10º e 11º, que sempre me chumbou e mesmo assim acabei o ensino secundário. Foi o azar de ter sempre apanhado professores de Matemática péssimos e a nunca esperada sorte de ter apanhado a reforma do ensino secundário. Não me lembro de ter pedido favores a ninguém, calhou! Mas a realidade dos terríveis professores de Matemática contrastava vivamente com os belíssimos professores de História, Filosofia e Psicologia que também tive a oportunidade e o prazer de conhecer e assistir às suas aulas desde o 9º até ao 12º, passando também para a Universidade. É como tudo, há bons profissionais em todos os ramos, trabalhos e funções.
Agora passo para o tema que me levou a escrever este post.
Vi aqui há dias o filme 300 e gostei bastante. Parti para o seu visionamento com algumas reservas, mas passados poucos minutos dissiparam-se. O filme, que embora o belíssimo aspecto é um low budget movie, conquistou-me pela imagem, realização, produção, pela coragem na adaptação de mais uma BD do Frank Miller, mas principalmente pela história e argumento. Convido-vos a todos a vê-lo, não necessariamente na minha casa, pois vale bem a pena. Já agora deixo outra dica no éter, também ele um filme e uma adaptação de uma BD do Frank Miller, desta feita pelo realizador Robert Rodriguez: Sin City. Já tem uns aninhos e talvez só se apanhem dvd’s de aluguer carregados de riscos e impressões digitais mutantes, mas vale o esforço de tentar alugar ou mesmo comprar. Em tempos natalícios arranjam-se este tipo de filmes em dvd bastante baratos, naquelas grades de miscelânea cultural que os hiper-mercados têm na zona dos electrodomésticos em que misturam concertos do Tony Carreira ou do Caetano Veloso com filmes tipo The Secret Of My Sucess e Apocalypse Now, Redux. Como sempre ouvi do meu pai desde pequeno, “é fartar vilanagem”!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

500

Chegámos ao fofinho e redondinho número de 500 posts publicados. 500 posts escritos, muitos lidos e alguns comentados. Era uma tarefa impensável e quase megalómana no início, mas eis que aqui chegámos. Chegámos no plural, pois! Nada disto tinha sido possível, não fosse o incentivo que vocês proporcionam com as constantes e infindáveis visitas. Sendo assim, endereço os parabéns a quem cá passa e dedica um pedadinho do seu tempo a consultar este cardápio de pensamentos gasosos. Obrigado pela força! Vou tentando responder com dedicação e vontade em perpetuar esta baiuca cibernética. Um grande bem haja a todos!

domingo, 28 de outubro de 2007

O tempo muda ou somos nós que (o) mudamos?

Esta noite mudou o tempo, aliás, a hora, o que é sempre um conceito e um processo de alteração da realidade perceptível, profundamente interessante. Assim que me levantei, ainda meio estremunhado e com a visão desfocada, pensando que já era meio dia, o que me dava muito pouco tempo de descanso no conforto do meu sofá da sala e me fazia ganhar consciência de que me deveria ir dirigindo para a cozinha por forma a ir preparando o que viria a ser, horas mais tarde, uma amostra pouco recomendável de um almoço, deparei de imediato com o brilho ofuscante do relógio do meu pouco utilizado vídeo VHS - que é automático nestas mudanças e acertos horários, pois que se liga ao teletexto, coisa que nunca percebi para que serviria até chegar ao meu primeiro equinócio de Inverno com este aparelho fantástico na minha sala, reparando neste extraordinário e mui útil pormenor - que me dizia que ainda eram apenas 11h. Passados alguns minutos no refastelo do meu sofá, recordei mais um episódio caricato dos meus tempos de adolescente.

Quando era puto, por volta dos 14 anos, uma das coisas que me dava real gozo era voltar para casa à noite fora do horário de chegada, pré-estabelecido em conversa com os meus pais, e chamar-lhes à atenção de que estava a cumprir integralmente o combinado, apenas que o horário tinha mudado. Para um típico adolescente com o normal respeito pelos seus progenitores, mas também com a emergente vontade de desafiar o estabelecido, isto era o culminar de muito tempo de espera e poder realmente desafiar a autoridade, sem que isso resultasse em qualquer tipo de sermão ou castigo. A chamada chapada de luva!

No Verão perdia-se uma hora, mas no Inverno era a loucura total. Mais uma hora para estar na rua com os amigos, ou nos copos com os amigos, ou na jogatana com os amigos, ou na cantoria e guitarrada com os amigos, ou na conversa com os amigos, ou aos beijos com as amigas. Belos tempos! Cerca de 30 minutos depois, muitas imagens deliciosas que passaram pela minha mente e todo um processo árduo de compilação, síntese e escrita, num portátil que me aquece as pernas mas que já vai sabendo bem porque o tempo, melhor, o clima, também está a mudar e ainda não tenho os meus gatos a viver comigo para me aquecerem e a manta que comprei no Ikea não é de lã e não aquece assim tanto, mas também quem me manda a mim estar de boxers e t-shirt numa altura destas em que acho que esta frase já vai chata e comprida demais para um razoável entendimento da minha escrita maluca, eis que me levanto a caminho da cozinha... bom resto de fim de semana.

sábado, 27 de outubro de 2007

13, esse número mágico!

Não resisti a publicar um desabafo cibernético que recebi em forma de e-mail, de uma pessoa muito próxima... o tipo de humor, se o quiserem reconhecer, é muito semelhante ao que aqui tem sido exposto e sendo assim não destoa. Deve ser mal de família!

Domingo, 14 Outubro, de manhã.
A RTP1 transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
A SIC transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
A TVI transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
A TSF transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
A Rádio Renascença transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
Tive medo de ligar a torradeira...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Manual de sobrevivência em sociedades decadentes e apodrecidas

Deixo-vos uma lista de coisas obrigatórias e urgentes de serem assimiladas e digeridas... sem mais comentários:

Documentários
- Bowling For Columbine
- Farenheit 9/11
- Loose Change, 2nd Edition
- Zeitgeist
- An Inconvinient Truth

Filmes
- V For Vendetta
- The Matrix (pelo menos o 1º filme + Animatrix)
- The Wall / Pink Floyd (o filme)
- Thin Red Line
- The Shawshank Redemption
- American Beauty
- The Day After Tomorrow
- O Código DaVinci
- In The Flesh / Roger Waters (concerto)

Música
- The Wall / Pink Floyd
- Dark Side Of The Moon / Pink Floyd
- Wish You Were Here / Pink Floyd
- Animals / Pink Floyd
- Final Cut / Pink Floyd
- The Pro's And Cons Of HitchHiking / Roger Waters
- Radio K.A.O.S. / Roger Waters
- Amused To / Roger Waters
- Flickering Flame / Roger Waters
- OK Computer / Radiohead
- Pigs, Peasants And Astronauts / Kula Shaker
- Chicago III / Chicago

Livros
- O Pêndulo de Foucault / Umberto Eco
- O Código da Bíblia / Michael Drosnin
- O Processo / Kafka
- Metamorfose / Kafka
- Anti-Cristo / Nietzsche
- Assim Falava Zaratustra / Nietzsche
- O Admirável Mundo Novo / Aldous Huxley
- Fernão Capelo Gaivota / Richard Bach
- Ética Para Amador / Fernando Savater

Sites
The Ultimate Conspiracy Guide
Só me Apetece é Cobrir



Pode estar a faltar-me qualquer coisa de essencial, mas depois vou acrescentando ou vocês podem contribuir para isso!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Parado vs Andando

