sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

comentário de resposta em jeito de post

Ainda comecei a escrever esta resposta na exígua janelinha dos comentários mas perdi-me visualmente e achei por bem vir colocá-la aqui como post. Cá está...

Pois é, se pesarmos bem as coisas nos pratos da balança, podemos verificar que há muita coisa que por vezes nem damos conta que provoque um efeito tipo bola de neve, senão vejamos:

hoje em dia...
- tudo acontece muito depressa
- a tecnologia, a ciência e os gadgets deixam-nos numa sofreguidão estranha mas de certa forma apetecível, assim em jeito de nos quedarmos "comfortably numb"
- com as consequências da emancipação das mulheres (nada contra, claro!), as mães estão mais tempo fora de casa e nem por isso a maioria dos pais (homens) participam na educação das crianças (mesmo assim confio que a coisa esteja a melhorar, pelo menos a julgar pela publicidade que já põem homens a lavar roupa, loiça e a mudar fraldas)
- como casal, os pais demitem-se inconscientemente da educação dos filhos quando os deixam consumir tudo e mais alguma coisa como forma de compensar a inevitável ausência física e emocional que esta sociedade promove como consequência do egoísmo subjacente ao interesse que por vezes nos parece ser ele próprio partilhado por todos os membros da família (ex.: quero o melhor para os que mais gostos... nem sempre essas coisas boas e melhores se compram com dinheiro e trabalho!)
- por outro lado também é uma forma consciente dos pais proporcionarem aos filhos coisas que eles não tiveram no seu tempo, e isso, como princípio, é de louvar
- a família típica das sociedades modernas (entenda-se "ocidentais") já não é alargada aos avós, sendo apenas a família nuclear: pai+mãe+filho(s), e toda a gente tem a noção de que os mais velhos têm muita coisa boa a ensinar aos mais novos, por muito estuporados que sejam os nossos avós!
- agora estamos COMEÇAR de sofrer os efeitos de uma crise financeira e económica sem precedentes a nível mundial e isso provoca ansiedades (pânico, por vezes), maior ausência emocional por parte dos pais e familiares em geral, desconforto e em alguns casos baixam-se terrivelmente os níveis de qualidade de vida em termos de comida e outras coisas básicas (roupa, aquecimento, etc.)
- a desconfiança gera pouca ou nenhuma solidariedade e o medo aprisiona-nos: quem é que pára para ajudar alguém na estrada? quem é que, em alguns locais do mundo, ajuda alguém que está caído no chão? quem é que dá esmolas a mendigos? quem é que confia nas pessoas que "trabalham" junto aos semáforos e stops? quem é que se dá bem com a vizinhança? quem é que se dispõe a ajudar o próximo não o conhecendo? quem é que confia no seu mecânico ou no técnico de informática da loja do bairro? quem é que não olha com "outros olhos" para um agente da autoridade? quem é que dá o benefício da dúvida a um político?
- e por último, se não me esqueci de nada, acho que estamos a padecer também de uma crise de valores generalizada no que ao "mundo ocidental" diz respeito em que se dá primazia ao consumismo desenfreado e ao entretenimento puro e duro: as novelas, os concursos ridículos, os reality-shows de bradar aos céus pela incrível forma como exploram a nossa humanidade e sentimentos pessoais, as notícias manipuladas nos jornais, rádios e televisão, a internet de um só sentido, etc.

Pegando neste último ponto, acho que os Blogs são a excepção, entre outras coisas, que demonstra que nada pode jamais ferir de morte o espírito humano! Não há regime político, estado de sítio ou condição social que nos faça abandonar as nossas convicções éticas (a moral não é para aqui chamada!), só nós mesmos poderemos algum dia fazê-lo, abdicando de pensar, de reflectir, de conversar, de ler, de observar, de sonhar... uma coisa é certa e inegável, o livre-arbítrio, fundamento mais cabal da condição humana, obriga-nos sempre a fazer uma escolha e a tomar uma decisão face a tudo o que nos acontece e vemos acontecer. Eu cá escolho sempre o comprimido vermelho e libertar-me de qualquer outra condição que se aproprie de mim e prefiro arriscar tomar decisões apaixonadas e irreflectidas em vez de achar que não as tomo, tomando-as, claro, ou deixá-las maturar durante demasiado tempo e perder a janela de oportunidade. Esta vida são dois dias e se não aproveitarmos bem o 1º dia, ou nos divertirmos demais, não estaremos prontos para aproveitar o segundo por falta de experiência ou por estarmos na ressaca do 1º!
Quero mais é que os tipos da SIC e da TVI vão comer um cão cheio de pulgas e que lhes saia do rabo algo que nem a ciência possa identificar.
O problema não são eles, somos nós todos! Eles também são pais e filhos de alguém!

Uma última nota: a NBP (Nicolau Breyner Produções) é dona do franchise Morangos, de todas as bandas de música com eles relacionados (FF, D'Zrt, 4Taste, Just s...) e do incrível merchandise a eles associados. Mete medo!!

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