Tenho andado extremamente preocupado com as notícias sobre o endividamento das famílias portuguesas e a questão do crédito mal parado. Hoje vi uma notícia que me deixou a pensar… “mal parado”... mas que raio de conceito manhoso é este!? Por mais voltas que o crédito dê, por muito que vá andando por ai, acaba sempre no mesmo sítio... no banco! Não há volta a dar e isto raramente significa que pare na nossa conta, só se for tipo paragem nas boxes. Aliás, desafio qualquer português de classe média e média-baixa a tentar ter dinheiro na sua conta à ordem por mais de quatro meses sem lhe mexer, esquivando, muitas vezes a todo o custo, os empréstimos pré-aprovados, os créditos pessoais, cartões de crédito, aplicações, ordens de compra de acções, etc. É uma tarefa próxima do impossível. Mais fácil se revela uma fuga às empresas de telecomunicações ou aos indianos vendedores de rosas na noite. Depois há os perdões de juros e de empréstimos, mas isso é só para alguns. Eles bancam o dinheiro e nós bancamos o otário!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A humanidade e o tampo da sanita

O tampo da sanita será dos objectos mais enigmáticos que poderemos encontrar nas nossas casas. É claro que alguém poderia, e bem, contra-argumentar referindo que há o poutpourri no 'ólio' de entrada, os ambientadores de armário ou as bolas de naftalina, as velas altamente decorativas que nunca mas nunca se acendem, nem naquela noite de consoada às escuras ou no aniversário em que a avó se esqueceu de colocar velas no bolo de anos do neto, um candeeiro cuja lâmpada de fundiu e nunca mais se substitui porque só nos lembramos quando o tentamos acender e nunca quando vagueamos pelos corredores do supermercado, entre muitos outros exemplos, uns mais funestos do que outros. Volto à questão da casa de banho porque é a divisão da casa que mais me fascina. Vibro com muitas outras coisas na minha casa, mas o wc é de longe o mais apelativo. É a divisão mais fácil de apreciar e criticar ao mesmo tempo. Não há grandes móveis, gaveta ou baús para esconder as coisas, ficando quase tudo à vista. As mulheres adoram todas as casas de banho, quer seja num restaurante, hotel ou em casa de amigos, adoram ir espreitar! Nos bares e discotecas pelam-se por ir em par ou trio, e para fazerem fila esperando a vez de cada uma não é de certeza, a não ser que isso meta conversa, e esta conversa pode ser sobre os mais ínfimos assuntos, não necessariamente sobre a própria casa de banho. Voltando à questão do tampo da sanita, prometendo não voltar a falar sobre os tampos translúcidos com objectos no seu interior, lembrei-me destes serem um dos assuntos que mais opõe e divide os sexos. As mulheres queixam-se dos homens deixarem o tampo e a tampa levantados, encostados ao autoclismo ou à parede, numa verdadeira – dizem elas – atitude desrespeitosa e indelicada para com ou vários utilizadores da dita casa de banho. Por outro lado todos se queixam das pinguinhas que por vezes algumas almas mais descuidadas ou com menos tendência para o número circense deixam no tampo sem se preocuparem em limpar, talvez porque nem se preocupem com mais nada além do alívio oportuno. Depois também há, e já foi referido anteriormente, os que se sentam para mijar quando muito bem o poderiam fazer de pé. Pois que a natureza os brindou com essa fantástica mais valia em detrimento da capacidade de ter orgasmos múltiplos, por exemplo, que só as mulheres podem ter – a capacidade e os próprios orgasmos, dois momentos bem distintos – que por força das circunstâncias mijam sempre sentadas ou de cócoras; estes são os verdadeiros artistas. O que me ocorreu, e bastante me apraz relatar, é que as mulheres, no alto da sua (des)preocupação, também deixam a tampa para cima, e isso chateia os homens, alguns! Passo a explicar: os homens levantam tampa e tampo para poderem mijar de pé; as mulheres e os tais artistas levantam apenas a tampa para mijarem sentados. O mais comum é toda a gente deixar a sanita em constante e eterno estado de premente utilização. Sendo assim, porque é que só as mulheres é que podem queixar-se dos homens deixarem o tampo levantado? Eles não se podem queixar-se delas (e dos artistas) deixarem a tampa levantada!? Há um sem número de razões pelas quais tudo deve estar no seu lugar, nomeadamente o tampo e a tampa em baixo, mas apenas ressalvo a mais importante: pode cair alguma coisa valiosa para aquele buraco negro de loiça e quando isso acontece, sendo de facto algo estimável ou insubstituível, torna-se no mínimo chato ter de arregaçar a manga para retirar o que quer que seja que lá foi parar. Pois que tirar aquilo com um utensílio de cozinha ou de jardim não dá assim tanto jeito, mas convém sempre tentar primeiro. Isto é como fazer piscas nas rotundas. Não sejam preguiçosos e deixem as coisas na sua devida disposição, tampo e tampa para baixo, mas acima de tudo tenham atenção ao sentar-se. Façam-no depois do anterior utilizador se ter levantado. Não convém criar embaraços e confusões num espaço tão exíguo.

sábado, 13 de outubro de 2007

A puta da loiça suja

É oficial! Juntei tanta loiça durante meia dúzia de dias em jantares a solo e jantaradas com amigos que já levo dois dias a lavá-la e ainda tenho os talheres e os tupperwares para acabar. É certo que não passei as quatro ou cinco horas úteis que tenho para estar em casa por dia, de roda do lava-loiças nesta árdua tarefa, mas dediquei algo mais acima de dez minutos por dia para dar a volta à imundice em que se transformou a minha cozinha. Mais não seria possível, uma vez que tenho de reservar algum tempo para o piano, o blog, a consola e também para o convívio com o sexo oposto, não necessariamente por esta ordem ou com a mesma importância. Estou a ponderar seriamente arranjar loiça descartável e cingir-me ao canivete, tipicamente alentejano, para consumar as minhas refeições caseiras e sempre que puder levar-me a comer fora, uma vez que na minha cozinha não há onde conectar uma máquina de lavar a loiça que por acaso até tenho possibilidades de comprar. Paciência! Mas esta história da quantidade de loiça que se acumula na casa de um homem solteiro tem muito que se lhe diga. É um verdadeiro e categórico teste à resistência masculina face às necessidades inerentes à vida em sociedade. Já lá vai o tempo em que se era obrigado a caçar para sobreviver, quando um homem não sabia o que era um napron ou um descascador de alhos e a nouvelle cuisine ainda estava bem longe de ser inventada. Nessa altura bastava um pau comprido para atirar aos bichos e dois paus curtos para acender uma fogueira. Não havia banho-maria ou refogados com caldos knorr e a comida não era confeccionada, apenas pendurada ao lume durante o tempo que fosse preciso. As labaredas, em jeito de lume brando ou alto, dependiam apenas da quantidade de lenha que havia para queimar. Não que faça a apologia desses inauditos tempos, embora a minha mente esteja povoada de boas memórias de acampamentos e pic-nics no campo, mas recordo tudo isto com alguma nostalgia.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Congratulations Mr. Gore!

Normalmente não me surpreendem os prémios dos festivais de cinema ou os Nobel, mas lá de quando em vez aparece uma nomeação mais interessante e muito raramente ganha aquele que menos esperávamos. Depois de dois Oscars e uma catrefada de outros prémios com o documentário "An Inconvinient Truth", agora foi a vez da surpresa total: Al Gore e o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU foram os justos vencedores do Nobel da Paz deste ano. Isto só prova que um homem que tem dedicado toda uma vida à questão do aquecimento global e das alterações climáticas tem mexido com as consciências e deixado muita gente preocupada. Agora, será que isto chega? NÃO!! Não basta apercebermo-nos da importância da questão, nem tão pouco saber da premência que ela acarreta. Não chega fazermos pequenas alterações ou ligeiros ajustes. Temos de reestruturar a vida em sociedade. É preciso mudarmos radicalmente a nossa postura e forma de fazer as coisas, não apenas a forma de pensar as coisas, isso é o princípio mas nem pode ocupar muito tempo, há que arrepiar caminho e ser-se rápido e decidido a agir, é isso que importa neste momento. Fazer pressão junto dos grupos económicos para que os grandes poderes por detrás das companhias eléctricas e petrolíferas, os fabricantes de automóveis e demais envolvidos possam, não apenas pela viabilidade económica, que sem dúvida é importante nesta sociedade, mas também pela urgência em evitar uma catástrofe de dimensões globais que nos afecta a todos e nunca vista desde que há seres humanos a povoar este planeta. A questão final e última é mesmo esta: o planeta está a corrigir, naturalmente, os desvios que intencionalmente provocámos no seu equilíbrio dinâmico. A mãe natureza prevalecerá sempre, espero! Uma última consideração muito pessoal. Não se deixem ficar por gestos importantes, sem dúvida, mas de consequências mínimas face ao que importa realizar. Separar os lixos é importante mas não chega! Mudem a vossa vida para todos podermos gozá-la da melhor forma possível por muito e bom tempo.

Por fim, deixo uma lista de coisas que se podem fazer que ajudam bastante e sem dúvida ajudam o planeta e a nossa carteira:
- separem os lixos
- não deixem os equipamentos eléctricos em stand-by (com a luzinha acesa), desliguem tudo no botão ou na corrente
- não deixem os transformadores de telemóveis, computadores portáteis, consolas de jogos, etc. ligados à corrente, desliguem tudo da ficha quando não estão a ser utilizados
- cuidado com os gastos de água e de electricidade desnecessários, racionalizem
- troquem as lâmpadas incandescentes normais por lâmpadas fluorescentes e economizadoras
- limpem regularmente os filtros dos ar-condicionados
- apostem em painéis solares térmicos substituindo caldeiras eléctricas (extremamente dispendiosas) e esquentadores a gás (outros que tal)
- sempre que possível estender a roupa na corda em vez do secador eléctrico
- isolem bem as portas e janelas, conseguem-se grandes poupanças de energia no verão e inverno desta forma
- mudem as janelas e portas normais para vidro duplo
- quando comprarem equipamentos novos escolham os mais eficientes do ponto de vista energético, mesmo que inicialmente possam ser mais caros, vai fazer a diferença na carteira ao longo do tempo
- vão ver estas e outras dicas ao site: http://www.climatecrisis.net/

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Sonhos do demo

Hoje acordei a meio da noite depois de ter sonhado que era um glutão do Omo... não foi propriamente um sonho mau, nem tão pouco um pesadelo, mas também não foi um sonho fofinho. E era só isto, ou foi apenas o que eu fixei, mas chega perfeitamente para perceber o nível de insanidade a que estou sujeito durante a noite. De dia até levo uma vida normal, mas de noite a conversa é outra. Não consigo controlar minimamente o que se passa dentro da minha cabeça, depois de me deitar. Felizmente nunca me deu para sonhar com o Alberto João Jardim de cinto de ligas a recitar poesia em francês; ou o Sócrates com uma farda das SS, a regurgitar passagens do Mein Kampf com excertos do Anel dos Nibelungos tocados em rings de telemóveis; ou o Cavaco Silva a comer doce de natas sem qualquer tipo de utensílio de cozinha e mais uma vez a mastigar de boca escancarada, ou qualquer coisa do género... ou pior ainda! Mas ainda assim, quando me dá para a maluquice, é sempre dentro dos limites do bom gosto.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Estado Novo 1 x Velho Sócrates 2

Antes fosse o resultado do jogo entre duas equipas do distrital de futebol…

Com tudo o que se tem passado ultimamente e com o receio que tenho de que um dia destes possamos cair numa nova ditadura, decidi escrever este post, sem conteúdo que pudesse gerar uma possível e mais que provável acusação por difamação e injúria, para tentar perceber se é possível controlarem a minha vida, cibernética ou física, com pequenos ajustes harmoniosos e simpáticos.

O que quero dizer com isto? Será que isto é o Matrix, 1984 e Pink Floyd que há em mim?

Vamos ver se este blog se mantém online por muito mais tempo, agora que decidi dedicar-me a beliscar o poder onde mais comichão este sente. Já o fiz noutras ocasiões, embora de forma mais ligeira.

Hoje sacrifico-me a dizer que este governo é dos mais à direita que este país já teve nos últimos 30 anos; que as suas políticas sociais e de emprego metem nojo e apenas servem os grandes patrões; a política para a saúde apenas serve os grandes interesses económicos; o plano tecnológico é uma anedota que só faz rir gestores de algumas grandes empresas de telecomunicações; os favores, o nepotismo, o compadrio, teimam em existir e mostrarem-se um pouco por todo o lado e em todas as áreas da sociedade; o presidente da república, o tal do bolo-rei, é um fantoche; o pseudo engenheiro parece enganar meio mundo sem que ninguém se ofenda verdadeiramente com isso; quem ousa enfrentar publicamente as autoridades e o governo acaba despedido, afastado ou intimidado (exemplo mais escandaloso e recente: José Rodrigues dos Santos, RTP); os dirigentes desportivos mandam mais neste país do que aqueles em quem votamos (os que votam)… se um árbitro tendencioso, parcial, corrupto, com mau feitio e gosto por meninas fosse chamado a apitar este jogo, de certo se sentiria mal. No mínimo intimidado! É daqueles jogos em que qualquer que seja a equipa a vencer, acabamos todos por perder! Vá, agora “…mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos…”

Acabo com Zé Mário Branco e acabo bem, espero!

domingo, 30 de setembro de 2007

Barulhos inconvenientes

Há todo um conjunto de regras sociais aceites pela grande maioria das pessoas e também há umas quantas excepções, as tais que as confirmam, que dão um gozo brutal a quem tem a coragem para destoar e divergir dos demais. De entre os vários barulhos inconvenientes incluídos no cardápio das regras sociais, fazer barulho com a palhinha nos restaurantes e cafés quando o líquido está no final do copo é talvez dos que mais prazer me dão. Não só pela reacção imediata das pessoas que estão à volta, como pela sensação de que estou a beber a totalidade de uma bebida que gosto, não sobrando nada que seja inatingível, como por vezes acontece nos pacotes de litro de sumo, aqueles que têm a saída ao centro no topo do cartão e que deixam sempre umas gotas preciosas no fim, mas também porque me faz voltar aos meus tempos de puto em que não havia pruridos em fazer disparates, faziam-se e pronto, depois logo se sofriam as consequências. Pegando nesta ideia, havia outras coisas que adorava fazer e ainda hoje faço sempre que tenho oportunidade, seja onde for: liquefazer pudim ou gelatina com o poder de sucção da boca a passar entre os dentes. Mete nojo!? Paciência, é belíssimo!! Há os peidos furtivos nos elevadores, deixando toda a gente aflita. Uns porque estão a contar com o mau cheiro típico que se aproxima dissimuladamente, outros porque se desnorteiam a tentar perceber quem terá sido o animal que o fez deflagrar. Depois há o espirrar com toda a força que lhe é caracteristicamente natural, inclusivamente já ouvi dizer que se podem perder os olhos das órbitas por conter um espirro, de preferência utilizando palavrões bem escabrosos enquanto se liberta a morraça encalacrada. Experimentem fazer isto, é do melhor que há! Por fim, um gozo que descobri recentemente, porque sofro de rinite e sinusite e tenho a garganta constantemente entupida, que é aclarar a garganta com um pigarrear artístico. Passo desde já a explicar! Se temos de fazer aquele barulho chato e incomodativo – erh, erh – porque não fazê-lo com excertos de áreas de óperas famosas ou pedaços de música clássica? A vida em sociedade pode ter muitas normas que a definem e regulam, muitas vezes aprisionando-nos num cinzentismo deprimente, mas há toda uma quantidade de coisas que se podem fazer para tornar a coisa mais interessante e colorida. Aos poucos, em arranques impulsivos que roçam quer a timidez quer a arrogância, vou tentando mudar o estado a que nos deixámos chegar através de uma loucura que espero ser saudável e minimamente desafiadora.

sábado, 29 de setembro de 2007

Tive de ler o manual!

Não vou sequer esboçar uma tentativa de comparação da minha geração com esta que anda agora entre os oito e os doze anos, pois não valeria o esforço. Prefiro antes explicar que no meu tempo não carecíamos de ler manuais para aprender a mexer nas coisas tecnológicas. Hoje em dia também não há necessidade de manuais, aliás, nem precisam de aprender, já nascem ensinados! Tive computador desde cedo, consola de jogos, bem primitivos é certo, mas difíceis de dominar, vídeo VHS, televisão com comando, rádio digital, relógio com cronometro, telefone de botões e mais tarde telefone portátil, e nunca precisei de recorrer a um manual de instruções ou guia de utilização, que na realidade teria sido o seu quê de complicado pois era raro o manual que tinha as instruções em inglês, quanto mais em português. A minha geração conseguiu orientar-se com todo o tipo de engenhocas sem que para isso necessitasse de ajuda, apenas afinco e determinação para compreender o que se tinha à frente e como pôr aquilo a funcionar em condições… ou com o mínimo de condições. Por muito que me custe admitir, devo fazê-lo sem grandes quezílias, pois cheguei aos meus vinte e nove anos e senti pela primeira vez a violenta necessidade de recorrer a um manual de instruções para emparelhar o auricular Bluetooth com o telemóvel e para perceber como o meu auto-rádio (comprei um carro em segunda mão que já trazia um rádio todo xpto montado, especial naquela série) “engolia” os cd’s pela ranhura. Parece ridículo não? Pois foi exactamente assim que eu me senti na altura, em três momentos distintos: quando constatei que o rádio não engolia cd’s pela ranhura, quando sucumbi à tentação e me predispus a consultar o manual, e quando finalmente me apercebi de que tudo funcionava bem e que estive muito perto de ir chatear o tipo do stand que me vendeu o carro, que me tem como alguém que sabe tudo sobre carros e os avanços tecnológicos que os caracterizam, nomeadamente ao nível da segurança, motores, gadgets, etc. – já estou a aborrecer com tanta descrição – porque, claro está, era mais uma prova de que o carro valeu o dinheiro que paguei por ele – antes enfadado, agora satisfeito e orgulhoso… não com a consulta pró-activa do manual, mas com o investimento – pois percebi que o rádio xpto come seis cd’s seis pela mesma ranhura e esta não estava disponível para engolir cd’s porque primeiro se têm de escolher as slots em que se querem inserir os ditos. Simples e fantástico, não? E tive de ler a porcaria do manual para perceber isto!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Homenzinhos e mulherões

Quando se pergunta a uma criança o que quer ser quando crescer, invariavelmente se ouve dos rapazes que querem ser pilotos de avião, bombeiros, jogadores de futebol, e oportunamente lá aparecem uns mais sinceros e garganeiros que dizem querer ser playboys - gigolo é uma palavra ainda assim algo complicada para homens deste tamanho. Como oposição à sinceridade e ingenuidade típicas dos rapazes, as raparigas contrapõem com algum método e maturidade que demonstram desde bem cedo, alegando querem ser médicas, veterinárias, farmacêuticas, bibliotecárias ou coisas ainda mais específicas como TOC’s ou assistentes sociais. A questão que eu ponho, mais uma vez sem receio de ser acusado de machismo, é: se os homens são capazes de dizer abertamente que querem ser playboys ou gigolos, as mulheres serão capazes de dizer que querem ser cabras quando forem grandes? (repararam na piadola meio forçada dentro da própria frase ao nível da organização de palavras? confesso que me saiu naturalmente, não foi orquestrado… – rindo!)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Futebol, Fátima e Fado

O Porto perdeu em Fátima, os D’zrt terminaram e hoje logo de manhã mandei uma real cagada que me deixou verdadeiramente bem disposto para o resto do dia. Depois de um dia mau pode muito bem vir um dia bom… e depois de um post decente, pode muito bem vir um texto de(mente de) merda! Há dias assim e hoje deu-me para isto, amanhã há mais e a saga continua. Assim de repente, como quem não quer a coisa, sobre este tema poderia escrever inúmeras linhas e tecer os mais ultrajantes comentários, mas este post não carece de mais porquidão, está bem assim… ou não!?Escrevi isto de rajada e agora que o li de uma assentada, não percebo se é prosa ou poesia, se original ou porcaria. E p’ra finalizar… vou-ma’sé deitar!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

"É só mais um dia mau..."

Tornarmo-nos adultos não significa deixarmo-nos vencer pelo comodismo, pelo conformismo e pelos hábitos. Podemos e devemos manter-nos em estado de alerta, sempre (auto)críticos e abertos a tudo o que possa vir, boas ou más experiências, tudo é bem vindo. Também faz parte da fase a deixarmos cair, ou pôr de lado, alguns sonhos e objectivos, e percebermos que não somos tão únicos ou especiais como pensávamos, que o mundo não gira só à nossa volta, que não vamos viver para eternamente, que a sorte não dura sempre, que as merdas acontecem com muita regularidade, que "a vida é o que nos acontece enquanto fazemos planos", que "não podemos ter sempre o que queremos", entre outros pensamentos, teorias, filosofias, frases e clichés, uns mais verdadeiros do que outros, porque lá está, não somos únicos mas também não somos todos iguais.
Estando preste a entrar na casa dos trinta, tenho tirado algum tempo para pensar nestas coisas e tenho reparado em pormenores muito interessantes. Até há dois ou três anos atrás fazia questão de mostrar a toda a gente que nunca me iria casar e não queria ter filhos, adorava chocar as pessoas com este tipo de afirmações e outras ainda mais cáusticas que entravam pelos meandros da política, da filosofia ou da religião. Típico comportamento de adolescente rebelde. E sim, era um adolescente rebelde, mas hoje já me considero o. Tem de ser, faz parte. Acreditem que não me conformei com isso, dei as boas vindas a este novo estádio da minha existência com absoluta satisfação e orgulho. De certa forma as grandes dúvidas ficaram para trás, agora debato-me questões de fundo que vão sendo respondidas com o tempo e com a experiência. Acima de tudo gosto do que vejo no espelho e daquilo que sinto quando faço as minhas introspecções, muito importante para termos a tão desejada estabilidade psicológica, mas há certas coisas típicas da fase a às quais ainda não me habituei. São incómodas e fazem-me uma certa comichão. Em criança fazemos amigos a todo o momento, bastava haver interesses em comum como um saco de berlindes, jogos de computador, ou haver alguém com uma mesa de ping-pong na garagem. Na adolescência era o desporto, as ideologias e as causas humanitárias, as listas para as associações de estudante, ou as jam's e guitarradas durante os intervalos ou no final das aulas. Agora em o é tudo mais complicado. É difícil fazer-se amigos porque as pessoas estão mais fechadas, cínicas ou apenas complicadas – não me considero complicado, apenas complexo. Há muita gente com feridas abertas, com problemas antigos que se arrastam por vezes há décadas, e qualquer coisinha despoleta discussões, invejas e ódios completamente desproporcionados. Por outro lado ainda mantemos os amigos de sempre, aqueles amigos do peito que teimam em resistir ao tempo, mas esses nem sempre estão connosco. Costumo dizer até, que os melhores amigos não são os que estão sempre connosco, mas sim os que estão lá quando é preciso. É verdade que o carácter das pessoas se revela nos momentos de crise e os amigos ajudam a apoiar, reparar e resolver o que nos vai acontecendo, quer ao nível de crises externas, quer internas. Os amigos, a par com a família, são o que há de mais importante nas nossas vidas. Já dizia o grande Sérgio Godinho que "coisa mais preciosa no mundo não há". Mas é neste preciso momento singular que eu me deparo com algumas das tais questões de fundo: como é que lidamos com a perda de um daqueles amigos? E quando acontece em pouco tempo, não interessa quanto pois é relativo, perdermos vários desses amigos? E quando um deles é aquela pessoa em quem mais confiávamos acima de tudo e todos. Aquela pessoa que um dia conquistámos e nos mostrou, com provas dadas durante mais de uma década, que a confiança é completamente à prova de tudo? É do mais fodido que há e põe tudo, ou apenas muito, em causa! São várias voltas sucessivas e em catadupa de 90, 180 e 360º que nos deixam completamente sem norte. Mas como no amor, ao contrário de certos filmes e peças shakespearianas, e mesmo quando mete amizade e amor à mistura, num último e derradeiro teste à nossa força essencial, ninguém morre de desgosto e tudo o que mexe com as nossas entranhas pode ser libertador. Numa primeira instância digere-se para depois se evacuar. É uma guerra interna, suja e sombria, que deixa baixas e apresenta danos colaterais, mas com jeitinho e preserverança acabamos por sair mais fortes dela. É mais uma batalha e "é só mais um dia mau..."

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O número 23

Há mais sobre o número 23 do que podem imaginar. Basta procurar por “enigma 23” ou "23 enigma" na net, é impressionante e dá muito que pensar. Não querendo monopolizar este post à volta do número 23, quero apenas dizer que vi hoje o filme “The Number 23” de Joel Schumacher com Jim Carrey no principal papel, e sem ser um filme brilhante, surpreendeu-me bastante. Jim Carrey faz um bom papel e sério, como já nos vem habituando desde “Eternal Sunshine Of The Spotless Mind” (outro bom filme), e a realização está ao nível do que Schumacher tem vindo a fazer (“8mm”), mas o que me espantou foi o argumento. Está muito bem escrito, original e deixa-nos quase de boca aberta – a mim não porque consegui adivinhar antes do tempo. Um bom filme, vale a pena!
No final, e assim em jeito de and now for something completly different, acho escandaloso a forma como a situação do Mourinho no Chelsea monopolizou os jornais, as rádios e os telejornais de manhã à noite… mas antes o Mourinho que a Maddie. Este mundo está perdido! 23 punhadas no focinho dos responsáveis pelas televisões era o que eu dava de boa vontade.

referências:
http://www.number23movie.com
http://www.imdb.com/title/tt0481369/
http://1001gatos.org/23/
http://www.blather.net/blather/2003/07/the_23_enigma_captain_clark_we.html
http://en.wikipedia.org/wiki/23_(numerology)
http://afgen.com/numbr23b.html
http://www.sayer.abel.co.uk/23.htm

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Notícias do Mundo

Vamos por tópicos e sem exageros, para não se parecer demasiado com um noticiário da TVI. Neste blog não há desgraças nem sorte macaca, apenas factos e uma interpretação humorística do que está à vista de toda a gente:
Este blog acalmou durante as férias do seu fundador, mas continua vivo e de boa saúde.
Portugal está cada vez mais longe do que há de melhor e pior na Europa… se é que alguém percebe o que isto quer dizer!?
José Sócrates não consegue ter uma posição mais à direita, nem que passasse o resto do tempo a masturbar-se apenas com a mão oposta à da esquerda, de punho fechado, em jeito de saudação ou cumprimento político.
George Bush continua burro e com vontade de mostrar isso mesmo.
Da tarde de hoje, um rapaz no Burquinafasso proferiu a seguinte frase: “gosto muito da minha mãe e de chupa-chupas de cereja”. Entretanto, no Pentágono houve uma pronta reacção, e passo a citar: “Isto é mais uma prova cabal de que há provas concretas de existirem indícios formais da possibilidade de haver uma oportunidade ainda que ínfima, mas real, da ligeira mas séria eventualidade de se acharem um dia destes, armas de destruição massiva algures que seja, e a cereja, quando comida ao sol do deserto, provoca graves distúrbios na digestão. Os povos que fomentam a ingestão forçada e continuada de fruta, bagas e qualquer outro tipo de sobremesa nos seus semelhantes, ainda que todos diferentes, todos iguais a si próprios, devem ser incapacitados na sua capacidade de provocar o mal. Não estamos para brincadeiras até às 18 horas de cada dia, e depois das 21 horas só nos dedicamos ao divertimento até trinta minutos antes de irmos para a cama. Este tipo de abusos têm de parar!”
Foi quebrado mais um record do Guiness com a maior concentração de sempre de pais natal a segurarem uma banana da Madeira enquanto se penteavam com gel líquido transparente e uma escova de casco de tartaruga, a beberem sumo de manga por uma palhinha do Noddy e a comerem Pastéis de Belém só com açúcar em pó e sem canela.
A bronca “Scólari” não tem qualquer fundamento. Ao que parece, o técnico brasileiro apenas respondeu aos vitupérios do desportista sérvio, que o acusou de ser pouco homem (ou homossexual), mostrando este, de punho fechado, o anel que comprova que é muito homem e casado… quantos haverá por aí que até têm uma horda de filhos em casa, mulher e gostam de atracar de poupa!? Nada é o que parece, mas ao que tudo indica, as quase quatro dezenas de milhares de espectadores no estádio de Alvalade, bem como os milhões que seguiram o jogo e os incidentes que lhe seguiram, pela televisão, estavam todos a ver mal!

Na moda, a Fátima Lopes conseguiu mostrar mais meio centímetro de peito e dois de anca nas novas criações para a Primavera-Verão de 2027.
…agora o desporto:
O Benfica teima em jogar de cor-de-rosa e em perder.
O Futebol Clube do Porto não deixa de ser um bando de cabrões arrogantes com sorte.
…e por fim a meteorologia:
Não se percebe nada do que se passa com o tempo! Não há Verão nem Inverno, apenas bom tempo, seguido de mau tempo, depois bom tempo, a seguir mais mau tempo, bom tempo, mau tempo, não tão bom mas não propriamente mau tempo, bom tempo, mau tempo, até tudo isto implodir!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Maddie McCann

Começo este post por congratular a RTP pelo verdadeiro e esforçado serviço público eu prestou hoje com o programa “Prós e Contras”, como já vem sendo um bom hábito. Pode falar-se da questão do Segredo de Justiça, da interferência da imprensa livre e autónoma na construção do senso comum que a sustenta (duplamente), da forma mais ou menos avançada com que uma Polícia, que se quer científica, objectiva e imparcial, digna de um Estado de Direito moderno, elabora e realiza uma investigação criminal, e de muitas outras questões paralelas mas sempre pertinentes, mas certo é ser típico do ser social – não utilizei ser humano propositadamente – o interesse pelos assuntos que lhes são supostamente alheios. Não vou apreciar a imprensa ou as revistas cor-de-rosa, a televisão ou os opinion makers. Apenas me critico a mim, deixando a dica para os demais que me poderão ler neste blog. Não sendo, de facto, uma pessoa curiosa, dou muitas vezes por mim a ler, ouvir e ver tudo o que possa, para tentar perceber mais e melhor o que poderá ter-se passado neste caso tão enigmático, como no caso Casa Pia, no Apito Dourado ou seja lá qual for… mas curioso porquê? Enigmático porquê? E tentar saber tudo porquê? Bem, depois de hoje e tentando não me esquecer desta resolução fantástica, vou aprender a dar tempo ao tempo e deixar que as coisas aconteçam no seu espaço e tempo certo. Tudo importa saber, mas com a devida contextualização, para que depois se possa opinar, ajuizar e criticar, sempre de forma fundamentada. Não interessa em nada decidir afastar-me da informação por mera teimosia bacoca, pois o resultado poderia ser ainda pior (vivo constantemente com o receio de estarmos cada vez mais próximos de um novo estado totalitário mais ou menos invisível), mas não vou alimentar a besta que nós próprios criamos quando abrimos a nossa mente colectiva à fome e necessidade de informação, tão característicos da nossa condição social e humana. Interesse e curiosidade sim, bisbilhotice e intriga, certamente que não! Nos dias de hoje há forças tão poderosas que fogem ao controle das Instituições, de um Estado, de uma Lei. Não podemos ingenuamente alimentar um monstro que se sustenta do próprio lixo que produz, qual máquina perfeita auto-sustentável de DaVinci. Há que haver regras, que as há, bom senso, que nem sempre aparece, rigor, que nem sempre impera, mas sobretudo uma determinação racional e corajosa pela formulação, administração e manutenção de uma autocrítica constante, capaz de conter, educar e manietar, se assim for necessário, o monstro que todos nós ajudamos a criar. Como é costume dizer-se, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. É tudo uma questão de equilíbrio dinâmico de forças, internas e externas: livre-arbítrio e raciocínio lógico a um nível íntimo ou individual; senso comum e consciência colectiva a um nível global ou civilizacional. Seja como for gosto pouco de circos, sobretudo se for eu o palhaço!
Além de palhaço também não gosto de ser urso. Admito que dei o nome da menina ao post para testar cientificamente a visibilidade do meu blog nos próximos dias. Não os espero vencer, sozinho pelo menos, mas também não me quero juntar a eles, acreditem! É apenas um exercício de avaliação usando a mais pura metodologia científica. Não quero mesmo que este blog se desproporcione para além do meu controle, mas também não sou ingénuo ao ponto de não pensar que não estou já inserido no logaritmo que sustenta o motor de busca do Google, o mais usado no mundo inteiro para fazer buscas na internet. A ver vamos…

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Trabalhinhos de verão

Quem é que nunca teve um trabalho de verão? Mesmo que não fosse nada de muita responsabilidade ou algo pontual, qualquer pessoa já dedicou algum tempo das suas férias para ganhar uns trocos ou mesmo para arranjar dinheiro para voltar para casa se o guito das férias já se tivesse acabado. No mundo dos trabalhos temporários e sazonais, com a constante necessidade de arranjar uns biscates ou um part-time, ainda há a motivação acrescida de encontrar o trabalhinho de sonho. Quer seja realizado durante o verão ou o resto do ano, de sonho é ter um trabalho daqueles em que não se faz muito, as responsabilidades são mínimas, ainda se avistam algumas raparigas, até podemos trabalhar para o bronze ou ficar num local em que se esteja à sombra, onde se possa dormitar uns bocadinhos, ouvir música, ler ou ver um filme no leitor de DVD portátil e eventualmente beber qualquer coisa fresca mesmo que não contenha álcool. Parece bem, certo? Pois aqui há uns dias apercebi-me que isso existe ou anda a roçar lá muito perto. Não é apenas uma quimera utópica. Depois da experiência que tive pelos meandros das forças policiais, da qual não me arrependo de forma alguma, acho que na altura escolhi foi mal a força policial. Se tivesse escolhido acertadamente talvez não me tivesse vindo embora. Confesso que não me importava nada ser da GNR, mas teria de ser da Brigada de Trânsito. Aprecio imenso aqueles tipos que ficam dentro dos carros descaracterizados com o radar instalado no pára-choques. Ficam ali tardadas a fio, estiraçados, a bater grandes sornas. E como os carros nunca são pequenos utilitários, têm espaço à bruta para encostar o banco e esticar as pernas, até dá jeito, pois passa mais despercebido. Os tipos da zona de Portalegre, Estremoz e Évora não fazem absolutamente caso algum do que as outras pessoas pensam. Dormem de vidros abertos e com a perna ou braços de fora, caso não tenham ar-condicionado, o que está de todo muito mal pensado, do ponto de vista das condições do posto de trabalho, ou então com o carro ligado e o a/c a funcionar. Eu já me dei ao trabalho de parar por trás e tirar fotografias, os tipos tão duríssimos de sono e não dão por nada. Grandes vidas! Tirando a parte chata que é a formação e o estágio, trabalhar-se por turnos e em horários complicados, e o notável abalo que nos dá à nossa estrutura individual o facto de nos vermos ao espelho e termos de admitir que, passados tantos anos e tanta patifaria típica de criança e adolescente, a dizer mal da bófia em tudo quanto era canto, algumas vezes, inclusive, a ter de fugir deles, nos tornámos naquilo que nunca, alguma vez, em tempo algum, pensaríamos ser possível, sem que de alguma forma fosse revestido de um invólucro de castigo ou tortura… não me parece assim tão mal. É tudo uma questão de feitio.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Caras simpáticas e pernas jeitosas!

Voltando ao tema da publicidade, acho que uma das coisas ridículas que aparecem na televisão e que não enganam ninguém é o facto de aparecerem sempre caras e pernas sem pelos nos anúncios de lâminas, espumas, géis, cremes, ceras e bandas depilatórias. Alguém acha que por debaixo daquela espuma quase apetecível, assim ao género de chantilly de lata, seja numa cara simpática ou numas pernas jeitosas, haverá pelos grossos de quem tem uma barba de dois dias ou não faz a depilação há três semanas? Nada disso! Aqueles tipos não enganam ninguém. É até fácil de perceber logo nos primeiros frames do filme publicitário, e são sempre tipos charmosos com queixadas à George Clooney e gajas belíssimas com valentes trancas tipo Marisa Orth. A publicidade está cheia de falsas expectativas e dá cabo do nosso imaginário. É os reclames de bebidas, de automóveis, dos operadores de telecomunicações, dos champôs… até dos detergentes para a máquina de lavar! São uns piores que os outros. Uns mais imaginativos, outros mais radicais, mas todos nos deixam a desejar e por vezes coisas que nem precisávamos antes de assistirmos àqueles trinta segundos de pura treta com boas cores, boa luminosidade, gente boa, mas nem sempre bons produtos. Ah valentes!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Tourada Caras

Ontem vi numa rotunda um painel publicitário que dizia “VII Grandiosa Tourada Caras”… ora bem, escusado será dizer que comecei logo a imaginar um magote de VIP’s na arena, todos bem vestidos e maquiados, sim, os homens também, a digladiarem-se como nunca o teriam feito antes. Eles eram chapadas com as costas da mão, escarradelas, puxões de cabelos, rasgar de roupa, encontrões, e todo o tipo de luta sem precedentes, pois seria tudo gente pouco acostumada a fazer fosse o que fosse pela frente, mas nessa arena não eram permitidas facas, o que invalidava as habituais facadinhas nas costas… foram uns bons dez segundos de pura loucura imaginada pela minha mente perversa. Depois, lá me apercebi que as bestas estariam nas bancadas e seriam 6 touros 6 da ganadaria lá de trás do sol posto na arena, dois toureiros com nomes de meninas e roupas ainda mais efeminadas, e um grupo de forcados – ou jogadores de rugby – de sabe-se lá onde. Epá, perdoem-me a frontalidade, e até pode parecer preconceito e maldade da minha parte, mas é uma coisa que em todos os aspectos e sentidos me mete algum nojo!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Óculos de sol, compras e uma profunda falta de tacto

Entrar em casa num dia de verão com os óculos escuros na cara e com as mãos cheias de compras, já não basta as fezes – frase tipicamente alentejana – de tentar tirar as chaves do bolso e conseguir abrir a porta sem deixar cair os ovos de um dos oito sacos de compras que temos nas mãos, para ainda entramos em casa e não enxergamos nada porque fica demasiado escuro pela diferença de luminosidade e por não nos termos lembrado de deixar os raybantes no tabelier do bólide. Não conseguimos enxergar onde está o interruptor e também não conseguimos tirar os óculos, e ali ficamos durante uns segundos a tentar acender a luz, tateando parede fora à procura do botão. Outra coisa que irrita, sendo muito deste género, é quando temos de desligar um cabo eléctrico com uma ponta das grossas, de uma extensão tripla com os grampos de terra que está debaixo de um sofá ou detrás de um armário. Esticamos o braço todo, a mão, os dedos e nada; já quase em desequilíbrio e com as pernas num desatino lá nos arrastamos a esbracejar, sem conseguir retirar o cabo da extensão porque aquela porcaria está mesmo presa e não cede nem um milímetro... se ao menos conseguíssemos levantar o sofá ou aparecesse alguém com força para mover o armário neste preciso momento... bastavam dois míseros centímetros... bah!! É do demo!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

automático é sempre pior que manual

Todos nós temos automatismos nas nossas vidas. As máquinas de lavar roupa e loiça, os comandos de infra-vermelhos para tudo quanto é aparelho electrónico, a gravação de voz na caixa de mensagens do telemóvel, o cruise control nos automóveis, as bombas de limpeza da água das piscinas, a televisão ou a aparelhagem que se desligam quando queremos para adormecermos sem que fiquem ligadas a noite toda, os aparelhos que ligam e desligam as luzes em casa aleatóriamente ou de forma fixa para podermos ir de férias deixando a noção aos outros de que há gente em casa, o sistema de rega que liga e desliga sozinho, entre muitas outras coisas que nos facilitam e proporcionam tempo de qualidade numa sociedade que nos exige cada vez mais e nos preenche todo o tempo que temos sem que sobre algum para dedicarmos ao que mais gostamo. Um exemplo que eu deixei para agora, é o da assinatura nos e-mails. Isto é um automatismo que nos pode trazer mais inconvenientes e dissabores do que propriamente vantagens. Acho, e aqui também lanço uma dura crítica à minha pessoa, que é mesmo coisa de preguiçoso. Deixo-vos um exemplo que recebi por mail e que me deu tanto gozo como me fez arrepiar:


Mail para a VODAFONE a pedir cancelamento do contrato:

Cancelamento de contrato- telefone 91*******
Exmos. Senhores,
por falecimento da V. cliente (...), no passado dia 28 de Novembro, queiram por favor proceder ao cancelamento do respectivo contrato, a partir do corrente mês de Dezembro inclusive.
A mesma informação será enviada por correio, conforme carta anexa.
Sem outro assunto,
...



Resposta da Vodafone:

Muito boa tarde, como está?
Para podermos efectuar a desactivação definitiva é necessário que nos envie uma cópia da certidão de óbito do titular.
Deverá confirmar o nº de contribuinte ou nº de conta Vodafone.
Boas festas. Viva o momento, Now!
Paula Santos
apoiocliente@vodafone.pt
Nota: Caso necessite contactar-nos novamente sobre o mesmo assunto agradecemos que faça reply deste e-mail.
PS: Para dúvidas relacionadas com o serviço yorn o mail de apoio ao cliente é
Heeellp@Yorn.net


Contra-resposta:

Re: Cancelamento de contrato- telefone 91*******
Boa tarde. estou bem, muito obrigada. A minha mãe faleceu, por isso estou óptima e vivo o momento, now!
Agradecia que me indicasse a morada para onde deve ser enviada a certidão de óbito.
Boas festas também para si.



Ah, valente!!!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Onda rosa

Hoje fui comprar uns ténis a uma loja de desporto e por brincadeira perguntei ao tipo que me atendeu se pelo facto de não ver os novos equipamentos do Benfica expostos isso significaria que o dono da loja teria bom gosto, ao que ele se prontificou a responder:
- "aqui não interessa de que clube se é, vendem-se equipamentos dos três principais, mas o novo cor de rosa do Benfica esgotou no país inteiro, nem no Estádio da Luz se consegue arranjar!"
Fiquei estarrecido e nem consegui esboçar um esgar que fosse. Já vi este filme em qualquer lado! Hoje em dia anda tudo a virar rosa. São os telemóveis da Motorola, os equipamentos do Benfica, até o Blanka Vanish com aquela frase parva do anúncio televisivo: “confie no rosa, esqueça as nódoas”… é caso para dizer “tenha medo, tenha muito medo”!

sábado, 4 de agosto de 2007

Soposts

O mundo em que nós vivemos nem sempre é aquilo que queremos, desejamos e sonhamos. Custa saber da fome que grassa em certos locais, da pobreza que assola certas pessoas, da falta de cultura geral, do mal que todos andamos a fazer ao planeta, o desemprego, a saúde, entre tantas outras desgraças trágicas e sobejamente nefastas. Tudo isto me consome aos pouquinhos, mas uma situação que me deixa quase fora de mim é a constatação dos nomes de certas empresas que existem em Portugal. Não me interessa se fogem ao Fisco e à Segurança Social, se dão lucros brutais, ou se tratam bem os seus trabalhadores, apenas que não merecem estar abertas apenas e só à conta do nome que envergam nos placards, cartões de visita e papel timbrado. Chega a ser ridículo… Sogiene, Sotalhos, Soferragens, Socarros… será falta de imaginação? Não é algo de tão grave que me tire o sono, mas leva-me o sossego! É triste verificar que há pessoas tão poucochinhas que nem um nome decente conseguem idealizar para a sua empresa. Mostra o quão deprimidos estamos como país, social e economicamente, e a forma como não se vislumbra uma luz, tímida que fosse, no fundo do poço – escolhi poço de propósito, porque metemos água e não vejo grande esperança para este país. Que noção farão os outros de nós a julgar por pormenores como este? Somapeteceéganir!

terça-feira, 31 de julho de 2007

Copos d’água com fartura

Não sei a quantos de vocês isto sucede, mas a mim é com farta e atulhada frequência. Digamos que sete em cada dez copos de água que bebo são sete copos a mais de água com os quais eu me engasgo. Parece caricato e grotescamente ridículo mas é verdade, e desde pequeno que isto sucede. Já tentei perceber o porquê desta situação infernal mas não consigo chegar a grande conclusão. Reuni dados suficientes que me dessem a perceber que isto só ocorre quando bebo de pé e fora das refeições, sempre com água e nunca com sumos, chás, infusões, leite ou bebidas alcoólicas (excepção feita a uma única vez em que me engasguei com Coca-Cola e além de chegar ao goto até me saiu pelas narinas… episódio para esquecer mas que parece não dar descanso à minha mente viciada em recordações divertidas). Não importa se a água está gelada, fria, natural, tépida ou quente. Se é mineral, natural, salobra ou salgada – também já se deu o caso de me engasgar com água do mar, piscina, rio e barragem, mas aí o propósito e a condição norteadora eram outros e opto conscientemente por deixar de fora desta pequena dissertação. Já tentei beber devagar e mais depressa, pausadamente e sem inspirar ou expirar durante o processo de ingestão. Já teorizei e reflecti quase até à exaustão mas sempre longe de alcançar um desfecho que me aprouvesse. Não me parece ser um problema com fundamentos sobrenaturais, mas também não se resolve com análises empíricas ou intuitivas. Não consigo perceber porquê, irrita-me mais do que os 45ºC que estiveram ontem durante o dia, e canso-me de tossir a gastar, durante os aparentemente eternos três ou quatro minutos que se sucedem após cada incidente destes e que se dão na ordem das cinco ou seis vezes por semana.

E-mails do demo!

Abro as hostilidades neste post explicando que não vou tocar na questão dos powerpoints feitos por brasileiros.
Uma vez desfeito o possível equívoco criado pelo título do post, bem como do surpreendente e quasi abrupto prólogo a abrir o post, eis que me dedico à sua normal continuação.
Recebi na minha caixa de correio electrónica, pela enésima vez, um e-mail que anunciava a futura aparição de Marte no firmamento a 27 de Agosto como se de uma segunda Lua se tratasse. Que pela sua estranha e invulgar dimensão a olho nu, causaria um espectáculo de incomparável impacto visual. A par com os tais e-mails dos cãezinhos que estão prestes a serem todos liquidados se não forem resgatados a tempo por quem queira ficar com eles, esta situação desgasta-me a paciência para além da compreensão. Que há gente imbecil com orçamento para adquirir computadores e terem internet em casa, disso não haja qualquer sombra de dúvida – há até gente capaz de coisas muito piores, como votar, ler jornais e ver noticiários na televisão e considerarem-se desoprimidamente instruídas e decisoras do seu próprio destino – agora que eu tenha no meu leque de conhecimentos pessoas ignorantes, capazes de repassar e-mails idiotas, inicialmente sem fundamento e infinitamente repetidos, até à exaustão sem por isso darem conta como se se dessem a esse “trabalho”, tarefa que requer um mínimo de atenção, sem perceber o que lhes chegou e aquilo que ajudaram a fomentar, por muito ingénuo que o resultado possa parecer, isso já me faz alguma espécie. Leiam porra!!! …e se não for demasiado incómodo, pensem um bocadinho.
Gosto muito de tudo o que envolva a Astronomia e demais ciências exactas que a esta se associem no verdadeiro espírito da multidisciplinaridade, bem como de animais, principalmente os menos afortunados, agora este tipo de e-mails tem de acabar.

Dicas para acabar com esta calamidade:
1. leiam tudo, sempre
2. pensem, uma migalha que seja
3. datem os mails quando são vocês a compô-los ou a repassá-los
4. não andem p’raí a dormir!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Ingmar Bergman

Hoje morreu um dos maiores cineastas de todos os tempos, talvez agora venha a saber in loco a verdade sobre o 7º Selo. Se não viram ainda filmes dele, vejam que vale a pena!

domingo, 29 de julho de 2007

Medo, liberdade e um texto fantástico

Tenho receio que se afastem deste texto por ser extenso, mas sem dúvida que vale a pena lê-lo, porque nos põe a pensar. Mais do que outra coisa qualquer, pensar e reflectir é irreversivelmente sinónimo de observar atentamente e criticar, mesmo que fique tudo guardado dentro de nós.

É importante que não deixemos cair certos e bons hábitos. LEIAM, PENSEM, FALEM, FAÇAM UM BLOG!!!

Utilizando uma frase mítica do cinema e do nosso imaginário, e uma outra da publicidade de uma marca conhecida, "fear is the path to the dark side", "have no fear".

grande abraço


Contra o Medo, Liberdade
Manuel Alegre

Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á.

Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.

Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.

Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que "só é livre o homem que liberta". Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, "o partido sem medo", como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.

Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. Aliás, os debates desse congresso, entre Sócrates, eu próprio e João Soares, projectaram o PS para fora de si mesmo e contribuíram em parte para a vitória alcançada nas legislativas. Mas parece que foram o canto do cisne. Ora o PS não pode auto-amordaçar-se, porque isso seria o mesmo que estrangular a sua própria alma.

Há, é claro, o álibi do Governo e da necessidade de reduzir o défice para respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas. O Governo é condicionado a aplicar medidas decorrentes de uma Constituição económica europeia não escrita, que obriga os governos a atacar o seu próprio o social, reduzindo os serviços públicos, sobrecarregando os trabalhadores e as classes médias, que são pilares da democracia, impondo a desregulação e a flexigurança e agravando o desemprego, a precariedade e as desigualdades. Não necessariamente por maldade do Governo. Mas porque a isso obriga o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) conjugado com as Grandes Orientações de Política Económica. Sugeri, em tempos, que se deveria aproveitar a presidência da União Europeia para lançar o debate sobre a necessidade de rever o PEC. O Presidente Sarkozy tomou a iniciativa de o fazer. Gostei de ouvir Sócrates a manifestar-se contra o pensamento único. Mas é este que condiciona e espartilha em grande parte a acção do seu Governo.

Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no Parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.

Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo. Há também o álibi da presidência da União Europeia. Até agora, concordo com a acção do Governo. A cimeira com o Brasil e a eventual realização da cimeira com África vieram demonstrar que Portugal, pela História e pela língua, pode ter um papel muito superior ao do seu peso demográfico. Os países não se medem aos palmos. E ao contrário do que alguém disse, devemos orgulhar-nos de que venha a ser Portugal, em vez da Alemanha, a concluir o futuro Tratado europeu. Parafraseando um biógrafo de Churchill, a presidência portuguesa, na cimeira com o Brasil, recrutou a língua portuguesa para a frente da acção política. Merece o nosso aplauso.

O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude. Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio. António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu "querido talvez" por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato". Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências. Não se pode esquecer também a responsabilidade de um poder mediático que orienta a agenda política para o culto dos líderes, o estereótipo e o espectáculo, em detrimento do debate de ideias, da promoção do espírito crítico e da pedagogia democrática. Tenho por vezes a impressão de que certos políticos e certos jornalistas vivem num país virtual, sem povo, sem história nem memória. Não tenho qualquer questão pessoal com José Sócrates, de quem muitas vezes discordo mas em quem aprecio o gosto pela intervenção política. O que ponho em causa é a redução da política à sua pessoa. Responsabilidade dele? A verdade é que não se perfilam, por enquanto, nenhumas alternativas à sua liderança. Nem dentro do PS nem, muito menos, no PSD. Ora isto não é bom para o próprio Sócrates, para o PS e para a democracia. Porque é em situações destas que aparecem os que tendem a ser mais papistas que o Papa. E sobretudo os que se calam, os que de repente desatam a espiar-se uns aos outros e os que por temor, veneração e respeitinho fomentam o seguidismo e o medo. Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura. Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.